4 de jun. de 2010
3 de jun. de 2010
O Crime “Excessivo” (Editorial de L´Humanité)
Patrick Le Hyaric*
A partir de agora não há mais desculpas nem tergiversações. Os dirigentes políticos de Washington, da União Europeia e de cada um dos seus governos se não sancionarem agora o Estado de Israel ficarão também com as mãos tintas de sangue, pela sua cumplicidade nos crimes do terrorismo sionista.
Em Gaza já se tinha visto a desumanidade de que era capaz o governo israelense. Sabia-se o seu desprezo total pelos princípios do direito internacional. Pressentia-se a sua vontade de esmagar pela fome e pela sede o povo de Gaza mantendo à sua volta um bloqueio escandaloso. Apesar disso não se podia imaginar que os dirigentes deste Estado fossem capazes da atacar com comandos, de madrugada, uma flotilha de seis barcos fretada por organizações não governamentais com fins humanitários, de matar pessoas a sangue-frio e ferir outras pessoas que iam a bordo.
Esta «coligação da flotilha da liberdade» composta por pessoas oriundas de uma quinzena de países, de opiniões e credos diversos, tinha apenas um objectivo: levar comida, água, medicamentos e materiais de construção à população de Gaza.
Com este bárbaro e sangrento acto, os dirigentes israelenses mostram claramente que querem que o bloqueio a Gaza seja total. Dito de outro modo, querem exterminar este povo sem nada nas mãos. As palavras não são demasiado fortes. Todas as chancelarias do Mundo, a ONU, a União Europeia, a quase totalidade das instituições se dizem chocadas, indignadas com estes novos crimes do exército israelense, com estas manifestas violações do direito internacional. Não bastam palavras! São precisos actos. Até agora o vai-vem dos dirigentes do mundo entre Bruxelas, Washington e Telavive não serviu de grande coisa senão para estender um véu de ilusões sobre as pretensas iniciativas de paz enquanto escondem a impunidade total dos dirigentes israelenses, que continuam a colonizar, a ocupar, a privar da liberdade o povo palestino e a sujeitá-lo a um regime de apartheid. Há alguns dias, Israel foi admitido na OCDE como se nada se passasse. É por os dirigentes israelenses se sentirem protegidos que eles se podem permitir tais atrocidades.
O momento não é mais o do palavreado que aventa permanentemente esta impunidade. Os governos, a ONU e a União Europeia devem reagir firmemente. Impõe-se um inquérito internacional sob a égide da ONU e uma reunião do Conselho de Segurança que deve condenar, claramente e sem meias tintas, estes actos de barbárie e tirar daí todas as consequências. Que, finalmente, os Estados e a ONU executem as recomendações do relatório Goldstone, que a União Europeia suspenda imediatamente o acordo de associação Israel-União Europeia, que cessem as vendas de armas dos Estados Unidos e da União Europeia e os investimentos em Israel enquanto não for levantado o bloqueio contra Gaza, enquanto prosseguir a colonização-ocupação, enquanto não forem libertados os prisioneiros políticos palestinos.
Decididamente, excessivo, é excessivo! Depois do que acaba de suceder, as instituições e os governos que se contentarem com palavras de admoestação sem continuidade tornar-se-ão cúmplices destes crimes abomináveis. Os Estados Unidos e a União Europeia, como outros grandes países, tem os meios para fazerem cessar uma situação que já durou demasiado tempo. A mobilização pela justiça, pela democracia, pela segurança, pela paz e para que povo palestino tenha finalmente acesso aos seus direitos devem ser ainda mais amplificada.
* Director do L´Humanité
Este Editorial foi publicado no jornal francês L’Humanité de dia 1 de Junho de 2010.
Tradução de José Paulo Gascão
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2 de jun. de 2010
O império e a guerra
HÁ dois dias, em breves palavras, expressei que o imperialismo não podia resolver o problema gravíssimo do consumo de entorpecentes que afeta a população mundial. Hoje, desejo referir-me a outro tema que em minha opinião é de grande importância.
