24 de jan de 2011

Para onde foram todos os comunistas?

por James Thompson [*]


Para onde foram todas as flores?
Letra e música de Pete Seeger


Para onde foram todas as flores?
Muito tempo passou
Para onde foram todas as flores?
Há muito tempo atrás
Para onde foram todas as flores?
Garotas colheram cada uma delas
Será que alguma vez aprenderão?
Será que alguma vez aprenderão?

O resto da letra encontra-se em:
http://www.arlo.net/resources/lyrics/flowers-gone.shtml
Novos versos propostos:

Para onde foram todos os comunistas?
Muito tempo passou
Para onde foram todos os comunistas?
Há muito tempo atrás
Para onde foram todos os comunistas?
A liderança a liquidar o nosso partido por toda a parte
Será que alguma vez aprenderão?
Será que alguma vez aprenderão?

Liquidação do Partido

Muito tem sido escrito acerca dos não tão sutis esforços da liderança nacional do PCEUA para liquidar o Partido sob a máscara de uma retórica sublime que afirma salvá-lo. A coroa de glória deste esforço surgiu num artigo recente de C. J. Atkins na [revista] Political Affairs advogando a mudança do nome do Partido.

Isto, pela primeira vez, provocou uma vitoriosa oposição à lenta tortura mental da água administrada pela liderança nacional aos muitas vezes ignorados e desprezados membros do Partido. Contudo, esta proposta não deveria ser um choque para os seus membros pois ela segue o padrão estabelecido pela liderança de topo ao longo destes últimos anos.

Apenas uns poucos lembretes incluiriam o alijar do papel de vanguarda do Partido, a dádiva maciça dos preciosos arquivos do Partido a uma universidade privada [NR] e o encerramento da sua tipografia, cessando a publicação impressa do jornal do Partido, o fecho de livrarias e a travagem na publicação de panfletos, documentos de posição ou outros documentos que poderiam ser utilizados para a construção do partido.

A linha ideológica do Partido agora pode ser caracterizada como encorajar os seus membros a serem fãs entusiásticos do Partido Democrata.

Não há mais comunistas

Enquanto isso, qualquer posição progressistas que se desvie ligeiramente das posições da administração Obama é caracterizada pelo gabinete da liderança nacional como "ultra-esquerda", "trotzquista", "anarquista", ou pior. Num esforço para jogar fora o bebé com a água do banho, a liderança nacional caracterizou Estaline como uma "abominação".

Contudo, quem são as pessoas que têm advogado uma mudança no nome do Partido? Quem são as pessoas que têm amaldiçoado Estaline todos estes anos? Os trotsquistas e ultra-esquerdistas, naturalmente, têm utilizado (ai de nós, super-utilizado) estas tácticas desgastadas para atacar o partido. A liderança nacional do Partido parece querer usurpar estas tácticas da ultra-esquerda.

Em Houston, um anarquista compareceu a algumas das nossas reuniões. A primeira coisa que saiu da sua boca foi um pedido de que o clube de Houston submetesse à liderança nacional uma resolução advogando deixar cair o nome "Comunista". Quando discutimos os seus pedidos de um modo racional, dialéctico, ele retirou-se e nunca mais voltou às nossas reuniões.

Numa recente e desgostante troca de mensagens e-list, a liderança de topo invocou um documento de Lenine intitulado "Estranho e monstruoso" .

A liderança sustenta que este documento proporciona a lógica de fazer concessões à direita quando o movimento está sob assalto e a enfraquecer.

Contudo, uma leitura mais sóbria das palavras nas quais Lenine correctamente objectou a que "No interesse da revolução mundial, consideramos adequado aceitar a possibilidade de perder o poder soviético o qual está agora a tornar-se puramente formal" sugere que Lenine estava a reagir ao desejo da ultra-esquerda de destruir o estado soviético (isto é, descartar o Partido Comunista) por razões vagas e efémeras.

