31 de ago de 2010

O MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA E O GOVERNO LULA

Depois dos avanços dos movimentos populares nas décadas de 1970/80, veio o retrocesso no governo de FHC. Venda (doação) do patrimônio público, o “mensalão” mineiro, compra de parlamentares, crise econômica; redução do salário mínimo.

Vem a campanha eleitoral. O PT era um partido de esquerda, como o era o arco de apoio a Lula, até que se aliasse a forças retrógradas, como o PL, o PMDB, o PTB.

Com o assassinato do prefeito Celso Daniel (até hoje não apurado), que seria o coordenador do programa de Lula, Antonio Palocci assumiu a função O projeto “Um Novo Brasil é Possível”, coordenado por Celso Daniel, foi substituído pela “Carta aos Brasileiros”, compromisso de não mexer nos privilégios dos rentistas.

Lula obteve 61,27% dos votos e Serra 38,72%. As esquerdas, finalmente chegam ao poder. Seria recuperada a soberania em telecomunicações, minério e energia e o comando operacional (as empresas) voltaria ao Estado. O Banco Central e o câmbio seriam controlados. A Lei 9.478 que extinguiu o monopólio estatal do petróleo seria revogada. Seria o fim da submissão aos organismos internacionais de controle da economia. Os aposentados recuperariam o poder aquisitivo, o Fator Previdenciário seria extinto e a Previdência teria administração quadripartite. A Convenção 158 da OIT, denunciada por FHC em 1996, seria re-implantada. O meio ambiente seria preservado. Acabaria a ditadura do capital financeiro. Eram compromissos do PT e do candidato.

Em outubro/2002, Lula ainda não empossado, reúne-se com George Bush. Lá mesmo, em Washington, anuncia o futuro presidente do Banco Central: o ex-presidente internacional do BankBoston, Henrique Meirelles que até hoje comanda a economia.

O governo assume com dois homens fortes no ministério: Antonio Paloci e José Dirceu, depois defenestrados por participação em escândalos. Concede autonomia ao BC. É elementar que quem controla a economia é que realmente governa. Mantém juros elevadíssimos, câmbio flexível e meta de inflação. As Portarias do BACEN têm valor de lei, sem que sejam submetidas ao Congresso.

Lula goza de credibilidade nos meios financeiros internacionais, não apenas devido ao presidente do Banco Central, pois, na surdina, já havia participado, em 1973, de um curso na Johns Hopikins, University em Baltimore, Maryland – USA.

Seus companheiros de política já não mais são os fundadores do PT. Agora, seus amigos são: José Sarney, Jader Barbalho, Severino Cavalcante, Fernando Collor, Renan Calheiros, Roberto Jefferson, Bispo Rodrigues, Sergio Cabral etc. Formou ampla base de apoio, com partidos ditos de esquerda, com conservadores e de direita. Os partidos de oposição, PSDB e DEM, aplaudem a política econômica. Todos os grandes partidos tornam-se farinha do mesmo saco. Fisiológicos, oportunistas, sem ideologia.

Alinham-se não só na economia. Confundem-se até nos escândalos. São os “Mensalões”, do PSDB, do PT, do DEM e outros cambalachos.

Os escândalos do governo Lula são denunciados por seus próprios aliados, como Roberto Jefferson. O operador dos “mensalões” PSDB e PT é o mesmo; os bancos são os mesmos. E mais escândalos: Mauricio Marinho, extorquindo empresário e recebendo dinheiro na ECT. Dólares na cueca, saques na boca do caixa, Sanguessugas, Dossiê Vedoin (crime eleitoral contra José Serra). Vampiros, Furacão, Navalha....A imprensa denuncia o escândalo Waldomiro Diniz, que extorquia bicheiros para o PT e o PSDB. São golpes nos já debilitados partidos e na própria democracia. Além de dinheiro vivo, há a partilha dos cargos e uso do orçamento.

O que restou das esquerdas, a parcela que saiu do governo mais os que dele não participaram, está enfraquecida; sem representação ou liderança que as aglutine.

O PT patenteou seu autoritarismo e aparelhismo. Vários fundadores já deixaram o partido: Cesar Benjamin, Plínio de Arruda Sampaio, Francisco de Oliveira, Hélio Bicudo, Milton Temer, Marina Silva, Fernando Gabeira,[?] Cristovam Buarque etc.

O PDT trilha o mesmo caminho. Saíram: Nilo Batista, Vera Malagutti, o saudoso Fausto Wolff, Arthur Poerner, Arnaldo Mourthé etc. O presidente, doublé de Ministro do Trabalho, é o mais submisso dos ministros. Faz tudo o que seu mestre manda Porém, no Partido é, ao mesmo tempo, autoritário e bonachão. Não permite opinião diferente da dele, mas é carinhoso e dadivoso com quem quer conquistar.

O governo paga bilhões de dólares de juros e empresta outros bilhões ao FMI com remuneração de 0,12%. Mas diz não ter dinheiro para reajuste de aposentadorias e pensões Não toca nos oligopólios que manipulam a mídia, como fizeram a Argentina, Venezuela, Equador, Bolívia, Uruguai e Nicarágua. Permite que uma família detenha mais de cem canais de TV aberta, vários canais fechados, revistas, jornais, internet etc.

Esqueceu a prometida e ansiada Reforma Política, a Reforma Tributária, a Agrária e a auditoria da dívida pública.

Fez do anúncio do Pré-Sal uma enganosa adesão ao nacionalismo, sem restabelecer a Lei 2.004. Mantém a Lei 9.478, os leilões de lençóis petrolíferos fora do pré-sal., onde já há poços (Tupi, Guará etc.) com participação de empresas estrangeiras.

Não quer ser fiscalizado; quer esterilizar o TCU e zomba da Justiça Eleitoral.

O setor elétrico está loteado; o esquema Sarney é donatário do Ministério das Minas Energia. Furnas e a administração da Petrobras pertencem ao PT.

Criou a Super-Receita, anexando a Secretaria de Receita Previdenciária à Secretaria da Receita Federal, alocando no Tesouro os recursos do INSS. Esse foi o maior crime já cometido, em toda a história, contra a Previdência Social. E mata as aspirações dos trabalhadores de uma Previdência administrada por trabalhadores, empregadores, aposentados e governo. Não acabou com o Fator Previdenciário.

A Convenção 158 da OIT, que veda demissões imotivadas, denunciada por FHC, não foi restabelecida, mesmo com o presidente do PDT no Ministério do Trabalho. E a Convenção 151 foi esquecida.

De todos os crimes do governo FHC, os piores foram a debilitação dos direitos trabalhistas e a criação de gigantescos conglomerados financeiros com dinheiros públicos. Lula não fez diferente. Através de corrupção, cooptou grande parte do movimento sindical, cujos dirigentes abandonaram a defesa dos trabalhadorres, ocupando-se em ganhar espaços na administração pública.

Através dos bancos públicos e dos fundos de pensão, derramou dinheiro público para grandes empresas nacionais e estrangeiras, para o agronegócio e para banqueiros. Gigantescos conglomerados passaram a dominar a economia.

A dívida pública, em fevereiro, ultrapassou a 2 TRILHÕES de reais. O governo orgulha-se por manter uma reserva financeira de mais de duzentos bilhões de dólares, pela qual recebe juros de 0,12% a 1%, mas paga 10,75% para captar.

Entre mais de uma centena de exemplos, citamos:

O Banco Votorantim, que atua em vários segmentos da economia, estava falido. A operação para salvá-lo foi um escândalo: o Banco do Brasil comprou 49,99% do capital votante pagando o preço de todo o banco. E o BNDES concedeu R$ 2,4 bilhões para a Votorantin Papel e Celulose comprar ações da Aracruz Celulose, que estava em dificuldade. A política de Lula é a mesma de FHC: o Estado fica com os prejuízos e os ganhos ficam com os magnatas. É capitalismo sem risco, bancado pelo Estado.

As empreiteiras levam vantagens absurdas; com recursos do BNDES passaram a atuar em vários segmentos como petroquímica, agronegócio, mineração, telecomunicações, produção de etanol, petróleo, saneamento, açúcar, energia elétrica, rodovias. São inúmeros exemplos, mas citamos A Andrade Gutierrez, dona da Telemar, que é dona da OI, que comprou a Brasil Telecom, graças a o BNDES ter emprestado R$ 2,6 bilhões em 2008 e R$ 4,4 bilhões em 2009. Na operação, houve denúncias de doações a parentes de pessoas influentes no governo. Essa empreiteira hoje tem mais as seguintes empresas: Dominnó Holding S.A., Water Port S.A., Corporación Quiport, CCR-Cia. de Concessões Rodoviárias, RME-Rio Minas Energia. Da mesma forma a Odebrecht, a Camargo Correa, a Mendes Junior, a Queiroz Galvão .

