30 de set de 2010

TOME PARTIDO NO PRIMEIRO TURNO.

ESCOLHA A MELHOR ALTERNATIVA DE ESQUERDA E NÃO O CAPITALISMO “MENOS RUIM”. 


Comissão Política Nacional – Comitê Central do PCB

Nos últimos anos, os processos eleitorais caracterizam-se pela completa despolitização e o debate ideológico se apresenta como se só houvesse um projeto para a humanidade, o da burguesia. Cada vez mais as campanhas dos partidos da ordem baseiam-se em grandes produções midiáticas, em que buscam vender candidatos que melhor se apresentam para gerenciar a máquina pública em favor dos interesses capitalistas.

Nas eleições deste ano o quadro não é diferente. Em vários aspectos, há uma americanização da disputa eleitoral: a mercantilização crescente do processo leva à falsa polarização entre duas coligações representantes da ordem burguesa. As classes dominantes tentam impor ao povo brasileiro uma polarização artificial.

Nenhum dos candidatos do sistema se propõe a enfrentar o grande poder dos bancos, das grandes empresas e do agronegócio. Mas o jogo midiático eleitoral os apresenta como adversários inconciliáveis. Para tanto, manipulam a opinião pública e excluem os partidos de esquerda nos grandes jornais e sobretudo nos espaços e debates na televisão.




Nesta conjuntura, torna-se fora de propósito a defesa do chamado “voto útil”, mais ainda em se tratando de uma eleição em dois turnos, que cria a oportunidade, no primeiro turno, do voto ideológico, do voto em quem se acredita de verdade, do voto no melhor candidato e não no “menos ruim”. A justificativa do voto útil não tem o menor sentido, menos ainda quando as pesquisas eleitorais apontam para a possível solução da disputa já no primeiro turno.

Agora, portanto, é hora do voto consciente. O voto da identidade da esquerda. O voto pelas transformações sociais. O voto para a construção de um futuro socialista em nosso país.


A esquerda não pode votar rebaixada neste primeiro turno. Em nome de nosso próprio futuro, é necessário reafirmar a identidade da esquerda e demonstrar o inconformismo com o capitalismo e a ordem burguesa.

Não se pode esquecer que nosso país se transformou no paraíso dos banqueiros e dos grandes capitalistas. Se o governo FHC implantou o neoliberalismo e alienou o patrimônio público, nunca esses setores lucraram tanto como no governo Lula, que aprofundou a reforma da previdência, implantou as PPPs, aprovou as novas leis das S/A e de falências, para favorecer o grande capital; que financiou o grande capital monopolista e o agronegócio, com juros baratos e dinheiro público; o mesmo governo que inviabilizou a reforma agrária tão prometida no passado.


Se as pesquisas estiverem corretas, serão mais quatro anos de governo para os ricos, com apenas mais algumas migalhas para os pobres e desta vez com Michel Temer de Vice e o PMDB com uma força inaudita.

Por isso, a esquerda tem a responsabilidade de reafirmar seu compromisso com as transformações sociais e a causa socialista.

Nesse sentido, o PCB, reconstruído revolucionariamente, por suas propostas, sua história, sua participação nas lutas sociais e seu internacionalismo militante, se apresenta com autoridade política para cumprir o papel de estuário do voto ideológico da esquerda que não se rendeu, do voto que pensa na frente de esquerda para além das eleições.

É o voto pela revolução socialista e em defesa das lutas dos trabalhadores no Brasil e em todo o mundo. O voto de repúdio à ação do imperialismo no planeta, de apoio aos povos e governos responsáveis pelas transformações sociais na América Latina, de solidariedade incondicional a Cuba Socialista, de apoio militante ao Estado Palestino.

Com sua coerência e firmeza, sem concessão na sua linha política em troca do voto, o PCB se credencia para contribuir na construção da Frente Anticapitalista e Anti-imperialista, a frente política e social que irá liderar o processo de transformações revolucionárias em nosso país.

Por entender que não está sozinho neste caminho, o PCB também compreende a importância do fortalecimento dos demais partidos da verdadeira esquerda nestas eleições. O voto na esquerda é fundamental para que se possa construir na prática o grande movimento político e social que irá desencadear o processo de mudanças no Brasil.

Não deixe que a direita escolha a “esquerda” por você. Escolha você mesmo. Resista à tentativa de esmagamento da verdadeira esquerda. Não vote inútil. Não escolha a forma de gestão do capitalismo. Vote útil, no socialismo.

Quem sabe faz agora, não espera acontecer.


.


22 de set de 2010

A Revolução não vai deixar ninguém desamparado.

As assembléias sindicais, que já ocorrem para debater as mudanças, são o melhor local para que os trabalhadores entendam a necessidade impostergável de aplicar esta política, apontou Salvador Valdés Mesa, no encerramento do VIII Congresso do Sindicato de Transportes e Portos
 
O sindicato tem o desafio de enfrentar o processo de reestruturação das plantas infladas, garantindo que seja implementada em um clima de franqueza, racionalidade, transparência e equidade, sempre a partir da aptidão comprovada, disse o secretário-geral da CTC, Salvador Valdés Mesa, no encerramento do VIII Congresso do Sindicato de Transportes e Portos, realizado em Havana.

As assembléias de associados, que já se realizam, segundo ele, é o melhor lugar para trazer os elementos e fazer os trabalhadores compreenderem a necessidade urgente de implementar esta política e um conjunto de medidas decididas pelo Governo.

Essas reuniões, segundo ele, devem ser desenvolvidas com a mais absoluta liberdade de critérios, com sinceridade na abordagem e com respeito às opiniões divergentes que possam existir.

A inserção na vida útil e produtiva, que aspira o Estado cubano, para que nenhum cidadão sobre, que transforme o processo de produção e de trabalho existentes e atualize o modelo, deverá ser entendida em toda sua magnitude sobre o fato de que as ofertas de emprego não têm necessariamente de coincidir com a qualificação dos candidatos, mas deve primar pelo princípio de que os empregos gerados devam ser dignos, socialmente úteis e economicamente sustentáveis, especificou.

Como disse Raúl, lembrou Valdés, a Revolução não vai deixar ninguém desamparado, mas não se trata de que o Estado seja responsável por localizar cada pessoa, depois de várias ofertas de emprego e com proteção salarial por tempo indeterminado. O primeiro interessado em encontrar trabalho socialmente útil deve ser o próprio cidadão.

Estamos conscientes que há muita preocupação, por parte dos trabalhadores e da nossa população, acerca do processo de reorganização das plantas e dos empregos. Os inimigos da Revolução ampliam e manipulam, tergiversando todas as informações que temos dado sobre esta questão.

O secretário-geral da CTC considerou vital que os dirigentes do movimento operário e os sindicatos expliquem e fundamentem aos trabalhadores que não há nenhuma mudança na política da Revolução, ou nos objetivos que estabelecemos para a construção do socialismo, disse.

O emprego - precisou - continua fazendo parte da política econômica e social do nosso Estado e continuam vigentes os princípios que o regem. Mudaram-se procedimentos, tratamentos laborais e salário, formas de empregos e relações laborais, e surgiram, logicamente, novas formas de gestão. Hoje, cobra mais força o ideário de Fidel sobre os conceitos de trabalho e a utilização racional dos recursos humanos.

Está em marcha um processo político de reflexão e análise com os trabalhadores, em assembléia para analisar e debater o discurso proferido, em 1º de agosto, pelo General de Exército, Raúl Castro Ruz, Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, no encerramento da Reunião Ordinária da Assembleia Nacional do Poder Popular.

Valdés Mesa sublinhou que é preciso dar os argumentos, as razões, os fundamentos, as convicções e as orientações para compreender a necessidade dessas transformações que conduzem à atualização do modelo econômico.

O sindicato fortalecido e organizado, coeso com a unidade dos trabalhadores cubanos e de nosso povo são as chaves para implementar essas mudanças que irão manter intactos os princípios de nossa Revolução e do socialismo.
 
FONTE : AQUI , AQUI E AQUI
 
 
 

20 de set de 2010

Candidata mais idosa, 92 anos, diz ser " só um susto na direita"

Dalva do Nascimento mais se aproxima do avesso de uma candidatura. Ela subestima suas capacidades, não faz campanha, passa longe das promessas, nem sonha em eleger-se, identifica-se com o passado e aferra-se à ideologia, fiel ao mesmo partido há quase oito décadas. E, para o cúmulo do inusitado, é, aos 92 anos, a candidata mais idosa das eleições de 2010, conforme estatísticas divulgadas pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Vencida pela insistência do PCB, ela aceitou concorrer a segundo suplente de senador, repetindo sua estreia eleitoral de 2006. "Em obediência ao meu partido, mas eu nunca quis ser nada, meu senhor. Eles pelejaram", garante, em conversa com Terra Magazine - "Não é a Globo não, né?".

Porém, Dalva encontra motivos para a empreitada: "Para mostrar aos brasileiros, para mostrar o nacionalismo, para mostrar a brasilidade". Vitória, não cogita. "Nããããão, não estou pensando isso não. É só o susto na direita. Está tudo apavorado, com medo. Já pensou se Ivan Pinheiro ganhar, hein?", pesca o nome pecebista entre os nove atuais presidenciáveis, para, em seguida, admitir que não há possibilidade de sucesso dele: "Nenhuma, brincadeira isso".