O perigo atual de que a Coréia do Norte seja atacada pelos Estados Unidos da América, depois do recente incidente acontecido nas águas desse país, talvez possa ser evitado se o presidente da República Popular da China decide usar o direito de veto, prerrogativa da qual esse país não gosta de pôr em prática nos acordos discutidos no seio do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Existe um segundo e mais grave problema para o qual os Estados Unidos da América não têm possível resposta: o conflito criado a respeito do Irã. Algo evidente depois do discurso proferido pelo presidente Barack Obama, no dia 4 de junho de 2009, na universidade islâmica de Al-Azhar, no Cairo.
Em uma Reflexão que escrevi nessa altura, quatro dias depois, quando tive acesso a uma cópia oficial do discurso, usei numerosas citas para fazer a análise da importância do mesmo. Seleciono um número delas.
"Reunimo-nos num momento de tensão entre os Estados Unidos da América e os muçulmanos ao redor do mundo"
"... o colonialismo negou direitos e oportunidades a muitos muçulmanos,... a Guerra Fria utilizava freqüentemente os países de maioria muçulmana como agentes, sem levar em conta suas próprias aspirações". Impressionavam realmente esse e outros raciocínios expressos por um presidente afro-norte-americano, que pareciam verdades evidentes como as que aparecem na Declaração da Filadelfia, no dia 4 de julho de 1776.
"Vim aqui na procura de um novo começo para os Estados Unidos da América e para os muçulmanos que se encontram por todo o mundo, que tenha como base os interesses e o respeito mútuos..."
"Como nos diz o sagrado Alcorão, ‘sejam conscientes de Deus e falem sempre a verdade’."
".. é parte de minha responsabilidade como presidente dos Estados Unidos da América combater os estereótipos negativos do Islã onde quer que apareçam."
Continuou dessa maneira desfiando temas escabrosos do universo de contradições insolúveis que envolvem a política dos Estados Unidos da América.
"No meio da Guerra Fria, os Estados Unidos da América desempenharam um papel na derrubada de um governo iraniano eleito democraticamente."
"Desde a Revolução Islâmica, o Irã desempenhou um papel em seqüestros e atos de violência contra militares e civis estadunidenses."
"Os estreitos vínculos dos Estados Unidos da América com Israel são muito conhecidos. Este vínculo é inquebrantável."
"Muitos aguardam em acampamentos para refugiados na ribeira ocidental, Gaza e em terras vizinhas, por uma vida de paz e segurança que nunca puderam viver."
Hoje sabemos que sobre a população de Gaza cai freqüentemente uma chuva de fósforo vivo e outros componentes desumanos e cruéis, jogados sobre a Faixa, com fúria verdadeiramente nazi-fascista. Contudo, as asseverações de Obama pareciam vibrantes e por vezes sinceras, ao tempo que as repetia uma e outra vez, andando às pressas pelo mundo, onde quer que na hora prevista chegasse o Air Force One da força aérea dos Estados Unidos da América.
Ontem, 31 de maio, a comunidade internacional ficou comovida com o assalto, em águas internacionais, a dezenas de milhas da costa de Gaza, de quase uma centena de soldados das forças especiais de Israel, que desceram de helicópteros em horas da madrugada, disparando freneticamente contra centenas de pessoas pacíficas de diversas nacionalidades, causando — segundo informações de imprensa — não menos de 20 mortos e dezenas de feridos. Entre as pessoas atacadas, que transportavam mercadorias para os palestinos sitiados em sua própria Pátria, havia cidadãos norte-americanos.
Quando Obama falou na universidade islâmica de Al-Azhar da "derrubada de um governo iraniano eleito democraticamente" e imediatamente acrescentou que "Desde a Revolução Islâmica, o Irã tem desempenhado um papel em seqüestros e atos de violência contra militares e civis...", referia-se ao movimento revolucionário promovido pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, que de Paris, sem armas, venceu as forças armadas do mais poderoso soldado com que os Estados Unidos da América contavam no sul da Ásia. Era muito difícil que a potência mais poderosa do mundo resistisse à tentação de instalar ali uma de suas bases militares, no sul da URSS.
Há mais de cinco décadas, os Estados Unidos da América, tinham esmagado outra Revolução absolutamente democrática, quando derrocaram o governo iraniano de Mohammad Mossadegh. Ele tinha sido eleito primeiro-ministro do Irã, em 24 de abril de 1951. O Senado aprovou a nacionalização do petróleo, que tinha sido sua bandeira de luta, no dia 1 de maio desse mesmo ano. "Nossos longos anos de negociações com países estrangeiros — declarou — nesta altura ainda não tinham dado resultado".
