31 de mai de 2011

DUAS ESPÉCIES HUMANAS

Há quem decrete o fim da classe operária, com a exacerbada corrida tecnológica, que vem substituindo os braços humanos na produção industrial. A expressão pode até se desusar, e de certa forma já está sendo abandonada. Mas o problema é de outra natureza. O mundo não se divide entre os trabalhadores manuais e os outros, mas sim entre os assalariados e os donos do capital. Isso em uma visão ligeira do problema, porque todo trabalho humano é, ao mesmo tempo, manual e intelectual. Quem opera uma máquina, ainda que o faça mediante um ordenador eletrônico, usa ao mesmo tempo as mãos e o cérebro.
Mais ainda: toda a evolução do homem se deve a essa óbvia associação entre o pensamento e a ação. Por isso mesmo, o filósofo Agostinho da Silva, um dos mais inquietantes pensadores do século 20, diz que o homem não nasceu para trabalhar, e sim para criar. Os marxistas definem essa diferença, ao identificar, no artífice do passado, o criador, uma vez que ele dominava todo o processo de fabricação, e uma peça não era exatamente igual à outra. Na produção industrial moderna, em que cada trabalhador executa – durante a jornada, meses, e quase sempre por muitos anos, quando não toda a vida ativa – a mesma tarefa, fazendo peças separadas, que serão montadas depois, só há realmente trabalho.
Trabalho vem do latim tripalium, que era um instrumento de suplício no mundo romano. O trabalho sempre se associou ao sacrifício, e não ao prazer. A criação, ao contrário, tem uma expressão lúdica. O marceneiro que faz um armário, partindo de sua própria imaginação e desenho, é um criador. Até mesmo o lenhador, que escolhe na floresta a árvore a abater, é de certa forma um criador. Mas o operário que lixa 500 peças por dia ou aperta parafusos (hoje os robôs o substituem) na linha de montagem, como no belíssimo filme de Chaplin, Tempos Modernos, é um homem submetido ao suplício permanente. Na visão magistral de Marx, o trabalhador de hoje é o “complemento vivo de um organismo morto”.
Os operadores que usam o teclado e “interagem” com a tela não têm apenas seu movimento manual determinado pela máquina, mas também sua mente. Como os bancários, que lidam com milhões alheios durante o dia, eles não conseguem dormir em paz: uns sonham com cifras, outros com bytes. A grande tragédia dos trabalhadores modernos, submetidos às exigências da tecnologia, é se sentirem peças isoladas, exatamente iguais às outras. Não tendo de intervir com sua inteligência, e estando submetidos às tensões de cada minuto, são facilmente substituídos pelos robôs, cuja programação é obedecida sem que as emoções os perturbem.
Um escritor paulista – e conhecido empresário –, Nelson Palma Travassos, achava que as máquinas seriam a redenção do homem moderno, e substituiriam os escravos da Antiguidade, libertando-o para o exercício livre da inteligência – desde que esses robôs fossem de propriedade do Estado, que distribuiria os bens produzidos com equidade a toda a população. A tecnologia não está a serviço dos homens. Está a serviço dos ricos, que a usam, sobretudo na transferência instantânea de capitais, roubando dos depositantes e dos acionistas, enfim, de todos, porque o Estado, ou seja, o povo, arca com o prejuízo. Só há duas classes sociais, a dos ricos e a dos pobres.
Durante muito tempo, ricos eram os que detinham os meios físicos de produção, isto é, as terras, as máquinas, enfim, o capital produtivo. O liberalismo novo, com a globalização da economia, mudou o eixo da razão. Hoje, são os bancos que dominam todo o processo. E os bancos não são administrados – salvo exceções – pelos acionistas, mas sim por executivos tais como os que vimos nos escândalos recentes de Wall Street.
Observadores atentos, como o financista Paul B. Farrell, comentarista do Wall Street Journal, mostram que a desigualdade social nos Estados Unidos é hoje maior do que em 1929, quando se iniciou a Grande Depressão, e que, se os ricos não pagarem pesados impostos que permitam melhor distribuição da renda, os pobres, não só ali, mas no mundo inteiro, se sublevarão. É uma questão de vida e morte.
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24 de mai de 2011

OS DITADOS DO IMPÉRIO

O presidente dos Estados Unidos lançou novo edito imperial, dirigido aos líderes dos países árabes, sobretudo a Assad, da Síria: cedam, ou caiam fora. Há que se reconhecer, no poder norte-americano, essa franqueza brutal. Não há paises soberanos no mundo, mas simples províncias do grande império. Não percebem os policy makers de Washington que as situações envelhecem. No caso de sua postura diante do que ocorre nos paises árabes, é patente a incapacidade de ver as coisas com clareza. O pronunciamento de Bin Laden, divulgado depois de sua morte, por iniciativa da Al-Qaeda - em que a rebelião iniciada na Tunísia é aprovada - pode até ser falsa, mas a sua divulgação revela, claramente, que não é exatamente a democracia “made in United States” o desejo que anima os rebeldes dos países islâmicos.

O que está em discussão é a enorme disparidade entre os privilegiados e os pobres. Essa rebelião, que se espalha hoje por vários paises não islâmicos, não leva em conta a natureza ideológica ou teológica dos regimes contestados, mas a sua incapacidade de resolver os problemas cotidianos das pessoas. Tanto nos paises muçulmanos de hoje, quanto nos que se identificam como cristãos, xintoístas, budistas, ou animistas, o que se contesta é o domínio dos ricos. Esses opressores internos participam da exploração dos recursos naturais e do trabalho de seus povos. Por detrás se encontra o sistema financeiro internacional, com ladrões que comandam os escritórios de Wall Street, da Place de la Bourse, da City, das bolsas de valores de Frankfurt, Tóquio, Hong Kong, Xangai – e outros lugares.

O pronunciamento de Obama é ambíguo. Por um lado, ameaça; pelo outro acena com o reconhecimento do Estado Palestino nas fronteiras estabelecidas em 1967 – já de si usurpadoras dos direitos dos seus ocupantes históricos. Um observador das incoerências do presidente norte-americano poderá ver no discurso a tentativa de engambelar os palestinos, com a promessa – vaga, diga-se de passagem – de usar o seu poderio a fim de impor a independência dos territórios ocupados por Israel, e, ao mesmo tempo, agradar ao governo teológico judaico com a perspectiva de submeter a Síria, e o Irã, únicos vizinhos com capacidade bélica de ameaçar Tel-Aviv, embora não sejam potências nucleares como Israel.
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Não é provável que Obama obtenha de Israel qualquer compromisso em reconhecer o direito do povo palestino a um estado independente. Na realidade, os israelitas, mediante a poderosa influência que exercem na política interna nos Estados Unidos, impõem a Washington a posição que lhes interessa.
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Talvez Obama, induzido à cegueira pela arrogância histórica de Washington, não tenha ainda percebido que os seus inimigos reais – os que se opõem à sua reeleição, e que corroem o futuro de seu país – não se encontram entre os islamitas, mas exatamente em seu próprio território e no território de seus vassalos e aliados, como a França e a Inglaterra. São os que usufruem da cruel desigualdade social que, só nos Estados Unidos, confere a um por cento da população quarenta por cento da riqueza interna. Nunca houve, naquele país – nem mesmo na véspera da Grande Depressão – injustiça social semelhante. Talvez conviesse, para a segurança da grande nação do Norte, e para a paz no mundo inteiro, que o governo norte-americano se dedicasse a eliminar a iniqüidade interna, em lugar de se meter a guardião do mundo. 
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Se assim os Estados Unidos agissem, estariam voltando ao compromisso dos fundadores da República, entre eles, Washington, que em seu discurso de despedida, conclamou seus pósteros a tratar de maneira equânime as nações estrangeiras, mantendo boas relações comercias com todas elas, mas se esquivando de meter-se em seus assuntos políticos, e – o que é principal – não odiando, nem amando nenhuma em particular.
 
