11 de jun. de 2010

16º Congresso Sindical Mundial, a ser realizado entre os dias 6 e 9 de abril de 2011, na cidade de Atenas, Grécia

Queridos amigos,
 
Nos últimos cinco anos, desde o último Congresso, a FSM deu grandes e importantes passos.

A FSM existe! Está viva! Faz-se forte e luta!

A FSM conta atualmente com 200 sindicatos nacionais e setoriais em 110 países, com 72 milhões de membros! A força e o potencial da nova FSM não residem unicamente nas cifras, mas, sobretudo, em suas posições e ação, em sua estratégia, tática e iniciativas. Baseiam-se, principalmente, no grande papel de suas sedes regionais na Ásia e no Pacífico, na África, na Europa, na América Latina e no Oriente Médio. Baseiam-se também nas importantes iniciativas militantes dos sindicatos nacionais afiliados e das organizações setoriais da grande família classista das Uniões Internacionais Sindicais (UIS) dos ramos da Construção, Metalurgia e Transportes, Energia, Serviços Públicos, Agricultura e Alimentação, Finanças, Educação e Hoteleiro e de Turismo.

A dinâmica atual do novo rumo da FSM se reflete em suas posiciones claras nos organismos internacionais e sua participação ativa na luta contra todos os problemas atuais que afetam os trabalhadores.

A dinâmica da FSM tem como base a trajetória que segue desde a sua fundação em 1945, com seu caráter classista e de massas, seu internacionalismo e solidariedade, na capacidade de aceitar positivamente a crítica e a autocrítica sobre as suas debilidades e erros.

Queridos amigos,

O momento em que vivemos é um período de imperialismo agressivo, de novas políticas liberais antitrabalhistas e da crise econômica internacional do sistema capitalista. Esta crise manifesta-se em todos os setores: na economia, no plano social, no meio-ambiente, na qualidade de vida, na cultura e nas mudanças climáticas. As crises estão no DNA do capitalismo e, por esta razão, aparecem vez por outra. É impossível que o capitalismo resolva os problemas dos povos do mundo.

Basta observar o que ocorre na África: um continente rico em recursos naturais, mas com a população mais pobre. A expectativa de vida quando se nasce em Zâmbia é de 38,6 anos. Na Nigéria, o país mais rico em petróleo de toda a África, três quartos da população não têm onde morar. 
Segundo o informe da UNICEF 2010, 42% da população nigeriana não têm acesso à água potável, sendo a diarréia é a segunda causa principal de mortalidade infantil, provocando até 17% das mortes nos menores de cinco anos. Na Somália, os imperialistas exacerbam os conflitos. No Sudão, os EUA e seus aliados tentam desmembrar o país e no Saara Ocidental o problema continua. O salário mínimo mensal na África do Sul é de €104 para os trabalhadores agrícolas, enquanto que em Botsuana é de €43 por mês para os trabalhadores urbanos. Na Costa do Marfim, o salário mínimo varia segundo a ocupação, sendo o menor valor €56 mensais para o setor industrial.

Na Ásia, o panorama não é melhor: no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão, os EUA e os imperialistas europeus continuam sua ocupação e as operações militares. Ameaçam o Irã e saqueiam as repúblicas asiáticas da antiga União Soviética. Em Bangladesh, o salário-base é de US$ 26 por mês, no Sri Lanka US$ 59 e no Paquistão US$ 71.

No Oriente Médio, o tormento dos heróicos palestinos, libaneses e sírios continua. Israel, com o apoio essencial dos EUA, da União Européia e de seus aliados, ocupa ilegalmente as Colinas de Golan do lado sírio, amplia os territórios ocupados na Cisjordânia e mantém Gaza isolada, pratica assassinatos no Líbano e põe em risco a estabilidade e a paz no Mediterrâneo Sul Oriental.

Nos Estados Unidos a situação também é complicada.

Na América do Norte crescem o desemprego e a pobreza, alcançando nos EUA a taxa de 9,7% de desempregados.

A América Latina sente a agressividade de América do Norte. Surgem calúnias e ataques contra a heróica Revolução Cubana, provocações e ingerências contra a Venezuela, a Bolívia e o Equador, a ocupação no Haiti, e o apoio à ditadura em Honduras. Na Colômbia, nos últimos cinco anos, mais de 210 sindicalistas foram assassinados e o país está se tornando uma grande base militar estadunidense.

Da mesma forma, na Europa, o capitalismo cria e multiplica os problemas. Atualmente, os trabalhadores desempregados nos países da União Europeia são milhões. As maiores taxas oficiais de desemprego entre os Estados membros da UE, encontram-se na Letônia, com 21,7% e na Espanha com 19%. As privatizações, os ataques à seguridade social, a redução dos salários e das pensões são a estratégia comum de todos os governos europeus, tanto os neoliberais quanto os social-democratas. O Tratado de Lisboa mostra a atitude reacionária e o verdadeiro papel da União Européia. Em fevereiro de 2010, 23 milhões de trabalhadores na União Europeia encontravam-se desempregados como consequência da política de promoção e aumento da rentabilidade.


Lutas Importantes

A esta política do capital e dos imperialistas, a classe operária mundial respondeu com iniciativas e lutas em todo o mundo. Assim foram traçados novos caminhos na luta classista, mediante iniciativas como as manifestações realizadas por crianças no Paquistão contra a exploração infantil, a luta dos professores e dos eletricistas no México, dos pescadores e mineradores de carvão no Chile, dos trabalhadores metalúrgicos no Peru, dos trabalhadores da construção civil, dos imigrantes na França e nos EUA, dos trabalhadores do transporte aéreo e terrestre e da indústria automobilística em muitos países, dos trabalhadores da indústria petroleira na Nigéria, dos operários na Índia, a ação coordenada de militantes no Brasil e em Bangladesh ou ainda as dinâmicas greves ocorridas na Grécia, no Nepal, no Iraque, no Mundo Árabe, na África do Sul, em Portugal, na Turquia e em muitos outros países. Milhões de grevistas em todos os continentes, a participação de jovens, de mulheres e de trabalhadores imigrantes acenderam os ânimos, com uma nova dinâmica de luta e renovaram as esperanças. A FSM sempre está no comando! Na linha de frente da luta. E continuará assim, com unidade classista e perspectiva de luta. Contra as políticas dos monopólios e das multinacionais que criam a pobreza para a maioria e grandes benefícios para poucos.

A questão crucial

Desde o 15º Congresso, em Havana, sob as condições da globalização capitalista, apresentamos a pergunta crucial: nas circunstâncias atuais do mundo, que tipo de movimento sindical internacional a classe operária mundial precisa? Atualmente, nas condições de crise econômica internacional, esta pergunta é ainda mais pertinente e importante.
- Necessitamos hoje um mecanismo burocrático internacional que coopere com as multinacionais e o capital, ou uma Organização Internacional como a Federação Sindical Mundial, que decidiu avançar com base nos princípios, na cultura e nos valores do movimento sindical de orientação de classe?

- Necessitamos um mecanismo internacional burocrático que negocie e mostre compreensão em direção à abolição dos direitos dos trabalhadores, que esteja de acordo com as perdas dos direitos dos trabalhadores nas relações trabalhistas ou uma Organização Sindical Internacional como a FSM, que exige e luta pela satisfação das necessidades contemporâneas de todas as famílias da classe trabalhadora, por uma vida digna e de pleno direito?