Ainda assim, ela crê que vale a pena: "Não tem (chance), mas, para atrapalhar o Serra, temos, né? E a esquerda tá dando susto na direita. Eles têm que mudar, têm que ver que a esquerda não tem homens incompetentes como eles pensam. Porque eles pensam que comunista é só gentinha".

 Foto de divulgação de Dalva do Nascimento no site do TSE.

Nascida em 2 de julho de 1918, na mineira Prata, Dalva cresceu na vizinha Uberlândia. Encantou-se com leituras socialistas na adolescência, sob ideais de reforma agrária, educação e saúde para todos, influenciada por amigos e pelo irmão Zé do Garça, que a conduziu ao PCB. Para filiar-se, aos 15 anos, precisou cumprir uma missão ditada por médico comunista, ainda mantida em sigilo, cerca de 80 anos depois. "Ah, não conto. Ah, eu não quero dar nome".

Embora mantenha-se completamente atualizada pelo noticiário, Dalva exala um singelo anacronismo, mas por convicção. "Não nos enganamos porque hoje, amanhã ou depois de amanhã, depois que eu morrer, o socialismo será o vitorioso. Se Deus quiser. Dentro da dialética, né? Porque Deus, pra mim, é a natureza. Quem é que viu Deus a não ser pela criação Dele? Vimos Jesus, o maior comunista da Terra", prega.

O que ela duvida é da recente declaração atribuída a Fidel Castro de que o modelo econômico cubano já não serve ao próprio país. "Ah, ele não falou nada disso. O jornalista americano foi que não entendeu. Ah, ele não ia falar aquilo não. Ah, que é isso? Um país que não tem analfabeto... Tem gente passando fome porque os coitados não têm direito de comprar, de comerciar com ninguém (devido ao embargo)", argumenta. E lamenta a decadência do apoio soviético: "Calamidade o que esse (Mikhail) Gorbatchev fez com o regime da Rússia. Foi uma barbaridade".

Ela, entretanto, entende que a política se modificou. "O tempo muda. Não é aquele partido passado. E eu fui criada no verdadeiro partido", diz. "O interesse do partido, não resta a menor dúvida, é a melhoria do povo", resgata a tese aparentemente desprezada. "O PT é imenso. Mas por quê? A troco de cargo. Não quero isso não".

A senha

Solteira, sem filhos naturais, Dalva adotou Nazira, graduada em Letras e recém-aposentada, outra pecebista. Sua irmã Maria das Dores, de 94 anos, também milita. Não à toa, a residência delas ainda recebe reuniões do partido no Distrito Federal.

"Em Uberlândia, nossa casa era casa de guerra. Era para receber os companheiros. Ele chegava, batia, dizia a senha para entrar, dava o nome de guerra", rememora Dalva, que guarda em segredo a palavra mágica. "Não dou não, eles podem estar usando por aí... Sou muito precavida, adoro meu partido. Fiquei jovem dentro dele. Estou envelhecendo, eu não senti a velhice".

Suas referências etárias são bastante particulares. Ela afirma, por exemplo, que sua mãe "morreu cedo, ia fazer 85 anos, a irmã dela morreu com 108". Cada uma teve oito filhos.

Os maiores percalços da idade maltrataram Dalva só recentemente. "Na primeira quinzena de abril, no ano passado, sofri um derrame. Na segunda quinzena, já estava de bengala, pegando ônibus. Este ano, sofri outro pior, quase não posso andar sozinha", conta, sempre se desculpando por eventuais problemas de audição e fala, apesar de se comunicar perfeitamente. Ela também avisa que está "um pouco esquecida", mas mostra-se completamente lúcida, lembra-se de detalhes, datas e fatos históricos com exatidão.

É minuciosa sua reconstituição de encontros com Juscelino Kubitschek, então presidente da República. "Em 1958, ele passando por Uberlândia, num sábado, eu parei o carro dele, abri os braços na frente do jipe. Ele parou, desceu e veio conversar comigo, me convidou para vir a Brasília, que estavam fazendo. Eu falei que não, que minha mãe não ia deixar", narra.

Na segunda vez, ele a persuadiu. "Fui trabalhar pro PSD (Partido Social Democrático), acertei as contas direitinho, ele passou lá outra vez e lhe falaram: 'Temos uma nova contadora'. Eu estava lá para apresentar as novas contas, ele pegou no meu braço e disse: 'Menina, vamos comigo para trabalhar no meu escritório'. Eu disse pra ele: 'Ah, presidente, minha mãe não deixa. Mas eu vou, o senhor pode esperar que eu vou'."

Por causa dos "ordenados baixos" no Triângulo Mineiro, ela resolveu aceitar o convite de um amigo e migrou para o Planalto Central. "No dia 26 de julho de 1960", crava. "Tá tudo guardadinho na cabeça". Quando chegou, era uma dos três únicos contadores da capital federal.

Dalva trabalhou até os 81 anos, somando 56 na área de contabilidade. "Atualmente, não sou nada, estou curtindo doencinha, né?", lamenta. Na época de estudante, lavava roupa para aumentar a renda familiar. "Tenho muito orgulho disso".

Somente em 1989, ao pendurar de vez a calculadora, ela passou a se dedicar mais à política. "Eu não me entreguei toda pro partido, aqui em Brasília, antes dessa data".

Seus compromissos não acabaram. "Dia 17, vou a um congresso no Rio Grande do Sul, a Cobap (Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas) faz questão de me levar", anima-se. "Sou tesoureira do Partido Comunista Brasileiro e presidente fiscal da associação dos aposentados".

Vergonha

Os recentes escândalos envolvendo o governo e deputados do Distrito Federal não escapam dos comentários da candidata nonagenária. "Na capital da República, a gente ver uma vergonha desta...", indigna-se.

Ela mesma muda o rumo da prosa: "Que tal aquelas prisões lá no Amapá, aonde o José Sarney foi buscar eleitores, hein? Ah, estou rindo à toa, estou gostando. A mãozinha dele andou por lá. É nestas coisas que a gente tem que prestar atenção".

O governo Lula lhe causa certa divisão. "(O País) melhorou um pouquinho pro operário, não vou falar que não. A inflação acabou. A dívida externa está quase paga, ainda tem um rabinho. De fato, a pobreza diminuiu um pouquinho no Brasil, tem muita gente que deixou de ser pobre. Graças ao Lula", analisa.

Outros aspectos também balizam suas opiniões. "O Brasil nunca esteve tão bem internacionalmente como está. E mesmo aqui dentro. A Petrobras, que beleza! A Vale do Rio Doce, apesar de Fernando Henrique ter vendido metade das ações. Petrobras também, quase que ele privatiza. O Lula, não; ele é nacionalista".

Para Dalva, é real a ameaça do imperialismo americano. "A Colômbia está se tornando uma praça igual a Israel, aqui na América do Sul. Contra quem é isso? Contra a Venezuela e o Brasil".

Porém, ela preserva uma distância do elogiado presidente. "Não, Lula não se diz esquerda. Não. Ele governou, o tempo todo, em cima do muro. Não nego parte do governo dele. Não está fazendo nada por nós, aposentados, por exemplo. Collor começou a nos destruir, e ele conservou. Fernando Henrique nos chamou até de vagabundos", expõe suas mágoas.
E este é um assunto fundamental a Dalva. "Aposentei-me em 7 de junho de 1971. Com sete salários (mínimos). Um bom salário, mas muito menos do que antes. Ora, nesta idade de 92 anos, recebendo isso, eu viveria bem. Não viveria com tanto sacrifício como passei numa época da vida", reclama. 

A experiência de contadora lhe permite questionar as condições laborais no País. "Criou-se o Fundo de Garantia pra quê? Pra derrubar o tempo de serviço dos trabalhadores", brada a pecebista. "A CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas) precisa de uma reforma, mas não destruindo os direitos do trabalhador. Está uma verdadeira escravidão. O ranço da escravidão não acaba. O trabalhador do Brasil é muito sacrificado. E onde já se viu criança trabalhando? Quando isso vai acabar?".

Dalva, aliás, além de descender de escravos, conviveu com vários negros libertos em Minas Gerais. Sente saudade daquele núcleo: "Era um verdadeiro comunismo". As lembranças da infância resistem. "Tenho na minha cabeça até hoje algumas coisas dos cantos deles. Aquelas paneladas de comida. Era uma beleza".

Quando foi registrada, "no tempo da escola, aos 12 anos", ela recusou sobrenome de "dono de escravo" e escolheu se chamar "Dalva do Nascimento", embora os irmãos sejam "Andrade".

