27 de mar de 2011

Dilma Rousseff – O governo de letrinhas miúdas

Diário Liberdade - [Laerte Braga] Quem estiver esperando críticas de Lula – por suaves que possam ser – ao governo Dilma Rousseff pode tirar o cavalinho da chuva. O ex-presidente já percebeu a fritura e decidiu, pelo menos por enquanto, buscar formas de imunizar-se ao óleo fervente despejado pela mídia privada, por setores do empresariado, latifúndio e de cambulhada o governo envolvido num processo de sedução que tanto passa pelo deslumbramento da presidente com o poder – alem do amadorismo – e um certo açodamento em se mostrar capaz de ser diferente de um poste confiável eleita não por Lula em si, mas pelos oito anos de governo do metalúrgico.
E enquanto puder aguentar vai fazê-lo, pois sabe que há um processo de desconstrução de sua imagem e seu fascínio sobre a maioria do povo brasileiro. E já percebeu que Dilma Rousseff entrou no esquema, ou como inocente útil, ou consciente que neste momento ela tem a força.
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O grande temor das elites é uma eventual candidatura de Lula em 2014 e por essa razão vão tentar de todas as formas manter o governo Dilma atento a questões sociais – aí num aspecto eleitoreiro, ao contrário de Lula – enquanto mudam e ajustam o que de fato se lhes interessa.
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As eleições presidenciais no Brasil foram marcadas por uma característica muito simples. De um lado os tucanos, ávidos de retomarem suas políticas de privatizações e submissão aos EUA e de outro Lula e sua candidata Dilma Rousseff. Nem mesmo a incapacidade de Dilma de se expressar com clareza em debates, em encontros – a não ser quando podia ler os discursos – foi capaz de atrapalhar. A força de Lula era maior. O eleitor estava votando na candidata de Lula. E Dilma reafirmando todos os compromissos de Lula.
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Boa parte da campanha presidencial Dilma Rousseff passou em silêncio, longe dos holofotes, acreditando na propaganda gratuita – sempre com Lula presente e em cima das conquistas do governo do ex-presidente – e nos debates o cuidado era evitar que a candidata derrapasse ou caísse nas armadilhas tucanas em crônica incompetência de comunicar-se (claro que ela vai superar isso).
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Esses dados não apenas gerais, serviram para que jornalistas venais como William Waack informasse ao Departamento de Estado o andamento do processo eleitoral no Brasil, como para que a mídia no seu todo – a mídia privada – tentasse até transformar uma bolinha de papel num míssil a atingir a cabeça de José Serra.
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Em todos os momentos o que se percebeu foi que Dilma era irrelevante no processo, mas Lula era a essência desse processo.
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Não se está aqui analisando o governo Lula, nem de longe. Ou seja, nem endossando o todo, nem criticando esse mesmo todo.
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Quem se der ao trabalho de pesquisar as atitudes de Dilma e suas posições quando ainda ministra chefe do Gabinete Civil vai encontrar posições completamente diversas das que vem adotando na chefia do governo.
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Nesses quase três meses mostra-se apenas uma leoa sem dentes – fama de brava -, presa a alianças espúrias e cerca dos piores elementos possíveis da política brasileira, como Nelson Jobim, como Moreira Franco (eu não consigo entender como foram ressuscitar essa múmia), Michel Temer e outros mais. Que por sua vez falam por interesses que não têm nada a ver com o Brasil e os brasileiros e muito menos com os compromissos assumidos pela candidata em praça pública, nas poucas que compareceu.
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Falo isso, pois os marqueteiros de Dilma, o próprio Lula, os caciques do PT, perceberam que quanto menos a candidata aparecesse ou falasse menor seria o estrago e menores seriam os riscos.
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Neste momento entra em cena uma das mais execráveis figuras da política e da história do Brasil. Fernando Henrique Cardoso.
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Todo o processo de avanços dos norte-americanos sobre o nosso País, principalmente depois do pré-sal, passou por amplas discussões com setores da mídia privada – volto a me referir ao jornalista William Waack –, as campanhas denuncistas de VEJA, FOLHA DE SÃO PAULO ( no lamentável episódio da ficha de Dilma) e ao jogo que sempre fez o grupo GLOBO, principalmente a partir do JORNAL NACIONAL, uma espécie de porta-voz dos interesses mais escabrosos dos EUA sobre o Brasil.
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Fernando Henrique Cardoso é um interlocutor privilegiado do governo dos EUA. Íntimo de Bil e Hillary Clinton, agora próximo de Obama (não tanto quanto de Clinton), tem trânsito livre junto a grandes corporações norte-americanas (é de absoluta confiança delas) e corre livre em relação ao seu partido no País, o PSDB. Acha que José Serra perdeu por não ouvi-lo (tem essa presunção de que é um semideus) e que Aécio, provável candidato tucano em 2014 é apenas um menino, vamos dizer, travesso, para não entrarmos em pormenores que estavam e constavam do dossiê Serra contra Aécio (quando ainda disputavam a indicação do partido) e que o jornalista Juca Kfoury – amigo de Serra – revelou num golpe preciso em sua coluna.
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O que Juca disse foi que por conta de substâncias estranhas, vamos com essa expressão, Aécio seria um novo Collor e não tinha condições de governar o Brasil.
