27 de jun de 2010

Comitê Central do PCB admite a possibilidade de aliança com o PSOL nas eleições de 2010

* Ivan Pinheiro

As últimas duas semanas me obrigaram a uma das mais difíceis reflexões da minha vida de militante. Até então, fui um dos grandes entusiastas da chapa própria do PCB para a Presidência da República, em razão da impossibilidade de constituição da Frente de Esquerda e de outros fatores.
Percorri este ano 17 Estados brasileiros (alguns mais de uma vez) e em todos eles pude sentir o orgulho e a auto-estima da nossa militância, por termos candidato próprio no âmbito nacional. Era fácil perceber o consenso em torno da decisão. Não é para menos. Depois de 18 anos de reconstrução, o PCB se encontra no seu melhor momento, em termos de possibilidades de crescimento com qualidade.

Defendi na reunião do Comitê Central encerrada hoje a possibilidade de mudança desta política, a depender de algumas garantias e dos resultados da continuidade das negociações em torno de propostas que o PSOL nos tem apresentado, em relação às quais, a partir de amanhã, uma comissão composta pelo CC apresentará ponderações e contrapropostas decididas em nossa reunião.

A decisão pela continuidade dos entendimentos com o PSOL foi aprovada, após amplo processo de reflexão, debate e convencimento mútuo, num clima maduro em que se analisaram as perspectivas para além das eleições deste ano e os custos e benefícios da decisão.

Em linhas gerais, as propostas apresentadas formalmente pelo PSOL incluem, entre outros aspectos, o candidato a Vice do PCB, com tempo na televisão e protagonismo destacado; coordenação de campanha em condições de igualdade; programa político a ser construído em seminários amplos; coligações no âmbito estadual de livre decisão dos dois partidos, caso a caso; esforços conjuntos para a manutenção e ampliação da frente de caráter anticapitalista para além das eleições; participação política conjunta em mandatos parlamentares conquistados; campanha em movimento, com conselho político que incorpore outras organizações políticas e sociais.

O Comitê Central tem consciência do impacto que a notícia de uma eventual coligação com o PSOL, se efetivada, poderá provocar em nosso meio e em nosso entorno: perplexidade, dúvidas e até desconfianças. O mais complicado é que este cenário pode se dar a poucos dias do encerramento do prazo para registro de candidaturas.

Devo reconhecer que meu discurso durante a pré-campanha contribui para esta perplexidade. Como estava convencido de que não haveria possibilidade de constituição da aliança, reafirmei o tempo todo, com veemência, que a nossa chapa própria nacional era irreversível.

Mas, se a aliança vier a se concretizar, tenho certeza de que o PCB é maduro para compreender politicamente as razões da decisão, superar a perplexidade inicial e se dedicar como um todo à campanha eleitoral, com o mesmo entusiasmo e a mesma energia que teríamos com a chapa própria.
Com a responsabilidade que exerço hoje, por delegação do PCB, e como nosso candidato a Presidente, não posso deixar de externar a minha opinião.

O orgulho natural de ser o candidato a Presidente da República pelo PCB não pode se sobrepor à reflexão serena e responsável do que é melhor para o Partido. E o melhor para o Partido é sempre o que é melhor para a revolução socialista brasileira. É preciso olhar para além de 3 de outubro de 2010!
 
Até recentemente, era consenso no Comitê Central que alguns fatores importantes inviabilizavam a coligação, como registramos na Nota Política “Por que o PCB vai apresentar candidatura própria nas eleições presidenciais”:

- O trauma das eleições de 2006, em que a candidata a Presidente não respeitava coordenação de campanha nem acordos, subestimava a necessidade de um programa e falava o que lhe vinha à cabeça, além de privilegiar na campanha candidatos de sua preferência pessoal;
- A dissolução, após as eleições, da Frente de Esquerda, que não passou de uma coligação eleitoral;

- O exercício personalizado dos mandatos parlamentares conquistados pela coligação;

- A postura errática do PSOL, desde setembro do ano passado, para a escolha de sua candidatura à Presidência, que passou pela aposta em Heloísa Helena, pela ilusão em Marina Silva e por uma dramática disputa interna que parecia deixar seqüelas de difícil superação.

Por outro lado, havia entre nós a avaliação de que os setores sindicais do PSOL iriam compor uma central sindical/popular com o PSTU, dentro de um acordo que poderia levar a uma coligação eleitoral entre esses dois partidos.

Outra avaliação que tínhamos era de que, em função das seqüelas das disputas internas, a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio poderia ser “cristianizada” por parte importante do PSOL, que se alinhara em torno de outra candidatura na disputa interna e que esse partido passaria por uma crise desagregadora.

No entanto, fatos e informações recentes nos indicam que houve importantes alterações neste quadro:

- O Congresso em que se criaria a nova central encerrou-se com uma divisão de complexa reparação.

- O PSOL recompôs sua unidade dentro da diversidade mais cedo que esperávamos e a candidatura Plínio unificou todas as correntes nacionais do partido, à exceção de um grupo regional que gravita em torno da candidata ao Senado por Alagoas.

Estes fatores levaram a CPN a reavaliar o quadro político, sem paixão, corporativismo ou autoproclamação, à luz das Resoluções do XIV Congresso, já que a nossa política eleitoral é condicionada à tática e a estratégia da revolução brasileira.

Desta forma, na semana passada, a CPN resolveu convocar a reunião do CC que hoje se encerrou e, aceitando a proposta do PSOL de continuar o diálogo, constituiu uma comissão específica para participar destes entendimentos, que se desdobraram por toda a semana passada, resultando na apresentação, por parte do PSOL, de uma proposta formal. O Comitê Central considerou positiva, mas insuficiente em alguns aspectos, a proposta apresentada e resolveu dar curso aos entendimentos.

A orientação do CC é no sentido de autorizar uma comissão de entendimentos a avançar na negociação, procurando fazer com que o acordo seja bom para ambas as partes e possa ser celebrado até esta quarta-feira.

Segundo a posição aprovada na reunião do CC, a aliança eleitoral com o PSOL nestas eleições pode criar um patamar elevado para estreitar a unidade de ação, em nosso país, nas lutas contra-hegemônicas, diante da ofensiva do capital, o que pode ter reflexos positivos no relacionamento entre nossos partidos e militantes, no ambiente sindical e operário, no movimento estudantil e entre a juventude trabalhadora, na solidariedade internacionalista e em outras frentes de luta.

Uma vez concretizada, esta aliança eleitoral pode contribuir para a atração de um pólo importante para a constituição da frente anticapitalista, se formos capazes de influir no sentido de uma campanha movimento em que, nas lutas concretas com os diversos movimentos políticos e sociais e personalidades do campo socialista, possamos ir criando um clima de unidade e debatendo um programa comum. A parceria eleitoral pode ajudar na transformação da frente num espaço permanente de consultas, acordos e lutas comuns.