 
http://www.maurosantayana.com/

23 de mai de 2011

SIONISTAS TENTAM CRIMINALIZAR O PCB E CASSAR O REGISTRO DO PARTIDO NO TSE

Fomos informados de que uma entidade chamada CONIB (Confederação Israelita do Brasil) teria formalizado, no início deste mês, representação contra o PCB (Partido Comunista Brasileiro), junto ao TSE, alegando prática de “antissemitismo”, por ter a página do partido na internet publicado artigo denominado “Os Donos do Sistema: o Poder Oculto; de Onde Nasce a Impunidade de Israel”.
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Na apresentação de seu portal, a entidade se assume sionista, posiciona-se “na linha de frente do combate ao antissemitismo” e oferece “links” para todas as organizações sionistas de Israel, dos Estados Unidos e de âmbito mundial ou nacionais, a imensa maioria de direita.
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Apesar de ainda não conhecermos os termos da representação (não divulgada pela entidade), inferimos que sua verdadeira intenção é tentar cassar o registro do PCB, como se se fosse possível calar a voz dos verdadeiros comunistas brasileiros. Nosso partido – o mais antigo do Brasil, fundado em 1922 - foi escolhido criteriosamente para esta ofensiva por razões que nos orgulham. Além de lutarmos pela superação do capitalismo, praticamos com firmeza e independência o internacionalismo proletário, a solidariedade a todos os povos em luta contra o imperialismo e o sionismo, cujo significado não se refere ao seu conteúdo original, mas ao caráter atual do movimento, hegemonicamente fascista e imperialista.
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A nosso ver, trata-se de uma ação política, muito mais do que jurídica.
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O texto que provocou a reação da CONIB é de autoria do jornalista argentino Manuel Freytas, divulgado originalmente no sítio eletrônico IAR Notícias, e reproduzido mundialmente em pelo menos mais de trinta portais progressistas e anti-imperialistas, listados ao final desta nota.
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Segundo a apócrifa nota publicada pela citada CONIB (www.conib.org.br), o texto se utiliza “de imagens apelativas, distorções da realidade e argumentos conspiratórios e claramente anti-semitas”, revelando “alto grau de desconhecimento do cenário político-econômico internacional”, por repetir (agora no século 21!) chavões da obra “Os Protocolos dos Sábios de Sião, farsa montada pela polícia czarista da Rússia, no século 19”. Assim, o PCB é acusado de “incentivar a discriminação e a proliferação da intolerância religiosa, étnica e racial em nosso país”.
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Termina a nota afirmando que a representação baseia-se na Lei Orgânica dos Partidos Políticos, com a “finalidade de evitar que abusos e inverdades desencadeiem preconceitos contra a comunidade judaica brasileira”.
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Diante deste fato, o PCB vem a público se pronunciar:
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1 – O PCB não se intimidará diante da pressão de organizações sionistas de direita e continuará prestando ampla, geral e irrestrita solidariedade ao povo palestino, vítima da escandalosa impunidade de Israel, tema do artigo considerado ofensivo. Desrespeitando todas as Resoluções da ONU, o estado israelense continua ampliando a ocupação de territórios dos palestinos, derrubando suas casas, criando o chamado “Muro do Apartheid”, invadindo e cercando a Faixa de Gaza, onde impede a entrada de ajuda humanitária (inclusive alimentos e medicamentos), assassinando e prendendo militantes palestinos, mantendo mais de 11.000 deles em condições abjetas em seus cárceres. Mais do que isso, continuaremos a denunciar que Israel se transformou numa enorme base militar norte-americana no Oriente Médio. O país é o primeiro destino da ajuda militar estadunidense no mundo e o único do Oriente Médio a ter direito a armas nucleares, sem permitir a inspeção internacional que exige de outros países.
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2 – Esta ofensiva contra o PCB se deve ao fato de que apoiamos e participamos dos diversos Comitês de Solidariedade ao Povo Palestino que se consolidam e se multiplicam pelo Brasil. No nosso portal, este texto foi escolhido aleatoriamente, pois com uma simples pesquisa se pode verificar que ali os artigos e informações sobre a luta contra a política terrorista do Estado de Israel se contam às centenas, muitos deles mais contundentes que o escolhido para ofender a liberdade de imprensa consagrada em nosso país e tentar intimidar e criminalizar o PCB. Publicamo-lo exatamente há um ano, mas só agora ele foi “descoberto”.
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3 – É significativo que esta atitude intimidatória (que está se dando em vários países) ocorra no exato momento em que as duas maiores organizações políticas palestinas (Fatah e Hamas) anunciam a retomada de seus entendimentos e o desejo de dividir a responsabilidade pela administração dos territórios palestinos, que foram separados arbitrariamente pelas forças militares israelenses com o uso da violência e da ocupação.
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4 – A unidade dessas duas organizações contraria os planos imperialistas de divisão sectária entre os palestinos – exatamente porque cria melhores condições para o reconhecimento internacional do Estado Palestino e para uma negociação pela paz na região -, tudo que Israel não deseja, apesar das reiteradas resoluções da ONU nesse sentido.
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5 – Esta atitude arbitrária de perseguição política coincide também com a satanização do mundo muçulmano, este sim vítima de preconceitos e estigmatização, sem que a mídia burguesa se utilize de expressões como “anti-islamismo”, “anti-xiitismo”, “anti-sunitismo” etc. Coincide também com a proximidade da Assembleia Geral da ONU que, no próximo mês de setembro, discutirá o reconhecimento do Estado Palestino.
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6 - Coincide ainda com a movimentação imperialista para ampliar seletivamente a agressão militar no Norte da África e no Oriente Médio, para além do Iraque e do Afeganistão. Coincide com a descarada intervenção militar na Líbia, com as provocações contra a Síria e o Irã, acusados de solidários aos palestinos e de apoio ao “terrorismo”.
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7 - As raivosas declarações das autoridades israelenses sobre a unidade das citadas organizações políticas palestinas deixam em evidência que Israel não tem qualquer interesse na paz na região e muito menos na criação do Estado Palestino. Fica claro que o objetivo do sionismo é ocupar todo o território palestino, através dos assentamentos ilegais, transformando o antigo território palestino no que chamam de Grande Israel, para inviabilizar na prática uma decisão da ONU, de 1948 - da coexistência pacífica de dois Estados, no território até então exclusivamente palestino -, boicotada pelos israelenses há mais de sessenta anos!
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8 – Não tememos qualquer processo judicial, porque conhecemos as leis brasileiras, que têm como cláusula pétrea constitucional o livre direito de expressão e a proibição da censura.
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9 – Mesmo que prosperasse esta absurda afronta às liberdades democráticas, estamos certos de que teríamos a solidariedade firme e militante de centenas de organizações políticas e sociais e personalidades democráticas, não só do Brasil, mas de todo o mundo.
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10 – Não há, em qualquer documento do PCB, qualquer intolerância religiosa, étnica e racial contra qualquer povo ou comunidade. Criticar a direita sionista não significa criticar a comunidade judaica que, no Brasil e no mundo, é composta também por militantes democratas, humanistas e comunistas, que lutam contra a política terrorista e imperialista do Estado de Israel e se solidarizam com o povo palestino. O PCB tem uma vasta e orgulhosa tradição, desde a sua fundação até os dias de hoje, de contar com militantes e amigos de origem judaica.
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11 - Os comunistas, em todo o mundo, somos contra qualquer intolerância religiosa ou étnica, contra preconceitos e nacionalismos xenófobos, porque lutamos por um mundo de iguais, sem fronteiras, sem Estado, sem forças armadas, sem opressores e oprimidos. Não entendemos o que a CONIB quer dizer com a expressão “intolerância racial”, pois todos os povos pertencem à mesma raça humana. A não ser que assim pensem os que se acreditam pertencentes a uma “raça superior”, escolhida por alguma divindade.
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12 - Os comunistas do mundo inteiro tiveram papel decisivo na luta contra o nazi-fascismo que vitimou dramaticamente os judeus, mas também a muitos outros povos. O povo russo, dirigido pelo Partido Comunista da União Soviética, foi o que entregou mais vidas em defesa da humanidade, mais de 20 milhões, principalmente de seus jovens.
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13 – O sítio do PCB na internet é um espaço de difusão não apenas das opiniões do Partido, mas de outras organizações e personalidades com alguma afinidade política, porque objetiva também prestar informação e fomentar o debate sobre questões candentes, nacionais e internacionais. Na primeira página de nosso portal (www.pcb.org.br), deixamos claro que:
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Só publicamos nesta página textos que coadunam, no fundamental, com a linha política do PCB, a critério dos editores (Secretariado Nacional do CC). Quando não assinados por instâncias do CC, os textos publicados refletem a opinião dos autores”.
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14 - Com o texto questionado pela central sionista brasileira temos uma identidade política, na medida em que ele denuncia a impunidade de Israel, os massacres que este Estado comete contra o povo palestino, o seu importante papel econômico e militar no contexto do imperialismo. Publicamo-lo como contribuição a um debate necessário, ainda que algumas opiniões ali expostas possam diferir, em alguns aspectos, de nossa análise marxista da luta de classes no âmbito mundial. Para nós, o sionismo não é o “Comitê Central” do imperialismo nem o único “dono do poder”, mas sócio e parte importante de sua engrenagem, uma significativa linha auxiliar com forte lobby internacional, enorme peso na mídia hegemômica, na economia mundial e na máquina de guerra imperialista.
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15 – Sem preocupação com ameaças de qualquer tipo, estamos aqui oficialmente oferecendo à direção da Confederação Israelita do Brasil o direito de resposta, no mesmo espaço em que divulgamos o artigo criticado, para que a entidade possa se contrapor aos argumentos expostos pelo autor do texto “Os Donos do Sistema”. Como certamente o texto da CONIB será uma exceção ao nosso critério da afinidade política, nos reservaremos o direito de publicá-lo com comentários de nosso Partido.
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16 – Este convite, além de democrático, atende à preocupação da CONIB, embora injustificada, de que sua finalidade, ao adotar a medida judicial, é “evitar que abusos e inverdades desencadeiem preconceitos contra a comunidade judaica brasileira”. Portanto, estejam à vontade para enviar ao nosso endereço eletrônico os seus pontos de vista.
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17 – Esperamos também que a recíproca seja verdadeira, ou seja, que a CONIB publique em sua página a íntegra da presente nota política do PCB. Aproveitamos para sugerir que, no documento que nos mandarem, possamos conhecer suas posições em relação às Resoluções do último Congresso Nacional do PCB, a respeito do tema, e que transcrevemos aqui na íntegra:
XIV Congresso Nacional do PCB (outubro de 2009):
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DECLARAÇÃO DE APOIO À CONSTRUÇÃO DO ESTADO PALESTINO DEMOCRÁTICO, POPULAR E LAICO, SOBRE O SOLO PÁTRIO HISTÓRICO:
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1) Pelo fim imediato da ocupação israelense nos territórios tomados em 1967, fazendo valer o inalienável direito à autodeterminação do povo palestino sobre estes territórios;
2) Aplicação de todas as resoluções internacionais não acatadas pelo sionismo;
3) Garantia aos refugiados (atualmente, 65% da totalidade do povo palestino) de retorno às terras de onde foram expulsos (Resolução 194 da ONU);
4) Libertação imediata dos cerca de 11.000 prisioneiros, entre eles Ahmad Saadat, Secretário Geral da FPLP, e outros dirigentes da esquerda;
5) Reconstrução da OLP, ou seja, reconstrução da unidade política necessária às tarefas que estão colocadas para o bravo povo palestino, com garantia de participação democrática de todas as forças políticas representativas dos palestinos;
6) Apoio irrestrito a todas as formas de resistência do povo palestino;
7) Destruição do muro do apartheid, conforme resolução do Tribunal de Haia;
8) Demolição e retirada de todos os assentamentos judaicos na Cisjordânia/Jerusalém;
9) Fim imediato do bloqueio assassino a Gaza;
10) Pelo fomento de campanha internacional para levar os criminosos de guerra sionistas aos tribunais de justiça, dentre os quais, o Tribunal Internacional de Haia.
11) Estabelecimento de sólida relação entre os partidos comunistas irmãos para concretizar ações de solidariedade e, em especial, apoio logístico à materialização desta luta;
12) Apoio a todas as iniciativas que visem estreitar laços entre os partidos da esquerda palestina, em especial a Frente Democrática pela Libertação da Palestina (FDLP), a Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), Partido do Povo Palestino, em unidade concreta programática e de ação.
POR UM ESTADO PALESTINO DEMOCRÁTICO, POPULAR, LAICO, SOBRE O SOLO PÁTRIO HISTÓRICO! PELA TOTAL INDEPENDÊNCIA E AUTONOMIA DOS TERRITÓRIOS OCUPADOS EM 1967! PELO RETORNO DOS REFUGIADOS E JERUSALÉM CAPITAL! LIBERTAÇÃO DE TODOS OS 11.000 PRISIONEIROS PALESTINOS! PELA CONDENAÇÃO INTERNACIONAL DOS CRIMINOSOS DE GUERRA!
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18 – Mas voltando ao artigo que gerou a representação, para que as críticas da CONIB se centrem na contestação às informações ali prestadas - ao invés de se esconderem sob o manto autoritário do carimbo “antissemita” -, sugerimos que releiam o texto, sem sectarismo nem preconceito. Verão que ele pode ter equívocos na forma de sua correta condenação ao Estado de Israel, mas não tem qualquer intolerância religiosa ou étnica.
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19 – O texto, em nenhum momento, atinge o povo judeu, mas à sua liderança hegemônica - direitista, sionista e terrorista - deixando claro que nem todos os judeus concordam com seus métodos e que há vários intelectuais, organizações e militantes judeus que condenam e protestam contra o genocídio em Gaza e outras violências do Estado de Israel.
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20 – Leiamos novamente algumas passagens do artigo de Manuel Freytas:
Israel não invadiu nem perpetrou um genocídio militar em Gaza com a religião judia, senão com aviões F-16, bombas de rácimo, helicópteros Apache, tanques, artilharia pesada, barcos, sistemas informatizados, e uma estratégia e um plano de extermínio militar em grande escala. Quem questione esse massacre é condenado por "anti-semita" pelo poder judeu mundial distribuído pelo mundo”.
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O lobby sionista pró-israelense não reza nas sinagogas, senão na Catedral de Wall Street: um detalhe a ter em conta, para não confundir a religião com o mito e com o negócio”.
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As campanhas de denúncia de antissemitismo com as quais Israel e organizações judias buscam neutralizar as críticas contra o massacre, abordam a questão como se o sionismo judeu (sustentáculo do Estado de Israel) fosse uma questão "racial" ou religiosa, e não um sistema de domínio imperial que abarca interativamente o plano econômico, político, social e cultural, superando a questão da raça ou das crenças religiosas”.
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A esse poder (o lobby sionista internacional), e não ao Estado de Israel, é o que temem os presidentes, políticos, jornalistas e intelectuais que calam ou deformam diariamente os genocídios de Israel no Oriente Médio, temerosos de ficarem sepultados em vida, sob a lápide do "antissemitismo".
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22 - Estejam certos de que não calarão nem sepultarão o PCB em vida, tarefa que não foi possível nem para as mais cruéis ditaduras de direita que marcaram a história do nosso país. Prenderam, exilaram, assassinaram, desapareceram com muitos comunistas, no Brasil e no mundo, por lutarem contra a opressão, pela autodeterminação dos povos, pelas liberdades democráticas e contra o nazi-fascismo.
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Exigimos respeito!
Partido Comunista Brasileiro
Comissão Política Nacional
Maio de 2011
Observações:
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1 – Este e outros artigos de Manuel Freytas são publicados, entre muitos outros, nos seguintes sítios:
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2 - Segundo levantamento feito pela Federação Árabe-Palestina, apenas em 2011, a CIA destinou 120 milhões de dólares, para financiar o sistema de difamação da religião islâmica no Brasil.
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3 – O mesmo texto usado pelo sionismo contra o PCB é usado como pretexto para o mesmo tipo de ação intimidatória na Venezuela, num relatório denominado “Antisemitismo en Venezuela”, de autoria de uma organização à qual a CONIB é ligada, chamada ADL (Anti-Defamation League), que em português significa Liga contra a Difamação. Apesar do nome genérico da entidade, ela só criminaliza e intimida o que considera difamação “anti-semita”. Veja a página 16 do sítio http://www.adl.org.
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4 – neste momento, Israel está usando os céus da Grécia, por autorização do governo local, para treinar seus pilotos e testar seus aviões militares para um possível ataque ao Irã, cuja topografia tem características semelhantes às do país helênico.
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5 – nos próximos dias, estaremos publicando aqui nesta página vários textos de judeus progressistas e comunistas, inclusive israelenses, contra o sionismo e a utilização do carimbo “antissemitismo” como forma de censurar denúncias contra o Estado de Israel.

