22 de jan de 2012

Acompanhamos jornada de luta: Polícia Militar ignora sentença e promove massacre no Pinheirinho

Diário Liberdade - [Atualizado 20h30] De maneira inesperada e ilegal, a Polícia Militar de São Paulo iniciou a invasão e o despejo dos moradores da comunidade do Pinheirinho. Na operação, que pegou de surpresa os moradores, participam cerca de 2 mil policiais militares, incluindo a Rota e Tropa de Choque, que utilizam blindados, helicópteros, cavalaria, armamentos letais, balas de borracha e gás lacrimogêneo e pimenta.

Segundo moradores que informaram a Agência de Notícias das Favelas, podem haver sete mortes. Um diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos afirma que há 5 civis mortos, um policial e um morador em estado grave. Celulares, telefones e internet foram cortados. Crianças e idosos estão cercados no interior da ocupação e o advogado da ocupação, Toninho, foi atingido por bala de borracha e foi preso. A informação que nos chega direto do Pinheirinho é que todas as lideranças e principais ativistas envolvidos na resistência foram presos, alguns brutalmente espancados, como testemunhou um de nossos colaboradores. O clima é de guerra civil, um massacre.

Atualização de 20h30: Segundo Diário Liberdade apurou com Pedro Santinho, um dos dirigentes da Fábrica Ocupada Flaskô que está acompanhando o massacre do Pinheirinho in loco, não há confirmação oficial da morte da mulher, mas ela recebeu pelo menos um tiro a menos de 5 metros, quase a queima roupa, quando estava cercada por vários policiais, e foi carregada desacordada e sangrando para a ambulância. O hospital local já confirmou três mortes.
Atualização de 20h15: Em uma assembleia organizada pelas lideranças da comunidade do Pinheirinho, o dirigente Marrom confirmou que são sete mortos, entre elas, uma criança de três anos. Uma mulher perdeu o filho durante a desocupação. Segundo Marrom, o governo federal pediu intervenção mas o comandante da Polícia Militar não obedeceu. Portanto, retificamos a informação que nos foi passada anteriormente de que uma grávida estaria entre os mortos, pois não foi mencionada nesta assembleia.

Atualização de 19h45: Informação dada pela Fábrica Ocupada Flaskô: Segundo Pedro Santinho, que está em frente ao Pinheirinho, ele relatou transtornado, por telefone, que a polícia acabou de matar uma mulher à tiros na área de triagem em frente, onde várias pessoas estão confinadas. Uma ambulância a levou.

Atualização de 19h35: Na capital paulista, o movimento de protesto e solidariedade à ocupação Pinheirinho, que tomou conta de todas as faixas da Avenida Paulista no sentido Pacaembu nas últimas horas, está agora em torno de 150 a 200 pessoas e em função da forte chuva tornou-se difícil de se organizar. Apenas três viaturas, com cerca de dez policiais, foram empregadas para acompanhar a manifestação. O movimento, que se reuniu no vão do MASP desde 17h, chegou a ter mais de 300 participantes. O movimento, que estacionou em frente ao Tribunal Regional Federal, realizou ali uma série de intervenções de dirigentes sindicais, estudantis e de movimentos sociais diversos.

Atualização de 19h20: Marrom, um dos líderes da comunidade do Pinheirinho, confirmou a morte de três pessoas durante o massacre operado pelas forças policiais às 6h da manhã. Uma grávida e dois moradores. Ainda não há os nomes e nem confirmações de entidades oficiais.