Neste momento, temos que ter maturidade para perceber que esta aliança tem elementos táticos e estratégicos importantes e que não tem contradições com a necessidade de reconstruir revolucionariamente o PCB.
A maturidade que caracteriza os comunistas está acima dos raciocínios do curto prazo e do espírito de corpo; devemos privilegiar o que é melhor para o proletariado, para derrotarmos nossos inimigos de classe e para a revolução socialista.

Ivan Pinheiro
Secretário Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)
27 de junho de 2010
Obs.: este texto foi aprovado pelo Comitê Central do PCB.

FONTE: PCB

26 de jun de 2010

A coragem moral de Aldo Rebelo

A direita agradece ao PCdoB: “o árbitro independente” da luta de classes


Veja abaixo artigo de Kátia Abreu, a líder nacional dos latifundiários, maior inimiga pública do MST, Senadora do DEM por Tocantins, presidente da Confederação Nacional da Agricultura e dirigente da UDR. José Serra não a aceitou como candidata a Vice porque ela está ainda mais à direita do que ele.

KÁTIA ABREU

Há conceitos que não se prestam a manipulações ideológicas: o certo, o lógico, o adequado e o equilibrado não são nem de direita nem de esquerda. Nem são monopólio de grupos ou entidades. São expressões da realidade, acessíveis à percepção humana.

Certas circunstâncias, porém, a embotam: o sectarismo ideológico, por exemplo. Nesse caso, em particular, deriva frequentemente para o surrealismo. O agronegócio, responsável pelos sucessivos êxitos do país na balança comercial e um dos segmentos que mais gera emprego e renda, é tratado por alguns como inimigo público número um.

Essa distorção se dá atualmente nas discussões em torno do projeto do novo Código Florestal Brasileiro, em debate na Câmara dos Deputados. Reedita-se um conflito em essência artificial: o de meio ambiente versus produção. Felizmente, seu relator, o deputado Aldo Rebelo (PC do B - SP), colocou-se acima de interesses, dogmas e mesquinharias, munindo-se das ferramentas da lógica, do bom senso e, sobretudo, do interesse público para legislar.

Não se trata, pois, de um relatório, como alguns quiseram insinuar, ao feitio dos produtores rurais. Estes terão que se adaptar às novas regras e cortar na própria carne. Mas, sem dúvida, concilia visões antagônicas entre produção e equilíbrio ambiental. A discussão e votação desse projeto não pode se reduzir a uma queda de braço entre tendências ideológicas. A hora é de bom senso, não de paranoia ideológica.

Ao analisar a ousada defesa do novo código feita no Congresso pelo deputado comunista Aldo Rebelo, me ocorreu a saga de Heráclito Fontoura Sobral Pinto - que passou à história como Sobral Pinto. Um país que teve um Sobral Pinto não precisa invocar o universal Dom Quixote para qualificar cidadãos que desafiam o estabelecido e, em nome das suas convicções, pouco se importam com a onda de infâmias, deboche e perseguições.

Todos conhecem, ao menos por ouvir falar, o advogado, católico fervoroso e, consequentemente, anticomunista (pelo menos nos anos 30 do século 20 era assim), que defendeu Luiz Carlos Prestes e sua mulher Olga Benário, presos sem qualquer respeito aos direitos humanos logo após a chamada Intentona Comunista.

Ninguém queria assumir a defesa de Prestes, e a OAB designou o único destemido que se dispunha à ousadia. O deputado Aldo Rebelo, no desafio que lhe foi posto, também lida com a defesa de valores essenciais à atividade humana.

Questiona, de peito aberto e sem meias palavras, a barreira de preconceitos, hipocrisias, lugares-comuns e, principalmente, a pusilanimidade antidemocrática e o conformismo. Com sua autoridade moral e sua incorruptibilidade, Aldo Rebelo transformou um desastre anunciado em uma agenda nova na discussão de questões do meio ambiente e da agropecuária.

Como nacionalista, posição que os patriotas envergonhados procuram desdenhar; com sua biografia de filho de vaqueiro, quando experimentou a desproteção das populações rurais; com sua carreira política, desde o movimento estudantil, em bases populares, que lhe permitiram conhecer a fome; com os próprios instrumentos da sua formação filosófica, o deputado Aldo Rebelo não é um aliado conquistado pela agropecuária.

É um testemunho de coragem e racionalidade, que assume, como árbitro independente, um jogo em que o desenvolvimento nacional estava ameaçado por fantasias generosas e interesses escusos. Aldo Rebelo me lembra Sobral Pinto, defendendo com desassombro os direitos humanos do revolucionário Luiz Carlos Prestes, não por ser comunista, mas pela sua fé e por suas convicções democráticas.

FONTE: PCB


HONDURAS não se rende! Resiste!

Desde o território hondurenho em resistência, Jubileu Sul/Américas chama a mobilizar-se e manifestar nossa solidariedade com o heróico povo hondurenho, que durante um ano leva adiante uma exemplar luta, primeiro contra a ditadura e hoje contra o atual governo ilegítimo, por uma Assembléia Nacional Constituinte que refunde o país, baseado na defensa da vida, da dignidade e dos direitos do povo.

Há um ano, em 28 de junho de 2009, a oligarquia hondurenha junto ao exército, com a mão do imperialismo e benzida pela hierarquia da Igreja Católica, seqüestrou e expulsou do país o Presidente constitucional, Manuel Zelaya Rosales, para impor um regime de repressão em beneficio dos negócios dos grandes empresários locais e das empresas multinacionais, em detrimento dos direitos coletivos.

Esse regime golpista encabeçado pelo Sr. Micheletti avançou sobre os direitos sociais dos trabalhadores e trabalhadoras e implantou um regime que tirou a vida de dezenas de pessoas. Ao mesmo tempo, o Estado destinou milhões de dólares para incrementar os negócios privados e aumentar substancialmente o orçamento militar, postergando uma vez mais os direitos econômicos, sociais e culturais e gerando uma dívida ilegítima que não foi usada em beneficio do povo, senão ao contrário. Denunciamos essa acumulação de dívida e sustentamos o direito que assiste ao povo hondurenho a se negar a honrar este pagamento, porque carece de toda legitimidade e é passiva de nulidade absoluta por haver sido contraída por um regime ditatorial.

Manifestamos nosso repudio e não reconhecimento do governo do Sr. Porfirio Lobo, surgido de eleições ilegítimas e continuador da repressão contra o povo hondurenho. Durante 2010 houve mais de 100 assassinatos de membros da resistência, como também ameaças, intimidações, prisões injustificadas e torturas que não podem ficar impunes. De igual modo, denunciamos que as dívidas financeiras contraídas pelo atual governo, com a cumplicidade das Instituciones Financeiras Internacionais e outros prestamistas internacionais e nacionais, carecem de legitimidade por ser uma continuidade do regime ditatorial.

Fazemos um chamado aos povos e  governos da América Latina e do Caribe em particular, e do resto do mundo, a seguir sustentando o não reconhecimento do atual governo ilegítimo de Honduras e a realizar as gestões ao seu alcance frente aos organismos internacionais e nacionais para garantir a plena vigência dos direitos humanos e o fim da repressão no país. E a reconhecer à Frente Nacional de Resistência Popular (FNRP) como um genuíno representante dos interesses do povo hondurenho.

