9 de nov de 2013

O Velho - A História de Luiz Carlos Prestes

O "Velho", documentário de 1997, dirigido por Toni Venturi, é a história de um mito, de um homem que encarnou uma causa, um comunista convicto que carregou ideais. São setenta anos de história brasileira, de Luiz Carlos Prestes, comandante de uma extraordinária e revolucionária marcha, que entregou a vida a uma causa social, e foi uma das figuras principais da América Latina, e uma das mais perseguidas do século XX. Uma história da esquerda brasileira. Um filme que resgata utopias e ideologias que em tempos atuais, com a humanidade mais preocupada com o próprio umbigo, transformaram-se em pó.

Tamára Baranov




 

Desde cedo Prestes forjou um grande caráter. Com a morte prematura do pai, Dona Leocádia e uma das irmãs trabalhavam fora, a outra fazia os trabalhos domésticos. Só Prestes teve o privilégio de estudar e queria corresponder aos esforços que faziam por ele. Já oficial Prestes ia todas as noites esperar a mãe, na volta do trabalho, no jardim do Meier, para acompanhá-la até em casa. Durante toda a sua vida Prestes manteve esse senso do dever.


Não era um homem expansivo, mas enquanto tenente e capitão do Exército tratou seus comandados quase com carinho. Por onde serviu criou escolas, desde alfabetização até a preparação para o concurso a sargento, escolas em que lecionava sozinho e preparando “professores” para alfabetização; cuidou da educação física, da instrução militar e da alimentação, que compartilhava com os soldados.


Quando a Coluna esteve na Bolívia, Prestes ficou por lá até que o último soldado tivesse ou voltado ao Brasil com segurança e algum dinheiro ou ficado na Bolívia trabalhando. Prestes foi um homem adorado por seus soldados justamente pelo calor, pela proximidade que fazia com que conhecesse o nome de cada soldado da Coluna, seu apelido e seus problemas. Que tinha uma preocupação real, não demagógica, com cada um deles.


Independentemente das transformações políticas porque Prestes passou, foi o período da Coluna e sua ação militar que o transformaram em herói nacional. O lendário Cavaleiro da Esperança é o tenente revolucionário, o comandante da Coluna, não o dirigente da insurreição de 1935, nem o senador da República e muito menos o secretário-geral do PCB.



O fracasso da insurreição de 35 foi, por muitos motivos, extremamente doloroso para Prestes. Além da derrota política, perdeu sua mulher, viveu a incerteza sobre o destino de sua filha, viu seu amigo Berger enlouquecido pelas torturas. Foi preciso muita força de caráter para superar essa etapa de sua vida. Num ambiente em que a coerência moral e política eram limitadas, Luís Carlos Prestes ocupou um espaço excepcional, encarnando a dignidade ausente. O que tornou Prestes a figura notável que foi deve-se a ele ter escolhido o caminho da realização plena de sua humanidade, de sua liberdade, caminho que ele escolheu desde sempre.



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