- Necessitamos um mecanismo sindical internacional burocrático e agressivo que em seus discursos mantém a mesma distância entre as forças de ocupação israelenses e o povo da Palestina, que participa das calúnias contra Cuba, Venezuela e Bolívia, ou uma Organização Sindical Internacional como a FSM que, na teoria e na prática, segue os princípios e valores do Internacionalismo Proletário e da Solidariedade Operária?

- Necessitamos um mecanismo burocrático internacional que despenda grandes somas de dinheiro, que compre e venda sindicatos e sindicalistas, ou uma Organização Sindical Internacional baseada na ideologia, em sua estratégia política e social?

Una-se a nós, você está convidado!

Una-se a nós no 16º Congresso Sindical Mundial para dar-nos sua opinião, para expressar livremente suas críticas, para decidir em conjunto e traçar a perspectiva do movimento sindical para o século XXI. Para abrir novos horizontes para a nossa classe e nossa estratégia de ação humanitária.

Una-se a nós. Una-se a esta corrente que nasceu e cresceu com a classe operária em seus países. Pessoas que não venderam seus princípios e valores. Venha conhecer verdadeiros irmãos e irmãs. Juntos podemos conseguir muito mais. Una-se a nós, torne-se membro da grande família da FSM e participe dos organismos e da direção da nossa organização.

Venha conosco como um amigo, ainda que não concorde totalmente com a FSM.

No novo rumo da FSM há lugar para todos os lutadores. Todos juntos lutaremos pelo fim da exploração do homem pelo homem. Por um mundo livre de injustiça, pobreza e guerras.

Está convidado. Confirme já a sua participação.

Para mais informações, contate-nos pelo endereço eletrônico:


O Secretariado

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10 de jun. de 2010

A FSM APOIA O III ENCONTRO SINDICAL NÒSSA AMÉRICA

A Federação Sindical Mundial declara seu apoio ao III Encontro Sindical Nossa América, que será realizado em Caracas, Venezuela, de 22 a 24 de julho de 2010. Os afiliados e amigos da FSM são os protagonistas desta iniciativa desde seu início e continuam desempenhar este papel fundamental. Uma vez mais, conclamamos todos os nossos afiliados e amigos das Américas para que trabalhem de maneira ativa e eficaz para o êxito do III Encontro Sindical Nossa América.

O III ESNA realiza-se no marco da pior crise econômica global do sistema capitalista. Sob estas circunstâncias, devemos continuar fortalecendo a unidade de nossas forças e a ação coordenada. Hoje mais do que nunca, quando, usando a crise como desculpa, há um ataque generalizado às conquistas históricas dos trabalhadores, mediante medidas antissindicais, antitrabalhistas e antissociais em diversos países de todo o mundo.
Valentin Serov - Trabalhadores, despertai! 
 
Vivemos uma época de crise global do capitalismo. Esta crise abrange todos os setores da economia: a sociedade, a cultura, o meio-ambiente e a política. A forte competição intercapitalista, principalmente entre os EUA e a União Europeia, pelo controle de novos mercados e de novas esferas de influência, assim como a guerra entre o euro e o dólar, aumentam os problemas dos trabalhadores, desempregados, indígenas e camponeses sem terra. Já a União Europeia, orgulha-se de ser a maior “investidora” na América Latina.

Sem dúvida, constatamos na América Latina o crescimento da pobreza, do desemprego e das desigualdades de classe. Sem contar o aumento da dívida dos países e do armamento militar. A crise do capitalismo golpeia especialmente os jovens, privando-lhes de um futuro melhor. Gera desemprego e baixos salários e fomenta privatizações nos setores da educação, saúde e seguridade social. O impacto na cultura, civilização, história e tradições dos povos também é bastante grande, principalmente através dos meios de comunicação nacionais e internacionais controlados pelos capitalistas, que povoam com mentiras as mentes dos cidadãos, publicando falsos livros de história que prejudicam a consciência das novas gerações.

Todas estas contradições se expressam na região da América Latina e Caribe, onde as multinacionais e os monopólios exploram os recursos produtivos de todos os países. O pesar dos capitalistas pela pobreza e a fome é falso e hipócrita. Eles acreditam e adoram um só deus: o beneficio econômico. Sendo que o capitalismo é o grande responsável pela contaminação ambiental global e as mudanças climáticas.

Simultaneamente, a agressão imperialista na região é contínua e reforçada. A ditadura em Honduras, os assassinatos de milhares de lutadores sociais pela aliança Uribe-multinacionais na Colômbia ou o grande dano o causado pelo FMI na Argentina. O Haiti, após o terremoto devastador, sofre praticamente uma ocupação militar. No México sindicatos combativos são fechados. Continuam as calúnias contra a Venezuela, a Bolívia, o Equador, etc. O embargo fascista contra Cuba também continua e, de fato, a União Europeia está impulsionando as calúnias contra o povo cubano. Os imperialistas temem a Revolução Cubana, suas ideias e sua força. Todas estas “conquistas” imperialistas são resultado das políticas dos EUA e da União Europeia e seus aliados. Esta é a moral dos imperialistas.

Frente a esta situação é necessário que a classe operária da América Latina coordene-se e una-se em uma ação baseada em nos reais interesses de classe.

Em nossos dias, os interesses de classe imediatos.

São:

1. Unidade do movimento sindical na ação: por um sindicalismo de luta e antiimperialista. Pelo fortalecimento da consciência de classe. Pela transformação da sociedade, contribuindo para derrotar o sistema capitalista. Plena solidariedade com a Revolução Cubana, apoio ao processo de mudanças progressistas em vários países da América Latina como a Venezuela, a Bolívia, entre outros.
2. Que os trabalhadores não paguem pela crise econômica. Que cessem as privatizações. Que se combata a pobreza. Que os desempregados recebam ajuda e que as demissões tenham fim. Saneamento básico e educação gratuita para todos.
3. Que não se invista em fins militares e esta verba seja destinada ao bem-estar social.
4. Que a OTAN seja extinta. Democracia em Honduras, na Colômbia e em toda a parte
5. Que sejam canceladas as dívidas externas dos países do terceiro mundo. Os povos não têm culpa pela dívida.
6. Que a ONU deixe de legitimar a política de agressão dos Estados Unidos. Basta de palavras, necessitamos de feitos e resultados.
7. Que o povo de cada país possa decidir por si mesmo seu presente e futuro.
8. Que tenha fim o embargo contra Cuba e que os Cinco Heróis Cubanos sejam imediatamente libertados. Que a CSI ponha fim às suas calúnias contra a CTC cubana e deixe de utilizar a OIT nesse jogo. A OIT deve reforçar seu papel, através da representatividade e do respeito a todos os sindicatos internacionais.
9. Retirada imediata das bases militares norte-americanas da Colômbia. Fim às guerras imperialistas.
10. Impulsionar ações unitárias visando à mobilização internacional para o sete de setembro de 2010.

Companheiras e companheiros,


Estamos seguros de que todos esses temas estar ão presentes nas reuniões do III ESNA, em Caracas, e iluminarão as posições do movimento sindical classista conduzidas pela FSM e os nossos afiliados e amigos. Faremos novos amigos, novos aliados ao longo do caminho que devemos percorrer até a derrocada final do capitalismo.

A FSM levará em grande conta as conclusões dos debates que serão realizados em Caracas, tendo em vista a preparação do 16º Congresso Sindical Mundial que será realizado de 6 a 9 abril de 2011, em Atenas, Grécia. Este 16º Congresso será um marco importante para a classe operária mundial.