A oligopolização do setor de supermercados começou com FHC e não parou nos últimos anos, inclusive com invasão de estrangeiros que engoliram redes nacionais.

A JBS Friboi (carne bovina), recebeu empréstimo de uma só vez de R$ 7,5 bilhões e entrou no mercado de capitais em 2007. Adquiriu a Swift Armour Argentina, a Swift Fiids & Co., dos EUA. a Inalca (Itália) e a Tatiara Meat Company da Austrália. Lançou debêntures e o BNDES adquiriu 65% por R$ 2,2 bilhões. E mais: em 2009 o BNDES jogou na Bertin a fábula de R$ 5,7 bilhões, logo depois comprada pela JBS, surgindo uma nova holding, que comprou a Pilgrim”s Pride. Para isso, lançou debêntures no total de R$ 3,4 bilhões e 99% foram compradas pelo BNDES. Essas operações não criaram sequer um emprego no Brasil.

Após receber R$ 100 bilhões que o governo captou pagando juros SELIC, o BNDES liberou R$ 2,5 bilhões para a Sadia fundir-se à Perdigão. Surgiu a gigante BRF Brasil Foods.

Em novembro/2008 comprou R$ 250 milhões de ações do Frigorífico Independência, anunciando mais R$ 250 milhões para março, quando, no dia primeiro de março, o frigorífico faliu (Recuperação Judicial).

Assim, o BNDES engorda os patrimônios dos acionistas das empresas. Mas em infraestrutura é um fracasso. Em 2009, o orçamento federal contemplou a rubrica saneamento com R$ 3,1 bilhão, mas foram gastos apenas R$ 1,6 bilhão. Em sete anos, a rede de esgotos cresceu apenas quatro pontos percentuais.

Assinou um Acordo Militar com os EUA, ressuscitando o que fora denunciado pelo general Geisel. É inacreditável! Além do fracasso na saúde e no ensino básico.

A nós, que conformamos uma resistência no PDT, cabe o papel de denunciar e lutar contra essas medidas lesa-pátria.

MOVIMENTO DE RESISTÊNCIA LEONEL BRIZOLA
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30 de ago de 2010

Carta do PCB aos camaradas do PCO, PSOL e PSTU

Carta do PCB a:

Camaradas do PCO, PSOL e PSTU

Organizações políticas e sociais voltadas ao socialismo

Camaradas Plinio de Arruda Sampaio e José Maria:

A Comissão Política Nacional do Comitê Central do PCB analisou o convite formulado pelos camaradas da Direção Nacional do PCO (Partido da Causa Operária), conforme documento abaixo transcrito - e dirige-se aos camaradas da Direção Nacional do PSOL e do PSTU, e aos seus candidatos às eleições presidenciais, no sentido de expressar nosso mais entusiástico apoio à proposta de realização de um debate nacional, por meio eletrônico, entre os candidatos à Presidência da República de nossos quatro partidos, que vêm sendo discriminados pela mídia burguesa e por setores da justiça eleitoral, numa estratégia que visa a colocar a esquerda revolucionária no isolamento político e justificar futuras restrições jurídicas e políticas ao exercício da liberdade de organização partidária.

O principal objetivo é limitar o jogo eleitoral apenas aos candidatos da ordem, que não representam qualquer ameaça de mudanças profundas, pautando o debate de suas divergências apenas sobre aspectos da administração do capitalismo. Para isso, escolhem as organizações e personalidades confiáveis ao capital, que podem desempenhar o papel de "esquerda", através de sua promoção, corrupção e cooptação.

A proposta dos camaradas do PCO, a nosso juízo, ainda tem uma vantagem para além das eleições. O debate fraterno de nossos pontos de vista nos permite pavimentar um caminho para a construção de um programa comum, em sintonia com as organizações populares, na perspectiva da criação de uma FRENTE ANTICAPITALISTA E ANTI-IMPERIALISTA permanente, para a unidade de ação em defesa dos direitos dos trabalhadores e para a conquista de uma sociedade socialista.
Ivan Pinheiro

Secretário Geral

Comissão Política Nacional do PCB

Partido Comunista Brasileiro

Nota: propomos que a reunião entre nossos quatro partidos, para viabilizar a proposta e organizar o debate, se dê em São Paulo, em qualquer dia entre 1 e 3 de setembro, na parte da manhã ou da tarde. Estamos à disposição neste período. Propomos solicitar à direção do jornal Brasil de Fato, por seu pluralismo no campo da esquerda, que ceda sua sede para a reunião e que estude a proposta de promover o debate. Propomos uma delegação de três por Partido e que os camaradas do PCO, autores da proposta, sejam os destinatários das opiniões e sugestões do PSOL e do PSTU, pedindo desde já que nos mandem cópia.

CARTA DO PCO

Eleições 2010

Convite para um debate democrático contra a tentativa de proscrever a esquerda nas eleições

Reproduzimos aqui a carta da direção nacional do PCO aos partidos de esquerda alijados dos debates pelos monopólios dos meios de comunicação e pela justiça eleitoral e a todas as organizações operárias, sindicais, democráticas, juvenis e das lutas populares em geral convocando a todos à realizar um debate dos candidatos a presidente da República da esquerda como um protesto contra sua proscrição

A direção nacional do PCO - Partido da Causa Operária, convida os partidos da esquerda - Psol, PSTU e PCB - e todas as organizações democráticas, operárias, sindicais, da juventude e das lutas populares em geral a organizarmos um debate dos candidatos a Presidente da República que se reivindicam como representantes nas eleições de 2010 da esquerda socialista.

O debate seria realizado em data, local e horário a combinar em uma reunião entre os representantes dos partidos e das demais organizações que desejem efetivamente colocar em prática esta proposta. Também seriam decididos de comum acordo os mediadores e as regras do debate.
O debate seria transmitido via internet de forma que poderíamos reproduzir simultaneamente as imagens do debate nos sites dos partidos envolvidos e dos sindicatos classistas da esquerda para toda população trabalhadora. Propomos a realização de uma campanha para divulgar este debate nas universidades, categorias de trabalhadores e movimentos populares como uma forma de denúncia do caráter brutalmente antidemocrático das eleições e do regime político brasileiro.

O objetivo principal do convite para a realização desse debate é a denúncia do cerceamento pela máquina eleitoral da burguesia em relação às candidaturas de nossos partidos praticamente alijados do processo eleitoral pelos monopólios capitalistas da comunicação, no quais nossos candidatos sequer ocupam 1% das imagens e informações que a imprensa nacional – totalmente a serviço das candidaduras patronais - formula sobre as eleições 2010.

No entanto, o debate não teria apenas a função de realizar uma denúncia verbal da falta de democracia nas eleições e em geral, o que já será fundamental, mas de opor, na prática, à exclusão da maioria dos partidos, uma ação em defesa dos direitos democráticos da cidadania e do eleitorado.

Como parte de um amplo processo de manipulação do processo eleitoral, que se soma à criação de uma série de obstáculos ao registro de inúmeras candidaturas da esquerda, os grandes meios de comunicação da imprensa capitalista consolidam o processo de exclusão legal e só divulgam os três candidatos preferenciais da burguesia, Dilma Rousseff do PT, José Serra do PSDB e Marina Silva do PV.

Esta exclusão é particularmente clara no que diz respeito aos debates transmitidos pela televisão, onde apenas uma minoria de partidos tem o “direito” de participar.

Consideramos que se trata, antes de qualquer coisa, de um ataque aos direitos democráticos de toda a população que não consegue sequer, em sua maioria, conhecer todos os candidatos a presidente e governador.

O TSE e o Legislativo reduziram a campanha eleitoral ao rídiculo prazo de dois meses, nos quais candidatos sem os milhões da burguesia teriam que tornar conhecido o seu programa a 190 milhões de habitantes, espalhados por mais de 8 milhões de quilômetros quadrados. Para isso, os partidos da esquerda dispõem de um total de 18 minutos no horário de propaganda gratuita.

Consideramos que as redes de televisão são um monopólio ilegítimo, concedido pelo poder público e, como tais, não poderiam dispor do tempo de televisão como querem. Consideramos que a legislação que permite que o façam é uma legislação repressiva e antidemocrática e, portanto, uma aberta violação da Constituição Nacional.

Estas monstruosas manifestações antidemocráticas são acompanhadas de inúmeras outras como a probição virtual pela justiça de legalização de novos partidos e inúmeras regras eleitorais que violam abertamente os direitos dos cidadãos.

Apesar do candidato do Psol ter sido convidado para alguns debates na televisão, para dar a falsa impressão de que não há um processo de exclusão da esquerda e de exclusão da maioria do eleitorado, o conjunto das candidaturas dos que se reivindicam da defesa do socialismo e esquerda é excluído dos debates e sofre uma constante discriminação no antidemocrático processo eleitoral brasileiro, no qual a burguesia escolhe quem o povo deve ouvir. O regime político tornou-se uma propriedade de uma oligarquia de não mais que meia dúzia de partidos que respondem aos interesses dos grandes capitalistas e banqueiros, nacionais e internacionais. O monopólio na economia se materializa no monopólio do regime político por um punhado de pessoas.