Este 28 de junho nos convocamos frente aos consulados e embaixadas de Honduras em nossos países para demonstrar nosso repudio ao golpe de Estado e ao atual governo ilegítimo e manifestar nossa ativa solidariedade com a resistência hondurenha e o  apoio a realização da Assembléia Nacional Constituinte.

Viva a resistência hondurenha!
Viva a Assembléia Constituinte e a refundação de Honduras!
JUBILEU SUR/AMÉRICAS 23 de junho de 2010



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25 de jun de 2010

Como desejaria estar errado-REFLEXÕES DE FIDEL

QUANDO estas linhas se publiquem no jornal Granma, amanhã, sexta-feira, o dia 26 de julho, data na qual sempre lembramos com orgulho a honra de ter resistido os embates do império, ficará distante, apesar de que somente restam 32 dias.

Aqueles que determinam cada passo do pior inimigo da humanidade — o imperialismo dos EUA, uma mistura de mesquinhos interesses materiais, desprezo e subestimação as demais pessoas que habitam o planeta — o calcularam tudo com precisão matemática.

Na reflexão de 16 de junho escrevi: "Entre jogo e jogo da Copa Mundial de Futebol, as notícias diabólicas vão deslizando aos poucos, de forma tal que ninguém se ocupe delas".

O famoso evento esportivo entrou nos seus momentos mais emocionantes. Durante 14 dias os times integrados pelos melhores futebolistas de 32 países competiram para avançar rumo a fase de oitavas de final; depois vêm sucessivamente as fases de quartas de final, semifinais e o final do evento.

O fanatismo esportivo cresce incessantemente, cativando centenas e talvez milhares de milhões de pessoas em todo o planeta.

Haveria que se perguntar quantos, no entanto, conhecem que desde 20 de junho navios militares norte-americanos, inclusive o porta-aviões Harry S. Truman, escoltado por um ou mais submarinos nucleares e outros navios de guerra com mísseis e canhões mais potentes que o dos velhos navios de guerra utilizados na última guerra mundial entre 1939 e 1945, navegavam rumo as costas iranianas através do canal de Suez.

Juntamente com as forças navais ianques avançavam navios militares israelenses, com armamento igualmente sofisticado, para inspecionar quanta embarcação parta para exportar e importar produtos comerciais que o funcionamento da economia iraniana requer.

O Conselho de Segurança da ONU, por proposta dos EUA, com o apoio da Grã-Bretanha, França e Alemanha, aprovou uma poderosa resolução que não foi vetada por nenhum dos cinco países que ostentam esse direito.
Outra resolução mais forte foi aprovada por acordo do Senado dos Estados Unidos.

Com posterioridade, uma terceira resolução mais poderosa ainda, foi aprovada pelos países da Comunidade Europeia. Tudo isto aconteceu antes de 20 de junho, o que motivou uma viagem urgente do presidente francês, Nicolas Sarkozy à Rússia, segundo notícias, para entrevistar-se com o chefe de Estado desse poderoso país, Dimitri Medvédev, com a esperança de negociar com o Irã e evitar o pior.

Agora se trata de calcular quando as forças navais dos EUA e de Israel se desdobrarão frente às costas do Irã, para unir-se aos porta-aviões e demais navios militares norte-americanos que estão à espreita nessa região.

O pior é que, igual que os Estados Unidos, Israel, seu gendarme no Oriente Médio, possui modernos aviões de ataque e sofisticadas armas nucleares fornecidas pelos EUA, que o tornou na sexta potência nuclear do planeta por seu poder de fogo, entre as oito reconhecidas como tais, que incluem à Índia e o Paquistão.

O Xá do Irã foi derrocado pelo aiatolá Ruhollah Jomeini em 1979 sem empregar uma arma. Depois, os Estados Unidos impuseram-lhe a guerra àquela nação com o emprego de armas químicas, cujos componentes forneceu ao Iraque juntamente com a informação requerida pelas suas unidades de combate e que foram empregues por estas contra os Guardiães da Revolução. Cuba o conhece porque nesse então era, como temos explicado outras vezes, presidente do Movimento de Países Não-Alinhados. Sabemos muito bem os estragos que causou na sua população. Mahmud Ahmadineyad, atualmente chefe de Estado no Irã, foi chefe do sexto exército dos Guardiães da Revolução e chefe dos Corpos dos Guardiães nas províncias ocidentais do país, que levaram o peso principal daquela guerra.

Hoje, em 2010, tanto os EUA quanto Israel, depois de 31 anos, subestimam o milhão de homens das Forças Armadas do Irã e sua capacidade de combate por terra, e às forças de ar, mar, e terra dos Guardiães da Revolução.

A estas se acrescentam os 20 milhões de homens e mulheres, entre 12 e 60 anos, selecionados e treinados sistematicamente por suas diversas instituições armadas entre os 70 milhões de pessoas que habitam o país.
O governo dos EUA elaborou um plano para organizar um movimento político que, apoiando-se no consumismo capitalista, dividisse os iranianos e derrubasse o regime.

Tal esperança é atualmente inócua. Resulta risível pensar que com os navios de guerra estadunidenses, unidos aos israelenses, despertem as simpatias de um só cidadão iraniano.

Pensava inicialmente, ao analisar a atual situação, que a contenda começaria pela península da Coreia, e ali estaria o detonador da segunda guerra coreana que, a sua vez, daria lugar de imediato à segunda guerra que os Estados Unidos lhe imporiam ao Irã.

Agora, a realidade muda as coisas no avesso: a do Irã desatará de imediato a da Coreia.

A direção da Coreia do Norte, que foi acusada do afundamento do "Cheonan", e sabe perfeitamente que foi afundado por uma mina que os serviços de inteligência ianque conseguiram colocar no casco desse navio, não esperará um segundo para atuar enquanto no Irã se inicie o ataque.

É justo que os fanáticos do futebol desfrutem das competições da Copa do Mundo. Somente cumpro o dever de exortar o nosso povo pensando, sobretudo em nossa juventude, cheia de vida e esperanças, e especialmente nas nossas maravilhosas crianças, para que os fatos não nos surpreendam absolutamente desprevenidos.

Dói-me pensar em tantos sonhos concebidos pelos seres humanos e nas assombrosas criações das quais têm sido capazes em só uns poucos milhares de anos.

Quando os sonhos mais revolucionários se estão cumprindo e a Pátria se recupera firmemente, como desejaria estar errado!
Fidel Castro Ruz
24 de junho de 2010
21h34



 

24 de jun de 2010

O novo crime de Israel indigna mas não surpreende

Depois de recordar o apelo de diversas organizações palestinas e de algumas organizações de solidariedade com a sua luta para um grande boicote internacional às mercadorias provenientes de Israel, Doménico Losurdo recorda-nos a legitimidade desta forma de luta e alguns casos passados de sucesso.