É óbvio que se referia às grandes potências capitalistas, que controlam a economia mundial. O Irã tomou posse das instalações perante a intransigência da British Petroleum, que nessa altura chamava-se Anglo-Iranian Oil Company.
O país não tinha possibilidades de formar técnicos. A Grã-Bretanha tinha retirado seu pessoal qualificado, e respondeu com bloqueio de peças e mercados. Enviou ao país sua frota de guerra em disposição de combate. Como resultado, a produção petroleira do Irã diminuiu de 241,4 milhões de barris em 1952, para 10,6 em 1953. Nessas favoráveis condições, a CIA organizou o golpe de Estado que derrocou Mossadegh, até sua morte acontecida três anos depois. A monarquia foi restabelecida e um poderoso aliado dos Estados Unidos da América ocupou o poder no Irã.
Os Estados Unidos da América não têm feito nenhuma outra coisa com os outros países que não seja isso; desde que foi criada essa nação nos solos mais ricos do planeta, nunca respeitou os direitos dos povoadores indígenas que ali viveram durante milênios e dos negros que foram importados como escravos pelos colonizadores ingleses.
Contudo, estou certo de que milhões de norte-americanos inteligentes e honestos compreendem estas verdades.
O presidente Obama pode proferir centenas de discursos, tentando conciliar contradições que são inconciliáveis em detrimento da verdade, sonhar com a magia de suas frases bem articuladas, enquanto faz concessões a personalidades e grupos carentes totalmente de ética, e desenha mundos de fantasias que só têm cabimento em sua cabeça e que assessores sem escrúpulo, conhecendo suas tendências, introduzem em sua mente.
Duas perguntas obrigadas. Poderia Obama desfrutar das emoções de uma segunda eleição presidencial sem que o Pentágono ou o Estado de Israel, que em seu comportamento não acata de maneira nenhuma as decisões dos Estados Unidos da América, usem suas armas nucleares no Irã? Como será a vida em nosso planeta depois disso?
Fidel Castro Ruz
1 de junho de 2010
11h35
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A NOVA INFÃMIA DO ESTADO NAZI-SIONISTA
O assassinato de 19 inocentes que iam levar socorro à população sitiada de Gaza é mais um crime do estado nazi-sionista.
O regime do apartheid imposto pelo estado judeu ao martirizado povo palestino é um crime continuado no tempo.
A impunidade com que o estado judeu comete as suas infâmias só acontece devido ao beneplácito dos governos ocidentais.
Os crimes destes judeus hitlerianos verificam-se porque contam com o apoio do imperialismo americano e do sub-imperialismo europeu.
É um dever dos cidadãos dignos do mundo todo levantar um brado de protesto contra tais atentados de lesa humanidade.
Assine a petição do Tribunal BRussells
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31 de mai. de 2010
"TODO MUNDO CALE A BOCA"-Israel ataca barcos que tentavam furar bloqueio a Gaza
Soldados israelenses atacaram na madrugada desta segunda-feira a chamada "Flotilha da Liberdade", um grupo de seis navios que transporta mais de 750 pessoas com ajuda humanitária para a Faixa de Gaza, deixando ao menos 19 mortos e 36 feridos, segundo o Canal 10 da televisão israelense.
A imprensa da Turquia mostrou imagens captadas dentro do navio turco Mavi Marmara, nas quais se viam os soldados israelenses abrindo fogo. Em contato telefônico ao vivo com os navios, membros do comboio humanitário, que é formado em sua maioria por ativistas turcos, informaram que os comandos israelenses abordaram os navios, dispararam com fogo real para reprimir os tripulantes, apesar de estes terem mostrado bandeiras brancas.
Israelenses portam cartaz em apoio à Faixa de Gaza, em Ashdod, próximo ao território ocupado
O comboio de ajuda internacional é composto por seis navios, três deles turcos, e transporta dez mil toneladas de ajuda humanitária, com o objetivo de romper o bloqueio sofrido pela Faixa de Gaza.
Segundo a mídia turca, o ataque aconteceu em águas internacionais por volta das 4h (horário local, 22h de Brasília do domingo). As autoridades turcas tentaram entrar em contato com o navio Mavi Marmara, mas não conseguiu. Os canais de televisão turcos mostraram imagens ao vivo do ataque até as 5h local, mas então a conexão foi interrompida.