Saudações combativas!

O SECRETARIADO

Fonte.  http://www.wftucentral.org/?language=pt





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Lutas de classe intensificam-se na Grécia


Os trabalhadores na Grécia posicionam-se hoje na frente avançada das lutas de classe europeias contra a tentativa do grande capital de fazer o povo trabalhador pagar os custos da sua crise.

Mobilizações contra esta austeridade estão a difundir-se por toda a Europa. Em França, houve greves e manifestações a 27 de Maio e está planeado para 24 de Junho um dia de acções. Em Portugal, 300 mil trabalhadores manifestaram-se nas ruas de Lisboa a 29 de Maio para exprimir a sua rejeição ao plano de austeridade do governo. Em Espanha, funcionários públicos foram às ruas em 2 de Junho. Na Itália, foi realizada uma manifestação nacional em Roma dia 5 de Junho, com greves e outras acções planeadas para 14 de Junho. Na Grã-Bretanha, os sindicatos e organizações de esquerda estão a organizar um dia de manifestações a 22 de Junho. No Roménia, funcionários públicos foram às ruas a 4 de Junho.

A resistência contínua na Grécia mostra aos trabalhadores activistas e militantes da esquerda anti-capitalista que as suas lutas podem abrir novos caminhos de avanço e determinar o resultado da actual crise económica. A mais recentes greve geral de 24 horas na Grécia, efectuada a 20 de Maio, registou um êxito do movimento dos trabalhadores na ultrapassagem da campanha de propaganda dos mass media e das calúnias provenientes do governo PASOK (Movimento Socialista Pan-Helénico). Mais de 50 mil pessoas tomaram as ruas de Atenas e realizaram-se manifestações nos principais centros urbanos do país [1] . Os professores do ensino público tomaram parte maciçamente na manifestação de Atenas. A participação na greve foi muito alta no sector público, mas menor no privado. As principais federações sindicais também organizaram um dia de comícios a 5 de Junho. Este combate está longe de acabado.

A greve geral de 5 de Maio

A greve geral e as manifestações de 5 de Maio foram um êxito esmagador. Lançada pela Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia (GSEE) e pelo sindicato dos empregados do estado (ADEDY), o apelo para cessar o trabalho durante 24 horas foi cumprido maciçamente tanto pelos trabalhadores do sector público como do privado. Foram efectuadas manifestações em todas as principais cidades por toda a Grécia, excepto Larissa. Elas realizaram-se em Tripoli e Patra no Peloponeso, em Ioannina e Igoumenitsa no Épiro, em Herakleion (Creta) e também em Salónica, a metrópole ao Norte da Grécia onde milhares de manifestantes tomaram as ruas.


Bolsa de Valores de Atenas. As maiores manifestações verificaram-se em Atenas. As ruas do centro de Atenas foram tomadas por uma inundação humana de 250 mil cidadãos. A sua composição reflectiu a da classe trabalhadora da metrópole grega em toda a sua diversidade: trabalhadores do sector privado, tais como os dos estaleiros Skaramanga do Pireu, trabalhadores de empresas de serviços públicos e do estado, tais como os da companhia de electricidade (DEI), os professores e os enfermeiros do sistema de saúde pública, desempregados e trabalhadores reformados, imigrantes e trabalhadores não documentados, estudantes da universidade e do secundário. Todas as palavras de ordem vindas das fileiras de manifestantes exprimiram a recusa do povo a pagar os custos da crise capitalista desencadeada pela finança global: "Não à tempestade anti-trabalhadores", "Não à flexibilidade, sim à semana de 35 horas", "Trabalhadores, levantem-se! Eles estão a tomar tudo o que obtivemos", "Nós pagámos os seus lucros, não pagaremos a sua crise" [2] .

Johanna, de 30 anos, manifestou-se para "dizer não ao FMI. Eles querem fazer-nos acreditar que vieram aqui para "resgatar" as finanças do estado, mas não acredito nisso minimamente. Quem aceitaria tal tratamento?"

Um profundo sentimento de injustiça está a guiar os protestos da multidão. Yanni, um professor de 30 anos, explicou ao repórter de l'Humanité:

"Toda a gente sente que não há justiça. O dinheiro está ali mas eles não querem ir buscá-lo... Não vejo outro caminho de saída: eles só nos apresentaram uma opção" [3] .

A causas dos movimento contra o FMI/União Europeia/plano de austeridade do governo do PASOK grego foram explicadas por Ilias Vretakou, vice-presidente do sindicato ADEDY:
"Estamos a enviar de Atenas uma mensagem de luta e resistência para os trabalhadores de todos os países europeus, contra a barbárie dos mercados de capital, do governo e da União Europeia. O governo, o FMI e a União Europeia decidiram levar os trabalhadores, a sociedade grega, para a mais selvagem barbárie social que alguma vez conhecemos. Eles estão a nivelar por baixo os trabalhadores e a sociedade. Estão a roubar os nossos salários, estão a roubar nossas pensões, estão a roubar nossos direitos sociais, estão a roubar nosso direito à vida. Eles estão a impor a lei da selva nas relações de trabalho,... reduzindo a taxa salarial para horas extras. Eles tornaram possível para os patrões despedirem um empregado mais velho e contratarem, com o mesmo dinheiro, três ou quatro jovens trabalhadores em condições precárias" [4]

Este discurso provocou aplauso entusiástico da multidão que havia acabado de apupar o líder do GSEE, Panagopoulos, criticado pelos sindicalistas de base pela relutância de Fevereiro no combate às medidas de austeridade [5] . Dentre outros oradores, Claus Matecki (do sindicato alemão DGB) e Paul Fourier (da CGT francesa) também provocaram aplausos vivos, especialmente quando este último declarou: "Hoje, todos nós somos gregos! Obrigado e boa sorte" [6] .

Dentre as forças políticas da esquerda, a Coligação da Esquerda Radical (SYRIZA) e o Partido Comunista Grego (KKE) participaram maciçamente nos protestos. Os social-democratas (PASOK) não tiveram uma presença organizada, apesar das lutas internas da ala esquerda do partido contra o plano de austeridade implementado pelo governo PASOK.

Muitos dos manifestantes votaram PASOK em Outubro de 2009. Eles agora estão desapontados e irados ao descobrir que a esquerda triunfante que expulsou do governo o corrupto governo de direita de Kostas Karamanlis (Nova Democracia) cedeu, sem qualquer combate, à política neoliberal do capital financeiro. Dimitra, uma reformada residente na região de Atenas, esperava que a vitória do PASOK "faria as coisas melhor". Desapontada, ela está furiosa quando pensa no primeiro-ministro George Papandreu, do PASOK: "Quando penso que votei por idiota!" [7]

A cobertura dos media das manifestações de 5 de Maio centrou-se nos "kukuloforoi", os "mascarados", que atacaram fisicamente símbolos da cultura de mercado e do capitalismo financeiro. O banco Marfin e a rua Stadiu no centro de Atenas foram atacados por cocktails Molotov e queimados. Três empregados do banco perderam as suas vidas no incêndio. Os empregados do Marfin foram obrigados a trabalhar naquele dia apesar do apelo à greve e foram literalmente trancados no banco. Não havia plano para saída de emergência, tornando a sua evacuação ainda mais difícil.