Atualização de 19h05: Neste momento os moradores se aglomeram atrás das grades onde estão confinados e assistem os tratores passando por cima das casas. Os moradores que gritavam contra o trator são respondidos com tiros de balas de borracha, enquanto fios elétricos estão sendo cortados dos postes pela empresa responsável junto com a Polícia Militar. Os moradores resistem atirando pedras contra a polícia, que protege o trator que destrói as casas. A trilha sonora, segundo informa Felipe Milanez, é de helicóptero, tiros, pedras no chão, o trator ao fundo e muitos gritos e tiros. Felipe relatou inclusive que a polícia jogou bomba de gás lacrimogêneo onde havia visto mulheres e crianças se escondendo, seguido de muitos gritos de crianças e mais sons de bombas. Na sequência a polícia atacou moradores que estavam fazendo recadastramento. Segundo informou o jornalista, no local onde estavam sendo encaminhadas as pessoas foram jogadas bombas de lacrimogêneo, provocando mais pânico, choros e gritos entre os moradores. Enquanto isso, a polícia segue jogando pimenta no local para expulsar os moradores do local onde haviam sido encaminhados.

Atualização de 18h50: Um de nossos colaboradores no Pinheirinho informa que, além do massacre ocorrido logo às 6h da manhã, moradores e moradoras do Campo dos Alemães, uma vila localizada ao lado da comunidade do Pinheirinho, foram às ruas armados e enfrentaram as forças policiais em solidariedade à ocupação. Este confronto foi intenso e há suspeita de que possa ter morrido muitas pessoas, já que tanto moradores quanto policiais utilizaram armas letais. Vários moradores e dois guardas municipais foram gravemente feridos.