Diante da necessidade que temos em denunciar e demonstrar para população trabalhadora como funciona a manipulação da máquina eleitoral brasileira, que cerceia os candidatos de esquerda para esconder as diferenças ideológicas da esquerda com a direita brasileira, o debate não será para que os candidatos da esquerda enfrentem-se um contra o outro, mas para que todos possam apresentar suas idéias e denunciar de conjunto o controle da burguesia sobre a eleição.

Nesse sentido, propomos que além dos partidos da esquerda, se somem a esta iniciativa organizações sindicais e populares e todas que se reivindicam da defesa dos direitos democráticos da população, como parte de uma ampla campanha contra a manipulação eleitoral da burguesia e em defesa dos direitos democráticos do povo brasileiro.

Assim, estaremos transmitindo esta mensagem para sindicatos, associações e demais entidades do movimento operário, popular e estudantil de todo o País, no que esperamos contar com a participação de todos os partidos da esquerda.

No aguardo do posicionamento da direção destes partidos e da manifestação das demais organizações, para darmos encaminhamento ao evento, subscrevemos,

Saudações operárias

Rui Costa Pimenta

candidato a presidente

Édson Dorta
candidato a vice-presidente
pela
Direção Nacional do Partido da Causa Operária
São Paulo, 21 de agosto de 2010

Atenciosamente,
Assessoria de Imprensa do PCO
imprensapco@pco.org.br
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A Ingerência Militar Ianque na Costa Rica

Com um sorriso nos lábios e um estar de simpática descontracção, Barack Obama não só continuou e incentivou as guerras do Iraque e Afeganistão, como levou a guerra ao Paquistão e procura desesperadamente recuperar a América Latina como «pátio das traseiras» dos Estados Unidos. Neste texto, Bryan Brenes descreve-nos a ocupação militar da Costa Rica, acordada com o governo servil da presidente Chincilla, aprovada em votação do Congresso costarricense e os caminhos para a recuperação da soberania nacional. 
Num acto inédito em toda a história nacional, o Congresso aprovou no passado dia 29 de Junho permitir a entrada de 46 navios armados das Forças Armadas dos Estados Unidos na costa costarricense [1]. Com os navios calcula-se que chegaram ao país cerca de 7 mil soldados norte-americanos, juntamente com mais 200 aviões, helicópteros e diferentes tipos de aeronaves de combate. Juntamente com a autorização de entrada dos navios, os legisladores autorizaram os militares norte-americanos a entrarem no território costarricense sem qualquer restrição, desfrutando ainda da imunidade que têm em solo estadunidense, isto com o suposto objectivo de «cumprir com a sua missão» e «participarem em trabalhos de ajuda humanitária».

No entanto, a realidade é que a entrda do exército de uma potência imperialista nos portos costarricenses corresponde a uma ingerência militar clara, como se viu anteriormente. Nem sequer nas décadas de 70 e 80 do século passado, quando radicais processos revolucionários agitavam a maior parte da América Central, o Exército norte-americano invadiu abertamente a costa costarricense.

Pode dizer-se, sem margem para dúvidas, que um dos sonhos mais desejados de Laura Chincilla do passado se tornou realidade: é que apesar da Presidente por volta de 2004 ter tentado meter esses mesmos navios de guerra ao mesmo tempo que a ILEA (Escola Internacional de Polícias para o Cumprimento da Lei) – no quadro da invasão norte-americana do Iraque – só seis anos depois é que estes barcos e os seus militares conseguiram entrar no país, além de que foi o Congresso e não o Poder Executivo que teve a última palavra para tão grave violação da soberania costarricense. Então, as pequenas mas combativas mobilizações universitárias e sindicais, bem como a fragmentação no seio das fileiras burguesas, impediram que se aprovasse no Congresso a instalação não só dos navios, mas também de uma reciclada Escola das Américas que estava no Panamá, desta vez com o nome de ILEA.

Vamos a ver se desta vez o movimento de massas repete a façanha, mas desta vez expulsando os ianques da costa costarricense. No entanto, isto só pode alcançar-se com a mais ampla mobilização das massas, e a solidariedade internacionalista dos nossos irmãos trabalhadores e oprimidos da América Latina e do mundo.

Uma clara ingerência militar com fins geoestratégicos 

Apesar da ocupação militar das dcosta da Coata Rica ser inédita na história deste pequeno país, não acontece o mesmo com os restantes países da América central e do Caribe; estes, ao contrário, têm sido vítimas da ocupação dos marines norte-americanos e da instalação de bases militares. É o caso do Caribe, desde Cuba com Guantánamo até ao Haiti com as reiteradas incursões militares dos Estados Unidos durante praticamente todo o século XX, ou à parte ístmica que abrange a Nicarágua, as Honduras, El Salvador, a Guatemala e, especialmente, o Panamá.

Os códigos geopolíticos que sustentaram a ocupação – essencialmente norte-americana – variaram de acordo com os diferentes momentos históricos: desde a rivalidade dos Estados Unidos com a Inglaterra, as fricções com a União Soviética, até à necessidade de travar a ascensão das massas e os processos revolucionários que sacudiram a América Central durante a década de 70 e parte de 80 do século passado.

Em diferentes momentos os Estados Unidos defenderam como a região da América Central e do Caribe como parte da sua zona de influência, não tanto pelo seu tamanho ou pelos seus recursos naturais, mas pela sua importância geoestratégica: é não só a região mais próxima para o abastecimento militar das tropas norte-americanas, mas também a que oferece vantagens como vias de comunicação inter-oceânicas como o Canal do Panamá ou a rota do rio San Juan, que actualmente serve de limite entre a Costa Rica e a Nicarágua. No caso do Canal, por aí circula uma elevada percentagem das mercadorias necessárias ao abastecimento do mercado estadunidense e uma boa parte dos países latino-americanos.
Ainda que ao longo da história centro-americana e do Caribe a tónica tenha sido a da ocupação, a verdade é que durante a administração Obama esta tem-se vindo a redefinir, paralelamente ao reforço militar noutras partes do mundo. Recordamos que depois do catastrófico terramoto de Janeirop no Haiti, a Casa Branca ordenou o envio de mais 10 mil soldados para a ilha, não só como forma de contar as possíveis revoltas «da fome», mas também para começar a reconfigurar um dispositivo estratégico de controlo sobre a região do Caribe.

Ao mesmo tempo que a catástrofe e a ocupação se abatiam sobre o Haiti o imperialismo norte-americano instalava 7 novas bases militares na Colômbia e, como se fosse pouco, quatro bases mais no Panamá, tudo sob a desculpa de fins «humanitários», luta contra o narcotráfico e o «terrorismo». O mais recente caso de militarização viveu-o a fronteira dos Estados Unidos com o México onde, sob a farsa do combate ao narcotráfico, o imperialismo norte-americano enviou milhares de soldados para «perseguir os capos da droga».

A fortíssima ingerência militar nas águas costarricenses de pelo menos 7.000 soldados norte-americanos desenvolve-se no quadro deste fortíssimo dispositivo militar, com o pano de fundo de uma luta aberta da administração Obama pela recuperação completa do controlo do que considera o seu «pátio traseiro», tudo isto ao mesmo tempo que prossegue a escalada das tensões da nação imperialista com as potências regionais no Médio Oriente, como o Irão.
Tudo isto parece indicar que enquanto os Estados Unidos prosseguem a militarização da região da América Central e do Caribe e outras partes da América Latina, que apoia disfarçadamente golpes militares como o das Honduras em 209 e cria um dispositivo militar para travar as aspirações de certos países de se converterem em potências regionais (caso do Brasil), prepara-se para eventuais guerras regionais noutras zonas do mundo. É isto que sugere não só a desproporcionada militarização regional, como a visão global de conjunto que guia a acção da potência imperialista masi preponderante do planeta [2].

O imperialismo norte-americano poderá inclinar-se a utilizar – como em anteriores períodos históricos – os seus pontos de apoio na América Central e no Caribe não apenas para agressões regionais a países latino-americanos, mas igualmente como plataforma para agudizar a sua política de agressão contra países «longínquos» como o Irão, com quem as tensões já dispararam.

Nesta perspectiva a escandalosa e desproporcionada ocupação militar norte-americana da costarricenses não podem obedecer à luta contra o narcotráfico nem muito menos devido a causas humanitárias. No meio de tudo isto está o interesse da potência norte-americana em controlar apertadamente o conjunto da América Latina, e de utilizar como possível porta-aviões a região da América Central e do Caribe e as bases de países como a Colômbia, como sustentação da sua política externa noutras partes do planeta.