FONTE: TERRA

,

16 de set de 2010

PCB responde a nota de Plínio de Arruda Sampaio sobre sua ausência no debate do Jornal Brasil de Fato

Comissão Política Nacional do PCB

A Comissão Política Nacional do PCB vem a público declarar-se contra a reivindicação do candidato Plínio de Arruda Sampaio no sentido de que seja representado por outro membro do PSOL no debate dos candidatos a Presidente pelos partidos de esquerda, via internet, que será realizado neste dia 21 de setembro, às 21 horas, com promoção e mediação do jornal Brasil de Fato, ao qual o próprio presidenciável do PSOL, recentemente, reivindicou publicamente espaço para a sua candidatura, mesmo depois de o jornal lhe ter dedicado uma página, como o fez para os demais candidatos de esquerda

Em primeiro lugar, é preciso lembrar que a Comissão Organizadora do debate, de que fazem parte representantes do jornal Brasil de Fato e dos partidos que, de imediato, aceitaram participar do debate (PCB, PCO e PSTU), tomou todos os cuidados para buscar garantir a presença do candidato do PSOL: a proposta do debate e do dia para a sua realização foram informados com bastante antecedência, assim como foram verificadas as datas dos debates nacionais de televisão a que Plínio foi convidado e os demais candidatos de esquerda não. Constatou-se que, no dia 21, não haverá debate na TV. Infelizmente, nenhum representante do PSOL, apesar de convidado, apareceu na sede do Brasil de Fato nas diversas reuniões que já se realizaram para organizar o debate entre os candidatos socialistas.

Entretanto, o candidato do PSOL anuncia, em nota encaminhada ao Brasil de Fato, que, no dia do debate entre os presidenciáveis de esquerda, optou por ir a um debate promovido pelo Instituto Ethos, com os presidenciáveis dos outros partidos, de centro e de direita. O instituto é ligado ao empresariado, e tem a pretensão de promover a “ética” no interior do capitalismo. Este evento será durante o dia e em São Paulo, mesmo local do debate na internet, que ocorrerá às 21h. O candidato do PSOL ainda alega compromissos de campanha na véspera e no dia seguinte ao dia 21, como se os outros candidatos também não os tivessem.

A atitude de Plínio de Arruda Sampaio revela uma profunda subestimação pelos demais partidos de esquerda e por seus candidatos a Presidente. Uma atitude que contribui para o isolamento em que a burguesia pretende jogar os partidos revolucionários, como o PCB, o PCO e o PSTU, colocando-os como residuais, desimportantes, "nanicos".

Para o PCB, o debate do dia 21, entre os candidatos da esquerda, é o mais importante evento de toda esta campanha eleitoral rebaixada, manipulada, midiatizada. É muito mais do que um debate; é um gesto histórico da esquerda socialista brasileira para deixar claro que a luta continua para muito além das eleições; é um gesto de unidade, que cria condições para uma verdadeira frente permanente anticapitalista e não meras coligações eleitorais para as quais nos procuram nos anos pares.
A ida ao debate do candidato a Presidente pelo PSOL valorizaria o evento e seria um gesto de solidariedade aos partidos políticos e organizações socialistas, excluídos pela grande mídia e pela burguesia.

Por isso, o PCB não aceita a sua substituição no debate e pede a reflexão de Plínio e do PSOL, para que revejam a escolha por um evento que provavelmente versará sobre a possibilidade de moralizar o capitalismo, com candidatos da ordem (já que PCB, PCO e PSTU jamais serão convidados pelo Instituto Ethos), em detrimento do debate que busca valorizar a unidade de ação das esquerdas no movimento político e nas lutas de massas no Brasil.
 
Rio, 15 de setembro de 2010
Comissão Política Nacional do PCB
VEJA ABAIXO A NOTA DE PLINIO DE ARRUDA SAMPAIO:


O candidato do PSOL à Presidência da República, Plínio Arruda Sampaio, respondeu a matéria do jornal Folha de São Paulo que acusava o PSOL de "esnobar" debate entre os candidatos de esquerda promovido pelo jornal Brasil de Fato. Abaixo reproduzimos a nota na íntegra.

Esta Folha publicou nota (Eleições 2010, p.9, 12/9) cujo título distorce o que foi informado pela candidatura ao afirmar que "Plínio esnoba debate da esquerda".

Conforme relata o texto, a assessoria da campanha informou que não poderia comparecer ao debate promovido pelo jornal "Brasil de Fato" no próximo dia 21 porque estarei em agendas previamente marcadas. O evento que reunirá as candidaturas da esquerda apresentadas nesta eleição acontece um dia após o debate entre presidenciáveis realizado pelas emissoras afiliadas ao SBT na região Nordeste do país, que será transmitido a partir do Recife. No mesmo dia 21, estou convidado a participar de um encontro entre presidenciáveis promovido pelo Instituto Ethos, em São Paulo, onde também tenho atividades agendadas anteriormente à iniciativa do "Brasil de Fato" no dia 22. E no dia 23 participo do debate promovido pela CNBB, em Brasília. Como fica evidente, diferentemente do que foi publicado por esta Folha, em nenhum momento "esnobei" o encontro promovido no dia 21 por um jornal com o qual tenho as melhores relações. Minha candidatura inclusive estará representada à mesa do debate, caso haja acordo dos demais participantes, por decisão da coordenação de nossa campanha, que considera a iniciativa um importante evento para abrir espaço aos candidatos de esquerda, omitidos cotidianamente pelos monopólios da comunicação no país.

PLÍNIO ARRUDA SAMPAIO, candidato à Presidência pelo PSOL (São Paulo, SP)




;

A biografia oculta dos Obama: Uma família ao serviço da CIA (II)

Na segunda parte de sua pesquisa, Wayne Madsen foca a mãe e o padrasto de Barack Obama. Ele segue seus passos como recursos da CIA desde a Universidade do Havaí, centro de alguns dos mais obscuros projetos da CIA, até suas atividades na Indonésia, onde se desdobrava um vasto massacre anticomunista patrocinado pelos EUA, que marcou o início da globalização na Ásia e no resto do mundo. Ao contrário da dinastia Bush, Barack Obama escondeu astutamente suas próprias conexões com a Agência e, em particular, as de seus ascendentes, até agora. Madsen conclui com uma pergunta: Será Barack Obama um "Manchurian Candidate"? [1]
Na Parte I deste relatório especial , revelamos as conexões entre Barack Obama Sênior e o projeto Ponte Aérea da África vinculado à CIA, com o objetivo de conferir graduação universitária e obter influência sobre um grupo de 280 estudantes da África do Sul e de nações da África Oriental na iminência de independência, de modo a se contraporem a programas similares desenvolvidos pela União Soviética e pela China. Barack Obama Sr foi o primeiro estudante africano a frequentar a Universidade do Havaí. Obama Sr. e a mãe de Obama, Stanley Ann Dunham, conheceram-se numa aula de russo em 1959 e casaram-se em 1961.

O programa da Ponte Aérea Africana foi administrado pelo líder nacionalista queniano, mentor e amigo de Obama Sr da mesma tribo, os Luo. De acordo com os documentos da CIA descritos na Parte I, Mboya também atuou para a CIA na garantia de que nacionalistas africanos pró-soviéticos e pró-chineses tivessem obstruídas suas tentativas de dominar os movimentos políticos nacionalistas pan-africanos, estudantis e trabalhistas.

Um dos principais oponentes de Mboya foi o primeiro presidente de Gana, Kwame Nkrumah, que foi derrubado num golpe insuflado pela CIA em 1966, um ano antes que o filho de Obama Sr, Barack Obama, e sua mãe, se unissem a Lolo Soetoro, um indonésio que a mãe de Obama conheceu na Universidade do Havaí em 1965, quando o Presidente Obama tinha quatro anos.

Em 1967, Obama e sua mãe juntaram-se ao marido dela em Jacarta. Em 1965, Lolo Soetoro havia sido chamado de volta do Havaí pelo general Suharto para a função de oficial militar da Indonésia para promover um sangrento genocídio, apoiado pela CIA, contra comunistas indonésios e chineses indonésios por todo o vasto país. Suharto consolidou seu poder em 1966, o mesmo ano em que o amigo de Barack Obama Sr., Mboya, ajudou a reviver o apoio pan-africano pró-EUA para a derrubada de Nkrumah, pela CIA, em Gana, em 1966.

Centro Leste-Oeste, Universidade do Havaí e o golpe da CIA contra Sukarno 
Ann Dunham conheceu Soetoro no Centro Leste-Oeste na Universidade do Havaí. O centro era há tempos afiliado às atividades da CIA na região Ásia-Pacífico. Em 1965, no ano em que Dunham conheceu e se casou com Soetoro, o centro viu um novo presidente tomar posse. Era Howard P. Jones, que trabalhou por um tempo recorde de sete anos, de 1958 a 1965, como embaixador dos EUA na Indonésia, Jones estava presente em Jacarta quando Suharto e seus oficiais, apoiados pela CIA, planejaram o golpe de 1965 contra Sukarno, que era considerado, juntamente com o Partido Comunista Indonésio (PKI), como aliado da China.

Quando Jones foi presidente do Centro Leste-Oeste, escreveu um artigo para o Washington Post, datado de 10 de outubro de 1965, no qual defendia a derrubada de Sukarno por Suharto. Jones foi "convidado" pelo Post para comentar o golpe de Suharto, descrito como "contra-golpe" contra os comunistas. Jones defendeu que Suharto estava apenas respondendo a uma tentativa anterior de golpe conduzida pelos comunistas contra Sukarno, levada a cabo pelo tenente-coronel Untung, "um comandante de batalhão relativamente desconhecido na guarda palaciana".


