3 de mai. de 2010

LULA: FALA PELA ESQUERDA E TRABALHA PELA DIREITA

O ópio dos intelectuais é a retórica esquerdosa dos presidentes progressistas 

por James Petras 

Chury: Ouvintes, estamos a iniciar aqui o panorama de notícias internacionais, de comentários internacionais e como todas as segundas-feiras preparamo-nos para dar as boas vindas a James Petras, nos Estados Unidos. Petras, bom dia, como estás?

Petras: Muito bem Chury, estamos aqui a pensar sobre várias coisas no último período, agora que temos na Bolívia a convocatória de um grande festival – mais carnaval, digo eu – sobre o clima e o aquecimento, convocado por Evo Morales supostamente para a protecção da terra. E também recebemos notícias das Filipinas onde estão em processo de eleição presidencial e além disso umas reflexões sobre as condições económicas mundiais dos Estados Unidos nestes tempos frente ao desafio da China. Então há vários temas, não sei com o que queres começar.

Chury: Penso que este último é muito interessante para nós, não porque os outros não o sejam. Se quiserem avançamos este último e algum outro que poderia ser esta concentração sobre o clima que vai haver na Bolívia.

Petras: Neste sentido, estou a olhar o panorama em grande escala e a longo prazo, é evidente que o império norte-americano está num declive crónico e não catastrófico, mas sim numa direcção de queda. E isso tem a ver com facto de que a China investiu muito dinheiro no sector manufactureiro e ultimamente estendendo-o a indústrias desde as costas até o interior, com enormes investimentos em ferrovias, aviões, transporte marítimo, etc. Enquanto aqui nos Estados Unidos todo o sector financeiro domina de uma forma parasitária todas as indústrias produtivas, deixando cidades como Detroit e outros centros industriais devastados.

É preciso fazer um giro pelas principais cidades industriais para ver em que condições estão. Os parques industriais, por exemplo, estão totalmente abandonados, quarteirões e quarteirões de fábricas... Parece como se houvesse caído uma bomba nuclear, deixam só o esqueleto e ficam assim. Mas mais além há bairros com casas e casas e quarteirões e quarteirões de casas abandonadas; há centros de recreio abandonados, em decadência. Alguns lugares que receberam prémios de arquitectura e que agora são ocupados só pelos ratos e os drogados. E isso se vê em Detroit, por exemplo, onde é muito evidente.

Mas se alguém passar por outros centros industriais é o mesmo e enquanto prosperam a Wall Street e os financistas em Nova York e em Los Angeles, vivem num mar de abandono. Um turista que visita Nova York, poderia ser Manhattan por exemplo, e fosse ao teatro, a algum museu poderia perguntar "o que diz o Petras? Isso é falso. Olhe as exposições, os ricos, os restaurantes cheios". Mas esta visão turística proveniente da classe média de Montevideo é uma visão muito parcial e muito limitada, não leva em conta o que se está a passar com milhões de trabalhadores e todo o sector industrial.

Por esta razão agora há um perigo aqui. Como não podem entrar em competição com a China devido aos defeitos internos, pelas estruturas parasitárias, começam a culpar a China dizendo que é um comércio desigual, que é uma competição desleal; que utilizam mão-de-obra barata, que não aceita investimentos norte-americanos no sector financeiro. Naturalmente os chineses não querem passar à experiência da Wall Street e por isso impõem restrições à penetração estrangeira. E além disso, o facto é que na China os salários aumentaram nos últimos dois anos uns 15 a 20% acima da inflação porque há escassez de mão-de-obra e por esta razão os salários estão a crescer. Podem dizer-te que vêm de um baixo nível, para te convencer. É verdade, mas em cinco anos nas regiões industriais o salário quase duplicou e a tendência é nessa direcção.

E outra coisa é que a China não tem nenhuma força militar lutando no exterior, só tem forças armadas defensivas, ao passo que os Estados Unidos gastam US$900 mil milhões por ano, mais subvenções a Israel, etc. E isto obviamente está a prejudicar a economia civil. Enquanto a China canaliza recursos para os mercados externos, os Estados Unidos estão a gastar dinheiro que não tem retorno em bases militares. Os Estados Unidos têm 850 bases militares no exterior, em cem países, ao passo que a China não tem nenhuma base militar em nenhum país.