Segundo a mídia turca, o ataque aconteceu em águas internacionais por volta das 4h (horário local, 22h de Brasília do domingo). As autoridades turcas tentaram entrar em contato com o navio Mavi Marmara, mas não conseguiu. Os canais de televisão turcos mostraram imagens ao vivo do ataque até as 5h local, mas então a conexão foi interrompida.
Imagens da TV turca feitas a bordo do barco turco que liderava a frota mostram soldados israelenses lutando para controlar os passageiros. As imagens mostram algumas pessoas, aparentemente feridas, deitadas no chão. O som de tiros pode ser ouvido.
A TV Al-Jazeera, do Catar, relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão. A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: "Todo mundo cale a boca!".
A TV Al-Jazeera, do Catar, relatou, da mesma embarcação, que as forças da Marinha israelense haviam disparado e abordado o barco, ferindo o capitão. A transmissão das imagens pela Al-Jazeera foi encerrada com uma voz gritando em hebraico: "Todo mundo cale a boca!".
O Ministério de Assuntos Exteriores da Turquia tentou ligar para Israel várias vezes desde a partida da frota desde a Turquia para pedir que não interferisse em seu objetivo. Agora se espera que a diplomacia turca dê uma resposta e se abra um novo capítulo nas críticas relações entre Turquia e Israel, que ficaram abaladas desde o ataque israelense à Faixa de Gaza entre 2008 e 2009.
Em Istambul, centenas de pessoas se concentraram na frente do Consulado de Israel e tentaram entrar nele, mas foram impedidos pela polícia.
Em Istambul, centenas de pessoas se concentraram na frente do Consulado de Israel e tentaram entrar nele, mas foram impedidos pela polícia.
Posição de Israel
"Certamente lamentamos as vítimas, mas a responsabilidade pelas vítimas é deles, daqueles que atacaram os soldados israelenses", assinalou o número dois do Ministério de Exteriores israelense, Daniel Ayalon - do mesmo partido do chanceler Avigdor Lieberman - em entrevista coletiva do Ministério de Exteriores em Jerusalém.
Em comunicado, o Exército israelense assegura que dois "ativistas violentos sacaram os revólveres" de suas tropas "e aparentemente abriram fogo contra os soldados, como provam os cartuchos vazios dos revólveres".
Na entrevista coletiva, Ayalon disse que seu país "fez todo o possível para deter" a frota, mas seus integrantes "responderam inclusive com armas". "Nenhum país soberano toleraria essa violência".
Além disso, ele assegurou que "os organizadores" - em referência à ONG turca IHH, um dos diversos grupos que participavam da iniciativa - tem "estreitos laços" com "organizações terroristas internacionais", como a rede Al Qaeda.
Ayalon pediu que "todos os países trabalhem juntos para acalmar a situação" e que não sejam "pessimistas demais" sobre as consequências que possa ter a operação nas relações diplomáticas de Israel com outros Estados.
Em comunicado, o Exército israelense assegura que dois "ativistas violentos sacaram os revólveres" de suas tropas "e aparentemente abriram fogo contra os soldados, como provam os cartuchos vazios dos revólveres".
Na entrevista coletiva, Ayalon disse que seu país "fez todo o possível para deter" a frota, mas seus integrantes "responderam inclusive com armas". "Nenhum país soberano toleraria essa violência".
Além disso, ele assegurou que "os organizadores" - em referência à ONG turca IHH, um dos diversos grupos que participavam da iniciativa - tem "estreitos laços" com "organizações terroristas internacionais", como a rede Al Qaeda.
Ayalon pediu que "todos os países trabalhem juntos para acalmar a situação" e que não sejam "pessimistas demais" sobre as consequências que possa ter a operação nas relações diplomáticas de Israel com outros Estados.
Repercussão
Ismail Haniya, chefe de governo em Gaza e líder do Hamas, convocou os palestinos ao redor do mundo a protestar contra o ataque israelense. "O governo decidiu nomear o dia 31 de maio como o 'dia da liberdade'. Exigimos que a Liga Árabe haja para impedir o cerco a Gaza", afirmou Haniya.