A resposta do movimento dos trabalhadores foi imediata e clara como cristal. Na noite de 5 de Maio, o presidente da ADEDY explicou que estas "práticas fascistas pretendem assustar o povo num momento em que a luta de massa é necessária para travar as medidas que lançam a vidas dos gregos na adversidade" [8] . No dia seguinte, 6 de Maio, uma multidão de luta reuniu-se na Praça Sintagma, em frente ao Bouli (parlamento grego), a fim de denunciar a adopção do plano de austeridade pelos representantes eleitos da Assembleia Nacional [9] .

Este desencadear da violência de rua não deixa de se relacionar com a exasperação para com o governo Papandreu. O plano de austeridade imposto ao povo grego pelos mercados financeiros – as principais instituições financeiras, o FMI e a União Europeia – é uma flagrante negação da soberania nacional e da democracia. Além disso, o governo aguenta-se no chão desde Fevereiro e recusa-se a atender à mensagem das ruas. Ao invés disso, intensifica o autoritarismo do plano de austeridade: desde que foi aprovado pela Assembleia Nacional em 6 de Maio (com os votos dos socialistas PASOK, da Nova Democracia e dos nacionalistas-racistas do LAOS), ele será aplicado através de uma série de ordens do Ministério das Finanças, não deixando qualquer espaço para a interferência parlamentar e limitando os representantes eleitos do povo a uma capacidade consultiva puramente formal.

A falta de legitimidade democrática do plano portanto abre a porta, em alguns componentes mas margens do movimento social, a conceitos de legitimidade da violência de rua (choques com a polícia, queima de vários símbolos da ordem capitalista, etc). O partido da ordem capitalista encabeçado pelo PASOK tem portanto como corolário a violência dos "kukuloforoi" nas mobilizações. Totalmente alheio aos "mascarados", o flagrante impulso autoritário das medidas de austeridade alimenta uma aguda tendência anti-parlamentar dentro de secções do movimento dos trabalhadores. Slogans tais como "Deixe-os queimar!" ou "Entreguem os ladrões ao povo!" foram gritadas várias vezes na manifestação. Dúzias de manifestantes também tentaram cortas as linhas de segurança do Parlamente, até serem violentamente repelidas pelas forças policiais [10] .

Olhar o antes e o após 5 de Maio

As acções de 5 de Maio registaram um êxito porque foram preparadas: a unidade da mobilização em massa não foi uma resposta espontânea, mas antes o resultado de três meses de mobilizações dos sindicatos de trabalhadores. Já em 24 de Fevereiro, o movimento sindical comprometeu-se a combater o anunciado plano de austeridade, negando portanto à classe dominante e seus porta-vozes um monopólio da informação e da política. É precisamente este criticismo, efectuado através de acções nas ruas e lugares de trabalho, os quais permitiram ao movimento social comunicar possíveis cenários diferentes daquele escrito pelo capital financeiro. Portanto, a noção reaccionária e desmobilizadora de que este plano é um mal necessário foi abalada, abrindo o caminho para o contra-ataque popular.

Em 24 de Fevereiro, a primeira greve geral respondeu às medidas de austeridade anunciadas pelo governo. Em Atenas, 45 mil pessoas estiveram nas ruas; em Salónica, havia 10 mil. Na manifestação de Atenas, Dimitri, um engenheiro civil de 28 anos, explicou as razões da mobilização: "Queremos um emprego, salários decentes e um verdadeiro sistema de segurança social. Nosso país tem de respeitar normas da União Europeia que são injustas" [11] . Uma segunda greve geral de 24 horas teve lugar a 11 de Março, juntamente com manifestações nas principais cidades do país.

As greves gerais de 24 horas (24 de Fevereiro, 11 de Março, 5 de Maio e 20 de Maio) foram sem dúvida os exemplos mais visíveis das mobilizações populares contra a austeridade. Mas outras acções, de âmbito mais limitado, desempenharam um papel crucial para elevar a força e assegurar a continuidade do movimento de resistência. Fabrien Perrier, repórter do diário l'Humanité, do PCF, sublinhou a atmosfera de agitação social tomava conta de Atenas no fim de Abril. "Em Atenas, a cada dia, as ruas estão a reflectir os gritos dos manifestantes e a ira de corpos profissionais" [12] .

Muitas destas mobilizações ajudaram a preparar a greve geral. Em 5 de Março, por exemplo, foram efectuadas reuniões em massa em muitas cidades para preparar a greve geral de 11 de Março. A reunião em Volos (uma cidade na costa da Tessália, Norte de Atenas) reuniu não só sindicalistas como também trabalhadores despedidos da METKA, antecedendo um concerto de solidariedade de muitos artistas. Da mesma maneira, o 1º de Maio estimulou as mobilizações de massa antes da greve geral de 5 de Maio. O sindicato dos empregados do estado (ADEDY) apelou à greve de 4 de Maio pela mesma razão. O seu apelo foi seguido e foram efectuadas manifestações naquele dia.

Estas mobilizações limitadas também permitiram ao movimento dos trabalhadores empenhar-se na batalha para ganhar a opinião pública. Muitas acções portanto responderam ao governo a cada volta da crise. Portanto, quando George Papandreu efectuou uma conferência de imprensa a 25 de Abril para anunciar que desencadearia o mecanismo europeu de apoio financeiro, centenas de manifestantes responderam nas ruas do centro de Atenas a gritas: "A luta do povo destruirá a carnificina do FMI" [13] . Dois dias depois, a 27 de Abril, funcionários públicos estavam em greve e professores estavam a acampar na Praça Sintagma, em frente ao Parlamento, para denunciar a hemorragia sofrida pelo sistema público de educação. Nesse meio tempo, o porto de Pireu foi bloqueado por uma greve de 24 horas dos trabalhadores marítimos a seguir ao apelo do seu sindicato, o PNO.

Passo a passo, o que parecia inevitável na cabeça da maioria tornou-se uma questão a ser resolvida pela correlação de forças. Um inquérito de opinião do jornal grego To Vima estimou a proporção daqueles contra a redução de salários em 79,5% da população [14] . Dentro do movimento social, os participantes estão a ganhar confiança e a ideia de que o resultado da luta ainda não está estabelecido ganha terreno. Despina, de 27 anos, não tomou parte nas manifestações de 4 de Maio de empregados públicos. Ela sublinhou contudo ao repórter do Humanité que "aqueles que estão no movimento estão certos: eles entenderam as causas deste movimento. Os funcionários públicos são as primeiras [vítimas directas das medidas de austeridade], mas todos na Grécia vão sofrer. Os sindicatos estão unidos e o governo está começando a abalar" [15] .

Todas as pessoas progressistas saúdam a resistência dos trabalhadores gregos à ditadura do capital financeiro. As mobilizações dos últimos três meses têm sido dignas da herança política da luta contra a junta ditatorial (1967-1974) e da resistência anterior ao fascismo. Muitas questões cruciais ainda estão para serem resolvidas.

Antes de mais nada, a estratégia seguida pela liderança sindical está aberta ao questionamento. Face a um governo que se recusa a atender aos protestos do povo nas ruas e além disso obriga o parlamento a aplicar medidas ditadas pelos grandes negócios, não haverá um risco de que repetidas greves de 24 horas acabassem por ser a prova da impotência do movimento para alterar o curso dos acontecimentos? O movimento dos trabalhadores em França sofreu um retrocesso desmoralizante na Primavera do ano passado após três rodadas de greves gerais de 24 horas. O desenlace dos acontecimentos ainda não está decidido na Grécia.