Enquanto os Estados Unidos constroem bases a China está a construir ferrovias, portos, investindo em sectores económicos. Enquanto a China sobe os Estados Unidos baixam e nesta situação há gritos constantes aqui para tomar medidas de represália contra a China, essa é a ameaça: um imperialismo que não pode rectificar-se, incapaz de reconhecer a sua própria culpa pelo que se está a passar e a projectar todos os seus defeitos para fora, e a China é o bodo expiatório.

Essa é a situação. E aqui nos Estados Unidos alguém pode perguntar: por que as pessoas não reagem frente a isso, por que baixam a cabeça e continuam a trabalhar em dois, três trabalhos, para tentar manter o nível de consumo? Esse é o grande desafio, entender este factor. Em pleno declive, em pleno empobrecimento, não há nenhuma mobilização dos negros com uns 20% de desemprego, que inclusive foi pior sob Obama do que sob Bush. Foi quase duplicada a taxa de desemprego entre os negros em pouco mais de um ano do governo do negro presidente que supostamente ia ajudar os negros. Não há nenhum programa contra a pobreza, pelo emprego, etc.

E por que os negros não se levantam? É um problema de consciência política que agora não há neste país, ou pelo menos não que se manifeste em organizações políticas. Não temos dirigentes políticos que possam mobilizar as pessoas e deixar claro que o problemas não vem da China, nem dos iranianos e sim da sua própria classe dominante, o sector financeiro e os industriais que canalizaram mais dinheiro para a compra e venda do que para a produção.

Mas como dizia, entre os negros, os políticos que existem estão pendurados nos partidos tradicionais, o Partido Democrata, cujo papel é simplesmente controlar as massas, pendurar em alguns pequenos postos os que mostram alguma capacidade. Os hispanos estão muito incomodados porque não receberam nenhuma remuneração pelo seu voto em Obama e continuam as restrições no tratamento dos imigrantes. Agora no estado do Arizona a polícia tem direito de deter qualquer pessoa em qualquer momento e pedir-lhe identificação. É algo insólito. Um latino ou alguém com uma pele tipicamente morena, a polícia salta dos carros e param-nos e se não tiverem os papéis levam-te para a esquadra e começa um interrogatório.

Temos inclusive casos de cidadãos de três gerações de origem latino-americana que agora têm casa, têm profissão e são parados nas ruas do Arizona onde agora há 500 mil imigrantes sem papéis. É uma situação tremenda mas essa é a forma como maneja aqui a classe dominante. É tratar de por os problemas no exterior, no outro. Ou é a China ou são os mexicanos que cruzam a fronteira e não temos nenhum líder que lhes diga olhem, não são mexicanos que estão a tomar postos de trabalho, são os capitalistas que não estão a investir para criar empregos. Essa é a situação, Chury, de um império em decadência mas que ainda não está no ponto de ser transformado.

Chury: Pareceu-nos uma análise magnífica, Petras. Falta falar da reunião do aquecimento global onde parece que os êxitos até agora foram mínimos.

Petras: Sim, e há uma coisa que me surpreende muito, que é toda a imprensa de esquerda, progressista, ter entrado neste jogo do Evo Morales de falar na Pachamama e na terra sagrada e não olhar a realidade. A realidade é que há mais de cem empresas mineiras estrangeiras ou copatrocinadas entre capital multinacional e o estado da Bolívia, que estão contaminando a água, o ar e as próprias terras. E não há qualquer discussão sobre o facto de que há cem empresas – o máximo de toda a América Latina – a extrair minerais e a contaminar o ambiente.

Vão para lá encantados com o discurso das terras indígenas sagradas, a Pachamama, etc, sem levar em conta o seu próprio meio ambiente. Em torno de Cochabamba, a duas horas de caminho para Potosí, há dois dias a comunidade indígena levantou-se e queimaram a agência do Sumitomo, que é uma empresa japonesa que está ali a explorar minas de prata e a contaminar a comunidade, convidada por Evo Morales; e todos os seus funcionários estão a apoiar a empresa. Os indígenas, indignados, ocuparam os escritórios, queimaram-no e continuam a protestar.

