10 de fev de 2012

ORGANIZAR O BLOCO PROLETÁRIO E POPULAR PARA DERROTAR O SOCIAL-LIBERALISMO DO PT


Greves nas PMs do Nordeste, em especial o impasse na Bahia, agora a greve que se constrói no Rio de Janeiro, envolvendo policiais militares, bombeiros e policiais civis, todos eles mal remunerados e pessimamente equipados, o desespero privatista do governo Dilma, o aprofundamento de alianças com setores reacionários da sociedade brasileira, as concessões cada vez maiores ao capital financeiro, ao agronegócio e aos monopólios nacionais e internacionais, colocam a nu a incapacidade do governo petista de construir uma alternativa fora da lógica de governança para o capital e de conciliação com a autocracia burguesa. A Frente com a burguesia e sua incorporação ao Bloco Burguês  revelou a incapacidade do PT de ser condutor de qualquer alternativa inovadora para o país.

A forma societal brasileira, de extração colonial, vem determinando a subalternização do novo ao velho, uma morfologia que repõe  a estrutura social no contexto de uma legalidade subsumida à uma burguesia cujo projeto político-econômico é integrar-se à economia mundial como agente complementar do imperialismo ou se quiserem, a afirmação de uma burguesia subiimperialista. O Moderno sem o Novo 

No âmbito sócio-político o preço que os trabalhadores pagam por essa opção genética de inserção subordinada ao capitalismo  internacional é altíssimo. Aliás sempre foi. As alternâncias de formas políticas, ora bonapartistas, ora autocrático-institucional nunca possibilitaram o avanço das forças populares e de auto-organização dos trabalhadores porque intrinsecamente voltadas à hegemonia dos blocos burgueses que se sucederam no poder, ao longo da história brasileira.

A campanha eleitoral de 2002 com a vitória de Lula, abriu a possibilidade de se romper com a trajetória da hegemonia das frações burguesas no Brasil e de colocar o poder em disputa, a favor das grandes massas trabalhadoras. Mas por sua debilidade estrutural e pela preponderância de um projeto político reformista e socialdemocrata-tardio, acabou levando  o PT para o Bloco Burguês, transformando-se num reacionário Partido da Ordem e do projeto subiimperialista. Um melancólico fim, para o que foi promessa de Novo, mas que acabou no Velho Irajá.               

Mas afirmar o que hoje é óbvio, isto é,  o reformismo e a conciliação de classe no DNA petista, não exime as esquerdas antagonistas de crítica. Mergulhada em debates principistas, a maioria das esquerdas que se assumem socialista e revolucionária, objetivamente pouco fizeram para colocar na ordem do dia de seus programas políticos a pergunta central:  Que Fazer ? Submersas nas imediaticidades das lutas pontuais e amesquinhadas, das disputas dos aparelhos sindicais e de questionáveis "mandatos parlamentares de esquerda"  olham para as árvores e deixam de ver o bosque à frente. De um lado, o "hegemonismo" sindicaleiro, centrado em setores não fundameitais da estrutura produtiva; de outro o cretinismo parlamentar e o principismo dos puros. De todos os lados, o hiato de hegemonia de um projeto revolucionário, evidenciado na incapacidade de construir um programa mínimo de unidade de ação.

Fica evidente a falta de proposta concreta frente aos problemas e acontecimentos políticos imediatos, como por exemplo, os que envolvem as mobilizações de policiais por melhores salários. Ainda que possam haver militantes de esquerda nessas mobilizações, os contatos políticos das principais lideranças desses militares estão sendo feitos com parlamentares burgueses, de partidos conservadores e reacionários, como o PR e o PSDB.   

Se a esquerda não consegue incidir hegemonicamente no segmento mais avançado do movimento operário, o que se pode dizer em relação às movimentações da soldadesca? 

No contexto do Que Fazer há que se dar respostas concretas para a situação concreta do país. Antes de mais nada a necessidade de construir uma Bloco Político de Classe, Socialista e Antagonista, que unifique as forças populares e de esquerda, que ponha a questão política dos trabalhadores no centro das discussões da sociedade brasileira, hoje, cooptada pela conciliação social-liberal do petismo. Não a política eleitoreira oportunista e personalista, ainda um cangro não extirpado da própria esquerda que se diz socialista, mas a política que prioriza a organização dos trabalhadores em organismos de luta e de construção de hegemonia, como sindicatos classistas, movimentos sociais de luta, como setores do MST e do MTS, movimentos populares de gênero, movimento estudantil, etc.

O Bloco Proletário-Popular a ser construído deve priorizar a organização e a luta, e como mote essencial, o socialismo. Nas contradições da luta de classes do Brasil hodierno ou organizamos a classe com unidade revolucionária, ou seremos responsáveis por mais uma derrota do proletariado. Esse é o nosso desafio. Essa é a tarefa.  


GRIFO MEU (PK)
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