Mas o tempo poderia estar do lado dos trabalhadores, desde que os seus líderes tenham a coragem necessária. Até quando, por exemplo, poderia o governo PASOK e seus parceiros europeu aguentar-se face a uma greve geral ilimitada dirigida por assembleias-gerais do movimento de massa?

Uma segunda questão relaciona-se com a estrutura organizativa do movimento social. Será ela capaz de unir-se numa vou ou plataforma única? Será capaz de estabelecer um órgão democrático e unificado que fale pelos seus diferentes componentes nas ruas e assegure controle autónomo das suas mobilizações?

Estas questões parecem cruciais uma vez que determinarão durante os próximos meses o êxito ou o fracasso da tentativa dos trabalhadores de dar nascimento a novas possibilidade e portanto repelir a fatalidade da barbárie neoliberal. As apostas são altas: o futuro imediato do estado social está a ser decidido hoje nas ruas de Atenas. 

Notas
1. Ver "Grèce, après la grève" by Andreas Sartzekis.
2. Avgi, May 6.
3. L'Humanité, May 6.
4. Avgi, May 6.
5. A primeira greve contra as medidas de austeridade foi lançada pela ADEDY dos empregados do estado em 11 de Fevereiro, ao passo que as lideranças de topo do GSEE recusaram-se a aderir argumentando que os interesses dos trabalhadores do sector privado não eram postos em perigo pelos anúncios do governo. É útil sublinhar que Panagopoulos é membro do Movimento Socialista Pan-helénico (PASOK) encabeçado pelo primeiro-ministro George Papandreu. Face à crescente pressão das bases, os líderes do GSEE alinharam com a ADEY a 24 de Fevereiro durante a primeira greve geral de 24 horas. L'Humanité, May 6.
6. L'Humanité, May 6.
7. L'Humanité, May 11.
8. Avgi, May 6.
9. Avgi, May 7.
10. Avgi, May 6.
11. L'Humanité, February 25.
12. L'Humanité, April 27.
13. Avgi, April 25.
14. L'Humanité, May 5.
15. L'Humanité, May 5.

[*] Natural de Quebec, vive em Paris. Uma versão anterior deste artigo foi publicada em francês com o título "La résistance sociale en Grèce: bilan et perspectives".

O original encontra-se em http://www.socialistproject.ca/bullet/366.php

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .



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9 de jun. de 2010

MARIÁTEGUI E CAIO PRADO JR.: DUAS VISÕES SOBRE O SOCIALISMO LATINOAMERICANO


MARIÁTEGUI E CAIO PRADO JR.: DUAS VISÕES SOBRE O SOCIALISMO LATINOAMERICANO



O Instituto Caio Prado Jr. promove, nesta segunda-feira, dia 14 de junho, às 19 h, um Seminário  sobre as contribuições de J. C. Mariátegui e Caio Prado Jr. para o pensamento socialista e comunista na América Latina.

A mesa será formada por RENAN RAFFO, membro do Comitê Central do Partido Comunista Peruano e Presidente do Instituto J. C. Mariátegui (Lima, Peru), MAURO IASI, membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro, Diretor do Instituto Caio Prado Júnior e Professor da UFRJ, e LEILA ESCORSSIN, Professora da UFRJ.

O Seminário será realizado na UFRJ, CAMPUS DA PRAIA VERMELHA, no Auditório do CFCH (Anexo, Segundo Andar). A entrada poderá ser feita pela Av. Venceslau Brás (ao lado do Hospital Pinel) ou pela Av. Pasteur (em frente ao Iate Clube).



PCB - Partido Comunista Brasileiro
(21) 2262-0855 e 2509-2056
www.pcb.org.br


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Sobrenomes para as crises

Elsa Claro


AGORA chama-se crise europeia ao processo global de contrariedades econômico-financeiras que atenaza o mundo. A referência permanente à dívida dos Estados do Velho Continente é certa e está em sintonia com o déficit superlativo dos Estados Unidos: US$ 1,56 trilhão em 2010, isto é, 10,6% de seu PIB e o maior acumulado desde a II Guerra Mundial. É um recorde do qual, inexplicavelmente, pouco se fala.


Lógico que as mazelas alheias não aliviam as próprias, mas é preciso ter presente esse dado, acumulado pelo país onde se gerou o estalido, com réplica em diferentes espaços. Além disso, é o lugar de onde procedem várias das tendências provocadoras da debacle.


Outro fator soslaiado é que o neoliberalismo, instaurado por Ronald Reagan nos EUA, e por Margareth Thatcher, na Grã-Bretanha, nos anos 80, e posteriormente posto em prática pela União Europeia desde o ano 2000, está no bojo do problema que se tenta conjurar com essas mesmas normas. Se se despeja gasolina no fogo, com certeza vai crescer, e algo semelhante estão fazendo os governos europeus.


A zona do euro e o Reino Unido pretendem economizar 217,9 bilhões de euros e para consegui-lo não se lhes ocorre modificar as estruturas provocadoras da difícil situação. Mantêm um esquema necessitado de mudanças urgentes e cortam de onde menos há. Na Itália, por exemplo, até as contribuições para os deficientes foram reduzidas.


E são frequentes as contradições. A Alemanha concluiu o ano 2009 com um déficit de 3,3%, apenas umas décimas acima do exigido pelo Tratado de Masstrich, algo que poucos cumprem desde muito antes de explodir a bolha. Então, o governo fala de um plano de austeridade que se traduz na poupança de 10 bilhões de euros anuais, a partir de agora e até 2016. Para consegui-lo vai fazer igual ou parecido com o resto: diminuir ou congelar ordenados e pensões, diminuir os orçamentos sociais, incluindo os subsídios ao desemprego... etc, etc, sempre mantendo a salvo àqueles que jamais deixaram de receber receitas elevadas.


Pelo contrário, e segundo o Instituto Alemão de Pesquisas Econômicas de Berlim, os gastos da participação da Alemanha no Afeganistão são de 3 bilhões por ano. Cálculos dessa instituição indicam que se não se aumentam os 5.300 soldados que o governo Merkel tem atualmente no país centro-asiático, e supondo uma retirada dentro de três anos, participar da aventura iniciada por Washington teria custado ao país 36 bilhões de euros, quer dizer, muito acima do que se pretende economizar num quinquênio. E nesses cálculos não se inclui o orçamento militar.


"Herdamos um desastre econômico", disse o recém nomeado ministro da Fazenda britânico, George Osborne, ao se referir às reduções, culpando o governo anterior dos planos que se dispoem a executar os que acabam de assumir o mandato. Vão reduzir 970 milhões de euros das despesas no ensino (setor várias vezes reduzido), também há reduções similares no trabalho ou nas pensões. Estas reduções significam deixar sem trabalho médicos, enfermeiras, docentes, com o qual se deterioram setores bastante atingidos.


As medidas vão aumentar a taxa de desemprego no Reino Unido, que atualmente ultrapassa 8%, com inclinação a continuar aumentando nos próximos meses. Esses ajustes foram notificados pela rainha Isabel II, à maneira dos velhos costumes que, diga-se de passagem, se efetuam na Câmara dos Lordes, onde os Comuns (incluindo o primeiro-ministro e seu gabinete) não têm vagas e devem permanecer de pé, num recinto onde imperam o luxo e hábitos pouco acordes com a situação dominante.