O crime perpetrado por Israel em águas internacionais, contra pacifistas empenhados em levar socorro aos prisioneiros desse imenso campo de concentração que passou a ser Gaza, pode e deve indignar, mas não nos surpreende: há muito que o governo de Tel-Aviv mostra como está decidido a atingir pelo terror não apenas as vítimas directas do seu expansionismo colonial, mas até os que ousem exprimir a sua solidariedade com as vítimas e que, de uma forma ou doutra, entravem a terrível máquina de guerra e de opressão à qual os carrascos recorrem. 

A tese segundo a qual os pacifistas estavam armados e portanto mereciam a morte é a contrapartida daquela outra segundo a qual era uma obrigação moral desencadear a operação «Shock and Awe» (Choque e Horror!) contra o Iraque de Saddam, culpado de possuir armas de destruição massiva! A solidariedade e cumplicidade de fundo que ligam Israel e os Estados Unidos revela-se assim na arte da manipulação e não é substancialmente alterada pela alternância dos diversos locatários da Casa Branca. É uma manipulação que, se não é abertamente estimulada, pelo menos não é dificultada pela grande imprensa de «informação». 

Nos últimos tempos, tanto na Palestina, como em certos sectores do Ocidente, está a desenvolver-se uma nova forma de luta consistindo no boicote das mercadorias produzidas pelos colonos que, em flagrante violação do direito internacional e dos Direitos Humanos, continuam a expandir-se nos territórios ocupados. Seria uma oportunidade para os que não se cansam de condenar a «violência» da resistência saudarem esta forma de luta tipicamente não-violenta que é o boicote. E no entanto, o que aconteceu foi o contrário. No «Corriere della Sera», Furio Colombo e alguns outros apressaram-se nos últimos dias a considerar que o boicote das exportações israelitas provenientes dos territórios ilegalmente ocupados faz pensar nas medidas tomadas pela Alemanha nazi contra as lojas propriedade dos judeus.

Que se passa na verdade? Conforme lembrei no meu último livro «La non-violenza. Uma storia fuori dal mito», os povos oprimidos e em primeiro lugar os povos colonizados recorreram constantemente ao boicote. É um instrumento de luta que, para nos limitarmos ao séc. XX, vemos em acção na China, ao longo do protesto organizado pelo movimento do 4 de Maio (1919) contra a pretensão do Japão, animada ou tolerada pelas outras potências imperialistas, de impor o seu protectorado ao grande país asiático. Uma dezena de anos depois do boicote dos tecidos, sucede-se na Índia o boicote dos produtos da indústria inglesa. Neste caso, é o movimento inspirado e dirigido por Ghandi que conduz a agitação: «As mulheres faziam regularmente piquete nos armazéns onde era vendido vestuário produzido na Grã-Bretanha. Seguiam as outras mulheres que saíam dos armazéns e tentavam convencê-las a irem trocar as compras». Alguns anos depois, foi a comunidade judia internacional que sugeriu o boicote dos produtos alemães em resposta à fúria anti-semita de Hitler. É nesta tradição que assenta o movimento que procura hoje atingir as mercadorias produzidas exclusivamente graças ao expansionismo colonial inumano nos territórios palestinianos ocupados.

Evidentemente que desde o início o regime nazi se aplicou no estrangulamento da actividade comercial e industrial dos judeus alemães e na privação das suas propriedades legítimas. Mas, tudo isso nada tem a ver com o boicote (instrumento tradicional dos povos oprimidos) e sim com a utilização terrorista do poder político. Se se quer uma analogia, é necessário então referir as medidas que hoje atingem os palestinianos, expropriados das suas casas, das suas terras, dos seus olivais e postos cada vez mais na impossibilidade de levarem uma vida humana digna desse nome. 

A condenação e até a criminalização que o poder e a ideologia dominantes fazem da luta não-violenta contra o colonialismo sionista é, apesar de alguns momentos de embaraço e aparente distanciação, a confirmação da vontade de Washington e Bruxelas deixarem impunes os crimes de Israel, mesmo os cometidos em águas internacionais, condenando pelo contrário seja qual for a forma de resistência do povo palestiniano.



Na vertente oposta, é obrigação moral de todo o democrata, anticolonialista e antifascista solidarizar-se com a resistência palestiniana (e árabe e muçulmana) contra o imperialismo e contra o colonialismo. Cabe à resistência palestiniana decidir e escolher as formas de luta.

* Domenico Losurdo, filósofo e historiador, é Professor da Universidade de Urbino, Itália

Este texto foi publicado em www.voltairenet.org
Tradução: Jorge Vasconcelos

FONTE: ODiario.info  


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21 de jun de 2010

Guerra contra a Democracia por John Pilger

“Guerra contra a Democracia” é um documentário de 2007 escrito por John Pilger e dirigido por ele mesmo e Christopher Martin

O documentário centra-se na intromissão dos EUA nos assuntos políticos da América Latina.

Descreve a participação da CIA nos golpes de estado contra Jacobo Arbenz na Guatemala e Salvador Allende no Chile. Também aborda o tema da situação econômica no Chile depois da ditadura de Augusto Pinochet, a ascensão de Evo Morales na Bolívia e o golpe de estado contra o presidente Hugo Chavez da Venezuela, em 2002 que teve a provável participação dos EUA, através da CIA.”

“Guerra contra a democracia” foi premiado em Londres como o melhor documentário do ano e é um “must see” para todos os que desejam conhecer melhor as “operações sombrias” planejadas, financiadas e executadas pelo governo dos EUA contra países da América Latina.

Os EUA possuem mais de 700 bases militares espalhadas pelo mundo, tem fomentado, financiado e participado direta ou indiretamente em quase todas as guerras ocorridas no planeta no século 20.


Com a ascensão do petróleo como a mais importante matéria prima do século 20, os EUA tem operado ativamente em dominar política e logisticamente todos os países ricos em Petróleo.

Desde a nacionalização do petróleo na Venezuela por Hugo Chavez, os EUA tem trabalhado incessantemente em demonizá-lo.
Atualmente os EUA tem um “braço” militar instalado na vizinha Colômbia através de muitas bases militares e tem trabalhado em incitar atrito entre Venezuela e Colômbia, uma “política” condizente com o interesse dos EUA em desestabilizar o governo nacionalista e anti imperialista do presidente Chavez..

John Pilger, jornalista australiano, ganhador de muitos premios internacionais, tem uma carreira impressionante de trabalho como jornalista, autor, conferencista e detentor oito títulos de doutor Honoris causa de varias universidades.


Este documentário encontra-se em http://resistir.info/pilger/guerra_contra_democracia.html



 

Website oficial:
http://www.johnpilger.com/

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20 de jun de 2010

Saramago, um camarada de todas as horas dos Sem Terra do Brasil

Por todo o mundo, se lamenta a morte do grande escritor comunista português José Saramago. 

A literatura universal perde um de seus maiores mestres. De origens camponesas, apesar de ter trabalhado em diversos ofícios antes de se dedicar à escrita, Saramago nos propõe, a partir de seus romances, que reflitamos sobre alguns dos principais dilemas humanos. 

Logo naquele que é considerado seu primeiro grande livro, chamado “Levantado do Chão”, nos descreve tão bem a tragédia do camponês do sul de Portugal na luta para ver a terra dividida.
 