GRIFO E IMAGENS (PK)
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21 de mai de 2011

“Porque haveríamos de matar a galinha dos ovos de ouro?” Sobre o Paquistão e a morte de Bin Laden




A morte de Bin Laden não muda realmente nada excepto, talvez, assegurar a reeleição de Barack Obama, se a economia o permitir.

Cegos pela sede de vingança, os Estados Unidos atacam um objectivo e acabam com a vida de mais um dos seus inimigos. Os seus cidadãos celebram. Os funcionários de George W. Bush dizem-nos que, no fim de contas, isto vem demonstrar que a tortura em Guantánamo dá resultados. A Europa aplaude. E os vassalos por todo o lado, incluindo o presidente do Paquistão, felicitam os EUA pela missão cumprida.
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Tudo isto é um pouco insólito se tivermos em conta que Bin Laden se encontrava num lugar aparentemente seguro, próximo da academia militar paquistanesa, aí tendo residido durante seis anos. Ninguém acredita que isto poderia suceder sem conhecimento dos agentes dos serviços de informação ao mais alto nível. Um deles, com o qual tive um encontro em 2006 e que cito no meu recente livro sobre o Paquistão, confirmou-me que Bin Laden se encontrava no país e sob protecção. A pessoa em questão disse-me que os americanos apenas queriam Bin Laden morto, mas que ao Paquistão interessava conservá-lo vivo. As suas próprias palavras foram: “Porque iríamos matar a galinha dos ovos de ouro?”, referindo-se aos milhares de milhões de ajuda proporcionados ao exército em apoio e armamento. Na altura não estava seguro de que a minha fonte não estivesse a divertir-se à minha custa, desorientando-me ou desinformando-me. Mas, obviamente, estava a dizer-me a verdade.
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Abriu-se no Paquistão um debate acalorado: o seu establishment político-militar será condenado em qualquer dos casos. Se admitem que tinham conhecimento, arriscam-se a ser condenados pelas suas próprias fileiras. Há uma ampla dissidência entre os jovens oficiais e soldados, descontentes com as missões em áreas fronteiriças em que são obrigados a tomar o seu próprio povo como alvo. Se se conclui que os EUA nem sequer se deram ao incómodo de informar os paquistaneses de que estavam a caminho helicópteros para apanhar Bin Laden, ficam expostos perante a opinião pública como dirigentes que permitem que a soberania do país seja violada com todo o à-vontade.