A distorção da liderança nacional nesta excelente polémica é instrutiva quanto à sua actual linha de pensamento. Lenine não advogou mudar o nome do Partido Comunista ou recuar sobre o apoio do Partido ao povo trabalhador. O artigo era acerca de tácticas militares as quais eram necessárias para preservar o poder soviético e o Partido Comunista. Não havia nada no artigo a sugerir que alguém devesse abandonar a ideologia do partido ou a sua linha política.

É na verdade "estranho e monstruoso" que a actual liderança tenha tomado passos para enfraquecer o movimento da maior classe trabalhadora que o mundo alguma vez já viu através do lento mas gradual desmantelamento do partido no país capitalista mais poderoso. As suas acções correspondem à posição do extremista no artigo de Lenine de sacrificar o partido e a sua ideologia no altar do pensamento idealista, isto, "a revolução mundial" expressa na nova linguagem "o trabalho dirigido, coligação de todo o povo".

Um exame mais atento das pontificações na e-list feitas pela liderança de topo mostra que o nosso líder ataca Robert Reich, Paul Krugman, Eric Foner e outros que ousam criticar severamente a administração Obama quando ela não apoia os trabalhadores. Estes comentadores estão a fazer o trabalho do partido enquanto a nossa liderança equivoca-se.

Algumas informações indicam que numa recente reunião da Comissão Nacional (National Board), a liderança do topo advogou rasgar a constituição do Partido e rejeitar a teoria marxista.

Houve relatos contraditórios sobre a convenção do Partido deste último Verão. Alguns indicam que foi um êxito espantoso. Outros indicam que foi um exercício de controle da multidão pois a liderança abarrotou [a sala] de gente através de um programa de ir a reboque dos Democratas a todo o custo. Muitos queixaram-se de que vozes da oposição foram silenciadas de um modo muito pouco democrático. Isto parece mais o modo como a Igreja Católica conduziria o seu negócio do que o Partido Comunista dos EUA. Os membros do PCEUA valorizam a ciência e a democracia ao invés da mitologia e da autocracia.

Se voltarmos ao artigo "Estranho e monstruoso" de Lenine, vemos que ele apoia fortemente a necessidade de democracia e o direito de os membros criticarem a liderança do Partido severamente.

O que é mais estarrecedor acerca da actual linha política é a confusão de Comunistas com Democratas, paz com guerra, Wall Street com Main Street, materialismo com idealismo, membros do Congresso com povo americano, internacionalismo com capitalismo global e marxismo-leninismo com keynesianismo. Não importa o que aconteça ao combate contra o racismo e pela igualdade entre todos os povos? Não importa o que aconteça à luta de classe?

Está perdido qualquer esforço para manter independência em relação aos Democratas, o que levanta questões perturbadoras acerca das diferenças, se é que há alguma, entre Comunistas e o Partido Democrata. Tais como:
  • Será que os Comunistas apoiam cortes fiscais para os ricos?
  • Será que os Comunistas apoiam guerras imperialistas por todo o globo para fortalecer o capitalismo?
  • Desistiram os Comunistas dos cuidados universais de saúde, educação universal e reforma de imigração?
  • Adaptaram-se os Comunistas ao complexo prisional-industrial e ao complexo militar-industrial, sempre em expansão?
  • Desistiram os Comunistas da Employee Free Choice Act e do direito de constituir um sindicato?
  • Querem os Comunistas aumentar a taxa de deportação de imigrantes?
  • Deveriam os Comunistas fechar os olhos ao racismo na esperança de aplacar o inimigo?
  • Deveriam os Comunistas esquecer as atrocidades cometidas pelo governo dos EUA contra o povo cubano?

O Partido Comunista tem uma história gloriosa de combate ao racismo como uma componente importante da luta de classe. A história recente do partido parece ter fechado os olhos aos efeitos devastadoras do racismo institucional sobre comunidades de cor. Mais uma vez, isto é feito em nome do "o trabalho dirigido, coligação de todo o povo".

Com a deterioração ideológica hoje vista no Partido, não é de admirar que os seus membros tenham minguado para quase nada.