No Pinheirinho há confirmação que o morador Buiú foi ferido gravemente e há suspeita de que ele possa ter falecido no hospital, já que sofreu um tiro que atravessou a barriga e as costas.
Atualização às 18h30: Um colaborador de Diário Liberdade que está na Avenida Paulista participando do protesto convocado em solidariedade à luta e resistência dos moradores da comunidade do Pinheirinho, em São José dos Campos, relatou que há cerca de 300 pessoas na manifestação e tomaram todas as pistas da Avenida no sentido Pacaembu. A chuva aperta e os manifestantes se negam a liberar uma faixa, como a polícia solicitou. Os manifestantes marcham rumo ao Tribunal Regional Federal.
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Atualização às 17h45: Outro colaborador do Diário Liberdade nos ligou informando que os moradores confirmam três mortes, sendo uma delas de uma grávida que faleceu ainda na comunidade do Pinheirinho. Ele informou também que a dificuldade da apuração destas informações se dá em função dos principais dirigentes ou por estarem presos, ou por terem sido feridos, o que deixou os moradores com menos capacidade organizativa.
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Atualização às 17h10: Nosso repórter confirma que houve uma morte e muitos feridos, mas continuam as dificuldades de se apurar. Um líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) chamado Guilherme Boulos foi espancado por mais de dez policiais até ficar completamente ensanguentado e está gravemente ferido. Um sindicalista sofreu um tiro de bala de borracha na face e está no hospital. A Guarda Civil Municipal está coordenando a repressão e a polícia está usando pistolas letais e mirando e atirando em moradores que resistem, além de dar tiros ao alto para dispersar a resistência popular. Ao início da repressão, pela manhã, os helicopteros atiraram balas de borrachas e gás pimenta contra crianças e moradores. No total, há 16 moradores e ativistas presos, confirmados oficialmente.
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Atualização às 16h30: Neste momento a Polícia Militar está deslocando forçadamente os moradores para um acampamento de lona logo ao lado da comunidade Pinheirinho. Os moradores que tentam resistir estão sendo presos ou são alvejados por balas de borrachas. Um repórter de Diário Liberdade que está lá quase foi atingido e nos informou que a polícia está mirando na cabeça da resistência. Segundo ele, não há sequer condições para apuração e confirmação dos números de mortos (se há) e de pessoas que se feriram gravemente, dada o caos instalado no local.
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Neste domingo, por volta das 6h da manhã, sem aviso prévio, a Polícia Militar e suas Tropas de Choque atacaram a comunidade do Pinheirinho, numa operação para a desocupação do bairro ordenada pelo PSDB de Alckmin contra a os cerca de dez mil moradores pobres da região. Há resistência ativa das moradoras e moradores do Pinheirinho, no interior do estado de São Paulo. A polícia também ronda o Sindicato dos Metalúrgicos para impedir a chegada de solidariedade. Marrom, líder comunitário, está desaparecido e câmeras e celulares estão sendo apreendidos. As forças de repressão tornaram o local inacessível e foram convocadas as polícias de 33 municípios para promover o massacre.
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Há informações contraditórias de que políticos como o deputado Ivan Valante (PSOL), o senador Eduardo Suplicy (PT) e o líder socialista Zé Maria (PSTU) foram isolados pelas forças de repressão na Escola Edgar, que posteriormente foram desmentidas pelas assessorias de imprensa dos parlamentares que afirmaram que estavam em negociação na escola. Parte da imprensa afirma que o senador Suplicy não esteve no Pinheirinho hoje, e sim no sábado, mas o UOL confirma a detenção. Há jornalistas que confirmam que os políticos e os professores Almir Bento Freitas e Lourdes Quadros Alves também foram detidos na Escola Edgar. Almir e Lourdes são diretores do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal de São Paulo). Os deputados federais Paulo Teixeira (PT) e Carlinhos Almeida (PT) estão no local tentando uma negociação.
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A rede social Twitter, como já é procedimento padrão, retirou a hashtag #Pinheirinho dos Trending Topics, que estava em primeiro lugar na pauta brasileira. Após a reclamação de centenas de usuários, a empresa responsável retornou com a hashtag aos Trending Topics.
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Reintegração de posse ilegal
O Comando da Polícia Militar havia recebido uma ordem judicial determinando a suspensão imediata da reintegração de posse do Pinheirinho. A ordem foi assinada pelo juiz plantonista Samuel de Castro Barbosa Melo, da Justiça Federal, a mando do Tribunal Regional Federal. Portanto, a desocupação está descumprindo uma ordem judicial federal e é totalmente ilegal. A ordem de reintegração foi determinada pela juíza cível Márcia Loureiro.
A ordem de suspensão foi portanto anulada, já que um grande dispositivo policial participa na operação repressiva, na qual estão sendo utilizadas balas letais e balas de borracha contra as pedras jogadas pela população. O jornal O Vale informa de que no local se vive um clima de guerra, com todas as entradas barradas e controladas por efetivos da PM. Principais líderes populares já estão detidos, enquanto os moradores e moradoras fizeram barricadas com pneus ardendo para tentar deter o avanço da força repressiva.
A luta da comunidade do Pinheirinho
A comunidade do Pinheirinho é um terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados, situado em São José dos Campos, onde moram cerca de 10 mil pessoas desde 2004. A desocupação dos terrenos atende aos interesses dos capitalistas imobiliários e respondem à denúncia da empresa Selecta, do investidor libanês Naji Nahas, que deve R$ 15 milhões à prefeitura da cidade, sendo protagonizada pela Polícia Militar sob as ordens do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB).
Na terça-feira, dia 17 de janeiro, a Justiça Federal ordenou deter a desocupação, enquanto a justiça estadual reclamava a incompetência dos tribunais federais para julgarem o caso.
Manifestantes bloqueiam rodovia Dutra em solidariedade ao Pinheirinho
No quilômetro 154, cerca de 40 manifestantes bloquearam a rodovia Dutra, na direção Rio de Janeiro, em solidariedade aos moradores do Pinheirinho, veja foto ao lado. São cerca de 10km de engarrafamento e a Polícia Rodoviária Federal já está no local tentando retirar os manifestantes. Houve acordo entre os manifestantes e a polícia para efetuar a liberação de uma pista da estrada.
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Testemunhos audiovisuais
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Incorporamos a continuação três sequências em vídeo da invasão e da repressão no Pinheirinho no dia de hoje:









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