Mas apesar disso os intelectuais, os turistas de esquerda que vão de um Congresso para outro, não vão falar com esses indígenas, não vão vê-los. Vão voltar e a dizer: magnífica a política ambiental de Evo Morales. Vão trazer vídeos, tirar fotografias, gravar as palestras, enquanto em seu redor não há qualquer reforma agrária, as grandes plantações de 100 mil hectares continuam a concentrar a sua produção com produtos químicos fertilizantes e pesticidas. Graças às subvenções de Evo Morales as petrolíferas e empresas de gás continuam a canalizar os recursos para fora, etc, etc.

Por isso digo que não vou a estas conferências. Os presidentes convidam-me muitas vezes. Correa convidou-me para a sua inauguração mas não vou porque é uma forma de ser cúmplice desta hipocrisia de líderes supostamente progressistas que continuam a fazer os mesmos contratos com as multinacionais que os governos anteriores faziam. Por esta razão creio que a causa não avança a partir destes fóruns, porque não se discutem os problemas dos países que organizam a conferência.

Devemos notar que Evo Morales tem uma maquinaria envolvendo muitos dirigentes indígenas, uma maquinaria política que deu subvenções e dinheiro a estes dirigentes. E esses dirigentes vão aparecer nesta conferência, muitos, uns dois ou três mil, vão falar das terras sagradas e do grande presidente indígena, alguns inclusive querem nomeá-lo para o prémio Nobel e as pessoas vão sentir que esta manifestação é uma indicação da popularidade e do afecto existente. Mas não vão visitar as minas, ver as condições sub-humanas que existem não só entre os próprios mineiros como os efeitos que tem sobre a comunidade.

Não vão visitar as plantações para ver os aviões a lançarem produtos químicos e a afectarem os jornaleiros no campo. Esta é a grande tragédia da esquerda que continua com este ópio. O ópio dos intelectuais é precisamente a retórica esquerdosa dos presidentes progressistas. O novo ópio não é a religião e sim a retórica contra todos os males do mundo enquanto cometem os mesmos males.

Chury: Petras, lemos uma notícia sobre esse acordo de compra de armas modernas do governo do Brasil e este estreitamente de fileiras entre o poder militar dos Estados Unidos e o Brasil.

Petras: Bem, é uma política de Lula que sempre fala pela esquerda e trabalha pela direita. Há muito tempo que combina esta política, desde que foi eleito, praticando e implementando o programa do Fundo Monetário, com o excedente de 4,4% do orçamento a acumular reservas para garantir os bancos, enquanto se financia com alguns milhões os programas de pobreza, que dão aos mais pobre uns quarenta dólares.

Então ele tem uma dupla política. Mil milhões para os banqueiros e investidores e alguns milhões para os pobres. Na política externa tem relações com a Venezuela, condena a intervenção e o golpismo, e enquanto isso está a pressionar Chávez a abrir as portas para o capital estrangeiro. Passa-se o mesmo com a Colômbia, criticando as bases militares e depois firmando um acordo militar com os Estados Unidos. É uma combinação de populismo e conservadorismo. Criticar os Estados Unidos e firmar acordos; gastar 4,4 mil milhões em compras de armas enquanto os habitantes das favelas não têm um sistema de drenagem para evitar os desabamentos de lodo que destruíram mais de 300 vidas. Parece-me que esse é o carácter de Lula. 
 
O original encontra-se em http://www.lahaine.org/index.php?blog=3&p=44936

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
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III ENCONTRO NACIONAL DA INTERSINDICAL

III ENCONTRO NACIONAL DA INTERSINDICAL
13, 14 e 15 de Novembro/10 em Campinas/SP 

A Intersindical - Instrumento de luta e organização da classe trabalhadora realiza seu III Encontro Nacional no mês de novembro na cidade de Campinas.

O Encontro Nacional está sendo precedido de plenárias estaduais em todas as regiões do País. Na pauta a analise da realidade, as mobilizações da classe trabalhadora a partir dos locais de enfrentamento contra o Capital e seu Estado e a consolidação da Intersindical como uma organização que não sucumbiu ao chamado fácil da institucionalidade a qualquer custo.