O artigo de Jones, que refletia o relatório de situação da CIA na embaixada dos EUA em Jacarta, continua afirmando que o alegado golpe esquerdista em 30 de setembro "passou a uma polegada de ser bem sucedido pelo assassinato de seis dos principais comandantes militares. Poderia ter sido bem sucedido se o ministro da Defesa Nasution e diversos outros generais sênior também marcados para assassinato não tivessem agido rapidamente num dramático contra-golpe". Naturalmente, o que Jones não informou aos leitores do Post foi que o "contra-golpe" de Suharto havia sido fortemente apoiado pela CIA.


Sukarno nunca culpou os comunistas pelo assassinato de generais do exército, nem o fez o gabinete indonésio, onde estavam presentes líderes de segundo e terceiro escalão do PKI. A possibilidade de que o assassinato dos generais fosse uma operação diversionista da CIA e de Suharto para atribuir a culpa ao PKI não pode ser descartada. Dois dias depois do golpe de Suharto, um grupo de manifestantes arranjado pela CIA incendiou a sede do PKI em Jacarta. Enquanto marchavam em frente à Embaixada dos EUA, que era também o local onde funcionava a CIA, gritavam "Vida longa à América!".


Untung disse posteriormente que quando soube que Suharto e a CIA estavam planejando um golpe em 5 de outubro de 1965 – Dia das Forças Armadas da Indonésia – forças leais a ele e a Sukarno agiram primeiro. Jones descreve isso como "típica propaganda comunista". Suharto atacou Sukarno em 1º de outubro. Jones repetiu que "não havia um pingo de verdade... na acusação de que a CIA estava trabalhando contra Sukarno". A história provou outra coisa. Jones acusou os comunistas de se aproveitarem da saúde declinante de Sukarno para eliminar os outros candidatos à sua sucessão. O objetivo, segundo Jones, era fazer com que o chefe do PKI, D.N. Aidit, sucedesse Sukarno. Sukarno só morreu em 1970, enquanto estava em prisão domiciliar.


Um documento da CIA, anteriormente classificado como secreto e sem data, afirma que "Sukarno gostaria de retornar ao status quo anterior ao golpe. Ele recusou-se a condenar o PKI ou o Movimento Trinta de Setembro [do tenente-coronel Untung]; em vez disso, ele reclama unidade à Indonésia e pede que não haja vingança de um grupo contra o outro. Mas ele não conseguiu forçar o Exército a abandonar suas atividades anti-PKI e, por outro lado, ele havia cedido às suas demandas ao indicar seu candidato único general Suharto como chefe do Exército". Suharto e o padrasto de Barry Obama Soetoro, Lolo Soetoro, ignoraram o pedido de Sukarno para que não houvesse vingança, como centenas de milhares de indonésios logo descobririam
O assassinato em massa, por Suharto, de chineses indonésios é visto na descrição do documento da CIA sobre o partido Baperki: "o partido de esquerda Baperki, com influência principalmente em áreas rurais, tem membros majoritariamente sino-indonésios". Um Memorando de Inteligência da CIA, datado de 6 de outubro de 1966, anteriormente classificado como secreto, mostra a extensão do monitoramento da CIA do golpe anti-Sukarno, desde diversos agentes da CIA indicados como conexões com as unidades militares de Suharto cercando o Palácio Presidencial em Bogor e em diversos postos diplomáticos pelo país, incluindo o Consulado dos EUA em Medan, que estava seguindo pistas das pessoas de esquerda naquela cidade de Sumatra e que, num Memorando de Inteligência de 2 de outubro de 1965, relatou à CIA que "o cônsul-geral soviético em Medan tem um plano aguardando para ser usado na evacuação dos cidadãos soviéticos de Sumatra". O memorando de 6 de outubro também previne que não se deve permitir que Untung faça buscas em Java Central.  
Um "Relatório Especial Sumarizado Semanal" da CIA na Indonésia, anteriormente secreto, datado de 11 de agosto de 1967,e intitulado "A Nova Ordem na Indonésia", relata que em 1966 a Indonésia realinhou sua economia a fim de receber ajuda do Fundo Monetário Internacional (FMI). A CIA relata estar contente com o novo triunvirato que rege a Indonésia em 1967: Suharto, o ministro do Exterior Adam Malik, e o sultão de Jogjakarta, que atuava como ministro da Economia e Finanças. O relatório também se rejubila com a colocação do PKI fora de lei, mas afirma que ele "ainda tem um número significativo de seguidores no centro e no leste de Java", onde Ann Dunham Soetoro concentraria fortemente seus esforços a favor da USAID, do Banco Mundial e da Fundação Ford, todas atividades de fachada para que a CIA "conquistasse corações e mentes" dos fazendeiros e artesãos javaneses.

Um Memorando de Inteligência da CIA, anteriormente secreto e datado de 23 de julho de 1966, claramente enxerga o partido muçulmano Nahdatul Ulama (NU), o maior partido da Indonésia e o maior muçulmano, como aliado natural dos EUA e do regime de Suharto. O relatório afirma que ajudou Suharto a derrubar os comunistas no período pós-golpe, especialmente onde o NU era mais forte: Java Leste, onde a mãe de Obama iria concentrar suas atividades, e no norte de Sumatra e partes de Bornéu. Em 29 de abril de 1966, um Memorando de Inteligência da CIA à época secreto, sobre o PKI, afirma: "Extremistas muçulmanos em muitas ocasiões superaram o exército na caçada e assassinato dos membros do partido [PKI] e seus grupos de frente".

Dunham e Barry Soetoro em Jacarta e atividades de fachada da USAID

Dunham deixou a Universidade do Havaí em 1960 quando estava grávida de Barack Obama. Barack Obama Sr deixou o Havaí em 1962 para estudar em Harvard. Dunham e Obama se divorciaram em 1964. No outono de 1961, Dunham matriculou-se na Universidade de Washington enquanto cuidava de seu filho pequeno. Dunham reingressou na Universidade do Havaí de 1963 a 1966. Lolo Soetoro, com quem Dunham se casou em março de 1965, deixou o Havaí pela Indonésia em 20 de julho de 1965, três meses antes do golpe da CIA contra Sukarno. Soetoro, que trabalhou para Suharto como coronel do Exército, foi evidentemente chamado de volta, a partir do Centro Leste-Oeste com conexões com a CIA, para auxiliar no golpe contra Sukarno, o qual acabou custando as vidas de cerca de um milhão de cidadãos indonésios. É uma história que o presidente Obama gostaria que a imprensa ignorasse, o que certamente fez durante as primárias e as eleições gerais de 2008.

Em 1967, chegando à Indonésia com Obama Jr., Dunham começou a lecionar inglês na embaixada americana em Jacarta, que também abrigava um dos maiores escritórios da CIA na Ásia e tinha estações satélite importantes em Surabaya, no leste de Java, e Medan em Sumatra. Jones deixou a presidência do Centro Leste-Oeste em 1968.

Na verdade, a mãe de Obama estava lecionando inglês para a U.S. Agency for International Development (Agência dos EUA para o Desenvolvimento Internacional - USAID), que era uma fachada importante para atividades da CIA na Indonésia e por todo o sudeste da Ásia, especialmente no Laos, Vietnam do Sul e Tailândia. O programa da USAID era conhecido como Lembaga Pendidikan Pembinaan Manajemen. A mãe de Obama, descrita como um espírito livre e uma "filha dos anos sessenta" pelo presidente Obama e pessoas que alegam tê-la conhecido no Havaí e na Indonésia, tinha um curriculum vitae na Indonésia que contradiz a percepção de que Ann Dunham Soetoro era uma "hippie".

O treinamento de Dunham Soetoro em língua russa na Universidade do Havaí deve ter sido útil para a CIA na Indonésia. Em 2 de agosto de 1966, um memorando à época secreto do secretário executivo do Conselho de Segurança Nacional, Bromley Smith, afirma que, além do Japão, Europa Ocidental, Austrália, Nova Zelândia, Malásia e Filipinas, o golpe de Suharto havia sido bem recebido pela União Soviética e seus aliados na Europa oriental porque havia criado uma Indonésia não-alinhada que "representa um contrapeso asiático à China comunista". Registros indicam que vários agentes da CIA lotados em Jacarta antes e depois do golpe de 1965 eram, como Dunham Soetoro, fluentes em russo.

Dunham Soetoro trabalhou para a elitista Fundação Ford, Banco Mundial, Banco de Desenvolvimento da Ásia, Banco Rayat (o Banco Popular da Indonésia com controle majoritário do governo), e a USAID, ligada à CIA, enquanto viveu na Indonésia, e posteriormente no Paquistão.