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Tudo bem, até aí eu pulei do centésimo andar, estou passando pelo quinquagésimo e nada de novo aconteceu a não ser um vento diferente.
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Daí para baixo não. As coisas começam a mudar.
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FHC esteve nos EUA no período das festas de fim de ano. Passeou e conversou – principalmente conversou – com figuras do governo de Obama e lhe foi dada a missão de tentar aproximar-se de Dilma – falam a mesma linguagem, a acadêmica – e ver o que era possível fazer.
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É um dos gurus da presidente. Não está ainda no nível de convivência pessoal estreita, mas indireta e através de pastas e pastas de atos do seu governo levadas ao conhecimento da presidente. Fascinada com o nível intelectual do ex.
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O raciocínio que tentam impingir a Dilma e estão conseguindo é simples. Lula já cumpriu seu papel, no máximo agora uma espécie de reserva moral do País. Não há porque voltar. Se mudadas as políticas sociais do ex-presidente o governo Dilma vai para o brejo, razão pela qual é importante mantê-las. Mas, a política econômica e uma revisão na política externa atrelando o Brasil aos EUA é fundamental se levado em conta que, este o pulo do gato, o Brasil agora é uma grande potência e não precisa temer os EUA e seus apetites imperialistas.
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Pode virar uma Colômbia sem susto nenhum, vir a ser um parceiro privilégio da ordem terrorista imposta ao mundo pelos Estados Unidos.
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O argumento tem seduzido Dilma, FHC conta com aliados importantes no governo como Temer, Jobim, Moreira Franco, o chanceler Anthony Patriot e aqueles antigos amigos de Lula que hoje fingem que não viram o presidente quando cruzam na rua, procedimento comum, quase que matemático na política em todos os cantos do mundo.
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A criatura se volta contra o criador. No laboratório político de Lula alguma coisa deu errada, algum produto foi mal avaliado, a reação não foi percebida corretamente e nasceu um monstro do ponto de vista político. Dilma Rousseff.
O canto da sereia? FHC prepara-se para vender direta e indiretamente a Dilma a idéia que a solução real passa pela reeleição da presidente em 2014, afastando qualquer chance do ex-presidente, mantendo-o como reserva moral repito, ao mesmo tempo em que afasta um tresloucado como Aécio Neves e encerra de vez o ciclo José Serra (em fase de obsessão com as maracutaias que seu aliado tucano Geraldo Alckmin vem revelando durante o período do sábio tucano no governo do Estado).
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Serra passa o dia ao telefone pedindo a jornalistas e ameaçando revelar o quanto pagava a gente tipo Eliane Catanhêde para dizer que “é Deus no céu e Serra na Terra).
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Se alguém se dedicar a traçar com zelo e perspicácia o perfil real de José Serra vai perceber que se não fosse político o ex-governador de São Paulo seria um serial killer.
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Revelar que Dilma está caindo num buraco sem fim, consciente disso, mas caindo, que está metendo os pés pelas mãos e jogando fora o que houve de positivo nos oito anos do governo Lula não significa falar ou escrever que a direita, a mídia podre, estejam se regalando com isso. Calar significa, isso sim, aceitar que a mídia podre já se regala desde os contatos antes da posse entre o grupo FHC e a presidente.
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Aqueles que parecem ser uma coisa e são outra. Como Dilma.
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Ela e FHC falam a mesma linguagem, recheadas de asteriscos com explicações detalhadas embaixo, ao pé da página, têm a visão que são enviados para conduzir o Brasil a um destino grandioso e vai por aí afora.
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O governo Dilma Rousseff vai comendo pelas beiradas não o mingau da direita, mas o da esquerda. E o PT de determinados setores, os majoritários, torcem o nariz para qualquer intromissão ou participação de Lula.
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A sensação que o ex-presidente sente neste momento é a de ser um bagaço, espremido, usado e jogado fora pelos antigos aliados – boa parte deles –. E é evidente, porque se for depender de equilíbrio, uma no cravo e outra na ferradura, Dilma não sabe nem o que é isso, é um elefante em loja de louças.
Quem viver verá, desde os que estão aboletados em cargos públicos e pensam segundo a ótica do poder, até os inocentes que acreditam que os anjos vão cercar e ungir o Palácio do Planalto na missão divina de Dilma.
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Ah! Seria bom saber o custo do voto do Brasil contra o Irã. O que isso significa, para falar nos termos de Dilma, em investimentos de grupos árabes no Brasil e melhor ainda, dar conta de como vai ficar o projeto de irrigação do Rio Verde e Jacaré, na Bahia, tocado entre o governo Jacques Wagner e o governo da Líbia que investiu um bilhão de dólares em obras que arrastam a mais de uma década sem evoluir.
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O que isso significa? Que o pragmatismo de Dilma é o dólar que vem de Washington, ou seja, o do faremos tudo que o mestre mandar. FHC é meio de campo e joga com desenvoltura nesse esquema. Está ressuscitado também. Saiu do sarcófago.
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Por enquanto ainda convém manter algumas posturas aparentemente progressistas, até a hora de apertar a corda e deixar o corpo de Lula cair no alçapão que a direita e a mídia estão armando sob controle e batuta dos EUA e direção – aqui em nosso País – do novo xodó da presidente, o ex Fernando Henrique Cardoso.
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