Os ramos que se organizam na Intersindical também farão plenárias nacionais que antecedem ao nosso III Encontro.

Como parte das atividades que organizam e preparam o Encontro Nacional lançaremos no mês de julho a 3ª publicação da Intersindical, dando continuidade ao trabalho de Formação que potencializa nossa ação na luta de classes.

A energia concentrada das mulheres e homens da classe trabalhadora que constroem a Intersindical está na organização da luta a partir dos locais de trabalho, moradia e estudo e não em espaços superficiais e completamente distantes da classe.

Nos enfrentamentos diretos contra o Capital e seus governos, nas disputas contra os velhos e novos pelegos, resgatando os Sindicatos como instrumento de luta dos trabalhadores aqui está a Intersindical. Nas lutas cotidianas a construção de uma sociedade sem explorados e exploradores, uma sociedade socialista.


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A Cancún que ninguém vê .

A Cancún que ninguém vê fala 50 línguas 'proibidas' e não pode ir à praia

Indispensáveis para o funcionamento do turismo no balneário mexicano, centenas de milhares de pessoas vivem e trabalham em condições precárias, além de sofrerem discriminação racial 

As águas azuladas de Cancún, cidade conhecida como a “pérola do Caribe”, permeiam o sonho de turistas do mundo todo. Principal destino do México, o município de cerca de 700 mil habitantes recebe mais de três milhões de turistas a cada ano – a grande maioria vinda dos Estados Unidos, seguidos por canadenses e espanhóis.

Os turistas são como a norte-americana Beverly Alston, de Nova Jersey, que vêm todo ano com a família para se hospedar em luxuosos resorts na região. “Amamos o México. Vamos voltar mais vezes”, diz ela ao embarcar em um cruzeiro acompanhada da filha e do marido.

Até a década de 1970, Cancún não passava de um vilarejo de pescadores com cerca de dois mil habitantes. Apostando no potencial do turismo internacional (70% dos turistas são estrangeiros), o governo implantou uma urbanização voltada para o turismo de luxo. 

Não tão longe das praias paradisíacas vivem os habitantes - quase invisíveis - de Cancún

Abriram-se largas avenidas, seguindo o modelo norte-americano, abrindo espaço para as cadeias de hotéis – inicialmente o plano inicial era construir não mais do que 200, oferecendo cerca de 17 mil quartos. Hoje em dia, há mais de 32 mil quartos de hotel em Cancún, segundo dados da Prefeitura.

“Isso aqui é a Pequena Miami”, brinca o ativista Alejandro Eguiá Liz, diretor da ONG Tzol K’in, que trabalha com mexicanos que sofrem com os impactos do turismo. Ele aponta para a zona hoteleira: uma faixa de 17 quilômetros que margeia a praia com hotéis como Mariott e Hilton, além de
resorts como “Casa de los Sueños Resort”, “Crown Paradise” e “Moon Palac”, cujos valores de diária podem chegar até cinco mil dólares. A zona hoteleira também oferece bares consagradas nos EUA, como Hard Rock Café e Hooters, boates e lojas de luxo como Armani, Cartier e Dolce & Gabanna. 

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Geografia do México, 67% dos turistas que chegaram à região em 2008 se hospedaram em hotéis cinco estrelas, e outros 14% em hotéis de quatro estrelas.

“Nós vivemos muito longe de Deus e muito perto dos EUA”, brinca Alejandro com a citação do ditador mexicano Porfirio Díaz, ao explicar que os habitantes não têm acesso às praias da cidade. “Cada hotel tem sua faixa de areia com serviço de bar e restaurante. As entradas, obrigatórias por lei, são de difícil acesso”.


O pedreiro Daniel Paz Gómez, de 27 anos, conta que, embora trabalhe construindo hotéis na beira da praia, raramente visita a orla. “Se entramos, os seguranças vêm atrás da gente”, conta ele, que é do interior da região de Chiapas, no sul.