O ex-presidente da CIA, Leon Panetta, disse que a decisão de não informar o Paquistão foi tomada logo de início a fim de não comprometer a operação. Mas as versões têm vindo a alterar-se rapidamente, e nada deve ser tomado bem à letra. Tal como foi revelado por Wikileaks, houve um acordo entre o Paquistão e os EUA segundo o qual o primeiro, embora tolerasse os ataques com drones, se veria na obrigação de os denunciar para evitar que a fúria das populações se virasse contra si. Por outro lado, e dado que no interior da CIA os ISI [serviços de informação paquistaneses] são referidos como uma organização terrorista, pode ser que se tenha gerado o receio de possíveis fugas de informação. Os helicópteros que entraram no espaço aéreo paquistanês poderiam ter feito parte de uma operação de reconhecimento de rotina. O radar paquistanês tem sido bloqueado anteriormente para facilitar incursões aéreas. Desta vez não.
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Fontes fidedignas do Paquistão insistem em que o exército não tinha conhecimento prévio desta incursão. Tendo em conta que o Paquistão não poderia de absolutamente nenhum modo ter considerado aceitável esta operação, o ISI, a ter tido conhecimento prévio teria sem qualquer dúvida empreendido uma acção preventiva, uma vez que é quase seguro que este acontecimento irá afectar a futura ajuda dos EUA. Se o exército paquistanês ou os serviços de informações tivessem estado implicados, teriam sem qualquer problema deslocado o confronto para qualquer local menos embaraçoso, como as montanhas do Waziristão, por exemplo. Ainda por cima porque este acontecimento permitiu tanto à Índia como ao Afeganistão nova oportunidade para recuperar terreno nas suas guerras de propaganda contra o Paquistão.
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A morte de Bin Laden não muda realmente nada excepto, talvez, assegurar a reeleição de Barack Obama, se a economia o permitir. A ocupação do Iraque, a guerra Afgano-Paquistanesa e a aventura da NATO na Líbia parece que irão continuar. A situação entre Israel e Palestina está bloqueada, embora os despotismos do mundo árabe que Obama denunciou se encontrem sob pressão (à excepção do pior deles todos: a Arábia Saudita). 
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No Afeganistão os chefes taliban respirarão aliviados, sabendo que deixarão de ser associados a Bin Laden, mas este assassínio não altera um milímetro a sua situação. Pode ser que os insurrectos não estejam em condições de conquistar Cabul (na realidade nunca o estiveram, nem sequer durante a ocupação russa), mas controlam amplos territórios noutros lugares. Os EUA não podem vencer esta guerra. Quanto mais cedo saiam do país, melhor. E até que o façam continuarão a depender do Paquistão, o aliado que os americanos amam odiar. 
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*Tariq Ali é membro do conselho editorial de SIN PERMISO. 


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19 de mai de 2011

Avançar na organização sindical da classe trabalhadora para o combate sem tréguas à hegemonia do capital

