5 de abr de 2010

Comunidade árabe e brasileiros se unem em ato do Dia da Terra na Palestina em Foz do Iguaçu

Autoridades iguaçuenses, estudantes e membros de movimentos sociais se uniram aos árabes para protestar contra a ocupação israelense

Em ato público na Praça das Nações (Mitre), membros da comunidade árabe de Foz e região celebraram ontem o Dia da Terra na Palestina (Yawm Al-Ard), que recorda os 34 anos de resistência a invasão de terras palestinas pelo Estado de Israel. A mobilização, realizada de forma semelhante em várias partes do mundo, teve a participação de membros de movimentos sociais, políticos, sindicalistas e autoridades iguaçuenses, entre elas o vice-prefeito, Chico Brasileiro. Em comum, todos protestaram contra a ocupação de Israel, que segue até os dias de hoje.

No Dia da Terra na Palestina, palestinos que ainda vivem nos territórios ocupados por Israel ou no exílio prestam solidariedade às vítimas de uma mobilização ocorrida em 30 de março de 1976. Na época, vários palestinos da Galileia — território ocupado pelo Estado de Israel, em 1948 — que se manifestavam contra a invasão foram reprimidos pelo Exército israelense com violência. Nos confrontos, mais de 90 pessoas foram mortas e 300 acabaram presas.

Causa

"Nesse dia, os colonialistas sionistas atacaram o povoado da Galileia e mataram muitos inocentes que defendiam suas terras e sua liberdade. Por isso desde aquele ano foi lançada esta data como Dia da Terra da Palestina. Hoje, como ato simbólico, as pessoas se unem seja aqui ou em qualquer outro lugar do mundo, palestinos ou não palestinos, como os brasileiros, para defender esta causa nobre", resumiu o xeque Mohsin Alhassani.

A causa à qual se refere é justamente a união do povo palestino, a volta dos refugiados para as suas terras, liberada pelo opressor e o fim do que considera genocídio. "E é neste aspecto que estamos aqui, para lembrar e elevar a voz dos palestinos para que se juntem a nós nesta marcha e nesta luta", disse o líder religioso.

Com os territórios ocupados, milhares de palestinos são mantidos com cerceamento dos direitos na Cisjordânia colonizada. Outros tiveram que se exilar na Jordânia, Líbano, Síria e países vizinhos. "Todos estão dispersados e não têm nem mesmo acesso a familiares e parentes para poder voltar às suas terras, o que lamentamos de coração. Por isso, defendemos que eles tenham esta volta"..

Iniciada em 1948, a ocupação israelense continua em andamento, a exemplo do recente anúncio de construção de assentamentos em Jerusalém Oriental. Este território, parte de uma área ocupada pelo Estado de Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, é tida como fundamental para o Estado Palestino, no futuro. Mesmo assim, as invasões seguem.

Como analisou Mohsin Alhassani, é visto por todo o mundo que "Israel tem atacado muçulmanos, árabes e palestinos. Tem matado, causado prejuízos e expulsado as pessoas de suas terras". No entanto, "infelizmente o mundo inteiro não está fazendo nada. Seja ocidental ou oriental. No mais é apenas repúdio, e no final não acontece nada", criticou.

Lembrando de outros conflitos onde há a pronta intervenção da ONU e das grandes potências da Europa, além dos EUA, "na Palestina ninguém mexe". "É como se os sionistas e israelenses não tivessem alguém para derrubá-los. Isso é o que lamentamos. Na verdade, chamamos os brasileiros e os demais povos que se interessam pela liberdade, igualdade, solidariedade e fraternidade, que se manifestem", conclamou o religioso.

União

A união, convocada por Mohsin Alhassani, pode ser notada durante o ato de ontem, quando dezenas de brasileiros estiveram lado a lado de membros da comunidade. Para Amer Mahmud, "é uma forma de resistência e de mostrar ao povo brasileiro o que se passa na Palestina". "As pessoas em sua própria terra não têm liberdade. Há bloqueios em cada cem, 200 metros. Queremos que sejam livres e tenham direito de ir e vir. Agora mesmo, Israel constrói assentamentos em Jerusalém Oriental. Ou seja, eles querem de uma vez tirar os palestinos da cidade"..

Para o jovem, os brasileiros estão na mesma causa: "Eles nos ajudam e ficamos gratos por isso".

Apoio

O vice-prefeito, Chico Brasileiro, disse que Foz do Iguaçu é um exemplo para o mundo sobre como se vive em paz e harmonia reunindo mais de 70 etnias. "Estamos aqui para expressar a nossa solidariedade à causa palestina", afirmou.



Para o organizador do evento, Jihad Abuali, a memória da data é hoje um retrato fiel da realidade vivida na Palestina. "O que aconteceu há anos é o que acontece ainda hoje. O que vemos não é lembrança, é o cotidiano da luta, da resistência pelo território", comentou. A principal referência atual está na determinação recente do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netaniarro, que estabeleceu a construção de 1.600 casas na Jerusalém Oriental.

Com o ato público que ocorre em várias partes do mundo, os palestinos desejam chamar atenção para a ocupação de seu território e pedir justiça. "Todos os anos fazemos esse chamamento para que o mundo saiba o quanto os palestinos têm sofrido com essa ação, com a invasão. O que queremos é liberdade e justiça para o povo da Palestina."

Para Abuali, hoje a principal indignação está relacionada ao posicionamento da Organização das Nações Unidas. "Israel nunca respeitou as resoluções da ONU, há décadas nunca respeita os limites."

Em Foz, a promoção do evento é assinada pela Sociedade Árabe-Palestina-Brasileira e deve reunir cerca de 400 pessoas. "Aguardamos palestinos, pessoas que não integram a comunidade árabe também estão convidadas, esse ato não tem nada a ver com religião."

Presidente

De acordo com Abuali, as declarações de apoio ao povo palestino, feitas pelo presidente Luiz Inácio lula da Silva, foram fundamentais. "Ele disse que os palestinos sofrem com o bloqueio, que classificou de cruel, feito por Israel."

No movimento em Foz, botons com a inscrição Palestina Livre serão distribuídos, e os lenços palestinos (hata) também serão utilizados. O lenço é conhecido como símbolo da resistência palestina.

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