O problema não está em que as casas reais europeias continuem recebendo elevadas somas dos Estados sem prestar contas de como as gastam, quer haja abundância, quer escassez. Como instituição, a EU tem estabelecida a entrega de subvenções à agricultura, mas o estímulo se aplica, ante tudo, segundo a quantidade de terras que se tenham, estejam ou não cultivadas. Os fazendeiros de menos alcance se queixam há tempo de que os grandes complexos recebem as maiores fatias. Deve ser verdade, pois o Departamento de Ambiente, Alimentação e Assuntos Rurais do Reino Unido publicou seu relatório anual sobre os beneficiários das citadas contribuições agrárias e a família real recebeu 1. 449.152 euros dessas subvenções, durante o ano passado.


SEM REVERSO


A Espanha destaca entre as nações que como Portugal, Itália, Irlanda, Grécia, além das citadas nos parágrafos anteriores, aplicam uma receita errada. O governo de Zapatero continua recebendo tantas críticas do Partido Popular que pareceria se invertiram os papeis ideológicos. A demagogia e o oportunismo caracterizam a direita espanhola que também encontra neste fenômeno um pano de fundo para ocultar seus escândalos por corrupção ou a reviravolta dada às investigações sobre as vítimas do franquismo.


Como prova de que existem melhores caminhos, um grupo de organizações de esquerda tornou pública uma proposta de reformas urgentes em matéria tributária centrada nos contribuintes com maior capacidade econômica. Trata-se dum grupo de regras para as rendas superiores e tributos sobre as operações da bolsa "para desestimular os ataques especulativos", entre normas estruturais que tornariam desnecessárias as afetações sobre salário e pensões. Somente um imposto sobre a riqueza permitiria arrecadar 2,25 bilhões de euros adicionais cada ano.


Se a dívida externa espanhola é principalmente privada, seria sensato trabalhar sobre esse setor. Por isso se destaca que no primeiro trimestre de 2010 somente quatro grandes empresas (os bancos Santander e BBVA e as companhias Telefónica e Endesa) obtiveram benefícios superiores à poupança pretendida com o ajuste do governo.


Por tal motivo, as propostas de alternativas têm razão.


Algo essencial é advertido pelos economistas e outros especialistas: urge mudar o estado de coisas que coloca as finanças e a especulação acima dos Estados. A perda do poder político, concentrado ou dirigido pelo capital financeiro, é uma das piores consequências do neoliberalismo, afirma em seu livro sobre as expressões atuais do capitalismo o francês Dominique Pilón, presidente do comitê científico da Attact, entidade altermundista, que retrata a degradação do sistema, expressa nesses aumentos do déficit, na dívida e na penúria social (19 milhões de trabalhadores vivem na extrema pobreza na Europa), enquanto os grandes responsáveis pela crise continuam recebendo lucros alucinantes.


Terá dificuldades aquele que tente compreender como é possível que, em meio a uma crise internacional tão aguda, um organismo previsto também para auxiliar os países em problemas, consiga receitas quatro vezes superiores às obtidas em 2008. Falo do Fundo Monetário Internacional que obteve dividendos destacados com as taxas de juros cobradas às nações das quais exige fortes reduções, provocando tensões sociais quando os administradores do problema fecham as saídas razoáveis do labirinto. 
Granma Internacional Digital: http://www.granma.cu/


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8 de jun. de 2010

A luta do KKE e do povo grego contra as políticas liberais da UE

Aleka Papariga é a secretária do KKE. Ou melhor: é a secretária-geral do Comité Central do Partido Comunista Grego, explicitação esta que não é nominal mas antes substancial, para um partido organizado segundo os princípios do centralismo democrático e que trabalha para conjugar a necessidade da prática colegial na discussão e na construção da linha política (centralidade do CC), com a exigência de trabalhar permanentemente para a unidade político-ideológica do partido, desde os seus dirigentes centrais a todos os seus militantes. Mas Alexandra "Aleka" Papariga é também a primeira mulher do panorama europeu à frente de um grande partido e igualmente a primeira, por um período tão longo, a guiar o KKE. A sua militância política inicia-se no movimento estudantil, de que passa logo a fazer parte dos dirigentes. É durante o fascismo que decide aderir ao Partido Comunista da Grécia e participar no movimento das famílias dos presos políticos. É nesta fase que ela própria é presa pelo regime durante quatro meses. Mas decerto não é isso que virá debilitar o seu ânimo resoluto, e prosseguirá assim o seu empenho e a sua militância contra o regime, até à sua queda, e a sua militância comunista. Importante será também o seu empenho no movimento das mulheres. Fundadora da Federação das Mulheres Gregas (OGE), participou na organização de eventos inerentes ao Ano Internacional da Mulher, em conferências internacionais promovidas pela Federação Mundial das Mulheres Democráticas e escreveu um livro sobre a emancipação e a libertação das mulheres.

Foi eleita por unanimidade secretária do KKE em 1991, num congresso que viu um forte confronto no partido com a parte que reclamava a sua dissolução a fim de construir um novo partido de esquerda. Eram estes os ventos que sopravam em quase toda a Europa, como de resto nos ensinam os acontecimentos italianos. Na Grécia porém este confronto produziu à cisão de uma parte que depois dará vida ao Synaspismos enquanto o KKE, embora num contexto europeu e internacional decerto nada fácil, empreendeu o duro caminho do enraizamento social, da luta pela existência e reforço de um partido revolucionário, de claro perfil político e ideológico e a partir da natureza de classe. Após quase vinte anos desta opção, o KKE é hoje um partido cuja actividade não só é central para as dinâmicas políticas helénicas, mas que tem dado um contributo decisivo para o relançamento de uma coordenação internacional entre os partidos comunistas e, com a organização das mobilizações na Grécia contra a UE e as políticas antipopulares, tem contribuído para que estas lutas representem um ponto avançado da luta de classes no velho continente.

Contactámos Aleka Papariga nos dias quentes das greves e das mobilizações sociais, que encontram no KKE o principal eixo organizativo e político. Há poucas horas os comunistas gregos colocaram uma faixa nas paredes do Parténon, convidando os povos de toda a Europa a rebelar-se.

D. A Grécia está no centro das atenções por parte de todos os outros países europeus devido à crise que atravessa. O Governo Papandreu prometeu tirar o país desta crise e por isso aplicou um duro plano económico. Qual é a tua opinião a este respeito? E qual é o objectivo da luta?

R. Estas opções postas em acção pelo governo são um verdadeiro perigo para a vida do povo, pelo que o objectivo é ganhar tempo, para se poder bloquear as medidas e, sobretudo, criar as condições para que estas políticas sejam derrubadas. Nós lutamos para alterar as relações de forças e fazer que se determinem as condições para dar vida a um diferente modelo de desenvolvimento.

P. Achas que o povo grego está amadurecido para tomar como seu este objectivo?

R. As medidas tomadas são absolutamente injustas para os trabalhadores. Não há outras saídas: o povo tem de conseguir impor um modelo de desenvolvimento diferente, alternativo ao actual, para dar vida a um curso completamente diferente, em que prevaleça um projecto que tutele os interesses populares, e não os da burguesia. Se assim não acontecer, determinar-se-á uma situação em que a saída da crise – que decerto não será eterna – para a Grécia, se fará à custa dos interesses populares, que por consequência serão atingidos e redimensionados durante muito tempo. E então será muito difícil remediar esta situação.