Os jogos Panamax 2010 e os exercícios militares da potência imperialista norte-americana

Esta política de cerco em volta do istmo centro-americano assume a sua expressão máxima nos jogos Panamax 2010, que se realizam há 7 anos, e em que, paulatinamente, se têm envolvido os exércitos de dezenas de países, não só latino-americanos como de outras regiões do mundo.
Sob a direcção da «polícia» panamenha e do exército dos Estados Unidos, os jogos simulam um «ataque terrorista» ao canal do Panamá, que é defendido pela acção de vários exércitos latino-americanos e alguns europeus, como o da Holanda. 

Estes jogos, que em 2009 geraram polémica pela participação de umas Honduras polarizada à volta do golpe de Estado e das supostas «rivalidades» de Micheletti com Obama e Hillary Clinton, servem de exercício aos exércitos mais pró imperialistas da região e, naturalmente, dos Estados Unidos na busca de assegurar os seus interesses geoestratégicos. Este ano calcula-se que participaram mais de 4.000 soldados, pouco mais de metade dos militares que atracaram nas costas costarricenses.

A política da oposição burguesa costarricense face à ocupação norte-americana

 
A autorização para a entrada dos barcos de guerra e dos soldados ianques foi aprovada pelo Congresso graças ao bloco formado pelo Partido de Libertação Nacional (PLN), o Movimento Libertário (ML) e o Partido da Renovação Costarricense (RC). No outro lado estiveram a Frente ASmpla (FA), alguns deputados do Partido Acção Cidadâ (PAC) e o Partido da União Social Cristã 

A FA, juntamente com Luis Fishman e o PAC, protagonizou a oposição à autorização de entrada dos navios de guerra, argumentando que tais veículos não faziam parte da «lista» dos acordos de patrulhamento conjunto entre os Estados Unidos e a Costa Rica, e que por isso mesmo a sua incursão era uma violação da soberania nacional. Noutras sessões, Fishman defendeu que o convénio que permite o patrulhamento conjunto já tinha expirado, pelo que não podiam entrar novos barcos em águas da Costa Rica.

Ainda que se oponham à entrada dos navios em águas nacionais, há que afirmar categoricamente que não é suficiente opor-se pelo «tamanho» dos barcos. É necessário deixar bem claro que as posições políticas centrais destes partidos de «oposição» – agora encabeçados pelo candidato presidencial «menos mau», Luís Fishman – são ambíguas, timoratas e fizeram por diversas vezes o jogo do imperialismo.

Não só não recusam a ingerência imperialista e os acordos que facilitam a penetração militar dos Estados Unidos com a desculpa do combate ao narcotráfico, como até aprovaram no Congresso leis pró imperialistas como a Lei Antiterrorista (2008) que, ao fim de contas, acabaram por os atar de pés e mãos, impedindo-os de enfrentar de forma consequente o aumento da ingerência imperialista em curso 

A situação política nacional e a incursão militar

Se tivesse que definir a situação política nacional, teria que dizer que esta se caracteriza por estagnação a nível geral mas com tendência para a recomposição, tanto da mobilização como da organização do movimento operário e popular.

Depois da invasão do campus universitário da Universidade da Costa Rica (UCR), o movimento de massas tem vindo lentamente a recompor-se, experimentando desde então momentos de retrocesso mas também picos de mobilização. Os portuários entraram em cena protagonizando intensas jornadas de luta (SINTRAJAP), também os docentes (APSE, os trabalhadores municipais, do sector eléctrico (ICE), os camponeses pobres e, naturalmente, os estudantes (UCR).

Ao que parece o PLN e a Presidente Chincilla decidiram aproveitar a conjuntura de amolecimento para avançar ainda mais no seu ambicioso plano de militarizar a Costa Rica. É que não é esta a primeira medida que tomam este partido e a presidente, pois já acordaram em Abril integrar a Comissão de Segurança Centro-americana, em conjunto com a burguesia golpista hondurenha. Esta comissão não outro objectivo que não seja o «centro-americanizar» a Costa Rica até aos níveis de militarização e repressão que prevalecem noutros países da região.

Ainda que não se descarte uma intervenção dos marines na vida política nacional – o que seria complicado –, a verdade é que a ocupação está mais relacionada com fins geoestratégicos que com a situação de um pequeno país da América Central que são a sua maquinaria «democrática» e a sua polícia, até ao momento, parece ter demonstrado ser capaz de conter e limitar a luta de classes.

Notas
 
[1] A pesar de, desde 1999, se ter aprovado um acordo de vigilância com os EUA – com o suposto fim de «combater o narcotráfico – a verdade é que nunca tinha havido uma incursão militar tão agressiva como a que denunciamos neste escrito. Algumas fragatas norte-americanas tinham bordejado a costa do Pacífico e algumas lanchas guarda-costas tinham navegado em águas territoriais, mas a penetração clara nunca tinha acontecido. Neste escrito denunciamos não só a entrada de 46 navios de guerra, como o próprio acordo que permite a ingerência do imperialismo norte-americano na Costa Rica.


[2] Vale a recordar que países co,o as Honduras e El salvadorprestaram notáveis serviços para a política de «guerra contra o terrorismo» de Bush, nos primeiros anos da invasão imperialista do Iraque. Estes serviços iam da participação de tropas do Exército salvadorenho e hondurenho nas operações militares em território iraquiano, até ao recrutamento de «contratados» em toda a América Central, como foi o caso por exemplo da empresa Triple Cannopy dirigida por George Nayor (ligado ao narcotráfico), que a partir de El Salvador enviava mercenários da América Central para o Iraque.


Este texto foi publicado em www.lahaine.org/index.php?p=46872


Tradução de José Paulo Gascão
ODiario.info

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29 de ago de 2010

O Bloco Operário Camponês (BOC): a tentativa de via eleitoral dos comunistas.

Como todos sabem a trajetória do PC do Brasil (PCB) iniciou-se em 1922. Influenciados pela experiência da Revolução Russa de 1917, um pequeno grupo de militantes reuniu-se em Niterói, nos dias 25, 26 e 27 de março, e fundaram o Partido Comunista do Brasil (PCB). Os 9 militantes presentes representavam várias organizações de caráter comunista das cidades de São Paulo, Recife, Porto Alegre, Niterói, Cruzeiro (SP) e do Distrito Federal. Podemos citar a "União Maximalista de Porto Alegre" dirigida por Abílio Nequete e o Grupo Comunista de Recife sob a liderança de Cristiano Cordeiro.

Outra organização que participou das discussões preparatórias e dos trabalhos do congresso de fundação do PCB foi o Grupo Comunista do Rio de Janeiro, que editava a revista "Movimento Communista" importante instrumento para divulgação e mobilização dos grupos comunistas do país. Dirigida pelo jornalista Astrogildo Pereira, a revista em seu primeiro número em janeiro de 1922, conclamava a unidade do proletariado em torno das idéias comunistas, deixando explícitas suas finalidades, "trilhamos o bom caminho e cônscios de nossas responsabilidades, afirmamos nossa fé inquebrantável no triunfo final do comunismo".

O PCB teve como principais desafios em seus primeiros anos de existência os embates com os militantes anarquistas e as perseguições do governo do presidente Arthur Bernardes que, praticamente, durante seus quatro anos de mandato (1923-1927), governou um país em permanente Estado de Sítio.

Assim, ao longo da década de 1920, apesar de toda a insipiência do movimento sindical, das disputas teóricas com os anarquistas e da repressão do governo, o PCB conseguiu estabelecer núcleos organizados em várias cidades do pais, principalmente, nos maiores centros urbanos. No ES as primeiras informações sobre a ação dos comunistas remetem exatamente a esse período. Os relatos são sobre a organização de bases entre os ferroviários na cidade de Cahoeiro de Itapemirim.

Mesmo com todos os problemas enfrentados os comunistas brasileiros conseguiram realizar seu II Congresso Nacional, em maio de 1925, novamente na cidade de Niterói. Nesse fórum partidário foram aprovadas resoluções políticas que apontavam para a necessidade da intensificação dos trabalhos de organização e mobilização entre o operariado.

No campo político o partido avaliava que depois dos dois primeiros levantes tenentistas de 1922 e 1924, o clima de instabilidade e disputas havia estabelecido uma divisão entre as elites do país que apontava para uma encruzilhada sobre o modelo de desenvolvimento nacional: em uma direção os defensores do "industrialismo" - apoiados pelo imperialismo dos EUA - e na outra direção os adeptos do "agrarismo" - apoiado pelo imperialismo inglês. A contradição sobre a chamada "concepção dualista" da sociedade brasileira, tese defendida e elaborada pelo intelectual Otávio Brandão, apontava para uma "terceira revolta" que deveria contar com o PCB pronto para conduzi-lá.