Cancún é uma cidade de migrantes como Daniel. Atraídos pela promessa de melhor remuneração e gorjetas em dólar, pessoas de vários lugares ajudaram a formar o mais vertiginoso fluxo migratório interno do México. Estima-se que nada menos que 50 línguas nativas sejam faladas na cidade. Até hoje, Cancún ostenta um dos mais altos índices de crescimento urbano do país - 9% ao ano, segundo a prefeitura.


Mas essa diversidade cultural é escondida pelos hotéis, segundo Alejandro, que, antes de se dedicar ao terceiro setor, trabalhou como treinador de equipes em redes hoteleiras. “Os trabalhadores não podem falar espanhol entre eles, imagine suas línguas nativas”.


Passeando pela praia, os turistas canadenses Alana e Donny Smith confirmam que não tiveram que falar uma só palavra em espanhol desde que chegaram. “Os funcionários sempre se esforçam para 

Mas, para o carregador de malas Arturo Ek Rodríguez, o maior problema é mesmo o preconceito contra os indígenas, que habitam a região desde tempos pré-colombianos. “Tive de procurar muitos hotéis antes de conseguir este trabalho”, diz ele. “Disseram-me várias vezes que eu não tinha a altura adequada e que não tinha o perfil. Tinha de ter a pele mais branca e um biotipo mais europeu”, explica.

“Os funcionários são ensinados a ser servis e nunca reclamar”, diz Alejandro Eiguá. Uma terapeuta corporal que não quis se identificar contou à reportagem do
Opera Mundi que foi demitida do resort onde trabalhava por tentar organizar as colegas de trabalho para reivindicar melhores condições. O sindicalista Salvador Reyes Trinidad, dirigente da Federação Revolucionária de Empregados e Trabalhadores, diz que muitos têm medo de se filiar aos sindicatos. “A pressão é muito forte porque os gerentes dizem que há muitos outros como você querendo o emprego”, conta.

Segundo ele, um dos grande problemas é o uso frequente de contratos temporários de 28 dias que, na prática, retiram quaisquer direitos do trabalhador. Segundo ele, grande parte dos trabalhadores como construtores, faxineiros e encanadores trabalham com esses contratos, renovados infinitas vezes. “No caso do setor gastronômico, os hotéis costumam contratar empresas terceirizadas, que não pagam a previdência e ficam mudando o empregado de hotel, evitando qualquer relação duradoura com os colegas e patrões”, diz.


Outro problema é relatado pela imigrante Rubí Argaez, que mora em uma das 300 favelas que se espalham pela periferia de Cancún – quase sempre escondidas atrás de grandes avenidas e terrenos baldios. “Eu vim com minhas duas filhas procurando uma vida melhor, mas o sonho não se realizou”, conta. Segundo ela, o trabalho em hotéis era desgastante demais porque frequentemente era obrigada a cumprir jornadas duplas ou triplas sem poder voltar para casa, nem reclamar. “Ficava com medo de deixar as meninas sozinhas”. 

Rubí Argaez, ao lado de uma das filhas, faz bicos na construção civil e como babá 

A favela Colonia Maracuya, onde Rubí mora, fica a cerca de 20 minutos da zona hoteleira – mas parece um mundo à parte. Situada atrás de uma enorme loja de departamentos no extremo norte da cidade, a favela abriga cerca de 200 habitantes em precárias casas de madeira, sem abastecimento oficial de eletricidade, água ou esgoto.

Rubí, que ganha algum dinheiro fazendo bicos na indústria da construção ou como babá, conta que teve muitas dificuldades para que as filhas fossem admitidas em uma escola pública. “Não aceitavam minha declaração de que eu moro aqui na Colonia, já que eu não tenho um comprovante oficial”, diz ela.


A crise

A crise mundial chegou a Cancún de maneira violenta. Em 2008, o nível de desemprego subiu de 3% para 8%. Além do impacto na economia por conta da dependência econômica dos EUA – que levou o PIB mexicano a uma queda de 6,5% em 2009 – a gripe suína afastou ainda mais os turistas, deixando milhares de quartos de hotéis desocupados. Os mais afetados foram os trabalhadores do setor.