A atual crise internacional do capitalismo, que veio à tona com maior radicalidade em 2008 e, partindo do coração econômico e financeiro do sistema, se irradiou mundo afora, tendo, em 2010, feito seus estragos nos países menos desenvolvidos da zona do euro (Grécia, Espanha, Portugal, Itália), volta a ter, nos dias de hoje, seu epicentro nos Estados Unidos. Grande parte dos estados e municípios norte-americanos encontra-se em situação de quase insolvência, resultado de uma economia nacional enfraquecida pelos imensos gastos militares e pelas políticas locais de renúncia fiscal em favor das grandes corporações e dos ricos, associada ao corte dos salários e benefícios dos trabalhadores públicos. Nas últimas semanas, em protesto contra os constantes ataques aos direitos do funcionalismo público, milhares de trabalhadores estadunidenses engrossaram massivas manifestações nos estados de Wisconsin, Ohio e Indiana, onde os sindicatos são tradicionalmente fortes. Sem cobertura alguma da mídia burguesa mundial, as manifestações populares nos EUA, que podem levar à convocação de uma greve geral, evidenciam o acirramento da luta de classes no momento em que trabalhadores de todo o mundo, em especial no Oriente Médio e na Europa, demonstram disposição de lutar contra a opressão de governos e do capital.
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No Brasil, a expressão mais recentemente explosiva da luta do trabalho contra o capital foi a greve de 80 mil trabalhadores nos canteiros de obras do PAC, em protesto contra os baixos salários e as péssimas condições de trabalho impostas pelas grandes empreiteiras, empresas multinacionais como Odebretch, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e outras. As revoltas dos trabalhadores da construção civil foram manifestações espontâneas de indignação contra a superexploração e a repressão de seguranças e forças policiais a serviço dos capitalistas. As centrais sindicais governistas foram chamadas pelo Governo Dilma a negociar com as empreiteiras e a conter o ânimo dos trabalhadores, pois o medo do governo era que as revoltas se espalhassem pelo conjunto de obras do PAC, que empregam cerca de um milhão de operários. Agora se ameaça com a demissão de milhares de operários, visando diminuir a pressão no barril de pólvora das obras do PAC, medida necessária à estratégia das classes dominantes em prol da “paz social” indispensável à continuidade do crescimento capitalista. As centrais sindicais “chapa branca” cumpriram, uma vez mais, com este episódio, o papel de amortecedores da luta de classes, mais preocupadas com a continuidade da política governista de aceleração do capitalismo no país do que com as necessidades urgentes dos trabalhadores.
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O aparato oficial do sindicalismo brasileiro hoje, comandado pela CUT e pelo PT, é extremamente eficiente em seu papel de domesticador das lutas operárias. O processo de consolidação da hegemonia burguesa no Brasil, como resultado mesmo do desenvolvimento e expansão do capital monopolista brasileiro, plenamente associado, de forma subalterna, ao imperialismo, buscou, por meio de mecanismos de coerção econômica, pela violência aberta ou através de processos de alienação e de convencimento, induzir o conjunto da classe trabalhadora à passividade. Premidos pelos imperativos da economia capitalista, responsável pelo vertiginoso aumento da exploração, da precarização das condições de trabalho e da retirada de direitos conquistados, transformando cada vez mais a força de trabalho numa mercadoria plenamente disponível e livre para o capital, os trabalhadores brasileiros são também alvo de inúmeras campanhas ideológicas voltadas a incutir a lógica da privatização e da mercantilização em todos os níveis da vida em sociedade. Paralelamente ao aprofundamento das formas burguesas de representação política, novas formas de dominação e de consentimento foram fundamentais para a política de amoldamento do proletariado brasileiro aos limites da ordem do capital. A classe dominante brasileira contou, nas últimas décadas, com a providencial contribuição das entidades políticas e associativas (partidos, sindicatos, centrais, ONGs, igrejas) voltadas a perpetuar a ordem burguesa na sociedade e a forjar uma política de apassivamento da classe trabalhadora através de mecanismos de convencimento e de acomodação.
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O enfrentamento a este quadro, de plena afirmação da hegemonia burguesa e de aprofundamento das relações capitalistas monopolistas no país, não se dará sem uma luta permanente contra a ordem do capital e suas manifestações políticas e ideológicas. Na perspectiva da construção de um poderoso movimento contra-hegemônico, capaz de unificar a classe trabalhadora brasileira no caminho da alternativa anticapitalista e anti-imperialista, é preciso partir da premissa de que as lutas sociais e a resistência dos trabalhadores na defesa de seus direitos mais imediatos, como o salário, as condições de trabalho, a melhoria da qualidade de vida, se chocam hoje com a lógica privatista e de mercado que vê todos os bens e serviços públicos como mercadorias, gerando lucros enormes para as grandes corporações. Da mesma forma, entendemos que o desenvolvimento do capitalismo brasileiro está, de forma profunda e incontornável, associado ao capitalismo internacional, sendo impossível separar o capital de origem brasileira ou estrangeira, assim como o chamado capital produtivo do especulativo, já que nesta fase o capital financeiro funde seus investimentos tanto na produção direta como no chamado capital portador de juros e flui de um campo para outro de acordo com as necessidades e interesses da acumulação privada, sendo avesso a qualquer tipo de planejamento e controle.
A hegemonia burguesa busca se impor e se prolongar no Brasil pela divisão das forças socialistas, populares e revolucionárias. A fragmentação de nossas forças é dada não apenas pela capacidade de cooptação e neutralização estatal e governista, mas também pelas dificuldades no campo da esquerda de colocar questões secundárias de lado e produzir patamares de unificação mínimos que permitam, primeiro, a resistência e, depois, passar à ofensiva contra a hegemonia conservadora. O movimento sindical classista encontra-se bastante fragmentado, divisão esta que se aprofundou com a realização do Conclat em Santos, em junho do ano passado. Com hegemonia do PSTU, o resultado foi a refundação da Conlutas como Central Sindical e Popular (CSP/Conlutas), que abarca, além de representações sindicais, grupos estudantis e movimentos de luta contra a opressão – antirracismo, gênero, diversidade sexual. Tal configuração vem afastando da possibilidade de participação no interior desta central várias correntes políticas do PSOL, muitas das quais integrantes do campo originário da Intersindical.
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O PCB contrapôs à concepção de central sindical e popular a necessidade de uma organização que expresse a intervenção dos trabalhadores enquanto classe, tendo como fundamento a contradição capital-trabalho. Sem a compreensão de que os movimentos contra a opressão são dimensões da exploração e da opressão do capital sobre o trabalho, esta luta acaba se tornando refém da lógica burguesa, quando busca apenas garantir melhores condições de participação e de representação no interior da ordem capitalista. As lutas contra a opressão devem, necessariamente, ser tratadas de acordo com as suas especificidades. A inclusão desses setores em uma organização sindical é prejudicial à sua própria dinâmica. A presença dos estudantes é ainda menos indicada, pois o conjunto dos estudantes não se constitui como classe. O movimento estudantil é transitório e policlassista por sua própria natureza.
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A construção de uma Central Sindical Classista, centrada na luta sindical e no enfrentamento aos imperativos do capital nos locais de trabalho, é uma necessidade para fazer avançar o grau de organização e de mobilização da classe trabalhadora brasileira. Mas, em função da frágil unidade de ação e da ausência de um programa comum, a construção dessa Central não se dará de uma hora para outra, nem pode se dar apenas como um acordo entre correntes. Deve ser encarada como um processo de construção de longo prazo, partindo da unificação das lutas específicas, da formação de um programa nacional de lutas e de bandeiras gerais, com o estabelecimento na prática da solidariedade de classe. A ação da luta comum deve superar o puro e simples economicismo, sendo capaz de ultrapassar, também, as manifestações espontâneas dos trabalhadores. A ação econômica, sem politização, descamba no peleguismo e na adaptação do movimento operário ao jogo da concorrência capitalista. Ou seja, não bastam conquistas salariais e de melhores condições de trabalho. Também é importante superar o obreirismo, evitando a divisão entre setor público e privado, situação formal ou informal, lutas da cidade e do campo.
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Na conjuntura atual, nada avançará se não buscarmos a unidade possível no interior do campo político que advoga a construção de um movimento sindical combativo e classista, priorizando a unidade orgânica das representações dos trabalhadores voltadas ao enfrentamento mais direto contra o capital, ou seja, que percebam a necessidade de construir uma organização de caráter sindical na qual a contradição capital-trabalho seja tratada como a contradição central na sociedade capitalista. Nós, do PCB, entendemos que a Intersindical – instrumento de luta e organização da classe trabalhadora – pode vir a se transformar nessa poderosa ferramenta da luta de classes no Brasil, mas não pode se manter na configuração política atual. Desejamos manter e aprofundar nossas relações com a ASS, com quem temos grande afinidade na concepção da luta sindical e anticapitalista, mas defendemos a urgência da realização de conversações com as correntes políticas que compunham o campo originário da Intersindical, como meio mais imediato de fortalecer nosso instrumento de luta e organização. Nós, comunistas, não subestimamos o papel dos partidos e correntes no movimento operário, tendo clareza, porém, de que a vanguarda jamais substituirá a classe, nem a organização sindical.
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Diante do exposto, a Comissão Política Nacional do Comitê Central do PCB orienta a militância comunista nos estados e municípios a buscar desenvolver as seguintes tarefas:
  1. Fortalecer a UNIDADE CLASSISTA como corrente sindical que reúne militantes do PCB e simpatizantes da nossa linha política e sindical no interior dos sindicatos, movimentos e organizações de luta da classe trabalhadora;
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  2. Envidar esforços no sentido de promover conversações com as correntes políticas do PSOL insatisfeitas com a cristalização do formato e orientação política dominantes na CSP/Conlutas, visando contribuir para a recomposição do campo original da Intersindical;
  3. Participar ativamente da organização de manifestações de 1º de Maio unitárias, na perspectiva da luta combativa contra o capital;
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  4. Forjar a unidade de ação com as diversas organizações políticas, sindicais e populares que se opõem, em suas formas específicas, ao domínio do capital, na perspectiva de retomada do Forum Nacional de Mobilização;
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  5. Organizar movimentos de luta unitários na defesa de bandeiras como: mais e melhores empregos, fim do fator previdenciário, salário mínimo do DIEESE, fim do imposto de renda sobre salários, redução da jornada de trabalho sem redução de salário, nenhum direito a menos, avançar nas conquistas.
O maior patrimônio do movimento operário é a sua unidade. Mas essa unidade não pode ser construída burocraticamente. Promover essa unidade de ação é responsabilidade dos setores que se reivindicam de vanguarda. Nós, comunistas do PCB, estamos dispostos a participar de todas as discussões necessárias à construção da unidade de ação e do programa capazes de nortear o caminho para a efetiva formação de um poderoso movimento de luta contra o capital, contribuindo para a futura construção de uma central sindical classista, autônoma frente ao governo e ao patronato, que tenha centro nas organizações sindicais da classe trabalhadora. A construção desse movimento é parte inseparável da guerra sem tréguas contra a hegemonia do capital e a ordem burguesa, rumo à conquista da emancipação plena da classe trabalhadora, na sociedade comunista.
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OUSAR LUTAR, OUSAR VENCER!


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18 de mai de 2011

VALORES DOMINANTES

Com a passar dos séculos, o ser humano incorporou novos valores que se ajustam perfeitamente à sociedade atual. O cartunista Quino demonstra, com inteligência e humor requintado, os "valores dominantes.”
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15 de mai de 2011

Governos Lulla, Dillma e o PT: a manipulação dos números

Raymundo Araujo Filho 

Ao abrir seu bar, o dono viu, com surpresa, o bêbado entrar no estabelecimento e lhe pedir uma coxinha de galinha. Quando ia mordê-la, o bêbado a devolveu dizendo "por favor troque a coxinha pelo mesmo valor, mas de pinga".  Mal recebeu a branquinha, bebeu-a de um só trago, virou as costas e saiu do bar, ganhando a rua. O dono do boteco correu e interpelou-o: "Ó pá! Saístes sem pagar a pinga!". O bêbado respondeu "Mas eu a troquei pela coxinha de galinha...". "Mas então pague a coxinha, ao menos", respondeu o dono do boteco, com cara de esperto. E o bêbado respondeu: "Mas eu não comi a coxinha....".
 