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) sente profundamente a perda desse grande intelectual. Mas, acima de tudo, sentimos a perda de um amigo e camarada. 

Amigo que sempre tivemos por perto na defesa das mesmas bandeiras de Reforma Agrária, igualdade e justiça social, sem nunca esconder a sua posição política. 

Amigo do qual recebemos sempre solidariedade. Seja na forma de palavras, seja com ações concretas, como a que teve para conosco quando se somou à exposição e livro de fotografias Terra, juntamente com Sebastião Salgado e Chico Buarque, em 1997. Graças a essa iniciativa, pudemos iniciar a construção de nossa escola nacional. 

João Pedro Stedile, José Saramago, Sebastião Salgado e Chico Buarque no lançamento do livro Terra

Ou quando recusou, em agosto de 1999, receber o título de doutor “honoris causa” no Pará, em sinal de protesto contra o andamento do julgamento do massacre de 19 Sem Terra em Eldorado dos Carajás, em 17 de abril de 1996. 

Nós, Sem Terra do Brasil, seremos sempre gratos à sua solidariedade. E nossa maior homenagem lhe prestamos por meio da nossa luta por uma vida digna para os trabalhadores rurais do Brasil e do mundo.

E assim como ele seguiremos solidários com todos os povos oprimidos, como do Haiti e da Palestina.

Suas palavras e seu exemplo continuarão sempre a incitar a nossa reflexão e luta, como essas:

O mal é não estarmos organizados, devia haver uma organização em cada prédio, em cada rua, em cada bairro, Um governo, disse a mulher, Uma organização, o corpo também é um sistema organizado, está vivo enquanto se mantém organizado, e a morte não é mais do que o efeito de uma desorganização,… (José Saramago, em "Ensaio Sobre a Cegueira")

Fonte: MST



Este mundo da injustiça globalizada

O Fórum Social Mundial de 2002 foi encerrado com a leitura de um texto do escritor português José Saramago (1922-2010). Neste texto, reproduzido abaixo, Saramago repete a pergunta de Lênin, "Que Fazer?" (livro publicado em 1902, cem anos antes, portanto) e defende que, antes que "se nos torne demasiado tarde", é urgente "promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência".
Por José Saramago


Começarei por vos contar em brevíssimas palavras um facto notável da vida camponesa ocorrido numa aldeia dos arredores de Florença há mais de quatrocentos anos. Permito-me pedir toda a vossa atenção para este importante acontecimento histórico porque, ao contrário do que é corrente, a lição moral extraível do episódio não terá de esperar o fim do relato, saltar-vos-á ao rosto não tarda.

Estavam os habitantes nas suas casas ou a trabalhar nos cultivos, entregue cada um aos seus afazeres e cuidados, quando de súbito se ouviu soar o sino da igreja. Naqueles piedosos tempos (estamos a falar de algo sucedido no século XVI) os sinos tocavam várias vezes ao longo do dia, e por esse lado não deveria haver motivo de estranheza, porém aquele sino dobrava melancolicamente a finados, e isso, sim, era surpreendente, uma vez que não constava que alguém da aldeia se encontrasse em vias de passamento. Saíram portanto as mulheres à rua, juntaram-se as crianças, deixaram os homens as lavouras e os mesteres, e em pouco tempo estavam todos reunidos no adro da igreja, à espera de que lhes dissessem a quem deveriam chorar. O sino ainda tocou por alguns minutos mais, finalmente calou-se. Instantes depois a porta abria-se e um camponês aparecia no limiar.

Ora, não sendo este o homem encarregado de tocar habitualmente o sino, compreende-se que os vizinhos lhe tenham perguntado onde se encontrava o sineiro e quem era o morto. "O sineiro não está aqui, eu é que toquei o sino", foi a resposta do camponês. "Mas então não morreu ninguém?", tornaram os vizinhos, e o camponês respondeu: "Ninguém que tivesse nome e figura de gente, toquei a finados pela Justiça porque a Justiça está morta."

Que acontecera? Acontecera que o ganancioso senhor do lugar (algum conde ou marquês sem escrúpulos) andava desde há tempos a mudar de sítio os marcos das estremas das suas terras, metendo-os para dentro da pequena parcela do camponês, mais e mais reduzida a cada avançada. O lesado tinha começado por protestar e reclamar, depois implorou compaixão, e finalmente resolveu queixar-se às autoridades e acolher-se à protecção da justiça. Tudo sem resultado, a expoliação continuou. Então,
desesperado, decidiu anunciar urbi et orbi (uma aldeia tem o exacto tamanho do mundo para quem sempre nela viveu) a morte da Justiça.

Talvez pensasse que o seu gesto de exaltada indignação lograria comover e pôr a tocar todos os sinos do universo, sem diferença de raças, credos e costumes, que todos eles, sem excepção, o acompanhariam no dobre a finados pela morte da Justiça, e não se calariam até que ela fosse ressuscitada. Um clamor tal, voando de casa em casa, de aldeia em aldeia, de cidade em cidade, saltando por cima das fronteiras, lançando pontes sonoras sobre os rios e os mares, por força haveria de acordar o mundo adormecido... Não sei o que sucedeu depois, não sei se o braço popular foi ajudar o camponês a repor as estremas nos seus sítios, ou se os vizinhos, uma vez que a Justiça havia sido declarada defunta, regressaram resignados, de cabeça baixa e alma sucumbida, à triste vida de todos os dias. É bem certo que a História nunca nos conta tudo...

Suponho ter sido esta a única vez que, em qualquer parte do mundo, um sino, uma campânula de bronze inerte, depois de tanto haver dobrado pela morte de seres humanos, chorou a morte da Justiça. Nunca mais tornou a ouvir-se aquele fúnebre dobre da aldeia de Florença, mas a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exacto e rigoroso sinónimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em acção, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.


Mas os sinos, felizmente, não tocavam apenas para planger aqueles que morriam. Tocavam também para assinalar as horas do dia e da noite, para chamar à festa ou à devoção dos crentes, e houve um tempo, não tão distante assim, em que o seu toque a rebate era o que convocava o povo para acudir às catástrofes, às cheias e aos incêndios, aos desastres, a qualquer perigo que ameaçasse a comunidade. Hoje, o papel social dos sinos encontra-se limitado ao cumprimento das obrigações rituais e o gesto iluminado do camponês de Florença seria visto como obra desatinada de um louco ou, pior ainda, como simples caso de polícia.

Outros e diferentes são os sinos que hoje defendem e afirmam a possibilidade, enfim, da implantação no mundo daquela justiça companheira dos homens, daquela justiça que é condição da felicidade do espírito e até, por mais surpreendente que possa parecer-nos, condição do próprio alimento do corpo. Houvesse essa justiça, e nem um só ser humano mais morreria de fome ou de tantas doenças que são curáveis para uns, mas não para outros. Houvesse essa justiça, e a existência não seria, para mais de metade da humanidade, a condenação terrível que objectivamente tem sido. Esses sinos novos cuja voz se vem espalhando, cada vez mais forte, por todo o mundo são os múltiplos movimentos de resistência e acção social que pugnam pelo estabelecimento de uma nova justiça distributiva e comutativa que todos os seres humanos possam chegar a reconhecer como intrinsecamente sua, uma justiça protectora da liberdade e do direito, não de nenhuma das suas negações.