Contudo, com o fim do governo de Arthur Bernardes veio também a suspensão do Estado de Sítio. Isso possibilitou que, a partir de 1927, o PCB pudesse ter uma atuação mais aberta e passasse a realizar, por exemplo, panfletagens e comícios com uma relativa liberdade. Entretanto, após algum tempo a relativa liberdade dos comunistas sofreu um duro golpe, foi apresentado o projeto Aníbal Toledo que, apesar dos protestos e varias manifestações contrarias, contou com ampla maioria no Congresso Nacional e acabou sendo aprovado em agosto daquele mesmo ano.

Também conhecida como "Lei Celerada", a nova legislação repressora previa: a ilegalidade dos partidos de oposição, prisões de dirigentes, expulsão de estrangeiros, proibição de greves, de manifestações de trabalhadores, o fechamento de sindicatos, de organizações e entidades classistas. Novamente considerado ilegal, o PCB precisou buscar alternativas para ampliar seus espaços políticos.

Foi nesse contexto que os dirigentes comunistas intensificaram a experiência da frente de massas, chamada de Bloco Operário. Assim, surgiram em todo país os núcleos do Bloco Operário Camponês (BOC). Em sua primeira experiência eleitoral o BOC obteve uma importante vitória: elegeu dois vereadores na cidade do Rio de Janeiro (Distrito Federal na época).

Um dos vereadores – ou intendentes como eram chamados - outro intendente eleito pelo BOC no DF, foi o camarada Minervino de Oliveira, importante dirigente do partido que chegou a ocupar o posto de Secretário Geral do PCB. Veterano militante, recrutado a partir de sua participação nas greves operárias da década de 1910, Minervino era marmorista e havia entrado para o PCB em seus primeiros anos de fundação.

Aproveitando o momento de crescimento do partido naquele momento ocasionado pela política de frente ampla do BOC a direção do PCB resolveu ousar ainda mais: lançar Minervino de Oliveira candidato à presidência da república pelo BOC nas eleições de 1930. Mesmo com todas as dificuldades e perseguições – Minervino chegou a ser preso pela polícia durante um comício na cidade de Campos- RJ - foram organizados núcleos estaduais e municipais do BOC em quase todos os estados do país, inclusive, no Espírito Santo. Dessa maneira, Minervino de Oliveira foi o primeiro candidato operário que disputou as eleições presidenciais no Brasil.

Esse pleito – mais uma disputa marcada pela corrupção e fraude eleitoral - teve como resultado a vitória do candidato paulista Julio Prestes, que recebeu o apoio do então presidente Washington Luiz. As eleições de 1930 representaram um marco na histórica política brasileira, pois significaram a ruptura da aliança entre as elites de SP e MG. Os políticos mineiros apoiaram o candidato da Aliança Liberal, Getúlio Vargas, que pouco tempo depois liderou um Golpe de Estado, conhecida como "Revolução de 1930", que derrubou o presidente Washington Luiz e deu inicio a chamada Era Vargas.

Apesar de ter sido pontuada por problemas e debilidades o lançamento de um candidato operário ao cargo de presidente da república cumpriu uma importante missão durante aquela complexa e agitada conjuntura política: demonstrar que o partido podia aproveitar os debates eleitorais para organizar os trabalhadores. No momento atual de redefinição da tática eleitoral do PCdoB recordar experiências como do BOC são importantes para relembrar que os comunistas já enfrentaram e superaram obstáculos muito maiores dos que estão postos na atualidade.

NOTAS:

1- Os delegados presentes na fundação do partido eram: Astrogildo Pereira (RJ), José Elias da Silva (RJ), Cristiano Cordeiro (PE), João da Costa Pimenta (SP), Joaquim Barbosa (DF), Luis Peres (DF), Hermogênio Silva (SP), Abílio Nequete (RS) e Manuel Cendon, Para maiores informações sobre a fundação do PCB ver em : DULLES, John W. F. Anarquistas e comunistas no Brasil – 1900 -1935. RJ: Nova Fronteira, 1977.

2- Revista Movimento Communista, I, janeiro de 1922. Apud: PEREIRA, Astrogildo. Construindo o PCB (1922-1924). (ORG). ZAIDAN, Michel. São Paulo:Livraria Editora Ciências Sociais, 1980, pg. 17.

3- A cisão entre anarquistas e comunistas chegou ao extremo das organizações criarem dois sindicatos rivais e de federações de trabalhadores da mesma categoria. DULLES, pg.152, 1977.

4- Como conseqüência das restrições das liberdades democráticas, após sua fundação o PCB teve apenas três meses de funcionamento legal.

5- Em 1925 foi lançado o órgão informativo oficial A Classe Operária, que depois de apenas dez
edições foi fechado pelo governo. A Classe Operária só retornou sua periodicidade pública apenas em 1 de maio de 1928.

6- DULLES, Op. Cit. pg. 225, 1977.

7- Nesse período o jornal A Nação passou a ser o órgão oficial do PCB, com direito a estampar em sua primeira página a foice e o martelo e a palavra de ordem do Manifesto Comunista: "Proletários de todos os países uni-vos".

8- CARONE,Edgard. A República Velha. Evolução Política. 3º ed. Rio de Janeiro: Difel, 1977, pg. 406.

 Por
Pedro Ernesto Fagundes
 

20 de ago de 2010

TV BRASIL - Programa “3 a 1”

O PCB convida o conjunto de sua militância, simpatizantes e amigos a assistirem a sabatina com o candidato a presidência pelo Partido, Ivan Pinheiro, no programa “3 a 1”, pela TV Brasil, nesta Sexta Feira (20/08) às 22:00h.
Também estendemos o nosso convite às pessoas que tem divergência com nossa linha política, que nos assistam que confrontem suas opiniões com as nossas e exerça o importante elemento do questionamento.



Saudações Comunistas
Partido Comunista Brasileiro.

18 de ago de 2010

Programa eleitoral do PCB para Presidência da República



Propaganda eleitoral do PCB para Presidência da República exibida em 17 de agosto de 2010.

Acesse o blog da campanha do PCB: ivanpinheiropcb21.net


Assista do vídeo, também disponível em:
http://www.youtube.com/user/TVPCB



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17 de ago de 2010

Supremo da Colômbia invalida acordo de bases militares com EUA

A Corte Constitucional da Colômbia derrubou, na prática, o acordo militar do país com os Estados Unidos, fechado no final do ano passado, ao declará-lo como inconstitucional e proibir, em sentença emitida nesta terça-feira (17/8), a presença de militares norte-americanos nas bases a serem instaladas em território colombiano.

Segundo o jornal colombiano El Espectador, o placar da votação foi de seis juízes contra o acordo e três a favor, mas ainda não se sabe se a decisão terá efeito imediato. 

O tribunal - instância suprema da Justiça colombiana - aprovou o parecer do juiz Jorge Iván Palacio, que declarou o acordo como "inexequível", ecoando a avaliação que já tinha sido feita pelo Conselho de Estado, órgão consultivo da presidência colombiana.

Com a decisão, segundo a revista colombiana Semana, agora o acordo voltará à mão da presidência para que ela o encaminhe para aprovação do congresso - algo que não ocorreu antes.





Analistas já previam que a decisão seria contrária ao acordo, porque a maioria dos juízes consultados já tinha manifestado posição crítica à presença militar dos EUA no país.

O acordo EUA-Colômbia sobre as bases foi patrocinado pelo governo de Álvaro Uribe, encerrado há apenas duas semanas, e provocou intensa polêmica tanto dentro quanto fora do país. A iniciativa sofreu críticas de vários países latino-americanos - inclusive o Brasil. O ministro colombiano da Defesa na época era Juan Manuel Santos, hoje presidente do país.

Soberania

De acordo com o texto do documento assinado em dezembro entre Washington e Bogotá, militares norte-americanos poderiam se instalar em sete localidades colombianas: Malambo (departamento do Atlântico), Palanquero (Médio Magdalena), Apiay (Meta), Larandia e Tolemaida (Caquetá) e nas bases navais de Cartagena e do Pacífico.

Os governistas, desde o ano passado, alegam que o acordo não fere a soberania do país e que as bases militares continuariam em mãos colombianas, sob jurisdição nacional. No entanto, um dos termos do acordo

Minutos antes da decisão, o atual ministro da Defesa e líder político conservador, Germán Vargas Lleras, apareceu de surpresa no tribunal, mas a pressão não foi suficiente para obter a aprovação do acordo.  


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A ONU, a impunidade e a guerra


A Resolução 1929 do Conselho de Segurança das Nações Unidas, de 9 de junho de 2010, marcou o destino do imperialismo.