P. E o que deverá fazer o movimento de luta na Grécia, qual o papel dos comunistas dentro dele?

R. Não pode haver nenhuma convergência de interesses entre o capital e o trabalho. Chegou a hora de todos assumirem as suas responsabilidades. Pelo nosso lado, consideramos que o que se começou em 17 de Dezembro passado, com as greves e as mobilizações, tem de avançar e de se alargar. O que julgavam, que o povo aceitaria este ataque aos seus direitos sem opor resistência? Nós não o permitimos. O movimento popular e dos trabalhadores, quanto mais capaz for de adquirir consciência do facto de que a propaganda sobre os sacrifícios para evitar a bancarrota é falsa e funcional ao cancelamento dos direitos, mais forte e melhor para todos será. Se uma parte dos cidadãos há uns tempos tivesse prestado mais atenção às solicitações feitas pelo KKE a respeito da natureza do Tratado de Maastricht e à entrada da Grécia na União Europeia, apresentada como uma opção obrigatória, hoje haveria uma situação muito melhor. Se nos tivessem dado ouvidos quanto às previsões que tínhamos feito já antes das eleições, quando dizíamos que iriam surgir fortes ataques às condições de vida e de trabalho da população e afirmávamos que estas medidas seriam tomadas indistintamente, tanto pelo Pasok como pela Nova Democracia, como depois sucedeu, hoje todos os trabalhadores estariam seguramente numa posição mais forte para poderem enfrentar a situação.

P. Qual é a resposta ao apelos de luta e mobilização que o KKE e o PAME estão a fazer aos trabalhadores gregos? Encontram eco as vossas propostas?

R. As lutas animadas pelo PAME, que tem desempenhado uma acção de vanguarda importante, bem como as manifestações de massas que se têm verificado em todo o País, demonstram que as pessoas estão dispostas a lutar. Vieram dizer, arrogantes e em tom de propaganda, que as pessoas estão de acordo com os procedimentos e as medidas pretendidas pelo Governo. Assim fazendo estão só a abrir caminho para que a luta tenha uma escalada. Hoje em dia regista-se um importante aumento da consciência de classe do povo. Estes sinais falam-nos de indignação e confusão, mas a gente comum está cada vez mais disposta a tomar parte nas lutas. Falta ver se esta evolução irá levar a uma maior radicalização da consciência política conduzindo amplos sectores populares a convergir nas propostas de alternativa avançadas pelo KKE sobre temas como as alianças e a tomada do poder, ou se o sistema conseguirá mantê-los sob controlo, impedindo o arranque de uma política de alternativa.


P. E consideras tudo isso possível?

R. Decididamente. Tanto o passado como o presente mostram-nos que o capitalismo na sua fase monopolista assume caracteres cada vez mais reaccionários e parasitários. Durante uma fase de crise, como é óbvio, o capital é muito mais agressivo, mas na fase de desenvolvimento também continua a sua violência contra os interesses populares. E em geral observamos que todos os refluxos em termos de direitos e liberdades dos trabalhadores nunca provêm de baixo, acolhendo instâncias nascidas do descontentamento. Começam por cima, empregando como instrumento repressivo as clássicas campanhas assentes nos partidos que tutelam os interesses burgueses.

P. Que género de políticas são adoptadas por estes partidos?

R. As actuais medidas anti-sociais aplicadas são literalmente bárbaras. Empurram as famílias trabalhadoras para o desespero. O capitalismo aposta em fazer pagar a crise aos trabalhadores e em consolidar por esta via os seus próprios lucros. Isto vemo-lo bem aqui entre nós onde o capital grego tenta conservar uma forte presença na região. O capitalismo hoje precisa de tomar estas medidas. As políticas dos liberais e dos social-democratas, como todas as que têm sido aqui tomadas até agora, têm como verdadeiro objectivo a satisfação das necessidades do capital. De resto, as medidas impostas ao povo grego são as mesmas que se têm vindo a adoptar em todos os países da União Europeia com variados pretextos. Estas medidas já foram decididas há tempos e põem em evidência o impasse do desenvolvimento capitalista.

P. Mas donde nasce esse "buraco" nos orçamentos do Estado?

R. O défice público e as dívidas foram criados pelo facto de o financiamento estatal ter ido todo parar aos cofres dos monopólios: dinheiro em catadupas para os capitalistas, uma verdadeira provocação. É este o motivo por que hoje é desferido um ataque sem precedentes aos direitos dos trabalhadores e se pede dinheiro em empréstimos porque assim se continuam a manter os lucros dos do costume com o dinheiro do Estado. A verdadeira questão na ordem do dia torna-se portanto: o que irá entrar em crise, a vontade do povo ou o sistema plutocrático?

P. Portanto é culpa do sistema capitalista?

R. O capitalismo é um sistema injusto porque por um lado acumula crescente pobreza e miséria e, por outro, riquezas fabulosas. É um sistema que gera parasitismo e corrupção e leva sempre à crise. Por este motivo precisamos de mudanças radicais. O capitalismo nunca foi uma via de sentido único, uma etapa obrigatória da história. Mas para inverter a marcha é preciso um forte movimento popular, com uma clara conotação de classe e um decidido perfil político, que se bata contra os monopólios e as campanhas anticomunistas: só um movimento assim radical é capaz de garantir progressos para a população.

P. E de que há necessidade, em alternativa?

Hoje em dia é necessária uma sociedade socialista, que representa a única possibilidade de o povo gozar dos frutos do seu trabalho e para que as modernas conquistas da ciência e da cultura sejam utilizadas a favor dos interesses de todos e não do lucro. E tudo isto, naturalmente, requer a construção de uma sociedade socialista. Precisamos de ter "aulas de desenho", para assim podermos traçar esta nova sociedade.

P. Na TV italiana tem-se falado muito de acções violentas ocorridas durante as manifestações. O KKE e o PAME condenam estes actos? Quem é o responsável? E quais são as vossas propostas para combater e mobilizar as pessoas?

R. Nós propomos continuamente mobilizações, mas se as pessoas não estiverem convictas as lutas não podem ter lugar. O que é necessário é um movimento organizado, dotado de um projecto, com forte sentido de responsabilidade, que não se deixe envolver em agitações improvisadas e protestos cegos. Hoje o KKE, deste ponto de vista, constitui uma garantia para que se desenvolva um movimento amadurecido, cuja existência nós ao mesmo tempo reclamamos e defendemos.

P. Portanto distanciam-se dos actos de guerrilha urbana que puseram Atenas a ferro e fogo?

R. Certamente. O KKE condena com veemência a trágica morte de três pessoas durante o assalto ao banco. O Governo contudo não tem o direito de se servir destas mortes para tentar bloquear a resistência popular e dar livre curso a uma ofensiva antipopular que, por agora, se reflecte nas medidas promovidas no sistema da segurança social, mas que se destina a reaparecer ao fim de cada três, seis ou nove meses. E isto de acordo com as vontades da troika (os principais partidos – ndt ) ou a do Governo e da União Europeia.

P. Mas quem é que tira vantagens desses choques?

R. Na base de provas e factos concretos já denunciámos várias vezes o desenrolar de uma verdadeira estratégia da tensão e da provocação. Como se demonstrou, o Laos, o partido nacionalista, não se limitou, com o seu presidente à cabeça, a utilizar a posteriori a notícia dos incidentes mas, de certo modo, esperou que acontecessem para poder assim tentar fazer recair as culpas sobre o KKE. Esta é uma estratégia claramente destinada a envolver tanto o KKE como o PAME numa provocação ad hoc.