Tenho dito que para essa justiça dispomos já de um código de aplicação prática ao alcance de qualquer compreensão, e que esse código se encontra consignado desde há cinquenta anos na Declaração Universal dos Direitos Humanos, aquelas trinta direitos básicos e essenciais de que hoje só vagamente se fala, quando não sistematicamente se silencia, mais desprezados e conspurcados nestes dias do que o foram, há quatrocentos anos, a propriedade e a liberdade do camponês de Florença. E também tenho dito que a Declaração Universal dos Direitos Humanos, tal qual se encontra redigida, e sem necessidade de lhe alterar sequer uma vírgula, poderia substituir com vantagem, no que respeita a rectidão de princípios e clareza de objectivos, os programas de todos os partidos políticos do orbe, nomeadamente os da denominada esquerda, anquilosados em fórmulas caducas, alheios ou impotentes para enfrentar as realidades brutais do mundo actual, fechando os olhos às já evidentes e temíveis ameaças que o futuro está a preparar contra aquela dignidade racional e sensível que imaginávamos ser a suprema aspiração dos seres humanos.

Acrescentarei que as mesmas razões que me levam a referir-me nestes termos aos partidos políticos em geral, as aplico por igual aos sindicatos locais, e, em consequência, ao movimento sindical internacional no seu conjunto. De um modo consciente ou inconsciente, o dócil e burocratizado sindicalismo que hoje nos resta é, em grande parte, responsável pelo adormecimento social decorrente do processo de globalização económica em curso. Não me alegra dizê-lo, mas não poderia calá-lo. E, ainda, se me autorizam a acrescentar algo da minha lavra particular às fábulas de La Fontaine, então direi que, se não interviermos a tempo, isto é, já, o rato dos direitos humanos acabará por ser implacavelmente devorado pelo gato da globalização económica.

E a democracia, esse milenário invento de uns atenienses ingénuos para quem ela significaria, nas circunstâncias sociais e políticas específicas do tempo, e segundo a expressão consagrada, um governo do povo, pelo povo e para o povo? Ouço muitas vezes argumentar a pessoas sinceras, de boa fé comprovada, e a outras que essa aparência de benignidade têm interesse em simular, que, sendo embora uma evidência indesmentível o estado de catástrofe em que se encontra a maior parte do planeta, será precisamente no quadro de um sistema democrático geral que mais probabilidades teremos de chegar à consecução plena ou ao menos satisfatória dos direitos humanos. Nada mais certo, sob condição de que fosse efectivamente democrático o sistema de governo e de gestão da sociedade a que actualmente vimos chamando democracia. E não o é. É verdade que podemos votar, é verdade que podemos, por delegação da partícula de soberania que se nos reconhece como cidadãos eleitores e normalmente por via partidária, escolher os nossos representantes no parlamento, é verdade, enfim, que da relevância numérica de tais representações e das combinações políticas que a necessidade de uma maioria vier a impor sempre resultará um governo.


Tudo isto é verdade, mas é igualmente verdade que a possibilidade de acção democrática começa e acaba aí. O eleitor poderá tirar do poder um governo que não lhe agrade e pôr outro no seu lugar, mas o seu voto não teve, não tem, nem nunca terá qualquer efeito visível sobre a única e real força que governa o mundo, e portanto o seu país e a sua pessoa: refiro-me, obviamente, ao poder económico, em particular à parte dele, sempre em aumento, gerida pelas empresas multinacionais de acordo com estratégias de domínio que nada têm que ver com aquele bem comum a que, por definição, a democracia aspira. Todos sabemos que é assim, e contudo, por uma espécie de automatismo verbal e mental que não nos deixa ver a nudez crua dos factos, continuamos a falar de democracia como se se tratasse de algo vivo e actuante, quando dela pouco mais nos resta que um conjunto de formas ritualizadas, os inócuos passes e os gestos de uma espécie de missa laica.

E não nos apercebemos, como se para isso não bastasse ter olhos, de que os nossos governos, esses que para o bem ou para o mal elegemos e de que somos portanto os primeiros responsáveis, se vão tornando cada vez mais em meros "comissários políticos" do poder económico, com a objectiva missão de produzirem as leis que a esse poder convierem, para depois, envolvidas no açúcares da publicidade oficial e particular interessada, serem introduzidas no mercado social sem suscitar demasiados protestos, salvo os certas conhecidas minorias eternamente descontentes...

Que fazer? Da literatura à ecologia, da fuga das galáxias ao efeito de estufa, do tratamento do lixo às congestões do tráfego, tudo se discute neste nosso mundo. Mas o sistema democrático, como se de um dado definitivamente adquirido se tratasse, intocável por natureza até à consumação dos séculos, esse não se discute. Ora, se não estou em erro, se não sou incapaz de somar dois e dois, então, entre tantas outras discussões necessárias ou indispensáveis, é urgente, antes que se nos torne demasiado tarde, promover um debate mundial sobre a democracia e as causas da sua decadência, sobre a intervenção dos cidadãos na vida política e social, sobre as relações entre os Estados e o poder económico e financeiro mundial, sobre aquilo que afirma e aquilo que nega a democracia, sobre o direito à felicidade e a uma existência digna, sobre as misérias e as esperanças da humanidade, ou, falando com menos retórica, dos simples seres humanos que a compõem, um por um e todos juntos. Não há pior engano do que o daquele que a si mesmo se engana. E assim é que estamos vivendo. 

 

Não tenho mais que dizer. Ou sim, apenas uma palavra para pedir um instante de silêncio. O camponês de Florença acaba de subir uma vez mais à torre da igreja, o sino vai tocar. Ouçamo-lo, por favor. 


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19 de jun de 2010

Futebol, um esporte vendido à TV

Na mesma semana da estreia do Brasil, os vereadores de São Paulo deram uma guinada espetacular e mantiveram o veto do prefeito Kassab à lei, por eles mesmos aprovada, que proibia jogos de futebol na cidade com início depois das 21h15

Enquanto a Copa segue hegemônica nos noticiários de TV, o silêncio cobre outros fatos importantes ligados ao futebol. Na mesma semana da estreia do Brasil, os vereadores de São Paulo deram uma guinada espetacular e mantiveram o veto do prefeito Kassab à lei, por eles mesmos aprovada, que proibia jogos de futebol na cidade com início depois das 21h15.

Quem marca o horário dos jogos noturnos para às 21h50 são os programadores da Rede Globo. Para eles o futebol é apenas mais um programa da emissora que, por critérios mercadológicos, deve ser transmitido depois da novela.