Não é nada confortável, no século XXI, estarmos a fazer críticas às ações equivocadas e omissões propositais, desta vez levadas a cabo por aqueles que, durante 20 anos, se disseram a força política que poderia mudar o Brasil, mudar o curso das coisas e inaugurar outra era na política brasileira. Uma era de mais ética e com combate à acumulação de capital pelos mais ricos, à custa do empobrecimento geral da nação, além de combate à rapinagem econômica internacional. Traíram esta agenda, ainda se tornando aliados dos quadros da direita que combatemos há décadas, mas agora ilustres apaniguados desta nova aristocracia política, inaugurada nacionalmente com a eleição de Lulla e reeleita com Dillma e penduricalhos.
 
Assim, na perspectiva de elucidar este complexo e pobre momento político brasileiro, a mim cabe tentar a lucidez política, mas também as análises, como fiz no artigo "Aumento de Salário, sofisticação da renda e qualificação do consumo" e farei agora sobre esta falácia da "diminuição recorde da pobreza extrema no Brasil".
 
Começamos por esclarecer que a faixa de corte que determina quem é "extremamente pobre" é totalmente arbitrária, nos seus R$ 70 por mês (= R$ 2,3 ao dia). O número é tão arbitrário que sequer respeita o valor marco de R$120,00 / mês (R$ 4,00 ao dia), que é o corte para o recebimento do Bolsa Família. Dizem que o índice é da ONU, o que só mostra a incongruência destes números, devido à flutuação do poder de compra do dólar, entre os países.
 
Mas mesmo sobre a pobreza extrema do governo, temos uma conta que não chega. O último relatório do IPEA nos mostra que temos 15 milhões de brasileiros nesta situação (R$ 2,3 ao dia). Ora! Lulla e sua troupe de malabaristas de números contestavam a cifra de 50 milhões de brasileiros na faixa de miséria, que usaram para se elegerem contra Serra (pois perderam duas vezes para FHC). No primeiro dia de mandato, começaram imediatamente a adotar o número dos tucanos que, se me lembro bem, era de 32 milhões de brasileiros na faixa de "até" R$ 2,3 ao dia.
 
Agora nos dizem que temos 15 milhões de "pobres extremos", obrigando-me a concluir que o que se fez de mais profundo no Combate à Miséria foi colocar 17 milhões de Brasileiros sem nada, ou quase nada, na faixa da iniqüidade econômica de, repito, "até" R$ 2,3 ao dia. Dizendo-se que se sai desta situação extremosa quem recebe esta "merreca", ainda mais desobrigando-se, o governo, de gastar com estruturas de acolhimento e promoção social - como não pagar a pinga e dizer que não comeu a coxinha de galinha.
 
E com o presidente Lulla a propalar, mais de uma vez e em convescote de bacanas, que "os banqueiros lucraram mais comigo do que em qualquer outro governo anterior ao meu" (se vangloriando disso). Sendo que isso representa cerca de mil vezes mais do que foi gasto com estes 17 milhões de brasileiros, que dizem ter "tirado da miséria extrema" com, repito, iníquos R$ 2,3 ao dia.
 
Mas tratemos dos miseráveis, não daqueles de caráter, mas de dinheiro. Dando de "lambuja" os números de Lulla e FHC, aqueles 32 milhões em 2002 de "miseráveis extremos", contra os 50 milhões do falecido, e esquecido, Betinho (duvido que hoje ele estaria em apoio a isso aí, que o IBASE apóia, mesmo criticamente...).
 
Podemos, seguindo então a linha do governo, por exemplo, classificar não como miseráveis extremos, mas sim miseráveis, aqueles que ganham de R$ 70 a R$120 por mês. Estes têm entre os R$ 2,3 e R$ 4,0 ao dia e, portanto, além de comerem menos de 1000 calorias / dia (o mínimo aceitável é de 2 mil calorias), não têm onde morar, o que vestir nem como se transportar. É sabido que a estrutura social de acolhimento dos Sem Teto neste país de Lulla e Dillma, tal como foi no de Collor e FHC, é deficitária, ano a ano, em relação aos que passam a necessitar de amparo social.
 
Afirmo, sem medo de errar, que nesta faixa dos "até R$ 120 / mês" temos cerca de 40 milhões de brasileiros (quem viaja o Brasil, como eu, sabe que esta é uma faixa provável). Colaborando com a elucidação sobre os dados do próprio IPEA, rumamos para a faixa dos que recebem entre R$120 e R$ 250. Alerto que considero, assim como o governo, TODOS os brasileiros, inclusive crianças, que "repartem o salário de seus pais, para a conta per capita".
 
Assim, temos perto de outros 40 milhões de brasileiros nesta faixa de R$ 4,00 a pouco mais de R$ 8,00 ao dia, que podemos considerar apenas miseráveis, sem adjetivos. Vejam bem o que seria de suas vidas se cada um que lê este artigo tivesse este dinheiro por dia, mesmo excluindo tudo aquilo que não faz parte da sobrevivência física imediata.
 
De posse então da análise da vida econômica de cerca de 100 milhões de brasileiros, passemos adiante.
 
Agora analisaremos a faixa que vai de R$ 250 a R$ 545 ao mês (de pouco mais de R$ 8 a cerca de R$ 16 ao dia). Estes, a ex-esquerda Corporation chama de pobres, assim, sem adjetivos. Uma singeleza... Estes somam cerca de 40 milhões de brasileiros, ou algo muito próximo a isso.
 
Assim, no país pós-Lulla e de Dillma, 140 milhões de brasileiros estão na faixa de ATÉ R$545 ao mês, divididos equanimente nas três faixas descritas acima. Apenas, diferentemente do pessoal que nos governa, eu as nomeio Indigência Sócio-Econômica, Iniqüidade Econômica e Pobreza Extrema, respectivamente.
 
Agora, vamos nos ocupar daqueles que o governo considera de "classe média", por receberem de 1 a 4 salários mínimos por mês, isto é, cerca de R$ 16 a R$ 64 ao dia, mostrando-nos que "não se faz mais classe média como antigamente". Uma classe média sem poupança e com 25% de inadimplência ao farto crédito com juros escorchantes embutidos. Além de gastarem parte dos seus parcos proventos em planos de saúde, transporte e educação. Aí estão mais cerca de 30 milhões de brasileiros.
 
Passemos agora um pouco mais para cima da tal Pirâmide Econômica. Estamos na faixa dos 4 a 10 salários mínimos, que antes eram chamados de classe média remediada, mas agora têm a alcunha de classe média alta, quase ricos. Estes existem na razão de cerca de 15 milhões de brasileiros, ou alguém aí vai contestar? Estes, se não têm problemas agudos, sabem que, no dia em que se aposentarem, vão perceber no máximo 3 salários mínimos de referência, do INSS, pelo qual descontaram pelo máximo e dificilmente acumularão bens e rendimentos.
 
Assim, temos cerca de 175 milhões de brasileiros que recebem de quase nada a algo em torno de 10 salários mínimos, em proporção inversamente proporcional ao aumento dos ganhos.
 
Podemos ainda colocar cerca de 10 milhões que recebem de 10 a 20 salários mínimos (R$ 5545 a R$ 11090), somando então 190 milhões de brasileiros nestas faixas todas, sendo que, acima de R$1300 ao mês inicia-se o desconto progressivo do imposto de renda, de 7,5% a 27,5%.
 
Estes, do parágrafo acima e do anterior, eram considerados a classe média de antigamente. Os tempos mudaram e os governantes também... Mas a porcaria só fede cada vez mais.
 