A USAID esteve envolvida em várias operações secretas da CIA no sudeste asiático. Em 9 de fevereiro de 1971, o Washington Star relatou que funcionários da USAID no Laos estavam cientes de que o arroz fornecido ao Exército do Laos pela USAID estava sendo revendido a divisões militares norte-vietnamitas no país. O relatório afirmou que os EUA toleravam as vendas de arroz da USAID para os norte-vietnamitas desde que as unidades do Exército do Laos que vendiam o arroz estivessem protegidas dos ataques comunistas do Pathet Lao [2] e dos norte-vietnamitas. A USAID e a CIA também usaram o fornecimento de arroz para forçar a tribo laociana Meo a apoiar os EUA na guerra contra os comunistas. Fundos da USAID destinados a civis feridos na guerra no Laos e a cuidados de saúde pública foram na verdade desviados para propósitos militares.

Em 1971, o Centro de Estudos Vietnamitas na Universidade do Sul de Illinois em Carbondale, financiado pela USAID, foi acusado de ser uma fachada da CIA. Projetos financiados pela USAID em todo o Midwest Universities Consortium for International Activities (Consórcio de Universidades do Meio-oeste para Atividades Internacionais - MUCIA) — que compreendia as universidades de Illinois, Wisconsin, Minnesota, Indiana e estado do Michigan — foram acusadas de serem projetos de fachada da CIA, incluindo os de "educação agrícola" na Indonésia, assim como outros "projetos" no Afeganistão, Mali, Nepal, Nigéria, Tailândia e Vietnam do Sul. A acusação foi feita em 1971, no mesmo ano em que Ann Dunham estava trabalhando para a USAID no país.

Numa reportagem do New York Times de 10 de julho de 1971, a USAID e a CIA foram acusadas de "perder" US$ 1,7 mil milhões apropriados para o programa CORDS (Civil Operations and Revolutionary Development Support – Apoio a Operações Civis e desenvolvimento Revolucionário) no Vietnam do Sul. O CORDS era parte do programa da CIA Operação Fênix, que envolvia assassinato e tortura pela CIA de anciões sul-vietnamitas e clérigos budistas. O dinheiro da USAID foi também direcionado à companhia aérea privada da CIA no sudeste da Ásia, a Air America. Na Tailândia, aos fundos da USAID destinados a projetos de obras públicas no leste do Paquistão em 1971 foram usados em fortificações militares no leste do Paquistão em suas fronteiras com a Índia, nos meses que precederam a irrupção da guerra com a Índia, violando as leis americanas que proibiam que se usasse dinheiro da USAID para fins militares.

Em 1972, o administrador da USAID Dr. John Hannah admitiu à Metromedia News que a USAID estava sendo usada como disfarce de operações secretas da CIA no Laos. Hannah somente mencionou o Laos com fachada da USAID para a CIA. Entretanto, foi também relatado que a USAID estava sendo usada pela CIA na Indonésia, Filipinias, Vietnam do Sul, Tailândia e Coréia do Sul. Projetos da USAID no sudeste da Ásia tinham que ser aprovados pelo Southeast Asian Development Advisory Group (SEADAG), um grupo asiático que, de fato, respondia à CIA.

O programa norte-americano Food for Peace, administrado conjuntamente pela USAID e pelo Departamento de Agricultura, foi fundado em 1972 para ser usado para finalidades militares no Cambodja, Coréia do Sul, Turquia, Vietnam do Sul, Espanha, Taiwan e Grécia. Em 1972, a USAID canalizou auxílio financeiro apenas para o sul do Iêmen do Norte, a fim de auxiliar forças norte-iemenitas contra o governo do Iêmen do Sul, então governado por um governo socialista que se opunha à hegemonia norte-americana na região.

Uma das entidades associadas ao trabalho da USAID na Indonésia era a Asia Foundation, uma criação de 1950 formada com auxílio da CIA para se opor à expansão do comunismo na Ásia. A casa de visitantes do Centro Leste-Oeste no Havaí foi financiada pela Asia Foundation. A casa de visitantes foi também onde Barack Obama Sr inicialmente se hospedou depois da ponte aérea do Quênia para o Havaí, arranjado por um dos principais agentes de influência da CIA na África, Mboya.

Dunham viajou também a Gana, Nepal, Bangladesh, Índia e Tailândia para trabalhar em projetos de micro-financiamento. Em 1965, Barack Obama Sr retornou ao Quênia vindo de Harvard, com outra esposa americana. Obama Sr reconectou-se com seu velho amigo e "menino de ouro" da CIA, e outros políticos da tribo luo. O chefe da estação da CIA em Nairóbi de 1964 a 1967 era Philip Cherry. Em 1975, Cherry foi o chefe do escritório da CIA em Dacca, Bangladesh. Cherry foi vinculado pelo então embaixador norte-americano em Bangladesh, Eugene Booster, ao assassinato em 1975 do primeiro presidente de Bangladesh, Sheikh Mujibur Rahman, e membros de sua família. O ataque ao "Sheikh Mujib" e sua família foi supostamente ordenado pelo então secretário de Estado Henry Kissinger. Bangladesh também estava no itinerário de viagem de micro e macro financiamentos da associada da CIA Ann Dunham.

A CIA, os bancos e o Havaí
 
 Nesse meio tempo, a mãe de Dunham Soetoro, Madelyn Dunham, que criou o jovem Obama quando ele retornou ao Havaí em 1971 enquanto sua mãe permanecia na Indonésia, foi a primeira mulher a se tornar vice-presidente do Banco do Havaí em Honolulu. Diversas entidades de fachada da CIA usaram o banco. Madelyn Dunham manipulava depósitos custodiados usados para fazer pagamentos da CIA para ditadores asiáticos apoiados pelos EUA, como o presidente filipino Ferdinand Marcos, o presidente sul-vietnamita Nguyen van Thieu e o presidente Suharto na Indonésia. Na verdade, o banco estava empenhado na lavagem de dinheiro para a CIA para secretamente sustentar seus líderes favoritos na região da Ásia-Pacífico.

Uma das principais frentes de lavagem de dinheiro em Honolulu era a empresa de Bishop, Baldwin, Rewald, Dillingham & Wong (BBRDW). Depois que a CIA deixou que a firma falisse em 1983 entre acusações de que a BBRDW era apenas um esquema Ponzi [3] , o senador Daniel Inouye do Comitê de Inteligência do Senado dos EUA afirmou que o papel da CIA na empresa "não era insignificante". Mais tarde, seria revelado que Inouye, que era um dos melhores amigos do finado senador pelo Alaska Ted Stevens no Senado, estava mentindo, Na verdade, a BBRDW estava profundamente envolvida no financiamento de programas secretos da CIA em toda a Ásia, incluindo espionagem econômica contra o Japão, fornecimento de armas para as guerrilhas mujaheddin no Afeganistão para sua guerra contra os soviéticos e secretamente fornecendo armas a Taiwan. Um dos diretores da BBRDW era John C. "Jack" Kindschi, o qual, antes de sua aposentadoria em 1981, era o chefe do escritório da CIA em Honolulu. O presidente da BBRDW, Ron Rewald, tinha um falso diploma universitário na parede de seu escritório, fornecido pelos especialistas da CIA em falsificações, e seu nome estava registrado na universidade como aluno.

Uma falsa história para a BBRDW foi forjada pela CIA, alegando que a empresa havia operado no Havaí desde que este era um território. O presidente Obama está atualmente assolado por alegações de que tem registros falsos do colégio e da universidade, um falso número de seguro social emitido em Connecticut, e outros itens inventados no currículo. Os documentos falsos da BBRDW no Havaí teriam prenunciado as questões atuais sobre o passado de Obama?

A BBRDW realizava seus negócios no coração do centro industrial de Honolulu, onde estava localizado o Banco do Havaí e onde a avó de Obama, Madelyn Dunham, controlava os depósitos custodiados. O banco teria controlado muitas das transações financeiras secretas da BBRDW.

"Candidato manchuriano"? Obama/Soetoro e os "anos perigosos" em Jacarta

Está claro que Dunham Soetoro e seu marido indonésio, padrasto do presidente Obama, estiveram intimamente envolvidos com as operações da CIA para afastar a Indonésia da órbita sino-soviética durante os "anos de vida perigosa", após a derrubada de Sukarno. WMR descobriu que alguns dos principais funcionários da CIA foram designados para várias atribuições oficiais e não-oficiais na Indonésia nesses anos, inclusive sob a capa da USAID, o Peace Corps e a U.S. Information Agency (USIA).

Um dos contatos da CIA mais próximos a Suharto foi o antigo funcionário da CIA na embaixada de Jacarta, Kent B. Crane. Crane era tão próximo a Suharto depois de sua "aposentadoria" da CIA que foi supostamente um dos únicos homens de negócios "privados" a quem foi concedido passaporte diplomático pelo governo Suharto. A empresa de Crane, o Crane Group, estava envolvido no fornecimento de armamento de pequeno porte às forças militares dos EUA, Indonésia e outros países. Consultor de política exterior do vice-presidente Spiro Agnew, Crane foi mais tarde nomeado embaixador dos EUA na Indonésia pelo presidente Ronald Reagan, mas a nomeação foi cancelada devido às dúbias relações de Crane com Suharto. A embaixada foi então para John Holdridge, um colega íntimo de Kissinger. Holdridge foi sucedido em Jacarta por Paul Wolfowitz.