Em abril, com 43 votos a favor e apenas dois contra a lei aprovada passava a impressão de altivez da Câmara, fato raro na vida política do município. Foi só impressão. Ao invés de manterem seus votos e derrubarem o veto do prefeito, os vereadores paulistanos, com quatro honrosas exceções, curvaram-se aos interesses da Globo. Até um dos autores do projeto, vereador Antonio Goulart, mudou de lado. O outro, Agnaldo Timóteo não apareceu para votar.


E assim os jogos na capital continuam terminando quase à meia-noite. Até pela TV, para quem tem que trabalhar cedo no dia seguinte, como faz a maioria da população, o horário é ruim. Agora para quem gosta de ir ao estádio é um sacrifício desumano.

Os vereadores paulistanos não se dobraram apenas aos interesses da Rede Globo. Eles passaram um atestado de incapacidade absoluta para enfrentar um modelo perverso imposto nas últimas décadas ao futebol brasileiro.

Até o final dos anos 1960 ainda havia algo de lúdico na prática e no espetáculo futebolístico. Lembro do Torneio Início, jogado uma semana antes da abertura do campeonato paulista, num dia só, com a participação de todos os clubes da primeira divisão. Eram jogos mata-mata, de 30 minutos (15 por 15) de duração onde, em caso de empate, ganhava o time que havia obtido mais escanteios a favor, antes da disputa dos pênaltis se fosse necessária.

Curioso era ver os maiores craques do futebol paulista, em volta do gramado, assistindo os jogos dos outros times enquanto esperavam a vez de entrar em campo. Havia um que de amadorismo resistindo às investidas da profissionalização definitiva. O Pacaembu ainda era, nessa época, uma extensão glamorosa dos campos de várzea que se espalhavam por toda a cidade.

A especulação imobiliária nunca contida pelos vereadores paulistanos – em qualquer legislatura – acabou com a várzea e quase acaba com o futebol na cidade. A sua sobrevivência se deu num outro nível, o da mercantilização absoluta. Dos jogadores e do jogo.

Os primeiros passaram a ser formados pelas escolinhas, acessíveis apenas à classe média, ou pelos centros de adestramento criados por empresários cujo objetivo é preparar os seus “produtos” para vendê-los no exterior.

O futebol assume nesse estágio a forma mercadoria em todas as suas etapas. Do berço do jogador à Copa do Mundo nada escapa. O esporte popular das ruas e das várzeas transformou-se num produto caro e altamente sofisticado, operando num nível elevadíssimo de racionalidade capitalista.

Diferente de outros setores da economia e mesmo da cultura, onde o Estado ainda atua para conter de alguma forma a voracidade do mercado, no futebol isso não acontece. Os objetivos privados são absolutos nem que para serem alcançados sacrifiquem-se atletas, torcedores e, no limite o próprio esporte, reduzido cada vez mais a um espetáculo de televisão.

Perderam os vereadores paulistanos a grande oportunidade de colocar o interesse público em primeiro lugar. Resta agora esperar, com bastante ceticismo, que projeto semelhante, apresentado na Câmara dos Deputados, e válido para todo o Brasil, prospere.

Laurindo Lalo Leal Filho, sociólogo e jornalista, é professor de Jornalismo da ECA-USP. É autor, entre outros, de “A TV sob controle – A resposta da sociedade ao poder da televisão” (Summus Editorial).

A contenda inevitável (Extraído de CubaDebate)

RECENTEMENTE, afirmei que o mundo esqueceria em breve a tragédia que estava prestes a produzir-se, como resultado da política aplicada, durante mais de dois séculos, pela superpotência vizinha: os Estados Unidos.

Temos conhecido sua forma sinuosa e ardilosa de agir; o impetuoso crescimento econômico atingido a partir do desenvolvimento técnico e científico; as enormes riquezas acumuladas a custa da imensa maioria de seu povo trabalhador e do resto do mundo por uma exígua minoria que, nesse país e nos demais, dispõe e desfruta de riquezas sem limite.

Quem é que se queixam senão os trabalhadores, os profissionais, os que prestam serviços à população, os aposentados, os que carecem de emprego, as crianças de rua, as pessoas desprovidas de conhecimentos elementares, que constituem a imensa maioria dos quase sete bilhões de habitantes do planeta, cujos recursos vitais se esgotam visivelmente?

Como são tratados pelas chamadas forças da ordem que deveriam é protegê-los?

Em quem batem os polícias, armados com todos os instrumentos de repressão possível?

Não preciso descrever fatos que os povos em todos lados, incluído o dos Estados Unidos, percebem através dos televisores, dos computadores e outros meios de informação em massa.

Um bocado mais difícil é desvendar os projetos sinistros daqueles que têm em suas mãos o destino da humanidade, pensando absurdamente que se pode impôr semelhante ordem mundial.

O que é que escrevei nas últimas cinco Reflexões com as quais ocupei o espaço do jornal Granma e do site CubaDebate, entre 30 de maio e 10 de junho de 2010?

Já os elementos básicos de um futuro muito próximo foram expostos com clareza e não têm recuo possível. Os impactantes acontecimentos da Copa Mundial de Futebol na África do Sul, no decurso de uns breves dias, concentraram a atenção de nossas mentes.

Mal temos tempo de respirar durante as seis horas de jogo que se transmitem o vivo e em direto pela televisão de quase todos os países do mundo.

Tendo assistido os jogos entre as seleções de mais prestígio em apenas seis dias, e aplicando meus pouco confiáveis pontos de vista, atrevo-me a considerar que entre a Argentina, Brasil, Alemanha, Inglaterra e Espanha se encontra o campeão da Copa.

Já não resta seleção proeminente que não tenha mostrado suas presas de leão nesse esporte, onde antes eu não via mais do que pessoas correndo no extenso campo de uma rede à outra. Hoje, graças a nomes famosos como Maradona e Messi, conhecedor das façanhas do primeiro como o melhor jogador da história deste esporte e seu critério de que o outro é igual ou melhor que ele, posso já diferenciar o papel de cada um dos onze jogadores.

Conheci também nestes dias que a nova bola de futebol é de geometria variável no ar,  mais veloz e rebota muito mais. Os próprios jogadores, a começar pelos goleiros, queixam-se destas novas características, porém, inclusive, os atacantes e os defesas também se queixam, e muito, de que a bola viaja mais rápido, pois a vida toda eles aprenderam a manipular outra. 

Os dirigentes da FIFA é que decidem sobre o assunto em cada Copa Mundial.

Desta vez transfiguraram esse esporte; é outro, embora continue se chamando da mesma forma. Os fãs, que não conhecem as mudanças introduzidas na bola — que é a alma de um grande número de atividades esportivas— e lotam as bancadas de qualquer estádio, são os que desfrutam imenso e aceitarão tudo, sob o mágico nome do glorioso futebol. Até Maradona, que foi o melhor jogador de sua história, aceitará tranquilamente que outros futebolistas marquem mais gols, a maior distância, mais espetaculares e com maior pontaria que ele, na mesma rede e do mesmo tamanho, do que aquela onde sua fama atingiu patamar tão alto.

No beisebol amador era diferente, os tacos passaram de madeira a serem de alumínio, ou destes novamente a madeira, só estabelecendo determinados requisitos.

