26 de dez de 2011

Uri Avnery: como a “esquerda pós-sionista” apoia a intervenção imperialista na Líbia

Uri Avnery define-se como um «pós-sionista». Fundou o Bloco da Paz (Gush Shalom) e milita a favor da “solução dos dois Estados (Israel e Palestina)”. Confirma-se como partidário do dispositivo militar estado-unidense/israelita no Médio Oriente. Apresentado como um ícone da esquerda radical israelita, Uri Avnery quereria ao mesmo tempo salvar o projecto sionista e reduzir o sofrimento dos palestinos. E, por outro lado, apoia a colonização da Líbia, desde que inclua um alibi humanitário.
 
 
Distanciando-se embora ligeiramente do seu conteúdo, o diário italiano Il Manifesto dedica integralmente a página 9 da sua edição de 2 de Novembro a uma artigo de Uri Avnery. O título sintetiza bem o conteúdo desse texto:

“Não” à intervenção dos Estados Unidos no Vietnam, no Afeganistão e no Iraque, mas “sim” à intervenção da aliança atlântica no Kosovo e na Líbia. Eu digo: “Bendita OTAN”.

Não me quero referir a argumentos que já abordei em múltiplas ocasiões anteriormente. Não vale a pena polemizar com um “democrata” que, ao legitimar até a guerra contra a Iugoslávia (desencadeada à margem de qualquer mandato da ONU), se posiciona de facto a favor da ditadura internacional dos Estados Unidos e da OTAN.

Valerá a pena sublinhar que este autor, entre as intervenções humanitárias consideradas legítimas, não inclui aquela que, seguindo a mesma lógica humanitária, poderia exigir-se contra Israel, responsável pelo interminável martírio imposto ao povo palestino?

Agora o que é de facto impossível deixar de mencionar é esta pérola de Uri Avnery. Escreve ele: “Oponho-me à pena de morte sob qualquer das suas formas. Repugnam-me as execuções, seja no Texas ou na China”. É uma pena que não mencione as execuções extra-judiciais que os EUA e Israel cometem diariamente e que têm desde há anos como alvo, em especial, qualquer palestino sobre o qual recaia a mais mínima suspeita de ser “terrorista” ou de ter pelo menos a intenção de opor algum tipo de resistência à ocupação. “A pena de morte sob qualquer das suas formas” parece-lhe “repugnante”.

Em todas as formas excepto a mais odiosa, a que se decreta fora de qualquer tribunal e fora de qualquer julgamento legal, e que frequentemente vem acompanhada por “danos colaterais”, ao custar também as vidas a parentes e amigos, mulheres e crianças incluídas, daqueles que são assim condenados à morte sem serem alvo de processo.

*Domenico Losurdo é professor de História da Filosofia na Universidade de Urbino (Itália). Dirige desde 1988 a Internationale Gesellschaft Hegel-Marx für Dialektisches Denken e é membro fundador da Associazione Marx XXIesimo secolo. O seu mais recente livro publicado é “La non-violenza, Una storia fuori dal mito” (Laterza, 2010).

Este artigo foi publicado por lahaine_org.htm

Fonte:http://www.odiario.info/?p=2320

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