No município de Playa del Carmen, em uma praia ao lado da agitada rua Benito Juárez, dezenas de pedreiros ficam sentados desde as seis da manhã à espera de um possível empregador que ofereça trabalho por pelo menos um dia. Muitos carregam mochilas com ferramentas de trabalho. Normalmente, o pagamento é de 150 pesos (cerca de 20 reais) mas, nos últimos anos as condições têm sido cada vez piores.


“Tem pouco trabalho agora,” diz o pedreiro José Louis Bolaños. Nascido no interior, mas morando em Cancún há oito anos, ele comenta que muitos dos empregadores não pagam o dinheiro devido. “Esse cara aí não é de confiança”, explica, apontando para um homem que estaciona um furgão ao lado da praça e logo é cercado por uma dezena de candidatos ao trabalho. “Trabalhei com eles uma semana e depois ele desapareceu. Fiquei sem o dinheiro”.  Para amenizar o impacto da crise, uma das estratégias usadas por agências de turismo e redes hoteleiras no balneário mexicano de Cancún tem sido apostar ainda mais nos pacotes com “tudo incluído” no preço. O visitante paga bem menos pelo voo, incluindo todas as refeições, estadia e diversão no próprio hotel. Dentro dos
resorts, há restaurantes, boates, clínicas de massagem, salão de jogos e até shows exclusivos para os hóspedes.

“Parecem verdadeiras mini-cidades”, diz Astrid Cavazos, gerente do hotel Porto Royal. Ela admite que os comerciantes locais não podem competir, já que os preços oferecidos pelos pacotes são muito mais baixos.


O comerciante Rubén Cahán, dono de uma lojinha de lembranças a oito quarteirões dos
resorts de Playa del Carmen, diz que muitos turistas nem chegam a sair do hotel, o que tem um sério impacto nos negócios. “Está cada vez mais difícil”, diz ele. “Alguns turistas falam que as lojinhas de nativos ficam muito longe”. 

FONE OPERA MUNDI


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2 de mai. de 2010

O desfile dos “obrigados”

Vladia Rubio

Algumas agências e blogueiros andam dizendo que neste desfile de Primeiro de Maio os cubanos foram desfilar sob ameaça, pressionados pelos administradores de centros de trabalho e diretores de escolas.

Se vê que sabem pressionar bem esses diretores, aposto que mais de meio milhão de cidadãos da capital – e ninguém deu o número oficial – lotaram a Praça da Revolução neste sábado de sol e orgulho. Isso para não falar do resto das mais importantes praças e avenidas do país que igualmente ficaram repletas de compatriotas vestindo as cores da bandeira cubana.

Além disso, é estranho que nenhum foto como a que ilustra este artigo, feita pela equipe de foto-reportagem de Bohemia, foi difundida pelos correspondentes das referidas agências, e tão pouco pelos blogueiros sensacionistas. Com o trabalho que divulgam os mal chamados “jornalistas independentes”, para tirar de onde não há as mais esdrúxulas conclusões, resulta que nenhuma imagem, como esta, eles comentaram, mesmo estando visível aos olhos de qualquer um.

Acontece que tudo o que encoraja nesta grande Ilha é uma só obrigação a animar essa multidão que desfilou neste Dia Internacional dos Trabalhadores: um compromisso, sim, mas com eles mesmo e sua dignidade. A Pátria convocou e só imaturos ficaram sentados.

Uma magnífica galeria de fotos do Desfile encontra-se em Bohemia


Traduzido por Dario da Silva

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1º DE MAIO- DIA DE LUTA E LUTO

1º de Maio, ato unificado em Niterói.

CAMINHADA- MORRO DO CÉU AO MORRO DO BUMBA.

NINGUÉM CALA O PCB.




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ACEITE UM PRESENTE DO POVO PALESTINO. SUA ARTE !

São obras de artes do pintor palestino Ismail Shammout.