Assim, sobram os despreocupados que recebem mais de R$ 12 mil por mês (*) e o Eike "X" Batista que parece ser, sozinho, uma classe econômica... -ESTES PERFAZEM NO MÁXIMO 5 MILHÕES DE PESSOAS, SE TANTO.
 
Estes, senhores e senhoras que conhecem aritmética básica (coisa que os do governo parecem não saber), é o resultado de oito anos e meio em que se mantém a transferência de renda anual para os ricos, de cerca de R$ 300 bilhões – segundo os dados do PNUD avalizados pelo IPEA. Dez vezes mais do que para os pobres, fora o caixa dois e o Pré Sal, transformando esta safadeza no "maior feito social de todos os tempos".
 
Desconsideram que os empregos na indústria claudicam, que nosso parque industrial idem, que a exoneração de nossas riquezas naturais é algo avassalador, à custa da alienação popular.
 
Podem enganar muitos por muito tempo. Mas não a todos o tempo todo...
 
(*) Lembrando que, para que cada membro de uma família de quatro pessoas receba R$ 12 mil por mês, o total de ganhos por lá tem de ser de R$ 48 mil por mês.
 

Raymundo Araujo Filho é médico veterinário homeopata e se obriga a fazer as contas que o governo faz e esconde; e aqueles que deviam fazer não fazem e se escondem.
 

7 de mai de 2011

GERONIMO É O SÍMBOLO VIVO DA REBELDIA CONTRA A OPRESSÃO DA BURGUESIA ESTADUNIDENSE E DEVE SER PERPETUAMENTE EXECUTADO

Antonio Carlos Mazzeo

Acordamos com as novas revelações sobre as ações estadunidenses que culminaram no assassinato de Bin Laden. As notícias, apesar de estarrecedoras - torturas em Guantanamo, invasões de território estrangeiro, execução sumária do inimigo desarmado e já dominado, violência armada contra mulheres e crianças - , não constituem novidades em se tratando dos EUA, com larga trajetória de mentiras e violência para fundamentar e legitimar suas agressões imperialistas. At last but not list , a nota chocante é o "codinome" atribuido ao maior inimigo dos EUA depois de Hitler..... Geronimo!
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Geronimo foi um dos três grandes chefes dos povos originais norte-americanos da região do México e do Novo México (dentre eles, os Jicarillas, os Mescaleiros e os Chiricahuas, e ainda os Kiowa, White Mountain e os Tontos), juntamente com Cochise e Mangas Coloradas (Dasoda-Hae), a quem os estadunidenses e a elite mexicana chamavam genericamente de Apaches. Geronimo foi o mais aguerrido líder dos povos originais da região, que combateu tanto o governo estadunidense como o mexicano em defesa de seus territórios. Preso em 1886, acabou morrendo de pneumonia em 1909, na prisão insalubre do forte Sill, em Oklahoma.
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Historicamente, os governos estadunidenses jamais reconheceram a legitimidade da luta dos povos originais pela integridade de seus territórios e de suas culturas. Ao contrário, todo o esforço foi e continua sendo o de estigmatizar e criminalizar a resistência desses povos. Não somente no período em que reprimiram duramente as rebeliões indígenas como contemporaneamente. Há que se recordar que o tratamento dado a esses povos foi o mais cruel e antirepublicano possível. Lembremos, como exemplo, que o chefe Mangas Coloradas foi aprisionado e morto sob tortura, em 1863.
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Essa postura em relação aos Povos Originais e a não coincidente atribuição a Bin Laden o codinome de Geronimo nos possibilitam refletir sobre a característica do liberalismo presente na tradição estadunidense. Tanto Marx como Weber viam os Estados Unidos da América como a expressão mais acabada do liberalismo. Marx, na perspectiva do desenvolvimento possível e limitado da emancipação política burguesa; Weber como o tipo ideal perfeito do racional-legal da modernidade, porque ao liberalismo acrescenta-se a ética protestante.
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Mas é exatamente esse elemento da ética protestante que marca a diferença, quando analisamos a trajetória política estadunidense. Não que em países de tradição católica o liberalismo apresentou-se com rosto mais hominizado. Como ressaltou Bobbio, na maior parte de sua história o liberalismo não foi democrático, pois o liberalismo em seus inícios legitimou a escravidão e depois o desfrute do trabalhador assalariado. Mas voltando aos EUA, como enfatizou Losurdo, Tocqueville quando analisou a democracia na América, excluiu e segregou os que já eram excluídos e segregados, quer dizer, os negros e os índios, ignorando a construção da democracia dos senhores. Melhor dizendo, a democracia timocrática materializada na alternância de poder de dois partidos, o Republicano e o Democrata, ambos fundados e no poder desde o século XIX.
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Os EUA como nenhum outro país vinculou o liberalismo com imperialismo, aprofundando a mistificação da concepção igualitária genérica, "pecado original" da forma societal burguesa, já evidenciada por Marx em seus escritos de juventude. O liberalismo, como face político-ideológica da forma societária burguesa em sua fase imperialista, amplia a desigualdade da democracia formal para o plano internacional. Se originalmente a estrutura societal do liberalismo implica na situação de cidadão de vida pública e de burguês ou proletário na vida privada, com o imperialismo essa condição transforma-se em cidadão do núcleo central do capitalismo e cidadão de segunda classe das periferias. Ambos explorados, ambos fragmentados em classes sociais, mas os da periferia com quase nenhum direito do que deveria ser a igualdade genérica.
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Mesmo nos EUA o assim chamado "Estado de direito" não é plenamente aplicado. Apesar da emergência de um segmento da população negra à condição de pequeno-burgueses e mesmo burgueses, integrados na estrutura produtiva capitalista e em sua ordem jurídico-política, em sua maioria esmagadora, negros, índios e latinoamericanos continuam à margem da plenitude da democracia dos senhores, em que pese a presença de um negro na presidência da república, que age politicamente em consonância com os clássicos interesses da timocracia branca estadunidense.
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O emblemático, no caso da ação contra Bin laden, é ter sido atribuído ao inimigo mortal dos EUA o nome de Geronimo, eterno ícone da rebeldia e do inconformismo, inimigo de morte da plutocracia burguesa estadunidense. Esse fato expressa como o núcleo burguês ainda vê e trata os trabalhadores, em particular, os não WASP (brancos, anglo-saxões e protestantes). Nunca perdoaram os negros rebeldes, condenados tanto pela estrutura jurídica estadunidense como pela Ku Kux Klan. Não perdoaram os 8 mártires de Chicago assassinados em 1886, não perdoaram e executaram os líderes operários Sacco e Vanzzetti, montando a farsa de um crime que nunca existiu. Executaram em processo forjado o casal Rosemberg, assassinaram Malcolm X e tantos outros.
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Geronimo é um símbolo vivo que encarna a rebelião contra a opressão e por isso mesmo deve ser perpetuamente executado. Na lógica perversa da burguesia estadunidense prevalece a lei bíblica do olho por olho, onde a ética protestante fundamentalista mistura-se com a visão mítica de "povo" eleito para defender a "liberdade" e o "direito" de ser burguês e de oprimir os povos.

grifo meu (PK)
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