Os comparsas de Suharto, que incluíam Mochtar e James Riady do Lippo Group, foram mais tarde acusados de desviar mais de US$ 1 milhão de contribuições estrangeiras ilegais para a campanha presidencial de Bill Clinton em 1992. O presidente Obama por duas vezes adiou visitas oficiais à Indonésia, talvez temeroso da atenção que estas viagens trariam às conexões de sua mãe e de seu padrasto indonésio com a CIA
Nas décadas de 1970 e 80, Dunham esteve ativamente envolvida em projetos de micro-crédito para a Fundação Ford, o Centro Leste-Oeste, vinculado à CIA, e a USAID, na Indonésia. Uma das pessoas indicadas para a embaixada dos EUA e que ajudou a defender o complexo durante uma violenta manifestação estudantil anti-americana em 1965 foi o dr. Gordon Donald Jr. Designado para o Setor Econômico da embaixada, Donald era responsável pelo micro-financiamento da USAID para agricultores indonésios, o mesmo projeto no qual Dunham Soetoro trabalhou para a USAID nos anos 70, após o seu trabalho para a USAID como professora de inglês na Indonésia. Num livro de 1968, "Quem é quem na CIA", publicado em Berlim Ocidental, Donald é identificado como um funcionário da CIA também designado para Lahore, Paquistão, onde Dunham viveu por cinco anos no Hilton International Hotel enquanto trabalhava em micro-financiamento para o Banco de Desenvolvimento da Ásia.

Outro aluno de Jacarta no "Quem é Quem na CIA" é Robert F. Grealy, que mais tarde se tornou diretor de relações internacionais Ásia-Pacífico para o J P Morgan Chase, e um dos diretores da Câmara de Comércio América-Indonésia. O CEO do J P Morgan Chase Jamie Dimon está mencionado como substituto potencial do Secretário do Tesouro Timothy Geithner, cujo pai, Peter Geithner, era o decisor-chefe da Fundação Ford na Ásia, que canalizava dinheiro para os projetos indonésios de Ann Dunham.

Os projetos negros da CIA e o Havaí

Enquanto estava no Paquistão, Dunham foi visitada por seu filho Barack em 1980 e 1981. Obama visitou Karachi, Lahore e Hyderabad, na Índia, durante suas visitas ao sul da Ásia. Foi durante este período que a CIA desenvolvia suas operações anti-soviéticas no Afeganistão a partir do Paquistão.

Um memorando NOFORN [no foreign dissemination – não divulgar para o exterior], antes secreto, de 31 de janeiro de 1958, para o diretor da CIA Allen Dulles do assessor do Diretor Assistente da CIA para Pesquisa e Relatórios [nome redigido] relata uma missão de investigação ao Extremo Oriente, ao sudeste da Ásia e ao Oriente Médio de 17 de novembro a 21 de dezembro de 1957.

O chefe do Escritório de Pesquisa e Relatórios [Office of Research and Reports – ORR] relata uma reunião com a equipe do general de Exército reformado Jesmond Balmer, um funcionário sênior da CIA no Havaí, sobre pedidos do Comandante-em-Chefe do Pacífico (Commander-in-Chief Pacific -CINCPAC) por "várias pesquisas detalhadas e demoradas". O chefe do ORR relata então sobre um "levantamento de estudantes na Universidade do Havaí que têm tanto habilidades para pesquisa quando língua chinesa", feito pela CIA. O chefe do ORR relata ainda que num Seminário Anti-subversão da Organização do Tratado do Sudeste Asiático (South-East Asia Treaty Organization – SEATO) em Baguio, nas Filipinas, realizado de 26 a 29 de novembro de 1957, o Subcomitê Econômico discutiu um "fundo de desenvolvimento econômico" para combater "atividades subversivas do Bloco Sino-soviético na área e uma discussão de possíveis contra-medidas que poderiam ser empregadas".

As delegações da Tailândia e das Filipinas pressionaram bastante pelo financiamento norte-americano de um fundo de desenvolvimento econômico, que pode ter fornecido impulso para os projetos da USAID na região, incluindo aqueles com os quais Peter Geithner e a mãe de Obama estavam intimamente envolvidos.

Apesar de estarem bem documentadas as operações geopolíticas secretas da CIA na Universidade do Havaí, o lado mais negro da pesquisa e as operações do tipo MK-UKTRA não foram geralmente associadas com a Universidade do Havaí.

Uma série de memorandos da CIA, anteriormente confidenciais, datados de 15 de maio de 1972, aponta para o envolvimento tanto da Agência de Projetos de Pesquisa Avançada (Advanced Research Projects Agency - ARPA), da CIA, quanto da Universidade do Havaí no programa de ciência comportamental da CIA. Os memorandos estão assinados pelo então diretor-adjunto da CIA Bronson Tweedy, o chefe do Intelligence Community's Program Review Group (PRG) [nome redigido], e o diretor da CIA Richard Helms. O assunto dos memorandos é "ARPA Supported Research Relating to Intelligence Product". O memorando do chefe do PRG discute uma conferência realizada em 11 de maio de 1972, da qual participou o tenente-coronel Austin Kibler, Diretor de Pesquisa Comportamental da ARPA. Kibler era o chefe da ARPA para pesquisas em modificações de comportamento e visão remota [4] . Outros que são mencionados no memorando do chefe do PRG são o Diretor-adjunto de Inteligência da CIA Edward Proctor, o Diretor-adjunto para Ciência e Tecnologia da CIA Carl Duckett, e o Diretor do Escritório de Estimativas Nacionais John Huizenga.

Em 1973, depois que o Diretor da CIA James Schlesinger ordenou a revisão de todos os programas da CIA, a CIA desenvolveu um conjunto de documentos sobre os seus diversos programas, coletivamente denominados as "Jóias da Família" ("Family Jewels"). Muitos desses documentos foram liberados em 2007, mas foi também revelado que o dr. Sidney Gottlieb, o diretor da CIA do MKULTRA, havia recebido ordens de Helms, antes de este deixar o cargo de diretor da CIA, de destruir os componentes de modificação comportamental, lavagem cerebral e testes de drogas. Duckett, em um memorando de Ben Evans da CIA para o Diretor da CIA William Colby, datado de 8 de maio de 1973, afirma que "acha que o Diretor estaria sendo mal aconselhado se dissesse que está familiarizado com este programa", a respeito do programa de teste de drogas de Gottlieb sob o MKULKTRA.

Funcionários graduados da administração Gerald Ford, incluindo o chefe de equipe Dick Cheney e o secretário de Defesa Donald Rumsfeld, asseguraram que depois da produção das "Family Jewels" a CIA não fez nenhuma revelação adicional sobre programas de alteração de comportamento psicológico, incluindo o MKULTRA e o Projeto Project ARTICHOKE.

O conjunto de memorandos de 15 de maio de 1972 parece estar relacionado às pesquisas iniciais da CIA, com nome em código SCANATE, em Guerra psíquica, incluindo o uso de psiquismo para propósitos de espionagem com visão remota e controle mental. O memorando discute Kibler, da ARPA, e "seu contratante", que se descobriu mais tarde ser o Stanford Research Institute (SRI) de Menlo Park, California.

Num memorando do diretor da CIA Helms para, entre outros, Duckett, Huizenga, Proctor, e o diretor da Defense Intelligence Agency, que mais tarde herdou o programa de visão remota da CIA sob o nome em código GRILL FLAME, Helms insiste que a ARPA havia apoiado a pesquisa em ciência comportamental e seu potencial para produção de informações "por muitos anos" no "MIT, Yale, Universidade de Michigan, UCLA, Universidade do Havaí e outras instituições assim como instalações de pesquisa de empresas".

O papel da Universidade do Havaí nas operações de Guerra psíquica da CIA continua até hoje. A chefe de pesquisa do Programa de Ciências Comportamentais do Defense Counterintelligence and Human Intelligence Center (DCHC), da DIA, dra. Susan Brandon, supostamente envolvida num programa secreto conduzido pela American Psychological Association (APA), da Rand Corporation, e a CIA para empregar técnicas de "interrogação avançada", incluindo privação de sono e de sentidos, dor intensa e isolamento extremo em prisioneiros mantidos na base aérea de Bagram no Afeganistão e outras "prisões negras", recebeu seu PhD em Psicologia da Universidade do Havaí. Brandon também atuou como diretora-assistente de Ciências Sociais,, Comportamentais e Educacionais para o Escritório de Políticas de Ciência e Tecnologia na Casa Branca de George W. Bush.

As íntimas conexões da CIA com a Universidade do Havaí continuaram até o final dos anos 70, quando o antigo Presidente da Universidade do Havaí de 1969 a 1974, Harlan Cleveland, foi especialmente convidado à sede da CIA como orador em 10 de maio de 1977. Cleveland trabalhou como secretário de Estado Assistente para Assuntos de Organização Internacional de 1961 a 1965, e foi embaixador de Lyndon Johnson na ONU de 1965 a 1969, antes de assumir sua posição na Universidade do Havaí.

Um memorando do Diretor de Treinamento da CIA, datado de 21 de maio de 1971, relata o recrutamento ativo de um oficial da marinha americana que estava ingressando na graduação na Universidade do Havaí.