Visão dos clubes

O que é que isto parece do ponto vista de um clube da base do PCEUA na quarta maior cidade dos EUA?

Os esforços para organizar e construir um clube em Houston têm sido sistematicamente contrariados e foram feitas tentativas de dividir os seus membros. Quando se pede ao gabinete nacional nomes de pessoas de Houston que contactam o Partido, não há resposta ou há franca hostilidade. A equipe no gabinete nacional que manuseia pedidos para a entrada no partido posiciona-se altaneira por trás dos seus procedimentos burocráticos, o que resulta em poucos nomes chegarem ao clube de Houston.

Recentemente, um líder do topo do Partido veio a Houston. Ele foi confrontado por vários activistas não do partido, os quais estavam estarrecidos pela recusa do partido em tomar uma posição de princípio sobre as guerras que têm sido ampliadas pela administração Obama e estão a drenar os recursos deste país no interesse do aumento dos lucros corporativos. Ele sustentou: "Obama não é um socialista, de modo que não podemos considerá-lo num padrão socialista". Ele parecia ter esquecido que nós somos socialistas e podemos considerar-nos de acordo com o "padrão socialista" ou, melhor ainda, o "padrão comunista".

O que fazer?

Nossa posição em Houston é clara. Não favorecemos o "reboquismo". Não favorecemos a "liquidação do partido". Não favorecemos uma mudança de nome. Não favorecemos o "reformismo". Não favorecemos a capitulação e o colaboracionismo de classe. Não favorecemos o "oportunismo de direita". Não somos anti-comunistas.

Ao invés de combatermo-nos, deveríamos estar a combater os elementos da ala direita na administração Obama, os republicamos e os fascistas do Tea Party. Contudo, se a sua liderança continuar a endossar acriticamente todas as políticas da administração Obama, devemos lutar a este nível antes de nos voltarmos para o inimigo externo.

Apoiamos a classe trabalhadora e tudo o que esteja envolvido na luta para elevar a classe trabalhadora a classe dirigente. Quanto a isto, não estamos dispostos a descartar o combate pela paz e contra o racismo, sexismo e toda forma de exploração e opressão para aplacar o inimigo na esperança de que façam um acordo.

Não estamos dispostos a abandonar o combate pelo socialismo, especialmente num momento em que o sistema capitalista está obviamente em apuros com uma taxa oficial de 10% de desemprego e inquéritos a indicarem que uma grande percentagem da população acredita que o socialismo é mais desejável do que o capitalismo.

Não estamos dispostos a esquecer o combate pelo direito a constituir sindicatos e pela educação e cuidados de saúde universais e, acima de tudo, democracia.

Não estamos dispostos a nos distanciarmos dos nossos aliados internacionais, incluindo Cuba. Não estamos dispostos a abandonar a construção de um Partido Comunista baseado na filosofia e nos princípios marxistas-leninistas.

Não estamos dispostos a abandonar o papel do Partido como vanguarda.

É nosso dever como o único partido da classe trabalhadora combater pelos interesses da mesma, os quais são os nossos interesses. Se nos esquivarmos ao nosso dever de defender os interesses da classe trabalhadora, apenas nos alienaremos mais da mesma e reduziremos nossa força colectiva.

Precisamos de uma revolução dentro do Partido para nos contrapormos às tendências regressivas e de colaboracionismo de classe na nossa actual liderança nacional e distrital. Todos os burocratas deveriam ser expulsos sem cerimónia pois são veneno para um partido democrático, da classe trabalhadora. Compadrio, carreirismo, amizades e relacionamento pessoal não deveriam entravar o caminho do desenvolvimento do partido. Como disse outrora um activista do Partido: "O Partido deve sempre vir primeiro!"

"Será que alguma vez aprenderão?", diz o refrão da grande balada anti-guerra de Pete Seeger.

Será que aprenderemos?

[NR] Ver Um momento de orgulho para o nosso Partido

O orignal encontra-se em mltoday.com/...

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


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