"Dizemos a esses heróis que a essência de seu sangue chegou a nós antes do que a ajuda prometida", concluiu.
O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, convocou uma reunião de emergência para amanhã (01/6), no Cairo. "O ataque claramente demonstra a natureza agressiva de Israel e seu desrespeito com as leis e regras internacionais".
O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, decretou três dias de luto nos territórios palestinos. "O que Israel cometeu contra os ativistas da 'Frota da Liberdade' é um massacre", disse Abbas.
Um dos principais assessores de Abbas, o chefe negociador palestino Saeb Erekat, qualificou o fato de "crime de guerra" que "confirma que Israel age como um Estado acima da lei". Ele pediu uma resposta "rápida e apropriada" da comunidade internacional.
"Eram embarcações civis, que levavam civis e bens civis - remédios, cadeiras de rodas, comida, materiais de construção - para os 1,5 milhão de palestinos fechados por Israel. Muitos pagaram com suas vidas. O que Israel faz em Gaza é horrível, nenhum ser humano esclarecido e decente pode dizer algo diferente", apontou Erekat.
O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, condenou o ataque israelense. Após declarar-se "profundamente" horrorizado pelas trágicas consequências da operação, o chefe da diplomacia francesa expressou condolências às famílias e amigos das vítimas.
"Não entendemos o balanço humano, ainda provisório, dessa operação contra uma iniciativa humanitária conhecida há vários dias", acrescentou.
"Não entendemos o balanço humano, ainda provisório, dessa operação contra uma iniciativa humanitária conhecida há vários dias", acrescentou.
O MOMENTO DO ATAQUE
CENAS DO MASSACRE
30 de mai. de 2010
Nota de solidariedade aos estudantes e ao povo haitiano em luta contra a ocupação militar e por sua soberania
II Assembléia Popular Nacional: Na construção do Brasil que queremos!
Tropas brasileiras da MINUSTAH invadiram na noite da ultima segunda-feira, 24 de Maio de 2010, a Universidade Estatal do Haiti (UEH) em Porto príncipe e prenderam um estudante da Faculdade de Etnologia.
Tropas brasileiras da MINUSTAH invadiram na noite da ultima segunda-feira, 24 de Maio de 2010, a Universidade Estatal do Haiti (UEH) em Porto príncipe e prenderam um estudante da Faculdade de Etnologia.
Sob o pretexto de que uma pedra havia sido lançada contra um dos veículos da MINUSTAH, os soldados brasileiros invadiram as instalações da UEH utilizando cassetetes e gás lacrimogêneo. Seqüestraram livros, cadernos e laptops de vários estudantes, além de prender o universitário Mathieu Frantz Junior
Esta conturbada ação da MINUSTAH ocorre justamente quando os estudantes da UEH e diversas organizações populares haitianas vêm realizando manifestações em repúdio à presença das tropas de ocupação da ONU no país entre outras pautas.
Nós, cerca de 500 lutadores e lutadoras do povo reunidos em Brasília na “II Assembléia Popular: na construção do Brasil que queremos” voltamos a afirmar, uma vez que desde a I Assembléia em 2005 estamos denunciando isto, que a presença das tropas brasileiras no Haiti é inaceitável. Além de nos envergonhar como povo, fere duramente a soberania do heróico povo haitiano, que sofre todas as mazelas de anos de exploração. Nosso apoio deve ser material, de intercâmbio educacional e cultural, jamais militar.
A ocupação militar da nação haitiana significa por si mesma, a negação de todos os princípios básicos de direito internacional público. Entre eles o direito à soberania nacional dentro do quadro transnacional de reciprocidade e solidariedade. O que as Nações Unidas estão gastando (cerca de 600 milhões de dólares por ano) para manter as tropas no Haiti deveria ser utilizado para resolver os problemas fundamentais de seu povo: a falta de energia, alimentos, moradia, educação, emprego e principalmente na reconstrução da capital Porto Príncipe assolada pelo terremoto do último dia 12 de janeiro de 2010, a partir de um processo decidido pelo seu povo e não atendendo aos interesses das empresas transnacionais.
EXIGIMOS explicações do governo brasileiro com relação a esses atos.
EXIGIMOS a retirada das tropas militares do Haiti.
EXIGIMOS que o estudante Mathieu Franz Junior seja solto imediatamente!
HAITI LIVRE E SOBERANO!