Sei lá quantos terão se apercebido de que, entre outras coisas absurdas, o secretário-geral dessa instituição, Ban Ki-moon, cumprindo ordens superiores, cometeu a gafe de nomear Álvaro Uribe — quando este estava quase concluindo seu mandato — vice-presidente da comissão responsável por investigar o ataque israelense à pequena frota humanitária, que transportava alimentos essenciais para a população sitiada na faixa de Gaza. O ataque ocorreu em águas internacionais, a uma distância considerável da costa. 

Essa decisão outorgava impunidade a Uribe, que é acusado de crimes de guerra, como se um país cheio de valas comuns com cadáveres de pessoas assassinadas, algumas contendo até duas mil vítimas, e sete bases militares ianques, mais o resto das bases militares colombianas a seu serviço, não tivesse nada a ver com o terrorismo e o genocídio.


Por outro lado, em 10 de junho de 2010, o jornalista cubano Randy Alonso, que dirige o programa "Mesa Redonda" da televisão nacional, escreveu no site CubaDebate um artigo intitulado: "O chamado Governo Mundial se reuniu em Barcelona", onde sublinha: "Chegaram até o confortável hotel Dolce em carros de luxo com vidros esfumaçados ou em helicópteros.

"Eram os mais de cem chefões da economia, das finanças, da política e da mídia da América do Norte e da Europa, que vieram até este lugar para a reunião anual do Clube de Bilderberg, uma espécie de governo mundial à sombra."

Outros jornalistas honestos estavam acompanhando, como ele, as notícias que conseguiram filtrar deste estranho encontro. Alguém muito mais informado do que eles andava no encalço desses eventos havia muitos anos.

"O exclusivo clube que se reuniu em Sitges nasceu em 1954. Surgiu da idéia do conselheiro e analista político Joseph Retinger. Seus impulsores iniciais foram o magnata norte-americano David Rockefeller, o príncipe Bernardo de Holanda e o primeiro-ministro belga, Paul Van Zeeland. Seus propósitos fundacionais eram combater o crescente 'anti-norte-americanismo' que existia na Europa da época e contestar a União Soviética e o comunismo que recobravam força no velho continente.

"Sua primeira reunião foi realizada no Hotel Bilderberg, em Osterbeck, Holanda, entre 29 e 30 de maio de 1954. Daí saiu o nome do grupo, que desde então se reúne anualmente, salvo em 1976.

"Há um núcleo de afiliados permanentes, que são os 39 membros do Steering Comittee, o resto são convidados."

"…a organização exige que ninguém 'conceda entrevistas' nem revele nada do que 'um participante individual tenha dito'. É requisito imprescindível um domínio excelente da língua inglesa [...] não há tradutores presentes.
"Não se sabe ao certo os alcances reais do grupo. Os estudiosos do ente dizem que não é por acaso que se reúnam sempre pouco antes do que o G-8 (G-7 anteriormente) e que procuram uma nova ordem mundial de governo, militar, economia e ideologia única.

"David Rockefeller disse em uma reportagem à revista 'Newsweek': 'Algo deve substituir os governos e parece-me que o poder privado é a entidade adequada para o fazer'."

"…o banqueiro James P. Warburg afirmou: 'Quer gostem quer não, teremos um governo mundial. A única questão é se será por concessão ou por imposição'.

"‘Eles sabiam dez meses antes a data exata da invasão ao Iraque; também o que ia acontecer com a bolha imobiliária. Com informação como essa se pode fazer muito dinheiro em toda sorte de mercados. E é o que falamos de clubes de poder e de saber'.

"Para os estudiosos, um dos temas que mais preocupa o Clube é a 'ameaça econômica' que significa a China e a sua repercussão nas sociedades norte-americana e europeias.

"A sua influência na elite é demonstrada por alguns pelo fato de que Margaret Thatcher, Bill Clinton, Anthony Blair e Barack Obama estiveram entre os convidados ao Clube antes de que fossem eleitos à mais alta responsabilidade governamental, na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Obama participou da reunião de junho de 2008, na Virgínia, EUA, cinco meses antes de sua vitória eleitoral e seu triunfo se previa já desde a reunião de 2007.

"Entre tanto sigilo, a imprensa foi tirando nomes daqui e dali. Entre os que chegaram a Sitges estavam importantes empresários como os presidentes da Fiat, Coca Cola, France Telecom, Telefônica da Espanha, Suez, Siemens, Shell, Novartis e Airbus.

"Também se reuniram gurus das finanças e da economia, como o famoso especulador George Soros; os assessores econômicos de Obama, Paul Volcker e Larry Summers; o flamante secretário do Tesouro Britânico, George Osborne; o ex-presidente da Goldman Sachs e da British Petroleum, Peter Shilton [...] o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellic; o diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn; o diretor da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy; o presidente do Banco Central Europeu, Jean Claude Trichet; o presidente do Banco Europeu de Investimentos, Philippe Maystad."

Sabiam disso nossos leitores? Algum órgão importante da imprensa oral ou escrita disse uma palavra? É essa a liberdade de imprensa que tanto apregoam no Ocidente? Algum deles pode negar que estas reuniões sistemáticas dos mais poderosos financistas do mundo são realizadas todos os anos, à exceção do ano mencionado?

"O poder militar enviou alguns dos seus falcões — continua Randy —: o ex-secretário de Defesa de Bush, Donald Rumsfeld; seu subalterno, Paul Wolfowitz; o secretário-geral da OTAN, Anders Fogh Rasmussen e seu antecessor no cargo, Jaap de Hoop Scheffer.

"O magnata da era digital Bill Gates, foi o único assistente que falou alguma coisa à imprensa antes do encontro. 'Sou um dos que estará presente', disse e anunciou que, 'sobre a mesa haverá muitos debates financeiros'.

"Os especuladores da notícia falam de que o poder na sombra analisou o futuro do euro e as estratégias para salvá-lo; a situação da economia européia e o rumo da crise. Sob a religião do mercado e o auxílio dos drásticos recortes sociais se deseja continuar prolongando a vida do doente.

"O coordenador da Esquerda Unida da Espanha, Cayo Lara, definiu com clareza o mundo que nos impõem os Bilderberg: 'Estamos no mundo ao avesso; as democracias controladas, tuteladas e pressionadas pelas ditaduras dos poderes financeiros'.

"O mais perigoso que foi publicado no jornal espanhol Público é o consenso majoritário dos membros do Clube a favor de um ataque norte-americano ao Irã [...]. Lembre-se que os membros do Clube sabiam, em 2003, a data exata da invasão ao Iraque, dez meses antes de que acontecesse".

É por acaso uma invenção caprichosa a ideia, quando isto se soma a todas as evidências expostas nas últimas Reflexões? A guerra contra o Irã está já decidida nos altos círculos do Império, e apenas um esforço extraordinário da opinião mundial poderia impedir que estoure num prazo de tempo muito breve. Quem oculta a verdade? Quem é que engana? Quem é que mente? Alguma coisa do que aqui é afirmado pode ser desmentida?

Texto originalmente publicado pelo Granma


Opera Mundi...


 

Os paramilitares e a farsa colombiana / Mauro Santayana

Mauro Santayana

Não é novidade: a Human Rights Watch, organização internacional que monitora a violação dos direitos humanos no mundo, denunciou, ontem, em Bogotá, os novos crimes dos grupos paramilitares na Colômbia. Além dos assassinatos seletivos, há o deslocamento forçado de populações inteiras, sob a ameaça armada dos bandos de criminosos. Tais comandos contam com a proteção de setores das Forças Armadas, da polícia, de alguns promotores e de altas personalidades do governo de Uribe.
 
O país tem sido dos mais atingidos pela violência na América Latina, embora seja dotado de uma intelectualidade que se destaca entre os vizinhos. Não é só a pátria do romancista Gabriel García Márquez, como de excepcionais poetas e dramaturgos. Tal como outros países mestiços da Cordilheira, a Colômbia é dominada por uma minoria de grandes empresários, quase todos brancos, muitos de sobrenomes estrangeiros, que controlam os bancos, as indústrias e os meios de comunicação – e, da mesma maneira, o narcotráfico e as instituições do Estado. 

A essas elites pertence o presidente Uribe. Contra elas, surgiram, ao longo do século 20, vários movimentos armados. O Estado não foi capaz de os vencer, com suas forças clássicas de repressão. Alguns empresários decidiram então financiar os paramilitares, que, oficialmente à margem do Estado, passaram a exterminar militantes de esquerda dos meios urbanos e camponeses, sob o pretexto de cumplicidade com as Farc. Esses grupos nunca enfrentaram frontalmente os guerrilheiros. Tratou-se de sórdido terrorismo: as vítimas são, em sua maioria, jovens sequestrados da periferia das cidades e moradores no campo. Fazem apenas “número” para justificar o dinheiro recebido. Formaram-se, assim, grupos de assassinos, alguns criminosos comuns, egressos ou fugitivos das prisões, ex-militares e ex-policiais, traficantes de drogas e desempregados, todos armados, municiados e pagos, conforme o número das vítimas abatidas.