Os poderosos clubes profissionais dos Estados Unidos decidiram aplicar normas rígidas com relação ao taco e outros requisitos tradicionais, que mantêm as características deste velho esporte. Realmente, deram interesse especial ao espetáculo e também nos enormes lucros derivados da assistência do público e da publicidade.

No atual turbilhão esportivo, um esporte extraordinário e nobre como o vôlei, que tanto gosta em nosso país, está imerso em sua Liga Mundial, o torneio mais importante desta especialidade cada ano, excetuando os títulos que derivam do primeiro lugar numas competições olímpicas ou campeonatos mundiais.

Sexta e sábado da semana passada, na Cidade Desportiva, de Havana, efetuaram-se os penúltimos jogos que devem ter lugar em Cuba. Nosso time até agora não perdeu nenhum jogo. O último adversário foi nada mais nada menos que a Alemanha. Entre seus atletas tinham um gigante alemão de 2m14 de altura, excelente rematador. Foi uma verdadeira façanha ter vencido todos os set, exceto o terceiro do segundo jogo. Os membros de nossa seleção, muito jovens, um dos quais apenas conta com 16 anos, mostraram uma surpreendente capacidade de reação. O atual campeão da Europa é a Polônia, e o time alemão venceu nos dois encontros com aquele time. Antes destes sucessos, ninguém supunha que a seleção de Cuba estaria de novo entre as melhores do mundo.

Infelizmente, por outro lado, na esfera política, o caminho está prenhe de enormes riscos.

Um assunto ao que me referi antes, entre os elementos básicos de um futuro muito próximo expostos por mim, que não têm recuo possível, é o afundamento do Cheonan, navio insígnia da marinha sul-coreana, que naufragou em 26 de março, em questão de minutos, matando 46 marinheiros e deixando dezenas de feridos.

O governo da Coreia do Sul ordenou uma investigação para conhecer se o fato foi em  consequência de uma explosão interna ou externa. Ao comprovar que vinha do exterior, acusou o governo de Pyongyang pelo afundamento do navio. Coreia do Norte apenas dispunha de um velho modelo de torpedo de fabrico soviético. Carecia de qualquer outro elemento, exceto a lógica mais simples. Não podia sequer imaginar outra causa.

No passado mês de março, como primeiro passo, o governo da Coreia do Sul ordenou a ativação dos alto-falantes de propaganda em 11 pontos da fronteira comum desmilitarizada que separa as duas Coreias.

O alto comando das forças armadas da República Popular Democrática da Coreia, de sua parte, declarou que destruiria os alto-falantes tão logo fosse reatada essa medida, que tinha sido suspensa no ano 2004. A República Popular Democrática da Coreia declarou textualmente que converteria Seúl em um "mar de fogo".

Sexta-feira passada, o exército da Coreia do Sul anunciou que a iniciaria tão logo o Conselho de Segurança anunciasse suas medidas, pelo afundamento do navio sul-coreano Cheonan. Ambas as repúblicas coreanas já estão com o dedo no gatilho.

O governo da Coreia do Sul nem sequer podia imaginar que seu estreito aliado, os Estados Unidos, tinha colocado uma mina no fundo do Cheonan, como relata em um artigo o jornalista investigador Wayne Madsen, publicado pelo Global Research, em 1º de junho de 2010, com uma explicação coerente do acontecido. Alicerça no fato de que a Coreia do Norte não possui nenhum tipo de missil ou instrumento algum para afundar o Cheonan, que não pudesse ter sido detectado pelos sofisticados equipamentos do caça-submarinos.

A Coreia do Norte tinha sido acusada de uma coisa que não fez, o qual determinou a viagem urgente de Kim Jong Il à China, no trem blindado.
Quando estes fatos se produzem de súbito, na mente do governo da Coreia do Sul não havia nem há espaço para outra causa possível.

Em meio do ambiente esportivo e alegre, o céu escurece-se cada vez mais.
As intenções dos Estados Unidos são óbvias desde há algum tempo, na medida em que seu governo age obrigado por seus próprios desígnios sem alternativas possíveis.

Seu propósito —acostumados à imposição de seus desígnios pela força—, é que Israel ataque as instalações produtoras de urânio enriquecido no Irã, utilizando os mais modernos aviões e o armamento sofisticado que, irresponsavelmente, a grande potência lhe fornece. Estados Unidos sugeriram a Israel, que não tem fronteiras com Irã, solicitar da Arábia Saudita permissão para sobrevoar o país por um longo e estreito corredor aéreo, encurtando consideravelmente a distância entre o ponto de partida dos aviões atacantes e os objetivos a destruir.

Segundo o plano, que em suas partes essenciais foi divulgado pelos órgãos de inteligência de Israel, esquadrilhas de aviões atacarão uma e outra vez, até esmagar os objetivos.

Em 12 de junho passado, importantes órgãos da mídia occidental, publicaram a notícia acerca de um corredor aéreo concedido pela Arábia Saudita a Israel, prévio acordo com o Departamento de Estado norte-americano, com o objetivo de fazer testes de voo com os caça-bombardeiros israelenses para atacar por surpresa o Irã, que já estes tinham realizado no espaço aéreo saudita.

Porta-vozes de Israel nada negaram, declarando apenas que os mencionados países tinham mais medo do desenvolvimento nuclear iraniano que o próprio Israel.

Em 13 de junho, quando o Times de Londres publicou uma informação extraída de fontes de inteligência, assegurando que a Arábia Saudita divulgara um acordo que concede permissão a Israel para a passagem por um corredor aéreo sobre seu território para o ataque a Irã, o presidente Ahmadinejad declarou, ao receber as cartas credenciais do novo embaixador saudi no Teerã, Mohamad ibn Abbas al Kalabi, que havia muitos inimigos que não desejavam relações estreitas entre ambos os países, "...Mas se o Irã e a Arábia Saudita permanecem um ao lado do outro, esses inimigos abrirão mão de continuarem com a agressão… ".

Do ponto de vista iraniano, segundo a minha opinião, essas declarações eram justificadas, quaisquer que fossem as suas razões para o fazer. Possivelmente não desejava ferir no mais mínimo seus vizinhos árabes.
Os ianques não disseram uma única palavra, o que reflete mais do que nunca seu desejo fervente de varrerem o governo nacionalista que dirige o Irã.

É preciso preguntar agora, quando o Conselho de Segurança examinará o tema do afundamento do Cheonan, outrora navio insígnia da armada sul-coreana; que conduta seguirá depois que os dedos nos gatilhos das armas na península coreana as façam disparar; se é verdade ou não que a Arábia Saudita, de acordo com o Departamento de Estado, autorizou um corredor aéreo para que as esquadrilhas de modernos bombardeiros israelenses ataquem as instalações iranianas, o que possibilita inclusive,  o emprego das armas nucleares fornecidas pelos Estados Unidos.

Entre jogo e jogo da Copa Mundial de Futebol, as diabólicas notícias vão deslizando aos poucos, de forma tal que ninguém se ocupe delas.

 
Fidel Castro Ruz
Junho 16 de 2010

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