Brasília, 27 de maio de 2010
29 de mai. de 2010
Sonho e realidade na América do Sul
Nota do Secretariado Nacional do PCB:
Este artigo é escrito por um importante diplomata de carreira brasileiro, especializado em América Latina. Com conhecimento de causa e franqueza, o autor ajuda a compreender a análise do PCB sobre a política externa do governo brasileiro.
ANTONIO JOSÉ FERREIRA SIMÕES
UMA DÉCADA se passou desde que o Brasil tomou a iniciativa de convocar, em Brasília, a 1ª Reunião de Presidentes da América do Sul, realizada no ano 2000. Quase oito anos depois, em maio de 2008, o presidente Lula recebeu os chefes de Estado da região para a assinatura do tratado que fundou a União Sul-Americana de Nações (Unasul).
Para quem hoje observa a intensidade da agenda regional, é difícil imaginar que, até há pouco, os líderes do continente jamais tivessem se reunido. Dez anos atrás, a articulação da América do Sul não passava de um sonho. Hoje, é uma realidade concreta.
As estatísticas comprovam o sucesso da integração sul-americana. Desde o ano 2000, o comércio total do Brasil com a região passou de US$ 22 bilhões para US$ 63 bilhões. Em 2002, nossas exportações para os vizinhos somaram US$ 7,5 bilhões.
Em 2008, alcançaram 38,4 bilhões: um aumento de 412%. Em 2009, o índice de bens industrializados nas exportações brasileiras para a região alcançou cerca de 90% -vendemos, na nossa vizinhança, bens de alto valor agregado. Essas mercadorias geram renda e empregos com carteira assinada para milhões de brasileiros.
A presença das empresas brasileiras na América do Sul é crescente e tem transformado a infraestrutura de países vizinhos, com a construção de estradas, aeroportos, hidrelétricas, petroquímicas. Para apoiar esse esforço, o Brasil financia parte dos projetos, sobretudo por meio do BNDES.
O total de financiamentos em 2009 chegou a US$ 8 bilhões para a América do Sul. Cerca de US$ 3,1 bilhões referem-se a projetos em execução ou já concluídos, e outros US$ 4,9 bilhões, a projetos já aprovados.
São obras que ajudam a economia brasileira e contribuem para o desenvolvimento dos países da região. Os investimentos diretos das empresas brasileiras também têm crescido.
Na Argentina, por exemplo, o estoque total é estimado em US$ 8 bilhões. A América do Sul é o espaço primordial para a transnacionalização das empresas brasileiras.
Nem ingenuidade nem ideologia explicam a vertente sul-americana da política externa brasileira. Por ser o Brasil a maior e mais diversificada economia da região, é inevitável que o país exerça o papel de propulsor da integração. Solidariedade não é sinônimo de ingenuidade.
Porque queremos abrir mercados na América do Sul, interessa-nos que nossos vizinhos também sejam cada dia mais prósperos.
O Brasil deseja que a prosperidade e a justiça social se espalhem pela América do Sul. A política solidária não é incompatível com a busca de nossos legítimos interesses.
Um Brasil que contribui para a prosperidade continental reforça suas credenciais como fator de estabilidade e progresso no mundo. Junto com isso, avançam a democracia e um sistema econômico aberto.
Será preciso, porém, reforçar a consciência de nossos interesses comuns de longo prazo. Se franceses e alemães tivessem optado, no final da 2ª Guerra Mundial, pelos ganhos de curto prazo, perdendo-se na mesquinhez da contabilidade das reparações e no exercício das recriminações, teria sido possível construir o edifício que é hoje a União Europeia?
A política externa brasileira para a América do Sul não se pauta apenas por uma visão pragmática de viabilização de negócios e investimentos mas também está imbuída de uma visão política, estratégica, social e cultural de longo prazo.
Aqui, idealismo e realismo se combinam: o primeiro nos inspira a buscar um futuro melhor; o segundo nos estimula a colocar as mãos à obra.
ANTONIO JOSÉ FERREIRA SIMÕES é subsecretário-geral da América do Sul, Central e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores (MRE). Foi embaixador do Brasil em Caracas (2008-2010), diretor do Departamento de Energia (2006-2008) e secretário de Planejamento Diplomático (2005-2006) do MRE.
FONTE PCB
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