A família de Obama e a CIA

Há muitos volumes de material escrito sobre o passado de George H.W. Bush na CIA e atividades relacionadas com a CIA de seu pai e seus filhos, inclusive do antigo presidente George W. Bush. Barack Obama, por outro lado, sabiamente mascarou suas próprias conexões com a CIA, assim como as de sua mãe, de seu pai, de seu padrasto e de sua avó (conhece-se muito pouco sobre o avô de Obama, Stanley Armou Dunham, que supostamente trabalhava no ramo de mobiliário no Havaí depois de servir na Europa durante a Segunda Guerra Mundial). Presidentes e vice-presidentes não requerem verificações de segurança em seu passado, ao contrário de outros membros do governo federal, para assumir seus cargos. Este trabalho é deixado para a imprensa. Em 2008, a imprensa falhou miseravelmente na sua obrigação de examinar o homem que queria assumir a Casa Branca. Com as ligações dos pais de Obama à Universidade do Havaí e suas conexões com MKULTRA e ARTICHOKE, permanece uma questão incômoda: será Barack Obama um "Manchurian Candidate" da vida real?
 
[1] Filme americano lançado com o título de Sob o domínio do mal, no Brasil, e O enviado da Manchúria, em Portugal, no qual um candidato à presidência dos EUA é um ex-soldado americano programado neurologicamente para receber comandos de um grupo fascista.
[2] Movimento político, nacionalista e comunista no Laos.
[3] Operação fraudulenta de investimento em pirâmide que envolve o pagamento de rendimentos anormalmente altos aos investidores, às custas do dinheiro pago pelos investidores que chegarem posteriormente, em vez da receita gerada por qualquer negócio real. O nome do esquema refere-se ao criminoso financeiro italo-americano Charles Ponzi (ou Carlo Ponzi) (Fonte: Wikipedia)
[4] Habilidade parapsíquica que permite obter informações à distância ou descobrir objetos ocultos.


Artigos relacionados:
Indonésia:

1965 : Indonésie, laboratoire de la contre-insurrection , Paul Labarique, Réseau Voltaire, 24 May 2004.
Programas secretos da CIA:

CIA: What Really Happened in the quiet French village of Pont-Saint-Esprit , Hank P. Albarelli Jr., Voltaire Network, 16 March 2010.

Morgellons and the CIA's MK/NAOMI Project , Hank P. Albarelli, Jr., 24 June 2010;

A primeira parte deste artigo encontra-se em http://resistir.info/eua/madsen_20ago10_p.html

O original encontra-se em http://www.voltairenet.org/article166759.html . Tradução de RMP.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
 

15 de set de 2010

Debate entre candidatos a presidente de esquerda e progressista

Um esforço do Brasil de Fato para denunciar o caráter antidemocrático do atual processo eleitoral.


As eleições – espaço político que poderia ser importante para apresentar projetos para o país e elevar a consciência política da população brasileira – estão cada vez mais despolitizadas e dependentes do poderio econômico. São vergonhosas e imorais as milionárias cifras gastas para eleger os integrantes dos poderes Executivo e Legislativo em nosso país.


A burguesia brasileira reduziu a campanha eleitoral à propaganda na televisão, a marketing de pessoas – não de programas – que dependem de esquemas econômicos muito caros.  A compra de cabos eleitorais – “militância” paga e material de propaganda sofisticados – se tornou um fato normal. Com isso, têm mais vantagem os candidatos que conseguem maiores arrecadações de recursos, junto a empresas, bancos etc., em mecanismos no mínimo promíscuos para quem deseja ocupar cargos públicos e administrar volumosos recursos do povo.

Nesse cenário, não há um clima de debates de ideias e de agitação política na sociedade. As campanhas eleitorais estão engessadas, moldadas por uma legislação que impede uma participação popular mais ativa. Limita comícios e atividades de agitação política próprias da natureza do processo.

Com as candidaturas favoritas niveladas por baixo e o debate sobre os rumos do país jogado ao ostracismo, a grande ausente do processo eleitoral brasileiro é a política. Política aqui entendida como a disputa de interesses contraditórios acerca dos problemas fundamentais da sociedade. E, numa sociedade de classes, desigual como a brasileira, o desaparecimento do conflito favorece os mais fortes, os dominantes.

A mídia corporativa cumpre ainda um papel fundamental nesta mediocrização das campanhas eleitorais. A cobertura limita-se aos favoritos – exatamente aqueles com os orçamentos milionários – e a linha editorial prioriza as trajetórias e características pessoais dos candidatos. Ou seja, projetos para o país jamais são discutidos.

Num esforço para romper um pouco com esse atual quadro eleitoral, o Brasil de Fato irá realizar no dia 21 de setembro, às 21 horas, um debate entre os candidatos à Presidência da República representados em nosso conselho editorial. Por ordem alfabética, foram convidados Dilma Rousseff (PT), Ivan Pinheiro (PCB), José Maria de Almeida (PSTU), Marina Silva (PV), Plínio Arruda Sampaio (PSOL) e Rui Costa Pimenta (PCO).

E, o jornal Brasil de Fato como organizador, por sua característica plural no campo da esquerda está fazendo um esforço para articular outros veículos de comunicação da imprensa alternativa e popular no sentido de dar amplitude ao debate.

O debate é uma atividade unificada de partidos progressistas e de esquerda, juntamente com outros setores da esquerda, que farão um esforço no sentido de engajar o conjunto do movimento social, sindical e partidário no apoio ao debate.

A atividade terá também um caráter de ato político, com o objetivo de denunciar a falta de democracia do atual processo eleitoral, uma vez que a mídia corporativa adota critérios arbitrários para excluir candidaturas da sua cobertura. Portanto, o debate é na prática, um protesto contra o atual sistema eleitoral e midiático.
http://www.pstu.org.br/

13 de set de 2010

E você, tem medo do Irã?

Renato Prata Biar*

Se um dia lhe fosse formulada a seguinte pergunta: qual, em sua opinião, pode ser considerado como o maior ataque terrorista da história da humanidade? Que imagens e personagens viriam primeiro à sua memória? Seria o World Trade Center nos Estados Unidos (11 de setembro de 2001) e alguns muçulmanos? Seria o atentado em Madri na Espanha (11 de março de 2004) e também alguns muçulmanos? Ou seria o atentado em Londres na Inglaterra (07 de julho de 2005) e, mais uma vez, tendo os muçulmanos como os principais personagens? Pois bem, se somarmos todos os mortos desses três atentados (Estados Unidos: aproximadamente 2.750 mortes; Londres: 55 mortes e Espanha: 190 mortes), chegaríamos a cerca de três mil vítimas fatais. O que, sem dúvida, é um número impressionante e assustador, pois uma única vida ceifada dessa maneira já pode ser considerada uma tragédia.

Porém, devemos antes nos perguntar o que é um ataque terrorista ou, melhor, o que é necessário para que um ataque seja considerado como terrorista. De forma bem sucinta (pois existem vários conceitos divergentes entre si para caracterizar o termo terrorismo), considera-se um ataque como terrorista quando se tem como alvo a população civil indefesa, desarmada e despreparada como foi, sem dúvida, o caso dos três atentados acima citados. O objetivo do ataque é, literalmente, causar o terror e o pânico na população como meio de alcançar determinados objetivos políticos que, não necessariamente, precisam ter uma conotação tática e estratégica de cunho militar.

Parece-nos, então, que não há dúvidas de que os ataques do World Trade Center, de Madri e de Londres foram indiscutivelmente ataques terroristas. Entretanto, quem citou um desses três como o maior ataque terrorista de toda a história, passou bem longe! Na verdade, mesmo se pudéssemos considerar os três como um único ataque, isso não seria suficiente para considerá-lo como o maior de todos. O maior ataque terrorista da história da humanidade ocorreu em duas etapas: o primeiro em 06 de agosto de 1945 na cidade de Hiroshima (com 140 mil mortos) e o segundo em Nagasaki (com 80 mil mortos), ambos ocorridos no Japão. É bom não esquecermos também que, nesses dois casos, não havia nenhum muçulmano envolvido. Muito pelo contrário, quem comandou e ordenou os dois ataques com bombas nucleares à população civil japonesa vestia terno e gravata, tinha a pele branca, olhos claros, se dizia cristão e, no momento dos ataques, ocupava o cargo de presidente dos Estados Unidos: o Sr. Harry S. Truman.

Seja terrorismo de Estado ou terrorismo efetuados por pequenos grupos independentes, ambos são terrorismo e a sua essência é a mesma: causar o máximo de terror e pânico na população para tirar proveitos políticos (neste caso, os Estados Unidos tinham como interesse não acabar com a guerra, mas mostrar para o mundo, e principalmente para a União Soviética, a sua supremacia militar). Aliás, os Estados Unidos são, dentre todos os países que detém um arsenal bélico nuclear, o único país do mundo que se utilizou desse armamento para atacar outro país, ou melhor, a população civil de outro país, no caso o Japão.