Há indícios fortes de que tais grupos receberam ajuda e treinamento da CIA, embora os norte-americanos o neguem. O que não negam é a presença de consultores e assessores que “ajudam” as forças “regulares” da Colômbia a combater os guerrilheiros, a pretexto de reprimir o tráfico de drogas. 

O Estado colombiano se transformou em assustadora quimera. Membros destacados do governo Uribe são acusados de cumplicidade com os paramilitares. O próprio Uribe, quando governador do estado de Antioquia, cuja capital é Medellín, patrocinou o grupo Convivir, organização de fachada de exterminadores, financiada pela grande companhia bananeira Chiquita – conforme documentos norte-americanos. Esses mesmos documentos apontavam, no início do governo de Uribe, o então chefe do Exército, Mario Montoya, de cumplicidade com um grupo de extermínio que havia eliminado pelo menos 14 pessoas em Medellín.

Entre 2003 e 2006, o governo colombiano, sob a pressão da opinião pública mundial, “promoveu a desmobilização” de 30 mil membros das organizações paramilitares, mas há provas de que se tratou de uma farsa. “Como resultado – diz textualmente o informe do HRW – muitos grupos atuaram de forma fraudulenta e recrutaram civis para que passassem como paramilitares durante a desmobilização, e assim preservaram ativos seus quadros”. Os verdadeiros chefes e subchefes dos grupos se ocultaram, e voltaram a matar meses depois. A partir de 2007, esses grupos voltaram à luz do dia – calcula-se entre 4 mil e 10 mil o número atual de seus efetivos.

O informe refere a denúncia de que um chefe de promotores de Medellín, Guilherme Valencia Cossio – irmão do ministro do Interior e Justiça de Uribe – seria colaborador de um desses grupos de paramilitares. O fato é que há clara condescendência e envolvimento de altos funcionários do governo de Álvaro Uribe – há quase oito anos no poder, com os grupos de extermínio.

O presidente Barack Obama, quando candidato, anunciou que, eleito, cortaria a ajuda à Colômbia. Hillary Clinton, como secretária de Estado, negociou a instalação de bases norte-americanas no país, e tem garantido o apoio decisivo de Washington a Uribe e seu grupo.

Reproduzido de www.jblog.com.br - 3 de fevereiro de 2010

Esta página encontra-se em www.cecac.org.br

- Presidente: Ivan Pinheiro (RJ) - 21 - Vice Presidente: Edmilson Costa (SP)
- Governador: Eduardo Serra - 21
- Vice Governador: Paulo Oliveira
- Senador: Wladimir Mutt - 211
- 1º Suplente de Senador: Isnard Barrocas
- 2º Suplente de Senador: Dinarco Reis

- Deputado Federal: Hiran Roedel - 2121
- Deputada Estadual: Graciete Santana (Campos dos Goytacazes) - 21123
- Deputado Estadual: José Renato (Nova Iguaçu) - 21210


. - Deputada Estadual: Luciana Araújo (São Gonçalo) - 21021

Atentado na Colômbia

Comité Permanente para a Defesa dos Direitos Humanos (Colômbia)

Para os que tinham ilusões que a mensagem do Prémio Nobel da Literatura Gabriel Garcia Marquez amplamente divulgada na imprensa ajudou a criar, aí estão de regresso, menos de uma semana depois da posse de Juan Manuel Santos, os métodos dos governos da oligarquia colombiana.
O Comité Permanente para a Defesa dos Direitos Humanos condena o atentado com um carro-bomba hoje de manhã, no cruzamento da estrada 7 com a rua 67, que afectou as povoações da zona, o comércio e a Radio Caracol.

Prende a atenção o facto deste atentado ter ocorrido justamente no início do governo de Juan Manuel Santos, quando se começam a normalizar as relações com a Venezuela, quando o Tribunal Constitucional estuda a inconstitucionalidade das bases militares norte-americanas, os anúncios da oposição de debater a existência de fossas comuns de dimensões catastróficas e, sobretudo, quando sectores da opinião pública sugerem a possibilidade de aproximações ao diálogo e novos esforços para uma saída para o conflito. Há que ver que interesses serve um atentado desta natureza.

Recordamos que em 19 de Outubro de 2006, vislumbrava-se então um encontro entre o governo e as FARC para encontrar saídas para o intercâmbio humanitário, igualmente rebentou um carro-bomba, nada mais nada menos que no interior da Escola Superior de Guerra, que não só frustrou o esforço para o diálogo como foi logo silenciado após o anúncio de investigações.

Este atentado tem a suspeição de uma provocação dos sectores mais à direita, nada estranho num país de auto-atentados, de um intenso trabalho dos organismos de segurança e da inteligência militar na fabricação de falsos-positivos, como os que foram denunciados nos tribunais judiciais sobre os escandâlos da DAS [1].

Exigimos uma verdadeira investigação, que vá ao fundo dos factos e que revele os verdadeiros beneficiários deste tipo de factos. Solidarizamo-nos com as vítimas.

Bogotá 12 de Agosto de 2006

Nota do tradutor:

[1] Falsos positivos eram os assassinados que eram apresentados como membros das FARC e por cujos corpos o governo pagava uma verba; DAS e a sigla do Departamento Administrativo de Segurança.


Tradução de José Paulo Gascão

: ODiario.info 

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16 de ago de 2010

Em defesa das FARC


Neste artigo Miguel Urbano Rodrigues critica a hipocrisia dos grandes do capital ao prestarem homenagem ao actual presidente da Colômbia e lamenta a atitude assumida por Hugo Chávez em Santa Marta. O presidente da Venezuela não foi coerente com a sua politica anti-imperialista. Durante anos sugeriu que às FARC fosse reconhecido o estatuto de organização beligerante; agora cede às pressões de um criminoso como Juan Manuel Santos que vê na guerrilha revolucionaria colombiana um grupo de terroristas.
Subitamente, em Washington, Londres, Berlim e Paris, uma chuva de elogios caiu sobre a Colômbia. Um Estado policial, neofascista, mascarado de democracia, surgiu nas manchetes dos jornais de referência e no discurso dos estadistas do Ocidente como modelo para a América Latina.

Álvaro Uribe, o presidente que terminou o seu segundo mandato, foi nomeado co-presidente da comissão internacional criada pela ONU para levar adiante o inquérito sobre o ataque israelense à Flotilha da Liberdade. Simultaneamente, a prestigiada universidade de Georgetown, em Washington, convidou-o para dirigir, como catedrático, um curso de formação de dirigentes políticos.

Na posse de Juan Manuel Santos, seu sucessor, compareceram 16 chefes de Estado, na maioria da América Latina. Não faltou o príncipe herdeiro da Espanha. Durante dias o novo presidente foi saudado pelos grandes media ocidentais como um talentoso político democrático com um projecto inovador, decidido a imprimir à Colômbia uma orientação diferente da uribista, introduzindo no país reformas profundas.

Todos estavam conscientes de que mentiam.

O discurso de Santos é diferente, mas a politica de terrorismo de estado vai prosseguir sob os aplausos dos EUA e da oligarquia mais reaccionária da América Latina.

Para a Casa Branca a Colômbia actual é uma democracia quase exemplar. O presidente foi também saudado com particular entusiasmo por Israel, íntimo aliado.

Uma hipocrisia inocultável foi o denominador comum na apologia do herdeiro de Uribe pelos príncipes do capital.

De repente simularam esquecer o currículo de Juan Manuel Santos [1].

O sucessor de Uribe é um aventureiro da política e um criminoso cujas palavras mansas escondem um passado tenebroso.

JMS foi o principal responsável, como ministro da Defesa, do ataque pirata da força aérea e do exército colombianos ao acampamento de Sucumbio no Equador, realizados com a cumplicidade do Pentágono, da CIA e da Mossad isrealense em Fevereiro de 2008. Nesse bombardeamento morreram o comandante Raul Reyes, responsável pelas Relações Exteriores das Forças Armadas Revolucionarias da Colômbia - Exército Popular, duas dezenas de combatentes da organização, e três jovens mexicanos que ali se encontravam.

O presidente do Equador, Rafael Correa, respondeu ao acto de barbárie rompendo as relações com o governo de Bogotá e a Justiça equatoriana exigiu a extradição de Juan Manuel Santos para ser julgado como primeiro responsável pelo crime. O processo não foi avante porque Uribe alegou incompetência do tribunal do Equador para julgar o seu ministro.

Transcorrido um ano, tive a oportunidade de falar em Caracas com um jovem que assistiu ao bombardeamento e à posterior descida no acampamento de tropas aerotransportadas. Não esqueci o relato que ele fez da matança dos guerrilheiros, feridos, que tinham sobrevivido ao bombardeamento. Contrariamente ao que os media noticiaram, morreram combatendo.