P. E porque é que se dá tudo isto, na tua opinião?

R. Porque estão preocupados com a actividade realizada pelo partido e pelo movimento de classe. E depois todos sabem que, além dos membros, dos amigos e dos simpatizantes do partido, na luta participam também os trabalhadores com diferentes orientações políticas.

P. E como conseguem repelir as tentativas de provocação?

R. Vou contar o que fizemos e que nos permitiu mantê-los à distância. Não é nenhuma coincidência. Nós nutrimos fortes suspeitas em relação a eles e portanto preparámo-nos para os expulsar. Com efeito, durante o desfile montámos um poderoso serviço de ordem, com todos os camaradas a marchar de braços cruzados um no outro e assim conseguimos dar vida a um desfile do PAME sem precedentes e a manter afastados os poucos provocadores que continuavam a gritar os seus slogans e tentavam alcançar o seu objectivo.

P. O que me dizes do Governo Papandreu? São os únicos a criticá-lo?

R. Syriza censura o Pasok e o primeiro-ministro por não respeitarem o seu programa eleitoral. Nós nunca faremos este género de críticas porque na realidade o que Papandreu está a fazer é exactamente dar curso ao seu programa político. Ao contrário de Syriza, que pensa que há diferença entre o Pasok e ND, nós consideramos que as políticas de fundo destes partidos não são diferentes, como se vê quanto às receitas para a crise, e isto porque ambos os partidos são expressão dos interesses do grande capital e não podem pôr em campo políticas diferentes.

E depois nós não acusamos o primeiro-ministro de dar o flanco "às pressões vindas do mercado". Pelo contrário, nós afirmamos que o problema de Papandreu, exactamente como o seu antecessor, não é o de prestar demasiada atenção a estes interesses, mas sim de agir conscientemente a seu favor. Por estas razões consideramos esta política perigosa. De resto as mentiras do governo e as das campanhas anticomunistas estão ligadas ao facto de nós termos sempre posto em evidência que em qualquer dos casos se tomariam essas medidas, independentemente de qual partido estivesse no governo. A posição e a acção do KKE obrigam-nos a não levar a cabo os seus planos.

P. O que esperam?

R. Sabemos que o sistema tentará desencadear toda a sua força contra o KKE. Mas não temos medo. O povo grego tem de se manter livre dos apelos propagandísticos sobre a dívida e o défice e pensar na verdadeira dívida que os governos do Pasok e de ND têm representado para o povo grego. Estes literalmente saquearam os cidadãos através das regalias dadas aos capitalistas. Seja como for, devem pedir-lhes conta de tudo isto, não se deve baixar a cabeça, e deve-se trabalhar duramente para recuperar todo o dinheiro que lhe foi subtraído, dinheiro que é fruto do seu duro trabalho.

O sistema observa com atenção como cresce o movimento na Grécia e começa efectivamente a ter medo. Consideramos que a resistência do povo grego contra as medidas do governo está directamente ligada ao empenho e ao papel desempenhado no movimento pelo KKE. Graças à acção, ao impacto e à aceitação de muitas posições do KKE por parte de uma grande faixa do povo grego – o que não implica a total adesão a todos os pontos do programa político do KKE – até os dirigentes amarelos dos sindicatos Gsee e Adedy são obrigados a marcar greves.

P. Que papel desempenhou e continua a ter o KKE nesta fase da luta para a Grécia?

R. Se o KKE tivesse tido um comportamento diferente, semelhante ao dos outros partidos e se esse comportamento se reflectisse nas organizações de massas, acham que teria havido na mesma esta resposta popular e esta resistência? Pela minha parte digo que as medidas passariam sem nenhuma reacção.

O KKE deu um contributo decisivo à organização da resistência e da luta popular. Mas nós medimos a eficácia da nossa luta de um modo diferente dos outros, não nos concentramos só nos resultados que saem das urnas. Naturalmente com isto não quero dizer que não nos interessem as eleições. Mas deve-se ter presente que na Grécia a consciência do movimento popular está muito mais avançada do que a da maior parte dos países europeus e, embora ainda não se reflicta completamente na acção, irá verificar-se no futuro. Isto depende em grande parte do decisivo, se não determinante, contributo do nosso partido.

P. O que é preciso fazer hoje na Europa?

R. Consideramos que este elemento é um património importante para todos. O movimento comunista internacional hoje tem de afinar uma estratégia comum contra o imperialismo, mas ao mesmo tempo deve ter a força de lançar outro modelo de desenvolvimento e portanto afirmar a actualidade e a centralidade do socialismo.

O movimento comunista tem de se reforçar em toda a Europa. Nuns países será uma torrente, noutros um regato. O movimento, obviamente, desenvolve-se sobretudo a nível nacional mas, ao mesmo tempo, tem de se reforçar a nível internacional. Mas se se consolidar num país fraco poderá ter uma força de influência mais ampla e reforçar-se em toda a Europa.

Todo este radicalismo das pessoas tem de crescer e evoluir para uma opção política consciente capaz de apontar uma via alternativa ao capitalismo, outro percurso e outro modelo de desenvolvimento, e portanto em última análise outro sistema político. Caso contrário, a raiva e a indignação populares correm o risco de ser reabsorvidas pelo sistema de modo que venham a ser compatíveis com ele.
03/Junho/2010

[*] Secretária-geral do Partido Comunista Grego (KKE). Entrevista à revista Ernesto.

O original encontra-se em http://www.lernesto.it/index.aspx?m=77&f=2&IDArticolo=19479 .
Tradução de José Colaço Barreiros.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Ruralistas são a favor do trabalho escravo

Por João Pedro Stedile

Coordenação do MST


O trabalho escravo foi utilizado pelo capitalismo comercial durante quatro séculos para explorar nosso povo e acumular muita riqueza. Foi preciso muita luta, revoltas e fugas até a liberdade.

No Século 20, introduziu-se o trabalho assalariado. As greves e novas leis ajudaram a humanizar a exploração que continuava. Mas, nas últimas duas décadas, dezenas de fazendeiros de todo o País voltaram a utilizar o trabalho escravo como forma de acumular ainda mais riquezas.

Durante o governo Lula, a Polícia Federal tem agido com mais rigor. Nos últimos oito anos, foram libertados cerca de quatro mil trabalhadores ao ano. Foram encontrados trabalhadores sem salários, locais inadequados para dormir e sem saneamento básico. Muitos doentes. Só recebiam comida.

Parlamentares progressistas apresentaram uma proposta de lei, que pune com desapropriação as fazendas que tiverem trabalho escravo. Passou no Senado, em duas votações. Foi para a Câmara.


Desde 2004, está parada porque os ruralistas impedem. São a favor do trabalho escravo e seus partidos se calam. Foram encontrados casos de escravidão em todos os estados do Brasil. No Rio de Janeiro, em 2009, foram libertos 712 trabalhadores das usinas de cana de açúcar, no Norte fluminense.

Na semana passada, foram ao presidente da Câmara pedir explicações três ministros, vários artistas e representantes de entidades da sociedade. Deixamos mais de 100 cruzes no pátio do Congresso representando as fazendas com trabalho escravo.

Houve pouca repercussão na imprensa, que se calou diante dessa vergonhosa situação. A escravidão é inaceitável. A burguesia brasileira a usa há 500 anos!

(publicado no jornal O Dia, do Rio de Janeiro, em no dia 7 de junho)


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