Mas as atividades estadunidenses não se resumem apenas ao terrorismo. Além de deterem esse "honrado" título de maiores terroristas mundiais, os Estados Unidos são também os maiores produtores de armas e artefatos de guerra no mundo e, consequentemente, os maiores traficantes de armas também (o complexo militar-industrial-acadêmico é responsável por empregar cerca de 30% da população economicamente ativa nos Estados Unidos).

Outras atividades peculiares dos estadunidenses são os assassinatos de líderes políticos de outros países que se posicionam contrários aos seus interesses como foi o caso, por exemplo, de Patrice Émery Lumumba (nascido no Congo Belga, 2 de julho de 1925 – morto em Katanga em17 de janeiro de 1961). Lumumba foi um lider anti-colonial e primeiro-ministro eleito em junho de 1960 na atual República Democrática do Congo depois de ter participado da conquista da independência do Congo Belga em relação à Bélgica.

Passadas apenas dez semanas da sua eleição, foi deposto juntamente com o seu governo num golpe de estado, aprisionado e assassinado (seu corpo foi esquartejado e dissolvido em ácido para que não deixasse vestígios) em janeiro de 1961, em circunstâncias que indicaram provável cumplicidade e apoio dos governos da Bélgica e dos Estados Unidos.

Num exemplo mais recente, temos o caso da descoberta de um plano para assassinar o presidente da Bolívia Evo Morales, eleito democraticamente, que seria posto em prática por grupos para-militares bolivianos, patrocinados material e financeiramente pelos Estados Unidos, para aplicarem um golpe de estado naquele país. Aliás, entre as décadas de 1960 e 1970 não houve um único golpe de estado na América Latina que não tivesse o envolvimento direto ou indireto dos Estados Unidos. Mas como são inúmeros os exemplos, vamos citar apenas mais um que, além de atual, é extremamente emblemático para o entendimento do pensamento, das ações e dos interesses imperialistas dos dias de hoje: o caso do Irã.

Para entendermos melhor a questão do Irã, devemos começar por saber um pouco da história desse país. Somente depois disso conseguiremos entender o quanto de hipocrisia, mentira e cinismo está inexoravelmente ligado às críticas e à campanha que está sendo vinculada contra o povo iraniano, e que acaba por esconder os verdadeiros motivos de tal campanha: o interesse pelo ouro negro (petróleo) e a estratégia geopolítica dos Estados Unidos no Oriente Médio.

Em 1953, Mohammed Mossadegh, primeiro-ministro do Irã, eleito democraticamente em 1951, foi deposto por um golpe de Estado orquestrado e financiado pela CIA (Central de Inteligência Americana). Mossadegh gozava de enorme popularidade entre o povo iraniano, pois era considerado um grande nacionalista. Foi durante seu mandato que houve a nacionalização da empresa petrolífera Anglo-Iranian Oil Company (corporação britânica que explorava a extração de petróleo no país) que, primeiramente, desagradou a Inglaterra e logo em seguida também aos Estados Unidos. Mossadegh foi então afastado do poder, detido e condenado à prisão por três anos, e após sua libertação passou o resto dos seus dias em prisão domiciliar. Em seu lugar, assumiu um ditador e fantoche dos Estados Unidos, Mohammed Reza Pahlavi. ]

O governo do xá Reza Pahlavi foi caracterizado por massacres contra os opositores ao regime ditatorial, lançando mão de assassinatos em massa e tortura sempre tendo o apoio político, material e financeiro dos Estados Unidos. Era também considerado pela grande maioria do povo iraniano como um traidor das tradições iranianas e das Leis islâmicas. Além disso, a miséria e a desigualdade crescentes entre o povo iraniano durante seu governo fomentou ainda mais a insatisfação e a indignação contra o regime do xá, o que ocasionou crescentes movimentos para a sua derrubada do poder, e que culminou naquilo que ficou conhecido como a Revolução Islâmica Iraniana, em 1979. Com a Revolução, o xá Reza Pahlavi abandona o país e busca asilo nos Estados Unidos que, obviamente, o recebeu de braços abertos.

Entretanto, devido a essa receptividade do governo estadunidense, ocorreu a expulsão da sua embaixada do Irã e a detenção de 53 americanos que passaram à condição de reféns para pressionar os Estados Unidos a liberar cerca de 23 bilhões de dólares de dinheiro iraniano em contas estadunidenses (a negociação durou 444 dias e foi resolvida de forma bastante obscura, pois não se divulgou de que forma foi conseguida a libertação dos reféns pelo governo estadunidense, que começou no governo Jimmy Carter e terminou no governo de Ronald Reagan).

A Revolução Islâmica Iraniana, portanto, que teve como seu líder de maior expressão, Ruholla Khomeini (após a Revolução ganhou o estatuto de aiatolá, que significa perito em religião e direito) foi o acontecimento que deu as características que até hoje regem o regime político e social do Irã (uma Teocracia fundamentada no Alcorão, o livro sagrado da religião islâmica).

Outro acontecimento interessante e que retrata bem a ética estadunidense ocorreu durante a guerra do Irã contra o Iraque (1980-1988). Nessa época como vimos, o Irã já era considerado um inimigo, o que levou os Estados Unidos a apoiar material e financeiramente o Iraque do então já ditador, porém naquela época aliado, Saddam Hussein.

Entretanto, isso não fez com que os Estados Unidos perdessem uma grande oportunidade de fazer negócios com o próprio Irã: o presidente Ronald Reagan simplesmente passou a vender armas também para os iranianos (escândalo que ficou conhecido como Irã-Contras).Tendo como pilar de sustentação de sua economia o Complexo Militar-industrial-acadêmico, esse tipo de comportamento mercenário acaba por tornar-se rotineiro.

Não foi diferente com os Talibãs no Afeganistão, onde os Estados Unidos também financiaram, armaram e treinaram esse grupo de guerrilheiros para que eles derrotassem a União Soviética (o que de fato aconteceu). E hoje esses mesmos Talibãs são considerados, pelos Estados Unidos, como um grupo de terroristas.

Bem, agora os Estados Unidos bradam aos quatro ventos que o Irã é a grande ameaça à paz mundial (e fica a pergunta: que paz?!), pois o Irã pretende construir a sua bomba atômica (seria essa bomba do mesmo tipo que, segundo o presidente G.W. Bush e sua gangue, disseram que havia no Iraque?).

Devemos lembrar que o Irã, ao contrário de Israel, que sequer permite a fiscalização da Agência Internacional de Energia Atômica em seu território, é signatário do acordo internacional de não-proliferação de armas nucleares. Mas mesmo assim, é o Irã que é considerado como uma grande ameaça, enquanto Israel é considerado um aliado na luta pela paz. Historicamente, não é Irã que tem o hábito de invadir o território de outros países, desrespeitar acordos e leis internacionais e, com uma política tipicamente Nazista, tenta a todo custo exterminar o povo palestino.

Na última e mais recente campanha midiática contra o Irã, faz-se a acusação de que neste país aplicam-se métodos bárbaros para a aplicação da pena de morte – neste caso específico, trata-se de uma mulher que está condenada à pena de apedrejamento até a morte por ter traído seu marido e também por ter participado de seu assassinato. E aí vem outra pergunta: existe pena de morte civilizada e humana? Se fosse possível, deveríamos perguntar pra quem já cumpriu esse tipo de condenação. A pena de morte não é por si só uma barbárie independentemente do método que se utilize? A cadeira elétrica, a injeção letal (comumente usadas nos Estados Unidos, onde cerca de 70% daqueles que são executados são negros e latinos) podem ser consideradas como justas e civilizadas?

Por que os Estados Unidos não tentam interferir também na Arábia Saudita, onde não há um único resquício de democracia e também há pena de morte por enforcamento, decapitação, etc.? Em 2006, na Arábia Saudita, uma mulher foi condenada à morte acusada de bruxaria. Sendo que no ano anterior, em 2005, um homem já havia sido condenado e decapitado também pela acusação de práticas de bruxaria. Seria porque a Arábia Saudita atende de forma total e subserviente aos interesses estadunidenses? E o que dizer das prisões de Guantánamo em Cuba, de Bagram no Afeganistão e de Abu Ghraib no Iraque (todas controladas pelos Estados Unidos), onde estão mais do que comprovados os constantes desrespeitos aos direitos humanos, às leis internacionais, além das constantes e mais diversas e perversas práticas de tortura contra os prisioneiros? Malcolm X (1925-1965), um dos maiores defensores dos direitos dos negros nos Estados Unidos, e que morreu assassinado, já sabia qual era a resposta que daria solução para o seu país. Dizia ele:

" Por que o negro precisa de lei para provar que é ser humano? O branco não precisa provar que é ser humano. Digo isso pelo seguinte: nós nunca teremos liberdade real entre brancos e negros nesse país sem destruir esse país, sem destruir o atual sistema político, sem destruir o atual sistema econômico, sem reescrever a Constituição inteira, sem destruir tudo o que os Estados Unidos supostamente defendem."



E completava: "Vou me unir com qualquer um, de qualquer cor, desde que eles queiram acabar com a miséria desta Terra."

Diante de tudo isso, nos resta apenas concluir com uma última pergunta: e você, tem medo do Irã?

*Renato Prata Biar; Historiador; Pós-Graduado em filosofia; RJ


FONTE: AQUI
.