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1 de mai. de 2010

1º de Maio na Luta e com os Trabalhadores - Nota política do PCB/RJ


Partido Comunista Brasileiro – PCB
Fundado em 25 de Março de 1922
Comitê Regional RJ

1° de Maio na Luta e com os Trabalhadores

O Partido Comunista Brasileiro – PCB, vem a público, neste primeiro de maio, dia internacional de lutas, saudar os trabalhadores do Estado do Rio de Janeiro que, mesmo em condições adversas, buscam construir melhores condições de vida para a população, conquistar melhores salários e condições de trabalho, lutam para se organizar nas fábricas, nos bancos, nos escritórios, nas escolas, no comércio, nos bairros e no campo na perspectiva de uma nova vida, de um mundo socialista. Lembramos dos militantes da juventude, que buscam também a organização dos jovens trabalhadores, dos estudantes das escolas secundárias e técnicas e das universidades, procurando difundir a chama da rebeldia e da luta por um mundo melhor.

Os trabalhadores deste Estado vêm sofrendo pesados ataques à sua condição de vida e trabalho há muito tempo. A perda de direitos e o achatamento salarial vêm se acirrando desde o governo tucano de Marcelo Alencar e continuam no momento, com Sérgio Cabral. 

A privatização dos espaços urbanos, dos serviços e da própria vida, foram marcas desses governos, que colocaram e continuam a colocar a administração de nosso Estado cada vez mais nas mãos das elites empresariais, de grupos brasileiros e estrangeiros, ou seja, do grande capital. 

A partir dos programas de privatizações, o sistema de transporte público entrou em falência. Trens, Ônibus, Metrôs, Barcas, nada funciona. A população é cada vez mais refém dos engarrafamentos, dos trens quebrados e lotados, das empresas de transportes que tudo prometem, mas nada fazem.

Por outro lado, a falta de programas habitacionais leva os mais necessitados a morar em áreas de risco. As últimas chuvas mostraram o resultado do descaso dos governantes para com o povo do Rio de Janeiro. Não nos é dada nenhuma alternativa para o nosso suor cotidiano de ônibus lotado, exploração e dificuldades. 

Enquanto isso, os serviços de saúde do Estado são sucateados, pelo governo Cabral, que promove a destruição do IASERJ e fantasia a realidade de precariedade da rede ambulatorial com as UPAs, nas quais faltam médicos especializados.

O cenário não é diferente na área da educação, com escolas em verdadeira decomposição, alugadas, professores com os piores salários do país e em condições totalmente desfavoráveis para cumprir seu dever de lecionar. 

O direito ao lazer e à cultura são oferecidos somente a uma parcela da sociedade. Para a grande maioria, a simples ida ao teatro, cinema e museu, passa a ser uma peregrinação de horas de viagens. Assim como na saúde, camuflam a realidade com medidas paliativas como teatros de arenas e lonas culturais.

O povo do Rio de Janeiro é bombardeado com a ilusão de que, com a Copa do Mundo de 2014 e com as Olimpíadas de 2016, tudo se resolverá. Infelizmente a realidade ficou clara com as iniciativas durante a realização do Pan Americano de 2007, onde a cidade do Rio de Janeiro virou um canteiro de obras, sem nenhum retorno para os trabalhadores e o povo carioca.

É preciso cada vez mais a unidade dos trabalhadores, dos lutadores sociais, das associações de moradores, sindicatos, movimentos estudantis e demais seguimentos organizados.

Nós, do Partido Comunista Brasileiro, há 88 anos organizamos atividades no dia primeiro de maio, muitas vezes sob os rigores da clandestinidade, na ilegalidade ou na democracia disfarçada, e sempre apontamos a mesma palavra de ordem, pois os problemas da classe trabalhadora e as suas causas continuam os mesmos. Para a superação do capitalismo, um único caminho: “ Trabalhadores de todos os Países, uni-vos!”

Nenhum direito a menos, avanço nas conquistas!
Contra a criminalização dos movimentos sociais – lutar não é crime!
Contra a mercantilização e a privatização dos espaços urbanos!
Redução da Jornada de trabalho sem redução salarial!
Por uma reforma agrária sob controle popular!
Viva o Dia do Trabalhador!
Viva o Comunismo!
Veja a Página do PCB: www.pcb.org.br
Entre em contato, a causa também é sua: (21) 2509-2056 / pcbrj@pcb.org.br
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PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO – PCB / RJ
Rua Teotônio Regadas n° 26, 402 – Lapa, Rio de Janeiro, RJ