O processo foi agora arquivado porque, sendo chefe de Estado, JMS goza de impunidade, mas julgo útil recordar que ele se orgulha de ter sido o autor intelectual da chacina de Sucumbio.

O ALVO: AS FARC-EP

Dos presidentes do México, do Peru, do Chile eram esperadas as homenagens a Santos.

Mas, estranhamente, presidentes como Lula, Cristina Kirchner, Mauricio Funes e Fernando Lugo não somente aderiram ao coro de elogios como manifestaram o seu apoio à chamada política de «segurança democrática» iniciada por Uribe e cuja continuidade foi defendida pelo novo presidente.

Mais, aproveitaram a oportunidade para criticar as organizações insurgentes e sugerir que as FARC-EP e o ELN abandonem a luta e se integrem no sistema, aceitando dialogar com Santos nas bases por este definidas.

Particularmente inesperada foi a posição assumida por Hugo Chávez. O presidente da Venezuela deslocou-se a Santa Marta, no Caribe colombiano, e, na casa onde Bolívar faleceu, trocou abraços com Santos, assinou acordos e assumiu compromissos que, pela forma e pelo conteúdo são chocantes.

Compreende- se que Chávez pretenda normalizar as relações com a Colômbia após a ruptura resultante da ultima provocação de Uribe (2). Mas usou uma linguagem muito infeliz ao referir-se às organizações revolucionárias que combatem o estado neofascista colombiano, sugerindo na prática que se submetam às exigências de JMS. Colocou as FARC-EP e o ELN no mesmo plano dos bandos criminosos do paramilitarismo e dos cartéis do narcotráfico.

AS FARC têm afirmado repetidamente a sua disponibilidade para dialogar com o governo sobre a necessidade de paz no país.

Mas qual é o conceito de dialogo de Santos, exaustivamente exposto durante a campanha eleitoral e no seu discurso de posse?

Três são as suas condições para o diálogo com as FARC:

Deposição prévia das armas; libertação imediata de todos os presos em seu poder; e «renúncia ao narcotráfico».

Que significam essas exigências?

Que Santos não quer dialogar; exige, sem o dizer expressamente, a capitulação incondicional das FARC-EP.

Se a guerrilha depusesse as armas previamente, ficaria à mercê do Poder oligárquico.

Cabe lembrar o genocídio político dos anos 80. 

Em Março de 1984 as FARC aceitaram a proposta do presidente Belisario Bettencourt para lutarem no quadro das instituições ditas democráticas, renunciando à luta armadas. E que aconteceu?

Fundou-se um partido progressista, a União Patriótica, que participou em eleições. A UP elegeu muitos senadores, deputados, autarcas. A resposta do Poder foi uma repressão política bárbara. Em três anos foram assassinados mais de 3.000 parlamentares, juízes, autarcas, dirigentes sindicais, supostamente ligados às FARC, num genocídio político sem precedentes.

Para sobreviverem, as FARC retomaram a luta armada.

Até a questão dos prisioneiros é colocada capciosamente por Santos. Reclama tudo sem oferecer nada em troca.

Pessoalmente, desaprovo os sequestros. Mas não posso ignorar que o governo mantém nos seus presídios, em condições sub humanas, milhares de guerrilheiros. E recusa-se ao intercâmbio humanitário, isto é, a libertação de uma parte desses presos, trocando-os por «reféns» – a maioria dos quais militares capturados em combate – em poder das FARC-EP.

Nas fossas de La Macarena, na Amazónia, recentemente descobertas, foram encontradas as ossadas de milhares de cidadãos assassinados pelo Exército da oligarquia durante as perseguições contra pessoas suspeitas de ligações com a União Patriótica e as FARC-EP.

Como confiar na palavra de Juan Manuel Santos, o responsável pela chacina de Sucumbio?

Estou certo de que Chávez não tardará a arrepender-se de haver acreditado na promessa de uma relação «transparente, democrática e respeitosa» feita por um politico corrupto e criminoso que, inevitavelmente, vai dar continuidade à estratégia agressiva e de ultra direita imposta por uma oligarquia de cujos interesses é o representante na Casa de Nariño.

Surpreende também que, sendo hoje Hugo Chavez na América Latina o pioneiro, quase o motor, da contestação ao imperialismo – pelo que merece o apoio e admiração das forças progressistas do Continente – não tenha levantado em Santa Marta o tema da instalação de 7 novas bases militares dos EUA na Colômbia. Esquecendo que na UNASUL afirmou que essas bases configuram uma ameaça inadmissível à independência dos povos da América Latina, afirmou que cada país tem o direito soberano de decidir sobre problemas como esse.

HERÓIS DA AMÉRICA LATINA

Inspira-me repugnância a terminologia utilizada pelo governo e o Exército da Colômbia para designar as FARC-EP, terminologia alias perfilhada pela ONU, pela União Europeia e os media dos EUA e da Europa.

Alem de terroristas é lhes colado o anátema de narcotraficantes.

O slogan «guerrilha do narcotráfico» – expressão forjada por um ex embaixador dos EUA, Louis Stamb, ligado ao Pentágono e à CIA – para desacreditar as FARC, difundido urbi et orbi atingiu o seu objectivo tão amplamente que inclusive intelectuais comunistas assimilaram a calúnia. A campanha é de tal intensidade que canais de televisão e jornais se referem rotineiramente a «fábricas de cocaína» instaladas pelas FARC na selva amazónica.

Tivessem as FARC acumulado milhões com o narcotráfico e disporiam de mísseis terra-ar como as organizações de resistentes no Afeganistão e no Iraque. Ora o próprio governo de Bogotá reconhece que elas não dispõem de armamento desse tipo. Mas somente aqueles que conhecem as condições de pobreza em que vivem na clandestinidade os representantes das FARC no exterior – é o meu caso – sabem que o folhetim da «guerrilha do narcotráfico» é uma perversa invenção do imperialismo.

A vida abriu-me a oportunidade de passar semanas num acampamento das FARC, no Departamento amazónico do Meta. Nesses dias conheci combatentes maravilhosos como Simon Trinidad, entregue por Uribe aos EUA e actualmente preso ali após três julgamentos de farsa (dois foram anulados). Condenaram-no finalmente por narcotraficante, a ele, ex banqueiro, membro de uma rica família aristocrática.

Foi também então que construí uma relação de respeito e admiração que evoluiu para a amizade com o comandante Raul Reyes. Mantivemos contacto até que o assassinaram em Sucumbio, a sul do Putumayo, no bombardeamento pirata concebido por Juan Manuel Santos.

Com Manuel Marulanda, o fundador das FARC, falei uma única vez por breves minutos. Mas guardo desse revolucionário, comunista exemplar e estratego militar talvez sem par na História da América, uma lembrança inesquecível.

Quando leio acusações infames contra os combatentes das FARC recordo sobretudo Rodrigo Granda, aliás Ricardo González, amigo fraternal e um dos revolucionários mais puros e autênticos que a vida me permitiu conhecer.

Recordando combatentes das FARC-EP, mortos, presos ou lutando nas montanhas e selvas do seu país, é natural, repito, que me inspirem repugnância os elogios hipócritas a um criminoso como Juan Manuel Santos.

É a esse ser abjecto que a burguesia internacional rende nestes dias homenagens enquanto despeja calúnias sobre os comandantes das FARC que se batem por uma Colômbia livre e democrática.

Uma certeza: os nomes de Uribe e Santos e da escória humana que os apoia serão esquecidos pelas futuras gerações.

Não os de Manuel Marulanda, Jacobo Arenas, e Raul Reyes. Com o passar dos anos, a calúnia deixará de os atingir. Eles contribuíram para a construção da História profunda, na fidelidade a valores permanentes da condição humana. Assumiram os ideais pelos quais viveram e se bateram heróis tutelares da Latina como Bolívar, Artigas, Marti.

1. Juan Manuel Santos pertence a uma das famílias mais influentes da oligarquia colombiana. Seu tio avô, Eduardo Santos, foi Presidente da República e director e proprietário de El Tiempo, um dos principais diários da América Latina. Foi ministro da Indústria, da Fazenda e da Defesa em vários governos, tendo desempenhado um papel importante na destruição da Segurança Social ao impor o modelo pinochetiano. Opôs-se inicialmente à reeleição de Uribe, mas depois fundou o partido, La U, que o apoiou e reelegeu.

Manteve muitos contactos com Carlos Castaño, o falecido chefe dos paramilitares e com Pablo Escobar, o rei da cocaína, também falecido.

2. A Colômbia foi nos últimos anos o principal parceiro económico da Venezuela após os EUA (7.000 mil milhões de dólares de intercambio comercial em 2008). Nos departamentos fronteiriços vivem centenas de milhares de colombianos, sobretudo camponeses, e essa comunidade cumpre um papel fundamental na agricultura venezuelana.



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